Advogado
compara caso Master à Lava Jato e alerta para efeitos políticos de
investigações
O
advogado Rodrigo Siqueira Jr., diretor do Observatório da Lava Jato, avaliou
que a condução das investigações relacionadas ao Banco Master e às medidas
adotadas no Supremo Tribunal Federal (STF) pode produzir efeitos institucionais
e eleitorais relevantes. Em entrevista à TVGGN, Siqueira defendeu que eventuais
indícios de irregularidades sejam investigados, mas dentro das regras
processuais e sem que o processo eleitoral seja afetado.
Segundo
o advogado, a discussão sobre as decisões tomadas no STF precisa ser analisada
sob duas perspectivas: os impactos políticos e eleitorais e os aspectos
institucionais e jurídicos. Para ele, o calendário eleitoral exige cautela na
adoção de medidas judiciais que possam interferir na formação da opinião
pública.
Siqueira
afirmou que o período eleitoral deve ser preservado para que os eleitores
tenham acesso aos programas de governo, debates e propostas dos candidatos. Na
avaliação dele, medidas judiciais envolvendo autoridades e divulgadas nesse
período podem interferir nesse ambiente.
O
advogado também criticou o que considera falta de observância de procedimentos
legais em decisões relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Ele afirmou
que, embora os indícios apresentados devam ser apurados, isso precisa ocorrer
“da forma correta e no momento oportuno”.
Para
Siqueira, a atuação de um ministro do Supremo na adoção de medidas
investigativas sem a participação colegiada da Corte pode gerar um problema
institucional. Na entrevista, ele sustentou que decisões dessa natureza, caso
não sejam submetidas às instâncias adequadas, podem fragilizar o funcionamento
do tribunal.
<><>
Investigação
O
advogado afirmou que o interesse em investigar eventuais ilícitos relacionados
ao Banco Master não deve ser confundido com a defesa de procedimentos que, em
sua avaliação, possam comprometer a validade das provas.
Para
ele, a politização de uma investigação pode afastar o processo da lógica
jurídica e fazer com que decisões sejam tomadas em função de seus efeitos
políticos. Siqueira argumentou que isso poderia resultar em nulidades e impedir
que eventuais responsáveis sejam efetivamente punidos.
“Isso
não beneficia a investigação”, afirmou. Segundo o advogado, caso existam
condutas ilícitas envolvendo o Banco Master, elas somente poderão ser
sancionadas se a apuração ocorrer dentro de um processo considerado justo e
juridicamente válido.
Siqueira
também defendeu que a análise de medidas judiciais contra autoridades
politicamente expostas seja feita com cautela durante o período eleitoral. Ele
citou a necessidade de avaliar o impacto de decisões cautelares e do
levantamento de sigilos sobre a opinião pública, argumentando que essas medidas
não equivalem, por si só, a uma conclusão de culpa.
O
advogado afirmou ainda que as mensagens divulgadas no contexto das
investigações apontariam para indícios que precisam ser apurados, mas não
seriam suficientes, segundo sua avaliação, para conclusões definitivas.
<><>
Lava Jato
Durante
a entrevista, Siqueira comparou o atual cenário no STF com episódios da
Operação Lava Jato. Na avaliação dele, haveria uma repetição de práticas que,
durante a operação, tiveram forte repercussão política e institucional.
O
advogado citou decisões judiciais e divulgação seletiva de informações
ocorridas durante o período eleitoral da Lava Jato e afirmou que, anos depois,
os efeitos da operação podem ser analisados também sob a perspectiva
institucional e econômica.
Segundo
Siqueira, a Lava Jato teria produzido impactos que ultrapassaram a esfera
política, afetando instituições, o ambiente de negócios e setores da economia
brasileira. Ele demonstrou preocupação com a possibilidade de que problemas
semelhantes voltem a ocorrer agora em um processo que envolve diretamente o STF
e o sistema financeiro.
O
entrevistado destacou ainda que há uma diferença institucional importante entre
os dois momentos: enquanto as decisões mais controversas da Lava Jato eram
tomadas por magistrados de primeira instância, o atual cenário envolve
ministros da Suprema Corte, sem uma instância recursal equivalente.
Siqueira
afirmou que o setor bancário é particularmente sensível por sua importância
para o funcionamento da economia e defendeu que a investigação de eventuais
irregularidades não ocorra com abandono das regras processuais.
“Com o
justo desejo de ver indícios serem apurados, investigados e punidos, que é uma
coisa natural, com o justo receio que nós façamos isso, nós passemos a abrir
mão completamente da regra do jogo”, declarou.
<><>
Processo eleitoral
Para o
advogado, medidas judiciais envolvendo autoridades durante o período eleitoral
precisam considerar os efeitos que podem produzir sobre a disputa política. Ele
afirmou que isso não significa impedir investigações ou criar mecanismos de
impunidade, mas estabelecer critérios para que decisões cautelares e outras
medidas não sejam utilizadas de maneira capaz de interferir no processo
eleitoral.
Siqueira
defendeu que o debate sobre eventuais reformas do sistema de Justiça seja
realizado de forma independente da investigação sobre o Banco Master. Para ele,
transformar o caso no principal tema da eleição poderia deslocar a discussão
sobre programas de governo e projetos para o país.
O
advogado afirmou ainda que a crise atual não deveria ser tratada como uma
disputa em defesa de um ministro específico, mas como uma questão relacionada
ao funcionamento institucional do Supremo. Segundo ele, a preservação da
capacidade do STF de exercer o controle constitucional e proteger direitos e
liberdades seria um interesse institucional mais amplo.
<><>
Disputa em torno de Moraes
Questionado
sobre a possibilidade de setores da oposição estarem utilizando as denúncias
relacionadas ao Banco Master para tentar enfraquecer o ministro Alexandre de
Moraes e afetar processos sob sua responsabilidade, Siqueira afirmou considerar
que existe uma estratégia política de exploração da controvérsia.
O
advogado mencionou a oposição ao STF e a Moraes e disse que, na sua avaliação,
há uma tentativa de utilizar esse ambiente para criar condições que dificultem
o andamento de processos. Ele ressaltou, porém, que isso não significa concluir
antecipadamente sobre a responsabilidade de qualquer pessoa em relação aos
fatos investigados.
Ao
longo da entrevista, Siqueira reiterou que a existência de indícios deve
resultar em investigação, mas defendeu que a apuração siga procedimentos
legais. Para ele, a adoção de medidas fora dessas regras pode produzir o efeito
contrário ao pretendido: em vez de permitir a punição de eventuais
responsáveis, pode levar à anulação de provas e comprometer o resultado dos
processos.
• Falta escarafunchar melhor a parceria
Vorcaro-André Mendonça. Por Luís Nassif
Ainda
não se chegou ao centro da parceria Daniel Vorcaro-André Mendonça/Instituto
Iter.
A Cedro
Participações, holding de Lucas Kallas (empresário com negócios paralelos com
Vorcaro, inclusive sócio dele na Biomm), fechou com o Instituto Iter um
contrato de mútuo conversível em abril de 2024, prevendo repasses de até R$ 5,9
milhões. Do total, R$ 5,2 milhões chegaram a ser efetivamente transferidos.
Não se
trata de mero namoro. Mútuo conversível é um contrato de empréstimo (mútuo, no
sentido jurídico do Código Civil) com uma cláusula específica: o credor tem a
opção de, no vencimento ou em algum gatilho predefinido, converter o valor
emprestado em participação societária (quotas ou ações) da empresa devedora, em
vez de receber o dinheiro de volta. Em janeiro de 2026 – quase dois anos depois
– só 5,3% do dinheiro foi devolvido à Cedro.
O ponto
central da atuação do Iter, porém, ainda permanece obscuro. Conforme o GGN já
apurou, nos três dias que antecederam a visita de Daniel Vorcaro à sede do
instituto, em São Paulo, foram emitidas 37 notas fiscais.
Sabe-se,
até agora, os contratos firmados com entes públicos. Falta abrir as contas do
Iter para contratos com entes privados.
<><>
O algoritmo do Supremo
Há algo
de muito suspeito nos algoritmos do Supremo, que sorteiam os casos entre os
Ministros. Na época da Lava Jato, cheguei a pedir a um estatístico da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) uma análise probabilística das
vezes em que casos ligados ao PSDB, ou casos cruciais ligados ao PT, caíam nas
mãos de Gilmar Mendes. Não havia o que explicasse.
Quando
terminaram as eleições de 2018, duas apurações de contas – do PT e da própria
Dilma – caíram com Gilmar, entre 6 juízes. Ou seja, uma probabilidade de 2,78%.
Na
época, fui procurado por um ex-assessor do STF que explicou a manobra. Não
havia condições de manipular diretamente o algoritmo. O que se fazia, então,
era criar uma gambiarra que simulava o algoritmo e dava o resultado planejado.
Mas o técnico somente aceitaria relatar o caso se na presença do
Procurador-Geral da República ou de algum Ministro do STF. Em plena Lava Jato,
ninguém ousou.
Pode
ser alarme falso do técnico, pode ser alarme verdadeiro. A lei da probabilidade
estava do seu lado.
Vamos
analisar agora três inquéritos que caíram com André Mendonça: o do INSS, o do
Master e o do Lulinha.
• INSS = 1/10 (10%, porque Toffoli fora do
pool)
• Master: 1/9 (11%, por Toffoli e Fachin
Fora)
• Lulinha: 1/10 a 1/11 (ou 9 a 10%).
A
probabilidade dos 3 inquéritos terem caído com o mesmo Ministro André Mendonça
é de 1 em 900 a 1.100, ou probabilidade de 0,1%.
Não é a
primeira suspeita sobre os sorteios nos tribunais superiores. O jornalista Luiz
Costa Pinto já havia desvendado o mistério de todas as ações da Lava Jato, no
Superior Tribunal de Justiça, caírem com procuradores lavajatistas. Na hora do
sorteio, o sistema caía. Como não registrava a presença de nenhum procurador, o
caso era destinado pelo responsável ao procurador pré-determinado.
É
possível que, na distribuição, entrem outros fatores. De qualquer modo, seria
relevante haver transparência sobre os algoritmos. Afinal, no final do
processo, há uma democracia em jogo.
Fonte:
Jornal GGN

Nenhum comentário:
Postar um comentário