sábado, 19 de setembro de 2026

Sintomas respiratórios atingiram 92% da população brasileira no último ano

Uma pesquisa inédita revelou que 92% dos brasileiros relataram algum tipo de sintoma respiratório no último ano. O levantamento, publicado na última terça-feira (25), mostra ainda que 62% acreditam que tosse ou falta de ar só precisam ser avaliadas por um médico quando começam a limitar as atividades do dia a dia.

Realizada pelo Datafolha em parceria com a farmacêutica GSK, a pesquisa acende um alerta para a normalização de sintomas respiratórios.

Entre os entrevistados, 92% concordam que pessoas que fumaram durante muitos anos terão problemas respiratórios. O levantamento mostra ainda que 57% consideram normal sentir falta de ar à medida que as pessoas envelhecem, enquanto outros 57% avaliam que a tosse frequente é um efeito normal do tabagismo.

<><> Apenas 1 em cada 10 brasileiros conhecem doença de alta letalidade causada pelo tabagismo

A pesquisa inédita do Datafolha,  revelou que apenas 10% dos brasileiros, um em cada dez, conhecem ou já ouviram falar da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). O levantamento mostra ainda que somente 3% dos entrevistados sabem identificar corretamente o significado da sigla.

A DPOC é uma doença que afeta principalmente os pulmões e dificulta a respiração. O tabagismo é considerado um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença, incluindo o uso de cigarros e outros dispositivos destinados ao consumo de tabaco.

<><> Entenda a estrutura da pesquisa

A pesquisa foi estruturada em dois módulos independentes. O primeiro foi uma etapa quantitativa, representativa da população brasileira, com 2.004 entrevistas.

O segundo módulo foi focado na jornada de cuidados e contou com uma amostra intencional de 213 pacientes diagnosticados com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou rinossinusite crônica com pólipos nasais.

Essa segunda etapa foi realizada nas capitais São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA).

"Compreender o comportamento da sociedade frente às doenças respiratórias crônicas é fundamental para transformarmos a jornada de cuidado. O estudo mostra que a falta de informação e a aceitação passiva dos sintomas ainda são barreiras críticas para que as pessoas busquem ajuda e alcancem uma vida com mais qualidade e controle da saúde", destaca a Dra. Mariana Gazzotti (CREFITO-3 44501-F), Diretora Médica de ImunoResp e Produtos Estabelecidos da GSK Brasil.

•        Exercício e mudança de hábitos controlam asma grave, diz estudo

Adultos com asma moderada a grave podem obter melhora semelhante no controle da doença tanto com exercícios aeróbicos estruturados quanto com mudanças de hábitos para reduzir o sedentarismo. É o que mostra um estudo conduzido por pesquisadores da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e publicado na revista científica Pulmonology.

O ensaio clínico acompanhou 52 pacientes fisicamente inativos, com idades entre 18 e 65 anos, que já realizavam tratamento medicamentoso para a doença. Os participantes foram divididos em dois grupos e acompanhados durante oito semanas de intervenção, além de um período de quatro meses de acompanhamento.

Um dos grupos participou de sessões de exercícios aeróbicos em esteira, realizadas duas vezes por semana, durante 45 minutos, com intensidade individualizada a partir de testes cardiopulmonares.

O outro recebeu uma intervenção voltada à mudança de comportamento, com orientações para aumentar a atividade física no cotidiano e reduzir o tempo sentado, além do uso de um relógio inteligente que emitia alertas após longos períodos de inatividade e quando a meta diária de passos era atingida.

Segundo os pesquisadores, as duas estratégias apresentaram eficácia semelhante na melhora do controle clínico da asma, avaliado por meio do ACQ-6 (Asthma Control Questionnaire). Os benefícios observados ao final das oito semanas permaneceram durante o acompanhamento realizado quatro meses depois.

Além da melhora no controle da doença, os participantes dos dois grupos apresentaram ganhos na qualidade de vida, medidos pelo AQLQ (Asthma Quality of Life Questionnaire).

A pesquisa também identificou redução dos sintomas de ansiedade e depressão entre os participantes. De acordo com os autores, pessoas com asma moderada a grave frequentemente enfrentam impactos emocionais e comportamentais relacionados à doença, o que torna esses resultados relevantes para o tratamento integral dos pacientes.

Outro achado do estudo foi a diminuição das barreiras pessoais e ambientais para a prática de atividades físicas. Segundo os pesquisadores, isso indica que tanto programas de exercícios supervisionados quanto estratégias voltadas à mudança de hábitos podem estimular a adoção de um estilo de vida mais ativo.

Para o primeiro autor do estudo, o pós-doutorando da FMUSP David Halen Araujo Pinheiro, os resultados ampliam as possibilidades de tratamento não farmacológico da asma.

"Os resultados são muito relevantes, porque demonstram que as duas intervenções melhoram o tratamento de pessoas com asma. Sendo assim, a opção por uma delas pode ser baseada na preferência do paciente e na disponibilidade dos profissionais de saúde", afirmou.

Os autores destacam que os exercícios físicos e o aumento da atividade no dia a dia não substituem o tratamento medicamentoso, mas funcionam como terapias complementares recomendadas pelas diretrizes internacionais para pacientes com asma moderada a grave.

•        Dieta rica em açúcar pode piorar a asma já no curto prazo, diz estudo

O consumo de açúcar está associado a uma maior incidência de cáries, ao ganho de peso e, no longo prazo, pode contribuir para o surgimento de resistência à insulina ou diabetes. Para quem sofre de asma, o impacto pode ser ainda maior.

Um novo estudo com camundongos, publicado na revista Nutrients e divulgado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), mostrou que a ingestão de altas doses de açúcar piora severamente a inflamação pulmonar em curto prazo, agravando o risco de crises alérgicas.

No trabalho os camundongos receberam a quantidade regular de ração e, além disso, tiveram o consumo de leite condensado liberado. Em apenas duas semanas – período que em humanos equivaleria a aproximadamente dois anos – os efeitos negativos já começaram a surgir nos animais.

De acordo com os autores, este é o primeiro estudo com um modelo experimental de asma a mostrar a rapidez com que o açúcar pode agravar quadros inflamatórios.

“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada. Os resultados, portanto, têm um impacto importante tanto na prática clínica quanto na formulação de políticas públicas”, comenta Caroline Marcantonio Ferreira, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC, que coordenou o estudo enquanto ainda trabalhava na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Na avaliação da cientista, o achado reforça a necessidade de iniciativas voltadas à redução do açúcar, especialmente entre populações vulneráveis, como crianças e pessoas com doenças respiratórias crônicas.

<><> Fator de risco

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo e cuja prevalência tem aumentado nas últimas décadas. A doença é caracterizada por uma série de alterações no sistema respiratório decorrentes da resposta inflamatória.

Nos pulmões, ocorre o aumento da espessura dos brônquios – os tubos que conduzem o ar até o órgão. Além desse estreitamento, há um incremento na produção de muco, que se acumula e dificulta ainda mais a respiração.

De forma sistêmica, o organismo ativa uma resposta imunológica típica de casos de alergia, com liberação de moléculas pró-inflamatórias e produção de anticorpos específicos. Todo esse processo causa sintomas como dificuldade para respirar, chiado no peito e tosse persistente.

Com base nos achados do artigo, financiado pela Fapesp, os autores alertam que pessoas com asma devem controlar a ingestão de açúcar assim como controlam no ambiente a presença de mofo, poeira e poluição – outros fatores que sabidamente podem desencadear crises asmáticas.

“O açúcar não é apenas uma caloria vazia, é um agente inflamatório ativo, capaz de alterar o equilíbrio imunológico muito antes de qualquer ganho de peso visível. E é preciso lembrar que a adequação da dieta é uma estratégia barata, acessível e extremamente eficiente, que deve ser implementada com o tratamento medicamentoso de pacientes com asma”, afirma Mateus Casaro, coautor do estudo.

<><> Origem da inflamação

Por meio dos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores demonstraram que o açúcar causa uma inflamação sistêmica que começa na gordura armazenada no abdômen, envolvendo órgãos vitais como fígado, pâncreas e intestinos.

Esse tecido adiposo visceral passa a produzir substâncias inflamatórias (como o hormônio leptina e as citocinas), que viajam pelo corpo e intensificam a resposta alérgica nos pulmões. As análises também indicam que células de defesa em estado inflamatório podem migrar da gordura abdominal para os pulmões.

“Essa é a principal hipótese para explicar por que o açúcar piora a inflamação da asma. Observamos que o açúcar provoca inflamação no tecido adiposo mesmo em animais que não têm asma. Nos que consomem açúcar, mas não são alérgicos, o pulmão permanece normal, mas a gordura fica inflamada. Isso sugere que o processo começa na gordura e que substâncias liberadas ali acabam migrando para o pulmão, onde intensificam uma resposta alérgica já existente”, explica Ferreira.

Embora o estudo tenha sido realizado especificamente com um modelo experimental de asma, diz a pesquisadora, é bem provável que o alto consumo de açúcar também agrave inflamações preexistentes em outros órgãos. “Realizamos um estudo parecido sobre dermatite. Os resultados também mostraram uma exacerbação da inflamação na pele, em um curto período”, afirma.

Como ressaltam os especialistas, a dieta rica em açúcar sozinha não é capaz de causar asma, mas atua como um potente amplificador da inflamação. “Nenhum animal sem asma induzida apresentou a doença após consumir grandes quantidades de leite condensado. Já nos animais que possuíam a sensibilidade alérgica, o açúcar aumentou drasticamente o muco nas vias aéreas e o recrutamento de células inflamatórias”, completa Ferreira.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: