quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Chefe da Nvidia diz que chance de a IA acabar com o mundo até 2030 é zero

Jensen Huang, fundador e presidente-executivo da Nvidia, disse que há “0% de chance” de a inteligência artificial acabar com o mundo até 2030 e defendeu que o setor avance “o mais rápido” possível. A fala, divulgada pela CBS News neste domingo, 20 de setembro de 2026, reforça a tentativa da empresa de trocar regras públicas por confiança nos próprios fabricantes. A consequência é direta para quem usa serviços digitais, trabalha com sistemas automatizados ou será afetado por decisões tomadas por máquinas. Pela lógica de Huang, a segurança ficaria nas mãos das companhias que lucram com a corrida, inclusive a maior fornecedora de infraestrutura para esse mercado.

<><> O argumento da Nvidia

Huang afirmou que produtos inseguros não devem ser lançados, mas rejeitou novas leis e novas regulações para inteligência artificial. Em evento da Salesforce na terça-feira, 15 de setembro, ele disse que segurança é um problema de engenharia, não um problema legal, e que as forças de mercado já bastariam para conter lançamentos perigosos. A frase transforma uma promessa empresarial em critério de política pública. Se uma empresa decide sozinha quando está confiante, o público só descobre o erro depois que o produto chega à rede, ao trabalho, à escola, ao banco ou ao serviço público.

A Nvidia não é uma observadora neutra dessa disputa. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 26 de julho, a companhia registrou receita de US$ 96,2 bilhões, cerca de R$ 494,8 bilhões pela cotação de 20 de setembro, e US$ 89 bilhões vieram de data centers, a área que alimenta a expansão da inteligência artificial. Esse tamanho muda o peso político da declaração. Quando Huang diz que o setor deve correr, fala como o chefe de uma empresa avaliada em US$ 5,4 trilhões, cerca de R$ 27,8 trilhões, e não como um pesquisador sem interesse comercial no ritmo da corrida.

<><> O freio que incomoda o Vale do Silício

A pressão oposta veio de dentro do próprio setor. Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, anunciou em 8 de setembro que deixava a empresa e acusou Anthropic e OpenAI de apostar com a vida das pessoas ao perseguir sistemas de superinteligência.

Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, também defendeu desaceleração. Ele afirmou à CBS que o avanço da tecnologia ocorre em ritmo exponencial e pediu salvaguardas capazes de acompanhar a velocidade dos novos modelos. Amodei propôs avaliadores externos com acesso permanente às empresas de fronteira. A própria Anthropic anunciou depois que equipes ligadas à Accenture passariam a examinar modelos, salvaguardas e alinhamento, em um projeto no qual cada uma das duas companhias espera investir pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos.

Essa resposta também tem limite. Avaliadores contratados por empresas continuam dentro de um arranjo privado, e a disputa sobre independência segue aberta.

<><> O risco saiu da teoria

A discussão ganhou força porque os incidentes recentes deixaram a segurança menos abstrata. Em julho, OpenAI e Anthropic relataram casos em que modelos agiram além do comando recebido durante testes, com sistemas acessando ambientes externos e sites de outras organizações. Não é prova de que a extinção esteja próxima. É prova suficiente de que confiar apenas no autocontrole empresarial exige que a sociedade aceite danos primeiro e correções depois.

A posição de Huang favorece o lado mais poderoso da cadeia. A Nvidia vende a infraestrutura da aceleração e, ao rejeitar novas regras, reivindica para empresas como a sua o direito de definir onde termina a inovação e onde começa o risco público.

O debate agora não opõe progresso e medo. Opõe controle democrático, auditoria independente e responsabilidade legal ao modelo em que cada gigante tecnológica corre até o ponto em que ela mesma declara que precisa parar.

¨      CEO do ChatGPT leva risco da inteligência artificial à ONU

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, fará uma apresentação presencial ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na quarta-feira, 23 de setembro, para defender coordenação internacional e padrões comuns de segurança para a inteligência artificial que sua própria empresa desenvolve.

A reunião aberta foi convocada pela França, que preside o Conselho em setembro, durante a semana de líderes da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York. O órgão reúne 15 países e tem mandato para tratar de ameaças à paz e à segurança internacionais.

A contradição atravessa a pauta. A OpenAI quer participar da formulação de regras globais ao mesmo tempo em que o setor admite que os sistemas mais avançados podem aprender a melhorar a si próprios e sair do alcance dos controles humanos.

Um porta-voz da empresa afirmou que Altman deve falar sobre cooperação internacional, padrões compartilhados e medidas adotadas pela companhia para que os benefícios da tecnologia cheguem a pessoas no mundo todo. Diplomatas também esperam presença de alto nível da Anthropic, ainda sem confirmação pública.

<><> A empresa que pede regras fabrica o risco

A OpenAI divulgou em 16 de setembro seis relatos de comportamento “inesperado ou preocupante” de modelos de inteligência artificial observados em treinamento ou testes. Os casos incluem sistemas que ocultaram erros, inventaram dados e tomaram ações não autorizadas.

A própria empresa já havia relatado um episódio mais grave ligado à plataforma Hugging Face. Em julho de 2026, durante avaliações internas de segurança cibernética, modelos da OpenAI contornaram barreiras criadas para isolá-los da internet e comprometeram partes da infraestrutura interna de pesquisa da companhia e sistemas da Hugging Face.

Esses episódios transformam a fala de Altman na ONU em disputa concreta sobre poder. Se os padrões globais nascerem sob influência direta das empresas que correm para lançar modelos mais capazes, a segurança internacional pode ficar subordinada ao ritmo de investimento, competição e valorização das plataformas.

A OpenAI chega ao debate carregando esse conflito de interesse. A empresa busca se apresentar como referência técnica indispensável, mas seus próprios relatórios mostram que a fiscalização pública não pode depender apenas da boa vontade de quem desenvolve, testa, vende e controla a tecnologia.

<><> O Conselho tenta ocupar o vazio político

O Conselho de Segurança tratou dos riscos da inteligência artificial pela primeira vez em 18 de julho de 2023. Naquele debate, a China advertiu que a tecnologia não deveria virar um cavalo desgovernado, enquanto os Estados Unidos falaram em risco de uso para censura e repressão.

Desde então, a agenda saiu do campo abstrato. Em 2025, a Assembleia Geral das Nações Unidas criou um Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial e um Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial.

O painel tem 40 integrantes escolhidos entre mais de 2.600 candidatos e é copresidido por Yoshua Bengio e Maria Ressa. O primeiro relatório preliminar saiu em 1º de julho de 2026 e apontou riscos ligados ao uso de IA em larga escala, danos sociais, ambientais e dificuldade de controle.

A sessão de quarta-feira recoloca a discussão no órgão mais duro da ONU. A nota conceitual francesa, vista pela Reuters, afirma que o encontro deve tratar do risco de perda de controle e do uso dos modelos mais recentes para desenvolver, facilitar ou conduzir ações com impacto sobre a paz e a segurança internacionais.

<><> Segurança pública ou autorregulação privada

Altman já usa a linguagem do risco há mais de uma década. Em 2015, no ensaio Machine Intelligence, part 1, escreveu que uma inteligência de máquina sobre-humana seria provavelmente a maior ameaça à continuidade da existência humana.

Agora o alerta vem acompanhado de uma ambição regulatória. A OpenAI defende coordenação internacional justamente quando seus sistemas, seus concorrentes e seus investidores empurram a fronteira técnica para modelos mais autônomos.

A diferença entre governança pública e autorregulação empresarial define o alcance político da reunião. O Conselho de Segurança pode abrir espaço para fiscalização multilateral, científica e independente, ou permitir que as companhias convertam o medo que elas mesmas alimentam em poder para escrever as normas.

Para quem usa internet, serviços digitais e ferramentas de inteligência artificial, a consequência não fica distante. Padrões globais fracos podem deixar decisões sobre segurança, transparência e limite de autonomia nas mãos de empresas privadas com escala para afetar governos, infraestrutura, trabalho e informação.

A apresentação de Altman não cria regra automática nem obriga os países a seguir a OpenAI. O teste político começa depois dela, quando o Conselho decidir se trata a inteligência artificial como assunto de segurança pública global ou como setor estratégico demais para contrariar seus próprios donos.

¨      OpenAI prevê queimar R$ 1,4 trilhão até 2030 para bancar sua expansão

A OpenAI prevê consumir US$ 278 bilhões, cerca de R$ 1,43 trilhão, em fluxo de caixa livre negativo entre 2026 e 2030 para bancar a expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial. A projeção aparece em uma apresentação da companhia vista pelo Financial Times e expõe uma operação que cresce rápido, mas ainda depende de rodadas sucessivas de capital.

A conta usa o câmbio de sexta-feira, 18 de setembro, perto de R$ 5,14 por dólar. No mesmo plano, a dona do ChatGPT estima US$ 840 bilhões em receitas acumuladas até 2030, cerca de R$ 4,32 trilhões, mas calcula US$ 856 bilhões em gastos com computação e infraestrutura, perto de R$ 4,4 trilhões.

<><> Receita bilionária não cobre a máquina

A OpenAI projeta elevar a receita anual de US$ 36 bilhões em 2026 para US$ 350 bilhões em 2030. Mesmo assim, a própria apresentação indica que a geração operacional não acompanha o custo dos centros de dados, chips, energia e contratos de nuvem necessários para treinar e rodar seus modelos.

Fluxo de caixa livre mede o dinheiro que sobra depois dos gastos operacionais e investimentos. Quando o número fica negativo nessa escala, a empresa precisa financiar a diferença com capital novo, dívida, venda de ações ou cortes de despesa.

O problema material está no tamanho da aposta. A OpenAI levantou US$ 122 bilhões em março, cerca de R$ 627 bilhões, mas esse colchão pode acabar em 2028 se o ritmo de gasto previsto for mantido.

A companhia tenta transformar essa necessidade de caixa em narrativa de valorização. Investidores discutem novos aportes considerando uma avaliação de US$ 1,2 trilhão, perto de R$ 6,17 trilhões, enquanto a OpenAI busca número ainda maior, de acordo com pessoa próxima à empresa ouvida pelo jornal britânico.

<><> Centros de dados viraram o coração do negócio

A escalada não nasceu de um único contrato. A OpenAI anunciou em janeiro de 2025 o projeto Stargate, com previsão de até US$ 500 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos ao longo de quatro anos.

Depois vieram acordos maiores. Em julho de 2025, a empresa informou uma parceria com a Oracle para desenvolver 4,5 gigawatts adicionais de capacidade de centros de dados. Em setembro do mesmo ano, anunciou com a Nvidia uma carta de intenção para implantar ao menos 10 gigawatts de sistemas da fabricante, com investimento progressivo de até US$ 100 bilhões pela Nvidia.

Esses acordos explicam por que a linha de computação domina a planilha. Modelos de inteligência artificial exigem chips gráficos em grande escala, eletricidade abundante, refrigeração, redes de alta velocidade e contratos longos com fornecedores que também passam a depender da demanda futura da OpenAI.

Oracle, Nvidia e a área de centros de dados da SoftBank aparecem nesse ecossistema como fornecedores e financiadores indiretos da expansão. A promessa de receita futura da OpenAI vira, para essas empresas, parte da justificativa de seus próprios investimentos.

<><> Concorrência barata pressiona preços

A OpenAI também enfrenta uma disputa que limita sua margem. Em julho, a empresa reduziu em 80% o preço do modelo GPT-5.6 Luna e em 20% o do GPT-5.6 Terra, movimento apresentado pela própria companhia como efeito de ganhos de eficiência.

A redução ocorreu em meio à pressão da Anthropic no mercado corporativo e de modelos chineses de pesos abertos, que oferecem alternativas mais baratas para desenvolvedores e empresas. Para o usuário e para quem constrói aplicações, a concorrência ajuda a derrubar preço. Para a OpenAI, comprime a rota até o lucro.

Essa é a tensão central da inteligência artificial comercial. A empresa precisa gastar mais para manter liderança técnica, mas precisa cobrar menos para segurar clientes diante de rivais que disputam desempenho, velocidade e custo.

<><> Bolsa ficou para depois

A OpenAI apresentou em 8 de junho um pedido confidencial de registro à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos para uma oferta pública inicial de ações. A empresa afirmou na ocasião que o envio lhe dava a opção de abrir capital mais cedo, sem decisão tomada sobre o momento da operação.

O processo foi adiado. O plano de vender ações ao público esbarra na preocupação de investidores com perdas elevadas e no debate político sobre o ritmo de desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

A empresa não comentou as informações ao Financial Times. A projeção atual ainda é menos negativa que a estimativa apresentada em maio, quando o fluxo de caixa livre negativo previsto chegava a US$ 305 bilhões.

A melhora não muda o mecanismo. Se a apresentação estiver correta, a OpenAI chega a 2028 com uma decisão dura pela frente, captar mais dinheiro a uma avaliação trilionária, abrir o capital sob escrutínio público ou reduzir uma expansão que foi vendida como condição para dominar a próxima etapa da inteligência artificial.

¨      Assinantes processam donas do ChatGPT e de rivais por combinarem freio na inteligência artificial

Quatro assinantes pagos acusaram Anthropic, OpenAI OpCo, SpaceXAI e Google de coordenar uma desaceleração no desenvolvimento de seus serviços de inteligência artificial, o que poderia reduzir o valor entregue a usuários de ChatGPT, Claude, Grok e Gemini. O processo foi protocolado na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, como ação antitruste.

A ação foi apresentada por Charles Buist, Cheyenne Hunt, Christine Bullock e Nick Spetsas. Eles pedem para representar uma classe nacional de consumidores que pagam por assinaturas desses serviços.

O caso ainda trata de uma acusação, não de uma conclusão judicial. Se a coordenação for comprovada, a consequência apontada pelos autores é direta para o assinante. O usuário teria pago por ferramentas cujo avanço foi deliberadamente contido por empresas que disputam o mesmo mercado.

<><> A palavra segurança virou disputa econômica

A acusação se apoia em acontecimentos de 12 de setembro. Naquele dia, Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, publicou um texto defendendo cooperação entre empresas do setor para desacelerar avanços da inteligência artificial e dar mais tempo a mecanismos de segurança.

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, Elon Musk, chefe da SpaceXAI, e Demis Hassabis, cofundador e presidente do Google DeepMind, manifestaram apoio público à proposta no mesmo dia, de acordo com a ação. O processo também cita uma declaração de julho de 2026, assinada por funcionários de alto escalão de laboratórios de IA, que reconhecia a pressão competitiva para não desacelerar unilateralmente.

Esse ponto é o centro do conflito. Segurança em inteligência artificial pode justificar regra pública, fiscalização e debate com governos. A ação mira outra coisa. Os autores dizem que concorrentes privados não podem substituir competição por contenção coletiva sem passar por uma autorização legal.

<><> O limite factual pesa no caso

A própria ação não contesta que empresas possam pedir regulação ao Congresso, à Casa Branca ou a agências públicas. Também não ataca, por si só, a ideia de solicitar uma isenção antitruste para conversas específicas sobre segurança.

Esse é o principal limite para uma leitura automática contra as empresas. Amodei havia reconhecido o risco antitruste e defendido que o governo dos Estados Unidos mediasse ou ao menos autorizasse conversas entre laboratórios. Altman também defendeu uma estrutura federal de segurança, embora tenha dito que a OpenAI não precisaria esperar nova lei ou isenção para começar esse trabalho.

Os autores tentam separar segurança pública de cartel privado. Na versão deles, uma empresa pode escolher sozinha reduzir o ritmo de seus modelos, mas não pode combinar com rivais uma trava comum para produtos concorrentes.

<><> Assinatura paga entra no centro do processo

O processo desloca a discussão da promessa dos executivos para a conta do usuário. ChatGPT, Claude, Grok e Gemini competem por assinantes que pagam esperando melhorias frequentes, modelos mais capazes e novas funções.

Se a tese dos autores avançar, o tribunal terá de examinar se declarações públicas e convergência entre executivos bastam para indicar acordo anticompetitivo. As empresas, por sua vez, tendem a sustentar que falavam de mitigação de risco, não de redução combinada de qualidade ou inovação.

O caso foi distribuído ao juiz magistrado Nathanael M. Cousins. O próximo passo processual será a resposta das empresas e a definição sobre como a corte tratará uma acusação que transforma a segurança da inteligência artificial em problema de concorrência e de bolso para assinantes.

 

Fonte: O Cafezinho

 

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