Poucas
horas de sono podem aumentar o risco de diabetes? Saiba o que diz a ciência
Uma
noite curta pode começar com um compromisso que terminou tarde, algumas horas a
mais diante do celular ou simplesmente pela dificuldade para pegar no sono.
Quando
isso deixa de ser uma exceção e passa a fazer parte da rotina, outras questões
começam a surgir: o que a falta de descanso pode mudar no organismo? E até que
ponto o sono pode estar relacionado ao diabetes?
A
relação entre sono e saúde metabólica vem sendo estudada pela ciência,
principalmente quando o descanso insuficiente se torna frequente. Entender o
que acontece no organismo nesses períodos ajuda a explicar por que a qualidade
do sono também merece atenção.
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Será que dormir pouco pode aumentar o risco de diabetes?
O que
as pesquisas indicam é que a falta de sono frequente pode estar associada a
alterações metabólicas que favorecem o desenvolvimento do diabetes tipo 2, mas
isso não significa que uma noite mal dormida vá causar diabetes.
Contudo,
a privação de sono pode afetar a forma como o organismo responde à insulina,
favorecendo a sua resistência. Ela também pode interferir na regulação do
apetite e em outros processos relacionados ao metabolismo. A Associação
Americana de Diabetes (ADA) considera que existe uma relação entre a duração do
sono e o risco de diabetes tipo 2, e indica que tanto dormir pouco quanto
dormir por períodos muito longos estão associados a um risco maior da doença.
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O diabetes também pode atrapalhar o sono
A
relação entre diabetes e sono funciona nos dois sentidos. Pessoas que já têm
diabetes também podem apresentar alterações no descanso, já que sintomas da
própria doença e necessidades relacionadas ao tratamento podem interromper o
sono.
A ADA
destaca que distúrbios do sono, como apneia obstrutiva do sono e insônia, são
comuns em pessoas com diabetes. Oscilações da glicemia durante a noite,
episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia podem provocar sintomas e dificultar
a continuidade do sono. Além disso, a necessidade de levantar durante a
madrugada para urinar também pode fragmentar o descanso. Por isso, avaliar a
qualidade do sono faz parte de uma abordagem mais ampla de cuidados com a
saúde.
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Quantas horas são necessárias?
Para
adultos, a duração considerada adequada costuma ficar em torno de sete a nove
horas por noite. Mas a necessidade individual pode variar. Entretanto, as
evidências não indicam que simplesmente dormir o maior número possível de horas
seja melhor.
A
relação entre duração do sono e risco de diabetes tipo 2 se apresenta um
formato de “U”: tanto dormir pouco quanto dormir excessivamente estão
associados a maior risco, enquanto o menor risco costuma aparecer em torno de
sete a oito horas.
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Como ter uma rotina de sono mais saudável
Manter
uma rotina regular pode melhorar a qualidade do sono. Algumas medidas
recomendadas incluem:
• manter horários semelhantes para dormir
e acordar;
• reduzir o uso de telas antes de dormir;
• deixar o quarto escuro, silencioso e
confortável;
• evitar cafeína próximo ao horário de
dormir;
• praticar atividade física durante o dia;
• estabelecer uma rotina relaxante antes
de deitar.
A
Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda que pessoas com diabetes
recebam orientações e apoio para manter hábitos que favoreçam a qualidade do
sono. Quando há sinais de distúrbios, como apneia do sono ou insônia
persistente, a entidade orienta considerar avaliação diagnóstica e
acompanhamento especializado.
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Dormir bem também faz parte dos cuidados com a saúde
As
evidências disponíveis não indicam que simplesmente dormir mais seja uma forma
de prevenir o diabetes. O que os estudos mostram é uma associação entre padrões
inadequados de sono, como dormir pouco, dormir demais ou ter um sono de baixa
qualidade, e um maior risco de desenvolver a doença.
O sono
também não substitui alimentação equilibrada, atividade física, medicamentos
quando prescritos ou acompanhamento de saúde. Para quem já convive com diabetes
cuidar da qualidade e da regularidade do descanso pode fazer parte desse
conjunto de cuidados e contribuir para uma rotina mais adequada de controle da
saúde e da glicemia.
• 3 bebidas que pessoas com diabetes podem
tomar sem risco da glicose no sangue aumentar
O que
uma pessoa com diabetes bebe ao longo do dia também pode interferir na
glicemia. Enquanto algumas bebidas concentram açúcar e carboidratos capazes de
elevar rapidamente a glicose no sangue, outras têm pouco ou nenhum carboidrato
e podem fazer parte da rotina sem provocar esse mesmo efeito.
A
escolha, porém, exige atenção. Uma bebida que parece não ter açúcar pode ganhar
carboidratos dependendo da forma de preparo, dos ingredientes adicionados ou
até da versão encontrada no supermercado.
As
recomendações atuais da Associação Americana de Diabetes (ADA) orientam
priorizar a água e substituir bebidas adoçadas com açúcar por água ou opções
com poucas ou nenhuma caloria. Mas quais bebidas entram nessa lista e por que
elas têm pouco impacto direto na glicose?
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1. Água com ou sem gás
A água
não contém carboidratos nem açúcar e, por isso, não provoca aumento da glicose
no sangue pelo fornecimento desses nutrientes.
E a
água com gás?
Do
ponto de vista da glicemia, a água gaseificada sem açúcar segue o mesmo
princípio. O gás responsável pelas bolhas não adiciona açúcar ou carboidrato à
bebida.
O
cuidado está nas versões industrializadas com sabor. Água com gás não deve ser
confundida com refrigerantes, água tônica ou outras bebidas gaseificadas que
podem conter açúcar. Por isso, é importante verificar a lista de ingredientes e
a tabela nutricional.
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2. Café sem açúcar
O café
preto, preparado sem açúcar, leite, leite condensado, xaropes ou outros
ingredientes que forneçam carboidratos, contém quantidade muito pequena de
carboidratos e não costuma provocar uma elevação da glicose semelhante à
observada após uma bebida açucarada.
Isso
não significa que a resposta seja idêntica para todas as pessoas. A cafeína
pode influenciar a glicemia de maneira diferente entre indivíduos. Quem percebe
alterações recorrentes após tomar café pode observar esse padrão e conversar
com a equipe de saúde.
Também
é preciso diferenciar o café preto das bebidas preparadas à base de café.
Açúcar, leite condensado, xaropes, chantilly, chocolate e algumas misturas
prontas podem adicionar quantidades significativas de carboidratos.
Nesse
caso, não é apenas o café que precisa ser considerado, mas tudo o que foi
colocado na xícara.
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3. Chá sem açúcar
Chás
preparados com água e folhas ou ervas, sem adição de açúcar, mel, xaropes ou
outros ingredientes com carboidratos, também apresentam pouco ou nenhum
carboidrato em uma porção habitual.
O
cuidado novamente está na forma de consumo.
Chás
prontos e engarrafados podem conter açúcar adicionado. Por isso, o fato de uma
bebida trazer a palavra “chá” na embalagem não significa necessariamente que
ela terá pouco impacto sobre a glicemia.
Adicionar
açúcar ou mel também muda essa característica. Apesar de o mel ser um produto
natural, ele contém açúcares e pode elevar a glicose no sangue.
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Por que essas bebidas praticamente não fornecem carboidratos?
A
explicação está principalmente na composição das bebidas.
Os
carboidratos dos alimentos e bebidas são uma das principais fontes de glicose
para o organismo. Depois da digestão, eles são quebrados e disponibilizados na
circulação, influenciando a glicemia.
Por
isso, uma bebida com quantidade significativa de açúcar pode elevar a glicose
rapidamente. Já as três opções apresentadas nesta reportagem, quando consumidas
sem açúcar e sem ingredientes que acrescentem carboidratos, fornecem pouco ou
nenhum carboidrato.
A
Associação Americana de Diabetes recomenda que pessoas com diabetes priorizem
água e reduzam bebidas adoçadas com açúcar, incluindo refrigerantes e outras
bebidas açucaradas.
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Atenção ao que é acrescentado no copo
Um
detalhe pode mudar completamente a composição de uma bebida.
Café
sem açúcar é diferente de café com leite condensado ou xarope. Chá sem açúcar é
diferente de chá adoçado com mel. Água com gás é diferente de água tônica
açucarada.
Por
isso, para quem vive com diabetes, observar os ingredientes e a quantidade de
carboidratos informada no rótulo é uma maneira prática de entender melhor o
possível impacto daquela bebida sobre a glicemia.
Também
é importante lembrar que “sem açúcar” não significa necessariamente “sem
carboidratos”. Dependendo dos demais ingredientes, uma bebida pode não ter
açúcar adicionado e ainda assim fornecer carboidratos.
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Há uma situação em que aumentar a glicose é necessário
Existe
uma exceção importante. Durante uma hipoglicemia, o objetivo é justamente
elevar a glicose.
Pessoas
que utilizam insulina ou determinados medicamentos para diabetes podem
apresentar episódios de glicose baixa. Nessas situações, carboidratos de rápida
absorção são utilizados para corrigir a hipoglicemia, seguindo as orientações
estabelecidas com a equipe de saúde.
Fora
desse contexto, escolher bebidas sem açúcar e com pouco ou nenhum carboidrato
pode ajudar a evitar uma fonte de glicose que muitas vezes passa despercebida
no dia a dia.
Fonte:
Um Diabético

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