Moisés
Mendes: Os filhos de dona Severina e os filhos de ministros do Supremo
Gilmar
Mendes conseguiu o que André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux não
conseguem. Mendes foi manchete no Estadão durante toda a tarde de sexta-feira.
É o primeiro ministro, depois de Alexandre de Moraes, a ganhar um titulão no
alto da página do site por suspeitas de conexão com Daniel Vorcaro.
Esta
foi a manchete: “Gilmar Mendes se reuniu com Daniel Vorcaro no Supremo Tribunal
Federal sobre causa bilionária”. E esta é a pergunta acionada pela manchete:
por que só Gilmar Mendes?
Neste
sábado, o Globo veio com esta chamada, também contra Mendes: “Cúpula do Master
tratava advogada que recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro como sócia de Gilmar”.
Atacam
o aumento de R$ 91 do Bolsa Família dos três filhos de dona Severina, tudo em
nome da sobriedade fiscal, e atacam Gilmar Mendes em nome da seletividade
moral. Mendes está sendo atacado, com Moraes e Flávio Dino, desde a sessão de
terça-feira, por ter apontado Mendonça como articulador de um inquérito contra
colega de STF e porque facilitaria vazamentos seletivos aos jornalões.
Mendonça
tem a proteção da grande mídia, principalmente da Globo. Os outros dois, Kassio
e Fux, também são preservados, porque o que importa é pegar Moraes para pegar
Lula, conforme o plano das corporações. E Toffoli, pauta vencida, fica nos
cantinhos.
Não há,
na notícia sobre o encontro de Mendes com Vorcaro, em abril de 2024, uma linha
sobre dinheiro para o ministro. Mas há dinheiro em todas as informações
divulgadas há vários dias sobre Mendonça, Fux e Kassio.
Essas
são as chamadas de capa, que também os jornalões deram sobre os outros
ministros, mas sem transformá-las em manchete:
Vorcaro
levou a filho de Fux recurso para tentar destravar precatório bilionário
Mensagens
de Vorcaro indicam mesada de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques
Dinheiro
de parceiro de Vorcaro bancou custo inicial de instituto de Mendonça, diz CEO
do Iter
Ex-parceiro
de Vorcaro que financiou instituto de Mendonça ficou fora de investigação
Por que
essas notícias, que envolvem valores, alguns com cifras bem definidas, não
viraram manchete? O que Mendes não tem que os colegas dele possam ter para
evitar manchetes nos jornalões?
Com um
detalhe, que não é pouca coisa: Vorcaro levou a Mendes um imbróglio sobre
precatórios do setor sucroalcooleiro, envolvendo pelo menos R$ 10 bilhões, mas
não conseguiu o apoio do ministro a uma decisão que o favorecesse dentro do
STF.
Quem
não quiser se interessar pelo porquê de Mendes ter virado manchete deve pelo
menos ter a curiosidade de saber por que Mendonça, Kassio e Fux ainda não
chegaram ao alto das páginas.
A
resposta mais óbvia é a de que os outros têm uma blindagem que Mendes e Moraes
não têm. Porque nunca foram lavajatistas com Moro e, claro, não serão
lavajatistas com Mendonça. A mídia hegemônica é de novo protagonista da armação
de mais um golpe.
A
manchete ficou na capa do Estadão desde as 13h07 até as 18h de sexta-feira e
foi substituída por mais uma manchete com ataques ao aumento de R$ 91 no Bolsa
Família. O aumento poderia implodir as contas do governo.
Cada um
dos três filhos de dona Severina receberá mais R$ 30,33 por mês a partir de
outubro. Os filhos de Severina preocupam mais os jornalões do que os filhos dos
ministros acusados de envolvimento com o mafioso.
• Banco Master, o Supremo e a Geopolítica.
Por Fábio César Alves da Cunha
A menos
de três semanas das eleições presidenciais de 2026, o país é surpreendido por
integrantes do Supremo Tribunal Federal envolvidos com o corrupto Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master – banco este que causou bilhões de prejuízo aos
cofres públicos com ações fraudulentas no sistema financeiro -, que, quando foi
preso, estava fugindo do país, embarcando em avião particular para Dubai, nos
Emirados Árabes Unidos.
Daniel
Vorcaro, transformado em banqueiro no governo Bolsonaro, armou, com muitos
milhões de dólares roubados, uma trama de relações pessoais envolvendo
políticos – aqui nenhuma surpresa -, mas também integrantes do Supremo Tribunal
Federal.
Quando
o banqueiro é preso, no âmbito da operação Compliance Zero, o caso no Supremo
cai nas mãos do Ministro Dias Toffoli. A partir daí, outras investigações
revelam que este Ministro esteve, por meio de familiares, envolvido como
acionista num Resort no interior do Paraná. Imediatamente, a mídia corporativa,
que tem laços orgânicos com o sistema financeiro, inicia um desgaste diário do
ministro, que é levado a ser julgado pelos integrantes do Supremo. Mesmo
absolvido, é recomendado que ele se retire da relatoria do inquérito para
preservar a Corte. O Ministro se retira e, por sorteio, o inquérito é
transferido para o ministro André Mendonça, um dos ministros indicados,
juntamente com Nunes Marques, por Jair Bolsonaro.
A
partir daí, começaram a surgir vazamentos do inquérito que atacam o filho do
Presidente Lula, supostamente envolvido indiretamente com o banco Master. Suas
contas são devastadas, a mídia corporativa explora o caso o máximo possível,
nada é provado! Por outro lado, paralizam-se as investigações sobre os
envolvimentos da família Bolsonaro, incluindo Flávio Bolsonaro, que admitiu ter
recebido do Banco Master milhões para a elaboração do filme “Dark Horse”, sobre
seu pai, o que passa a ser alvo de críticas pelos setores da esquerda. Até
aqui, tudo dentro de uma certa normalidade num país dividido.
O que
causou uma explosão na nação foi quando o ministro André Mendonça, descobrindo
mensagens de Vorcaro direcionadas ao Ministro Alexandre de Moraes através de
“blocos de notas” de visualizações únicas, das quais grande parte não chegou a
ser enviada, abriu um inquérito pedindo a investigação do Ministro, algo até
então nunca visto dentro da Suprema Corte.
Alexandre
de Moraes, que já estava sendo alvo da mídia corporativa em decorrência dos
contratos do escritório de advocacia de sua esposa com o Banco Master,
imediatamente abre um outro inquérito no qual solicita investigação do Ministro
André Mendonça por ser parcial nas conduções do inquérito sobre o Banco Master.
O pavio foi aceso!
O
Ministro André Mendonça, em decisão monocrática, resolve afastar o Chefe da
Polícia Federal alegando investigações ilegais. Esta decisão é aprovada pela
Segunda Turma do Supremo, pelos ministros Fux, e Nunes Marques em tempo
recorde. O Ministro Gilmar Mendes pede vistas, mas a maioria estava formada,
aprovando o afastamento do Chefe da Polícia Federal.
O
ministro Flávio Dino, também em decisão monocrática, alegando prejuízos em
outras investigações em curso, recoloca o Chefe da Polícia Federal em seu
cargo, causando uma celeuma jurídica nunca vista no Supremo. O ministro Fachin,
presidente do tribunal, resolve anular todas as decisões, o que faz com que o
Chefe da Polícia continue em seu cargo, e marca, para o dia 15 de setembro,
sessão da Corte para julgar a abertura ou não de investigação sobre o ministro
Alexandre de Moraes.
Nas
vésperas da sessão, os Ministros Zanin e Flávio Dino solicitam ao presidente da
corte, Edison Fachin, acesso a todas as informações dos telefones apreendidos
de Daniel Vorcaro que ainda não haviam sido repassadas pelo gabinete de André
Mendonça. Alegaram que seriam informações importantes para as decisões que
tomariam no julgamento. O ministro Fachin acatou o pedido.
Nesta
sessão histórica, que durou o dia todo, uma questão de ordem é colocada logo no
início para ver se os dois pedidos de investigação dos ministros Alexandre de
Moraes e André Mendonça seriam julgados juntos ou separados. A justificativa de
ser juntos enaltecia o fato de que, se fossem separados, poderíamos ter um juíz
que ainda não foi julgado julgando outro juiz. Como se não bastasse o cenário,
discussões acaloradas, trocas de acusações e xingamentos polidos jogaram a
imagem do Supremo na lata do lixo, levando o Ministro Flávio Dino a pedir
vistas por, no máximo, três meses. No final, tudo permaneceu empatado na
Questão de Ordem: Fachin, Mendonça, Fux e Carmen Lúcia votaram a favor da
separação dos julgamentos e Flávio Dino, Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar
Mendes votaram a favor de um julgamento unificado. Os ministros Toffoli e Nunes
Marques alegaram impedimento no início da sessão.
Com a
liberação total das informações do celular de Vorcaro, novas informações
chegaram ao público, mostrando que outros Ministros também haviam tido, direta
ou indiretamente, contatos com o banqueiro preso. Pelas mensagens, o filho de
Fux teria oferecido um tapete vermelho para o banqueiro. Diálogos de Vorcaro
citam supostos pagamentos de 500 mil reais ao filho do ministro Nunes
Marques.Um dia depois de ter tido reunião com Vorcaro, o ministro André
Mendonça tomou decisão a favor do banqueiro em uma ação. Gilmar Mendes admitiu
encontro com Vorcaro mas alegou voto contrário em sentença. Paulo Gonet,
Procurador Geral da República, admitiu ter encontrado Vorcaro. Até conversas do
banqueiro com uma cafetina que teria fornecido uma prostituta para um tal de Kássio
“com K” e cobrado “10 K”, dez mil reais, pelos serviços prestados, surgiram. O
Supremo, assim, vê-se na maior crise moral de sua história. Mas a pergunta que
se faz é: a quem interessa destruir o Supremo? Para isso precisamos rever
alguns fatos:
1. Em que pesem as acusações sobre o
ministro Alexandre de Moraes, tanto pelos contratos do banco Master com sua
esposa quanto pelas mensagens encontradas em bloco de notas, que ele nega, uma
coisa é certa: foi Alexandre de Moraes que fez todas as investigações sobre o
golpe de 08 de janeiro de 2023 e colocou sua cúpula atrás das grades, incluindo
Jair Bolsonaro, generais, policiais, etc. As investigações provaram, inclusive,
que havia até uma trama para assassinar Moraes, Lula e Alckmin nas primeiras
horas do golpe. Alexandre de Moraes foi sancionado pela Lei estadunidense
Magnitsky em 2025 e, agora, é ameaçado novamente.
2. É inegável que os Estados Unidos da
América estavam, no mínimo, interessados neste golpe. Trump já havia tentado
algo parecido quando perdeu as eleições para Biden naquele país. Os EUA, com os
juízes lavajatistas, foram peças chave no golpe contra a Presidenta Dilma em
2016, um golpe que tirou do país o controle sobre o Pré-sal, passando-o para
empresas estrangeiras. Um novo golpe, em 2023, seria ideal para as novas
pretensões dos EUA. Mas quem impediu? O Supremo!
3. Geopoliticamente, os EUA estão de olho
tanto nas reservas minerais do Brasil quanto nas novas descobertas de petróleo
na margem Equatorial entre Amapá e Rio Grande do Norte e nas terras raras do
interior do país. Vendo que o Presidente Lula nessas eleições permanece líder
nas pesquisas eleitorais, um novo golpe se desenha! Trump já declarou
oficialmente que PCC e CV, facções do tráfico no Brasil, são “terroristas”,
fato que abre brechas para intervenções no país. Nesta semana, declarou que o
Brasil não conseguiu combater o PCC e o CV. Tudo é possível para Trump, um
presidente que sequestrou Maduro na Venezuela, ameaçou tomar a Groenlândia da
Dinamarca e invadir o Canadá e México, mas, no caso do Brasil, é necessário,
antes de tudo, corroer a instituição que evitou o golpe de 2023: o
Supremo!
4. O Ministro Kássio Nunes Marques e o
Ministro André Mendonça são Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, do
Tribunal Superior Eleitoral, tribunal este que valida as eleições no país.
Entretanto, os dois, como vimos, estão muito envolvidos no caso do Banco Master
de Daniel Vorcaro. Isso pode ser usado para justificar um discurso de fraude
nas eleições brasileiras.
5. O sistema financeiro parasitário não quer
saber de mais quatro anos de governo Lula. Ele continua sedento para privatizar
a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, as universidades e
as riquezas minerais da nação. Um golpe seria o ideal para reverter o resultado
das eleições caso a vitória de Lula se confirme.
6. Os EUA, estão em profunda crise. A guerra
com o Irã se mostrou um grande tiro no pé. O país perdeu sua hegemonia na Ásia
Ocidental e o controle sobre o estreito de Ormuz. A falta de petróleo e o
aumento do diesel passam a gerar inflação nos EUA. A dívida pública
estadunidense ultrapassou os 40 trilhões de dólares nesse ano, antes do
esperado. Suas reservas de petróleo estão baixas. Trump rompeu com o Canadá,
que garantia esses recursos. O Brasil pode ser uma tábua de salvação com o
Pré-Sal e as terras raras e ainda serviria de propaganda para Trump, que
percebe altos índices de rejeição para as eleições de meio de mandato, que vão
ocorrer em novembro nos EUA e podem mudar a configuração da Câmara e do Senado
no Congresso.
A
destruição do Supremo Tribunal Federal no Brasil pode ser o primeiro capítulo
do roteiro de um novo golpe, e tudo indica que estão obtendo sucesso! Se os
ministros do Supremo cometeram ilícitos, todos devem ser julgados sim, com
amplo direito de defesa, e, se for o caso, punidos e trocados, mas a
Instituição Supremo Tribunal Federal deve permanecer! Se podemos votar ainda
nas eleições, isso é graças ao Supremo! Foi esta instituição que defendeu a
democracia no golpe de 2023, só ela poderá ter uma atuação parecida, se for
necessário, num futuro próximo. O seu descrédito só interessa aos interesses
geopolíticos dos EUA.
• O crime de lesa-pátria, a ameaça de
Trump e a prisão de Flávio Bolsonaro. Por Luís José Bassoli
Guerra
Híbrida é o uso de táticas diversas, de um país contra outro, como propagação
de fake news na internet, interferência em processos eleitorais, pressões
econômicas e políticas etc.
Donald
Trump iniciou a Guerra Híbrida contra o Brasil em 2025, quando impôs o
tarifaço, criticou o presidente Lula e o STF, e defendeu Jair Bolsonaro. Desde
então, estamos sob ataque, com a ajuda de políticos bolsonaristas.
O
governo Lula/Alckmin reagiu, acionou a OMC, abriu créditos a exportadores,
firmou acordos com União Europeia, Canadá, México, Japão, Coreia do Sul,
Indonésia, Nigéria; Lula conversou com Xi Jinping, Putin, Narenda Modi e demais
líderes dos BRICS – e falou com Trump, por três vezes, obtendo uma “trégua”.
O clã
Bolsonaro contra-atacou, Flávio e o irmão Eduardo se encontraram com Trump e o
secretário de Estado, Marco Rubio, para pedir novas sanções – conseguiram e
comemoraram: “Grande dia!”, postou Flávio. Trump confessou que o Brasil é seu
“próximo desafio”; Flávio, então, entregou ao americano um documento, em
inglês, explicando como se submeteria aos interesses dele; internamente, o
ministro André Mendonça assumiu papel político dentro do STF, atacando o
Procurador-Geral e a Polícia Federal. Trump ameaçou, diretamente, o Brasil com
“medidas duras”, com a desculpa de “combater facções criminosas”. Lula
respondeu: “Não seremos colônia!”.
Risco
real e iminente
No dia
12/9, Eduardo Bolsonaro defendeu, publicamente, que “no Brasil pode
perfeitamente, ser necessário a vinda de caças F-35 e de navios de guerra
[americanos] porque é o atual estágio da Venezuela, e não se consegue mais
consertar com remédios diplomáticos como as sanções”, posição que se enquadra
no rol dos Crimes contra a Soberania Nacional, especificamente no art. 359-I,
do Código Penal (incluído pela Lei n.º 14.197/2021): “Negociar com governo
estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra
contra o País ou invadi-lo. Pena – reclusão de 3 a 8 anos”.
Os
irmãos Bolsonaro agem em conluio; a PGR tem provas mais que suficientes da
prática de crime de lesa-pátria para pedir a prisão, imediata (cautelar), de
ambos – e o STF para acatar o pedido.
O
retrospecto de Trump, que passou, rapidamente, da Guerra Híbrida para ataques
reais no Irã, Rússia e Venezuela, é motivo para que o Supremo tome a corajosa
decisão de prender os traidores da pátria.
Na
inércia do Judiciário, o presidente Lula tem que usar as atribuições
positivadas no art. 91, da CF/88, e convocar o Conselho de Defesa Nacional,
fórum adequado para deliberar sobre riscos à soberania nacional e ao Estado
democrático, que é composto pelo Vice-presidente; Presidentes da Câmara dos
Deputados e do Senado; Ministros da Justiça, Defesa, Relações Exteriores e do
Planejamento; e os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Não é
prudente esperar que caças F-35 e navios de guerra estadunidenses comecem a
despejar bombas e lançar mísseis Tomahawk sobre o território brasileiro para
reagir.
Não
subestimemos a malignidade do clã Bolsonaro, tampouco a insanidade de Donald
Trump.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário