Apartamento,
filme e dinheiro: os elos de Flávio Bolsonaro com entorno de Vorcaro
A
revelação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou durante a campanha presidencial
um apartamento que pertenceu a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro,
acrescentou mais um episódio à sequência de conexões entre o senador e o
entorno do dono do Banco Master. O caso, revelado nesta semana pela revista
piauí, se soma ao financiamento milionário do filme Dark Horse, encontros e
mensagens com o banqueiro, outro imóvel usado pela família Bolsonaro,
pagamentos ao escritório de Flávio e uma equipe de comunicação que atuava para
Vorcaro e dizia monitorar as redes sociais do senador.
As
conexões têm naturezas diferentes e, isoladamente, não demonstram
irregularidades ou troca de favores. Algumas envolvem diretamente Flávio e
Vorcaro. Outras passam por empresas, imóveis e personagens que aparecem no
entorno dos dois. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República
investigam se a relação financeira em torno de Dark Horse envolveu algum ato de
ofício ou contrapartida parlamentar.
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Apartamento de ex-cunhado de Vorcaro foi usado na campanha
O
episódio mais recente foi revelado pela revista piauí. Segundo a publicação,
Flávio utilizou durante alguns dias de agosto um apartamento na Vila Nova
Conceição, área nobre de São Paulo, para reuniões e gravações relacionadas à
campanha presidencial.
O
imóvel havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e personagem
investigado no caso Master. Zettel comprou o apartamento por R$ 5,5 milhões, em
abril de 2025, e o vendeu em fevereiro deste ano por R$ 3,5 milhões para a WT
Administração, empresa do advogado Willer Tomaz.
Meses
depois, segundo a piauí, Flávio passou a utilizar o local durante atividades de
campanha. A revista confirmou a presença do senador com moradores do prédio e
relatou inclusive a circulação de policiais legislativos. A equipe de Flávio
afirmou que ele se hospedou apenas em hotéis durante suas viagens a São Paulo e
não esclareceu o uso do apartamento apontado pela publicação.
Tomaz é
amigo de Flávio e também aparece em outro imóvel utilizado pela família do
senador.
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Festa da filha levou a outro imóvel do mesmo entorno
Em
fevereiro deste ano, Flávio comemorou os 12 anos da filha caçula em uma mansão
em Angra dos Reis. A relação do imóvel com personagens do caso Master foi
revelada pelo ICL Notícias.
A
propriedade é administrada pela Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio
até setembro de 2025. Uma das cotas pertence justamente à WT Administração, de
Willer Tomaz.
Tomaz
confirmou ao ICL Notícias que cedeu gratuitamente a casa para Flávio realizar a
comemoração. Também afirmou que Vorcaro não tinha participação naquele imóvel
específico.
Outro
cotista, porém, é um fundo ligado a Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro e
outro personagem relacionado ao universo empresarial do Master.
Os dois
episódios têm diferenças importantes: não há indicação de que Vorcaro tenha
cedido qualquer dos imóveis a Flávio. Mas, em poucos meses, o senador utilizou
duas propriedades que passam por personagens ou estruturas empresariais que
também aparecem no entorno do banqueiro.
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Dark Horse revelou a relação direta
A
ligação direta entre Flávio e Vorcaro veio a público inicialmente a partir das
investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Em
maio, o Intercept Brasil revelou áudios que mostravam Flávio negociando
pessoalmente com Vorcaro recursos para a produção. A investigação avançou
posteriormente com documentos e mensagens obtidos pela Polícia Federal.
A PF
passou a descrever Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro nas negociações
e identificou encontros, mensagens e cobranças relacionadas aos recursos
destinados ao projeto.
O
financiamento discutido chegava a US$ 24 milhões. Documentos da investigação
indicam que pelo menos US$ 12,3 milhões foram enviados à estrutura relacionada
ao filme.
A
interlocução continuou mesmo quando o Master já enfrentava dificuldades com o
Banco Central. Flávio cobrou parcelas, acompanhou o andamento dos pagamentos e
articulou contatos de Vorcaro com integrantes da produção.
Em 16
de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro, Flávio enviou uma
mensagem: “estou e estarei contigo sempre”.
Depois
que Vorcaro deixou a prisão e passou a cumprir medidas cautelares, o senador
admitiu que voltou a encontrá-lo pessoalmente. Segundo Flávio, procurou o
banqueiro para colocar um ponto-final na questão do financiamento.
Flávio
sustenta que buscou investimento privado para uma produção cinematográfica e
nega ter oferecido qualquer contrapartida a Vorcaro.
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R$ 500 mil chegaram ao escritório de Flávio
Outra
conexão apareceu na advocacia. Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que, em
abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil
para a Copenhagen Consultoria. As duas foram posteriormente canceladas.
A
Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master e aparece ligada a
personagens investigados no caso.
Dois
dias depois do cancelamento, o escritório emitiu outra nota de R$ 500 mil,
desta vez para a Contábil Correa. Essa foi efetivamente paga.
O
proprietário da Contábil Correa, Rogério Lourenço Novo, posteriormente apareceu
também como diretor da Copenhagen. Uma representação levada à PGR recuperou as
três notas e pediu investigação sobre a efetiva prestação dos serviços.
Flávio
afirma que prestou serviços advocatícios à Contábil Correa, que não recebeu
recursos da Copenhagen e que não houve irregularidade.
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Equipe de Vorcaro dizia monitorar redes de Flávio
A
conexão também chegou à comunicação digital. O ICL Notícias revelou, a partir
de documentos da Polícia Federal, que André Salvador, ligado à UNLTD Network
Brazil, participou da busca por perfis para uma estratégia digital relacionada
a Vorcaro.
Durante
uma dessas conversas, ao explicar como havia localizado um interlocutor,
Salvador escreveu: “Estamos fazendo monitoramento das redes pro Flavio
Bolsonaro também”.
Em
depoimento à PF, o vereador Rony de Assis Gabriel identificou como “Projeto DV”
a operação relacionada a Daniel Vorcaro. Segundo ele, havia uma estratégia para
produzir conteúdos favoráveis ao Master e críticas à atuação do Banco Central.
Não há
evidência pública de que Flávio tenha participado da operação contra o BC nem
de que Vorcaro tenha financiado o monitoramento das redes do senador. Os
documentos mostram, porém, que profissionais envolvidos na estratégia de
comunicação relacionada ao banqueiro também afirmavam trabalhar com as redes de
Flávio.
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Atuação parlamentar entrou no radar
Levantamento
do ICL Notícias mostrou que Flávio atuou em discussões sobre o licenciamento
ambiental para reduzir a possibilidade de responsabilização de instituições
financeiras por danos ambientais causados por empreendimentos financiados por
elas.
Depois,
o senador apresentou a Emenda 157 à Medida Provisória 1.308/2025, que buscava
restabelecer proteção semelhante aos bancos.
Naquele
período, o Master tinha exposição relevante ao setor de mineração. O banco
havia concedido R$ 152,9 milhões à 3D Minerals, tendo como garantia metade das
cotas de uma empresa que adquirira 116 áreas destinadas à exploração de
minerais críticos.
O
crédito havia sido transferido ao BRB em julho de 2025, antes da apresentação
da emenda por Flávio. Também não existe, até agora, evidência pública de que
Vorcaro tenha pedido ao senador que apresentasse a proposta ou de que essa
atuação parlamentar tenha ocorrido em troca do financiamento de Dark Horse.
A
eventual existência de contrapartidas passou a ser uma das questões sob
investigação.
Vista
em conjunto, a relação que apareceu inicialmente em torno do financiamento de
um filme hoje alcança diferentes episódios: encontros e mensagens entre Flávio
e Vorcaro, dinheiro destinado a Dark Horse, pagamentos ao escritório do
senador, dois imóveis utilizados por Flávio que passam por personagens do
entorno do Master e profissionais de comunicação presentes nos dois universos.
A
investigação agora busca estabelecer se essas conexões permaneceram no campo
das relações pessoais, comerciais e profissionais ou se alguma delas alcançou a
atuação parlamentar de Flávio Bolsonaro.
• Viagens e imóveis aproximam Flávio de
advogado investigado na fraude do INSS, diz jornal
O
senador Flávio Bolsonaro estreitou nos últimos anos a relação com o advogado
Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento no
escândalo do INSS. A aproximação inclui viagens internacionais,
compartilhamento de imóveis e jatinhos, além de parcerias em processos
judiciais. Em março de 2025, nove meses antes de lançar sua candidatura à
Presidência, Flávio viajou com familiares e amigos para a África do Sul, onde
participou de um safári ao lado de Willer e do senador Weverton Rocha (PDT-MA),
também investigado no caso. As informações são de Patrik Camporez, do jornal O Globo.
No mês
passado, Tomaz ainda cedeu a Flávio um apartamento na Vila Nova Conceição, na
Zona Sul de São Paulo, para ser utilizado durante a campanha. A situação foi
questionada por adversários no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o
argumento de que o uso do imóvel deveria ter sido declarado como doação
eleitoral.
O
apartamento também passou a chamar atenção por sua ligação anterior com pessoas
investigadas no caso do Banco Master. Segundo informações divulgadas pela
revista Piauí, o imóvel pertencia anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de
Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco e investigado por suspeitas
relacionadas a fraudes no sistema financeiro.
Tomaz
afirmou que jamais manteve relações pessoais, comerciais ou societárias com
Zettel ou Vorcaro. Flávio, por sua vez, declarou que sua relação com o advogado
é de amizade legítima e que qualquer tentativa de associá-la a irregularidades
não teria fundamento nos fatos. O senador não informou se teve despesas pagas
por Tomaz.
A
Polícia Federal identificou ao menos cinco viagens internacionais realizadas
por Flávio e Tomaz no primeiro semestre de 2025. Em março, os dois estiveram na
África do Sul, acompanhados do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e de familiares,
em uma viagem que incluiu um safári. No mês seguinte, viajaram juntos para
Portugal e, em maio, voltaram à Europa, passando novamente por Portugal e pela
França.
Registros
encontrados no celular e nos e-mails de Tomaz, apreendidos durante uma operação
da PF, incluem fotografias, reservas, locações de veículos e informações sobre
voos. Os investigadores também localizaram registros de uma viagem de Flávio e
sua família aos Estados Unidos, em janeiro de 2025, realizada em um jatinho da
Prime You, empresa de aviação executiva que teve Vorcaro entre seus sócios.
A
investigação sobre Tomaz no caso do INSS ampliou a atenção sobre seus vínculos
com políticos. Segundo a PF, o advogado funcionaria como um “hub financeiro,
patrimonial e logístico” de pessoas envolvidas no suposto esquema, utilizando
empresas, imóveis, aeronaves, funcionários e operadores financeiros. A
corporação também cita um repasse de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a
Tomaz para a mulher de Weverton.
O
advogado nega envolvimento em fraudes contra o sistema previdenciário e afirma
que suas viagens com Flávio são particulares, custeadas com recursos próprios.
Weverton também declarou que Tomaz é seu compadre e amigo de longa data e que
suas relações são privadas.
A
proximidade entre Flávio e Tomaz, porém, antecede as viagens identificadas pela
PF. Em 2021, durante a CPI da Covid, o senador saiu em defesa do advogado
quando integrantes da comissão tentaram quebrar seu sigilo e chegou a chamá-lo
de “meu amigo Willer Tomaz”.
O
advogado também mantém uma propriedade em Planaltina (DF), frequentada por
políticos de diferentes grupos, onde uma fotografia de 2023 reuniu
congressistas de vários partidos. Além da relação pessoal, Flávio e Tomaz atuam
juntos em processos judiciais. Em um caso no Superior Tribunal de Justiça
(STJ), representam um dos sócios de uma indústria do Rio Grande do Norte em uma
disputa empresarial envolvendo uma execução de R$ 159 milhões.
A
relação também envolve outros imóveis. Flávio já frequentou uma propriedade de
Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, e chegou a ser arrolado como
testemunha do advogado em uma disputa judicial envolvendo a área.
Em
fevereiro deste ano, outra casa de Tomaz em Angra foi utilizada pelo senador
para comemorar o aniversário de uma das filhas. O advogado afirmou que
emprestou o imóvel gratuitamente, em razão da amizade com Flávio, sem pagamento
ou contraprestação comercial.
Fonte:
ICL Notícias

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