terça-feira, 22 de setembro de 2026

Thiago Toledo da Rocha: Evitar o abismo

Fazendo coro aos angustiados, é muito assustador acompanhar a inércia e apatia com a qual caminhamos ao abismo. Nossa eleição mais decisiva e perigosa tem a campanha mais despolitizada de que temos notícia. Reconhecemos isso e retornamos resignados à impotência de nossas vidas cotidianas. É claro como o sol que o rumo deve mudar e que isso depende do candidato que apoiamos adotar um discurso combativo, assertivo, politizador, capaz de explicitar seu programa econômico-ideológico e denunciar o inimigo com veemência.

Nunca é demais lembrar que uma vitória da extrema direita agora seria muito pior do que foi em 2022. A primeira passagem pelo poder a permitiu apreender como funciona a máquina institucional, estruturar uma rede internacional de think tanks, empresários, redes de comunicação e políticos nacionais e estrangeiros interessados num Brasil autoritário.

O entorno de países vizinhos latino-americanos, Bolívia, Equador, Honduras, Chile, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Argentina e El Salvador atualmente é governado pela extrema direita. Além de, claro, os Estados Unidos terem Donald Trump e figuras como J. D. Vance, Marco Rubio e empresários como Elon Musk ávidos pelo entreguismo de Flávio Bolsonaro. Quando se tentou um golpe de estado em 2022, era Joe Biden quem ocupava a presidência norte-americana. O Senado e o Congresso serão, em sua maioria, de candidatos direta ou potencialmente alinhados ao programa bolsonarista.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro representa, portanto, o desmantelamento do Brasil. Como se não bastasse a angústia de estarmos submetidos a avanços descontrolados da Inteligência artificial, ao colapso ambiental, a guerras e genocídios intermináveis, a níveis nunca antes vistos de concentração de renda e precarização do trabalho, aos maiores monopólios de tecnologia da história do capitalismo e índices alarmantes de aumento de transtornos mentais produzidos pela conjunção dessas crises.

A clareza do tamanho de nosso problema já é metade de sua solução. Quem sabe uma dose de desespero nos impulsione a agir. Além do risco de um golpe de estado – facilitado pela rede internacional criada e pelo apoio financeiro, político e militar dos Estados Unidos –, enquanto projeto de país, uma vitória de Flávio Bolsonaro é um verdadeiro retorno ao modelo colonial.

Representa a retomada do desmatamento desenfreado, entrega de terras raras e outros recursos naturais a empresas privadas norte-americanas – cuja finalidade é apenas praticar extrativismo; regressão de direitos trabalhistas e sociais, discursos misóginos, machistas, racistas e homofóbicos que agravam a dominação violenta de nossa ordem sóciossimbolica, cortes de orçamento à pesquisas, aprofundamento da dinâmica de austeridade fiscal e privatizações em massa em setores de interesse público, como educação, saúde, lazer e transporte.

Nesse meio tempo, as instituições brasileiras desmoronam, com a ligação de ministros do STF ao Banco Master, desvelando o apodrecimento derradeiro da democracia liberal burguesa. Modelo político em grande parte responsável pela ascensão do nosso fascismo bolsonarista, por conta da sua dinâmica peemedebista de enormes coalizões, que trava sistematicamente projetos progressistas efetivos, congelando a dominação burguesa e agravando um cenário perigoso e indefinido de ausência de hegemonia.

Há muitas maneiras de explicar o avanço vertiginoso da extrema direita pelo mundo. Acredito naquelas que insistem que é a ausência de um projeto real de futuro, enunciado com coragem por uma esquerda que não teme dizer seu nome, que explica o que estamos vendo acontecer hoje. O governo atual perdeu mais uma chance de se apresentar como tal, colocando-se como alternativa ao neoliberalismo, com força de convencer corações e mentes de que vale a pena sonhar com um futuro melhor, mais justo e igualitário.

O espírito do lulismo de conciliação e despolitização prevaleceu. Mas, infelizmente, o resultado das pesquisas tem indicado que a estratégia se esgotou. Ser o “menos pior” não deverá mais funcionar, como ocorreu em 2022. Os escândalos institucionais próximos à eleição agravam o cenário, dando força e razão à oposição. Hoje, aliás, nem tampouco há frente ampla para impedir a catástrofe bolsonarista.

A extrema direita, por sua vez, tem sido capaz de dar respostas mais convincentes – embora catastróficas – às questões que nos assolam e, por isso, têm se dado melhor ao redor do mundo. Nesse momento de ausência de hegemonia, de vácuo de projeto de futuro, diante da inoperância e paralisia da esquerda, surgem esses fenômenos mórbidos e patológicos que nos levam a pior direção possível.

É como se nossos sonhos políticos mais caros aparecessem hoje como objetos perdidos, interditados, foracluídos, objetos que internalizamos como forma de preservá-los conosco, como ocorre na melancolia. Sabemos e sentimos que perdemos algo, que fomos despossuídos de alguma coisa, que a vida não vai bem, mas, ao invés de dirigir a revolta contra o sistema que as impôs, acusamos a nós mesmos pelo fracasso, pela preguiça, pela incompetência, pela impotência.

O poder desaparece depois de efetivar uma série de perdas obrigatórias, encarnando-se na própria voz de nossa instância crítica, vivida como autocensura e autodepreciação sistemáticas. Já não é preciso que alguém nos diga que não podemos, passamos a dizê-lo nós mesmos.

Contudo, não podemos permanecer nessa posição. Na verdade, trata-se de sublinhar, com toda a veemência, que não é hora de derrotismo. É plenamente possível vencer as eleições. Será necessário tentá-lo com todas as forças. Mas, depois de consegui-lo, que possamos aprender com toda essa angústia, olhando aliviados para o enorme penhasco em direção ao qual, por enquanto, caminhamos, assustadoramente.

•        Quarto mandato Lulista: fim do austericídio neoliberal para enfrentar a guerra de Trump. Por César Fonseca

O presidente Lula decidiu, nas últimas semanas, confrontar a onda neoliberal, impregnada, de forma disfarçada, na sua equipe econômica; ultimamente, os guardiães das contas públicas estavam, segundo avaliação do chefe de governo, com discurso enviesado, exagerando em defesa de cortes de gastos públicos, alinhados demais à orientação da Faria Lima.

Por isso, nos discursos de palanque, para enfrentar seu adversário de viés neoliberal fascista, senador Flávio Bolsonaro, do PL, ele começou a criticar a bancocracia, os juros muito altos e aquilo que eles provocam: freio no desenvolvimento, na criação de emprego e renda.

O esfriamento econômico, forçado pelo austericídio fiscal neoliberal, produz desequilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, gera pressão inflacionária, prejudicial aos salários, barrando produção e consumo; na verdade, a causa principal dos juros altos é a escorchante taxa de juros, cujo custo insuportável é repassado aos preços.

Lula chegou a dizer, no Paraná, que a obsessão econômica com superavit primário – receita superior à despesa como meta principal, para favorecer banqueiro – é uma babaquice.

Na quinta-feira, diante da crise do judiciário que ameaça envolvê-lo, sem razão alguma, pois não tem nada a ver com as fraudes do Banco Vorcaro, que ele mandou fechar, bateu na mesa e virou o noticiário negativo: reajustou em 15% o Bolsa Família, que estava congelado há três anos.

A reação do presidente mereceu aplauso geral da sociedade, menos, é claro, da mídia corporativa conservadora; todos estão cansados do modelo neoliberal para o qual bate palma apenas o poder midiático; este produziu uma unanimidade negativa: tanto os assalariados, como os empresários, estão esgotados, endividados; trabalham, trabalham, trabalham e veem seu esforço para o desenvolvimento do país escorrer pelo ralo; são favorecidos, somente, os rentistas e os especuladores.

GUERRA TRUMPISTA APROFUNDA NEOLIBERALISMO

O mal estar disseminado de que o país está economicamente andando para trás encheu as tampas dos trabalhadores que geram a riqueza nacional; especialmente, essa consciência cresce, quando se percebe que a política internacional dos Estados Unidos está impondo sacrifício insuportável a todos os continentes, e aos brasileiros e latino-americanos em particular.

Diante da irracionalidade renitente do capitalismo americano, que insiste em expandir guerra, benéfica, somente, à indústria armamentista, enquanto o resto do mundo se obriga aos ajustes fiscais neoliberais como arma, altamente, controversa para combater os efeitos que ela provoca, a situação dos trabalhadores piora.

Não há caso mais patente, à vista de todos, que o resultado negativo do estado de guerra, gerado pelo imperador Trump: pressão inflacionária; seus efeitos sinalizam recessão econômica inevitável cantada em prosa e verso, aprofundando pobreza e desigualdade social em escala global.

Trump eleva os gastos do seu governo em guerra, mas exige austeridade de todo o resto; todos têm que economizar, forçadamente, sob austeridade fiscal, a fim de transferir renda da periferia para o centro capitalista imperialista.

Lula está demonstrando, claramente, que a paciência esgotou e se transforma, por isso, na esperança latino-americana para superar esse ciclo econômico destrutivo, na busca do seu quarto mandato, que objetiva, principalmente, contribuir para barrar a guerra trumpista.

Mantida a guerra trumpista, não haverá crescimento econômico na América Latina, ameaçada pelo fascismo.

Por essa razão, a sucessão presidencial, no Brasil, virou uma guerra de Trump contra o povo brasileiro, dada a disposição do imperador americano de tentar levar à vitória a qualquer custo do candidato do fascismo: o senador Flávio Bolsonaro.

MODELO ESGOTADO

Sustentar o modelo neoliberal, especialmente, por parte das economias capitalistas periféricas, como as latino-americanas, tem custo insuportável para os governos democraticamente eleitos e, consequentemente, para as democracias regionais, que vão descambando para o regime fascista, a fim de se alinharem, obrigatoriamente, aos interesses do império americano.

A estratégia imperialista, agora, é percebida com extrema claridade, porque ela joga todo mundo no mesmo barco furado que está afundando no mar da crise da economia de guerra, benéfica, apenas, aos falcões da guerra e aos rentistas que se enriquecem com esse estado de coisas catastrófico.

O discurso guerreiro trumpista objetiva horizonte que não interessa a ninguém, salvo os produtores de armas, ancorados, nesse momento, na Doutrina Monroe, revigorada por Donald Trump, como escudo provocador, especialmente, na América Latina.

O continente sul-americano, por conta da guerra trumpista, tornou-se escravo do neoliberalismo de guerra, a exigir, politicamente, a supremacia da ultradireita, para ser sustentado; eis, portanto, a razão do engajamento de Washington, para eleger, no Brasil, o fantoche do fascismo trumpista: o senador Flávio.

Trump faz de tudo para capturar o governo nacionalista lulista em suas garras, a fim de destruí-lo e abrir espaço para sua cobiça sem fim, determinada a roubar as riquezas dos povos desarmados.

O imperador virou não apenas maior inimigo dos povos dos cinco continentes, mas, especialmente, do próprio povo americano; por essa razão, tenta calar os críticos, censurando os meios de comunicação, ameaçando, prendendo e aprofundando receitas econômicas neoliberais; com elas, transfe riquezas aos Estados Unidos, enquanto aprofunda pobreza na periferia do capitalismo em crise de realização de lucros.

LULA NA ONU: ESPERANÇA LATINO-AMERICANA

Como Lula se transformou no maior crítico do imperador, virou seu alvo principal, o que contribui para elevar, cada vez mais, o prestígio do presidente brasileiro no palco internacional.

Na próxima semana, na ONU, o presidente brasileiro deve brilhar, novamente, porque não tem outra coisa a ressaltar senão o mal que Trump está provocando para a humanidade, ao insistir em guerras, em agressões imperialistas, como a que reitera, nesse final de semana, para tomar conta, na marra, da Groenlândia.

Evidentemente, seu interesse se volta para o petróleo e riquezas minerais estratégicas daquela ilha gelada de propriedade dos dinamarqueses, mas que tem valor geopolítico por ser ponto de encontro, no norte global, das principais potencias internacionais; certamente, Lula, ao condenar a agressividade trumpista, vai se conjugar com os interesses que estão ameaçados pelo ditador norte-americano.

Nesse momento, a estratégia de política externa brasileira tornou-se continuidade obrigatória da estratégia interna, desenvolvimentista, porque o desenvolvimento nacional está sendo duramente afetado pela política externa trumpista, como acontece com os demais países.

Nesse sentido, o presidente brasileiro se transforma na esperança dos povos, especialmente dos latino-americanos, contra a onda trumpista que ameaça levar a América Latina ao caos sob o tação da Doutrina Monroe.

•        A hora do entusiasmo! Por Emir Sader

Alguns dizem que sentem medo. E têm razão. Outros dizem que entram em pânico. Poderia ser. Outros ainda dizem que sentem susto. E têm razão.

Mas o nosso sentimento maior tem que ser o do entusiasmo, que é o que vai nos levar a acabar com o medo, o pânico e o susto e nos conduzir à vitória!

E temos muitas razões para o entusiasmo. Lula fez uma nova caravana por quase todo o país, com imensas manifestações, até em Santa Catarina! Seu discurso, que alguns acham antigo, fala da superação da fome, das conquistas do seu governo, dos empregos criados e por criar. Fala sobre as necessidades das pessoas. Dá continuidade ao discurso do combate às desigualdades, ao feminicídio e a todas as formas de violência.

Foi com esse discurso que ele, usando toda a sua imensa força, circulou todos os dias, fazendo um comício em algum lugar do Brasil. Foi admirável sua força, sua disposição, sua saúde. Parecia um menino, pelo seu entusiasmo, pela confiança no nosso discurso, pela sua voz, que mal aguentava.

Temos que seguir esse entusiasmo. Estamos vivendo hoje, por todo o Brasil, movimentos de mobilização popular como não havia há muito tempo. Movimentos populares, com confiança na vitória. Estamos navegando em uma nova onda de luta de massas como não conseguíamos desencadear havia muito tempo.

Impressionante o nosso querido Lula! Dá-nos orgulho ter um líder como ele! Com seu vigor, com a confiança que transmite às pessoas. Aclamado em todos os lugares por onde anda!

Temos que empunhar toda a nossa capacidade de entusiasmo, porque é a reta final. É a hora do entusiasmo, da militância, do vigor, do grito, da luta popular. Temos um enorme arsenal de argumentos para empunhar e gritar por todos os lados! É a hora de retomar a militância de base, a luta de massas e a mobilização popular.

É a hora do entusiasmo! Estamos prestes a conseguir mais uma vitória, a derrotar mais uma vez a extrema direita!

Vamos lá! Todos. Convencer os vizinhos, os colegas, os que andam pelas ruas, pelas praças, pelos caminhos.

É a hora do entusiasmo, como se tivéssemos 15 anos, como se fosse a primeira campanha presidencial! Vamos lá! Vamos ganhar e derrotar os trogloditas, os violentos, os negacionistas!

Vamos lá, com todo o entusiasmo do mundo! Na última campanha do nosso querido Lula! Vamos fazê-lo triunfar de novo e conquistar um novo mandato, impedindo definitivamente que a extrema direita possa voltar a governar o país, como uma vez fez, horrivelmente!

É a hora do entusiasmo, da confiança. É a hora da vitória. A hora de mais uma vitória de Lula!

 

Fonte: A Terra é Redonda/Brasil 247

 

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