Thiago
Toledo da Rocha: Evitar o abismo
Fazendo
coro aos angustiados, é muito assustador acompanhar a inércia e apatia com a
qual caminhamos ao abismo. Nossa eleição mais decisiva e perigosa tem a
campanha mais despolitizada de que temos notícia. Reconhecemos isso e
retornamos resignados à impotência de nossas vidas cotidianas. É claro como o
sol que o rumo deve mudar e que isso depende do candidato que apoiamos adotar
um discurso combativo, assertivo, politizador, capaz de explicitar seu programa
econômico-ideológico e denunciar o inimigo com veemência.
Nunca é
demais lembrar que uma vitória da extrema direita agora seria muito pior do que
foi em 2022. A primeira passagem pelo poder a permitiu apreender como funciona
a máquina institucional, estruturar uma rede internacional de think tanks,
empresários, redes de comunicação e políticos nacionais e estrangeiros
interessados num Brasil autoritário.
O
entorno de países vizinhos latino-americanos, Bolívia, Equador, Honduras,
Chile, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Argentina e El Salvador
atualmente é governado pela extrema direita. Além de, claro, os Estados Unidos
terem Donald Trump e figuras como J. D. Vance, Marco Rubio e empresários como
Elon Musk ávidos pelo entreguismo de Flávio Bolsonaro. Quando se tentou um
golpe de estado em 2022, era Joe Biden quem ocupava a presidência
norte-americana. O Senado e o Congresso serão, em sua maioria, de candidatos
direta ou potencialmente alinhados ao programa bolsonarista.
Uma
vitória de Flávio Bolsonaro representa, portanto, o desmantelamento do Brasil.
Como se não bastasse a angústia de estarmos submetidos a avanços descontrolados
da Inteligência artificial, ao colapso ambiental, a guerras e genocídios
intermináveis, a níveis nunca antes vistos de concentração de renda e
precarização do trabalho, aos maiores monopólios de tecnologia da história do
capitalismo e índices alarmantes de aumento de transtornos mentais produzidos
pela conjunção dessas crises.
A
clareza do tamanho de nosso problema já é metade de sua solução. Quem sabe uma
dose de desespero nos impulsione a agir. Além do risco de um golpe de estado –
facilitado pela rede internacional criada e pelo apoio financeiro, político e
militar dos Estados Unidos –, enquanto projeto de país, uma vitória de Flávio
Bolsonaro é um verdadeiro retorno ao modelo colonial.
Representa
a retomada do desmatamento desenfreado, entrega de terras raras e outros
recursos naturais a empresas privadas norte-americanas – cuja finalidade é
apenas praticar extrativismo; regressão de direitos trabalhistas e sociais,
discursos misóginos, machistas, racistas e homofóbicos que agravam a dominação
violenta de nossa ordem sóciossimbolica, cortes de orçamento à pesquisas,
aprofundamento da dinâmica de austeridade fiscal e privatizações em massa em
setores de interesse público, como educação, saúde, lazer e transporte.
Nesse
meio tempo, as instituições brasileiras desmoronam, com a ligação de ministros
do STF ao Banco Master, desvelando o apodrecimento derradeiro da democracia
liberal burguesa. Modelo político em grande parte responsável pela ascensão do
nosso fascismo bolsonarista, por conta da sua dinâmica peemedebista de enormes
coalizões, que trava sistematicamente projetos progressistas efetivos,
congelando a dominação burguesa e agravando um cenário perigoso e indefinido de
ausência de hegemonia.
Há
muitas maneiras de explicar o avanço vertiginoso da extrema direita pelo mundo.
Acredito naquelas que insistem que é a ausência de um projeto real de futuro,
enunciado com coragem por uma esquerda que não teme dizer seu nome, que explica
o que estamos vendo acontecer hoje. O governo atual perdeu mais uma chance de
se apresentar como tal, colocando-se como alternativa ao neoliberalismo, com
força de convencer corações e mentes de que vale a pena sonhar com um futuro
melhor, mais justo e igualitário.
O
espírito do lulismo de conciliação e despolitização prevaleceu. Mas,
infelizmente, o resultado das pesquisas tem indicado que a estratégia se
esgotou. Ser o “menos pior” não deverá mais funcionar, como ocorreu em 2022. Os
escândalos institucionais próximos à eleição agravam o cenário, dando força e
razão à oposição. Hoje, aliás, nem tampouco há frente ampla para impedir a
catástrofe bolsonarista.
A
extrema direita, por sua vez, tem sido capaz de dar respostas mais convincentes
– embora catastróficas – às questões que nos assolam e, por isso, têm se dado
melhor ao redor do mundo. Nesse momento de ausência de hegemonia, de vácuo de
projeto de futuro, diante da inoperância e paralisia da esquerda, surgem esses
fenômenos mórbidos e patológicos que nos levam a pior direção possível.
É como
se nossos sonhos políticos mais caros aparecessem hoje como objetos perdidos,
interditados, foracluídos, objetos que internalizamos como forma de
preservá-los conosco, como ocorre na melancolia. Sabemos e sentimos que
perdemos algo, que fomos despossuídos de alguma coisa, que a vida não vai bem,
mas, ao invés de dirigir a revolta contra o sistema que as impôs, acusamos a
nós mesmos pelo fracasso, pela preguiça, pela incompetência, pela impotência.
O poder
desaparece depois de efetivar uma série de perdas obrigatórias, encarnando-se
na própria voz de nossa instância crítica, vivida como autocensura e
autodepreciação sistemáticas. Já não é preciso que alguém nos diga que não
podemos, passamos a dizê-lo nós mesmos.
Contudo,
não podemos permanecer nessa posição. Na verdade, trata-se de sublinhar, com
toda a veemência, que não é hora de derrotismo. É plenamente possível vencer as
eleições. Será necessário tentá-lo com todas as forças. Mas, depois de
consegui-lo, que possamos aprender com toda essa angústia, olhando aliviados
para o enorme penhasco em direção ao qual, por enquanto, caminhamos,
assustadoramente.
• Quarto mandato Lulista: fim do
austericídio neoliberal para enfrentar a guerra de Trump. Por César Fonseca
O
presidente Lula decidiu, nas últimas semanas, confrontar a onda neoliberal,
impregnada, de forma disfarçada, na sua equipe econômica; ultimamente, os
guardiães das contas públicas estavam, segundo avaliação do chefe de governo,
com discurso enviesado, exagerando em defesa de cortes de gastos públicos,
alinhados demais à orientação da Faria Lima.
Por
isso, nos discursos de palanque, para enfrentar seu adversário de viés
neoliberal fascista, senador Flávio Bolsonaro, do PL, ele começou a criticar a
bancocracia, os juros muito altos e aquilo que eles provocam: freio no
desenvolvimento, na criação de emprego e renda.
O
esfriamento econômico, forçado pelo austericídio fiscal neoliberal, produz
desequilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, gera pressão
inflacionária, prejudicial aos salários, barrando produção e consumo; na
verdade, a causa principal dos juros altos é a escorchante taxa de juros, cujo
custo insuportável é repassado aos preços.
Lula
chegou a dizer, no Paraná, que a obsessão econômica com superavit primário –
receita superior à despesa como meta principal, para favorecer banqueiro – é
uma babaquice.
Na
quinta-feira, diante da crise do judiciário que ameaça envolvê-lo, sem razão
alguma, pois não tem nada a ver com as fraudes do Banco Vorcaro, que ele mandou
fechar, bateu na mesa e virou o noticiário negativo: reajustou em 15% o Bolsa
Família, que estava congelado há três anos.
A
reação do presidente mereceu aplauso geral da sociedade, menos, é claro, da
mídia corporativa conservadora; todos estão cansados do modelo neoliberal para
o qual bate palma apenas o poder midiático; este produziu uma unanimidade
negativa: tanto os assalariados, como os empresários, estão esgotados,
endividados; trabalham, trabalham, trabalham e veem seu esforço para o
desenvolvimento do país escorrer pelo ralo; são favorecidos, somente, os
rentistas e os especuladores.
GUERRA
TRUMPISTA APROFUNDA NEOLIBERALISMO
O mal
estar disseminado de que o país está economicamente andando para trás encheu as
tampas dos trabalhadores que geram a riqueza nacional; especialmente, essa
consciência cresce, quando se percebe que a política internacional dos Estados
Unidos está impondo sacrifício insuportável a todos os continentes, e aos
brasileiros e latino-americanos em particular.
Diante
da irracionalidade renitente do capitalismo americano, que insiste em expandir
guerra, benéfica, somente, à indústria armamentista, enquanto o resto do mundo
se obriga aos ajustes fiscais neoliberais como arma, altamente, controversa
para combater os efeitos que ela provoca, a situação dos trabalhadores piora.
Não há
caso mais patente, à vista de todos, que o resultado negativo do estado de
guerra, gerado pelo imperador Trump: pressão inflacionária; seus efeitos
sinalizam recessão econômica inevitável cantada em prosa e verso, aprofundando
pobreza e desigualdade social em escala global.
Trump
eleva os gastos do seu governo em guerra, mas exige austeridade de todo o
resto; todos têm que economizar, forçadamente, sob austeridade fiscal, a fim de
transferir renda da periferia para o centro capitalista imperialista.
Lula
está demonstrando, claramente, que a paciência esgotou e se transforma, por
isso, na esperança latino-americana para superar esse ciclo econômico
destrutivo, na busca do seu quarto mandato, que objetiva, principalmente,
contribuir para barrar a guerra trumpista.
Mantida
a guerra trumpista, não haverá crescimento econômico na América Latina,
ameaçada pelo fascismo.
Por
essa razão, a sucessão presidencial, no Brasil, virou uma guerra de Trump
contra o povo brasileiro, dada a disposição do imperador americano de tentar
levar à vitória a qualquer custo do candidato do fascismo: o senador Flávio
Bolsonaro.
MODELO
ESGOTADO
Sustentar
o modelo neoliberal, especialmente, por parte das economias capitalistas
periféricas, como as latino-americanas, tem custo insuportável para os governos
democraticamente eleitos e, consequentemente, para as democracias regionais,
que vão descambando para o regime fascista, a fim de se alinharem,
obrigatoriamente, aos interesses do império americano.
A
estratégia imperialista, agora, é percebida com extrema claridade, porque ela
joga todo mundo no mesmo barco furado que está afundando no mar da crise da
economia de guerra, benéfica, apenas, aos falcões da guerra e aos rentistas que
se enriquecem com esse estado de coisas catastrófico.
O
discurso guerreiro trumpista objetiva horizonte que não interessa a ninguém,
salvo os produtores de armas, ancorados, nesse momento, na Doutrina Monroe,
revigorada por Donald Trump, como escudo provocador, especialmente, na América
Latina.
O
continente sul-americano, por conta da guerra trumpista, tornou-se escravo do
neoliberalismo de guerra, a exigir, politicamente, a supremacia da
ultradireita, para ser sustentado; eis, portanto, a razão do engajamento de
Washington, para eleger, no Brasil, o fantoche do fascismo trumpista: o senador
Flávio.
Trump
faz de tudo para capturar o governo nacionalista lulista em suas garras, a fim
de destruí-lo e abrir espaço para sua cobiça sem fim, determinada a roubar as
riquezas dos povos desarmados.
O
imperador virou não apenas maior inimigo dos povos dos cinco continentes, mas,
especialmente, do próprio povo americano; por essa razão, tenta calar os
críticos, censurando os meios de comunicação, ameaçando, prendendo e
aprofundando receitas econômicas neoliberais; com elas, transfe riquezas aos
Estados Unidos, enquanto aprofunda pobreza na periferia do capitalismo em crise
de realização de lucros.
LULA NA
ONU: ESPERANÇA LATINO-AMERICANA
Como
Lula se transformou no maior crítico do imperador, virou seu alvo principal, o
que contribui para elevar, cada vez mais, o prestígio do presidente brasileiro
no palco internacional.
Na
próxima semana, na ONU, o presidente brasileiro deve brilhar, novamente, porque
não tem outra coisa a ressaltar senão o mal que Trump está provocando para a
humanidade, ao insistir em guerras, em agressões imperialistas, como a que
reitera, nesse final de semana, para tomar conta, na marra, da Groenlândia.
Evidentemente,
seu interesse se volta para o petróleo e riquezas minerais estratégicas daquela
ilha gelada de propriedade dos dinamarqueses, mas que tem valor geopolítico por
ser ponto de encontro, no norte global, das principais potencias internacionais;
certamente, Lula, ao condenar a agressividade trumpista, vai se conjugar com os
interesses que estão ameaçados pelo ditador norte-americano.
Nesse
momento, a estratégia de política externa brasileira tornou-se continuidade
obrigatória da estratégia interna, desenvolvimentista, porque o desenvolvimento
nacional está sendo duramente afetado pela política externa trumpista, como
acontece com os demais países.
Nesse
sentido, o presidente brasileiro se transforma na esperança dos povos,
especialmente dos latino-americanos, contra a onda trumpista que ameaça levar a
América Latina ao caos sob o tação da Doutrina Monroe.
• A hora do entusiasmo! Por Emir Sader
Alguns
dizem que sentem medo. E têm razão. Outros dizem que entram em pânico. Poderia
ser. Outros ainda dizem que sentem susto. E têm razão.
Mas o
nosso sentimento maior tem que ser o do entusiasmo, que é o que vai nos levar a
acabar com o medo, o pânico e o susto e nos conduzir à vitória!
E temos
muitas razões para o entusiasmo. Lula fez uma nova caravana por quase todo o
país, com imensas manifestações, até em Santa Catarina! Seu discurso, que
alguns acham antigo, fala da superação da fome, das conquistas do seu governo,
dos empregos criados e por criar. Fala sobre as necessidades das pessoas. Dá
continuidade ao discurso do combate às desigualdades, ao feminicídio e a todas
as formas de violência.
Foi com
esse discurso que ele, usando toda a sua imensa força, circulou todos os dias,
fazendo um comício em algum lugar do Brasil. Foi admirável sua força, sua
disposição, sua saúde. Parecia um menino, pelo seu entusiasmo, pela confiança
no nosso discurso, pela sua voz, que mal aguentava.
Temos
que seguir esse entusiasmo. Estamos vivendo hoje, por todo o Brasil, movimentos
de mobilização popular como não havia há muito tempo. Movimentos populares, com
confiança na vitória. Estamos navegando em uma nova onda de luta de massas como
não conseguíamos desencadear havia muito tempo.
Impressionante
o nosso querido Lula! Dá-nos orgulho ter um líder como ele! Com seu vigor, com
a confiança que transmite às pessoas. Aclamado em todos os lugares por onde
anda!
Temos
que empunhar toda a nossa capacidade de entusiasmo, porque é a reta final. É a
hora do entusiasmo, da militância, do vigor, do grito, da luta popular. Temos
um enorme arsenal de argumentos para empunhar e gritar por todos os lados! É a
hora de retomar a militância de base, a luta de massas e a mobilização popular.
É a
hora do entusiasmo! Estamos prestes a conseguir mais uma vitória, a derrotar
mais uma vez a extrema direita!
Vamos
lá! Todos. Convencer os vizinhos, os colegas, os que andam pelas ruas, pelas
praças, pelos caminhos.
É a
hora do entusiasmo, como se tivéssemos 15 anos, como se fosse a primeira
campanha presidencial! Vamos lá! Vamos ganhar e derrotar os trogloditas, os
violentos, os negacionistas!
Vamos
lá, com todo o entusiasmo do mundo! Na última campanha do nosso querido Lula!
Vamos fazê-lo triunfar de novo e conquistar um novo mandato, impedindo
definitivamente que a extrema direita possa voltar a governar o país, como uma
vez fez, horrivelmente!
É a
hora do entusiasmo, da confiança. É a hora da vitória. A hora de mais uma
vitória de Lula!
Fonte:
A Terra é Redonda/Brasil 247

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