Show
de horrores no STF: André Mendonça lidera novo plano golpista do bolsonarismo
O show
de horrores da última terça-feira no Supremo Tribunal Federal não é uma mera
consequência de uma crise institucional e moral dos ministros. Quem preparou as
condições materiais para a deflagração do caos foi André Mendonça, que atua com
uma agenda eleitoral debaixo do braço e com o espírito golpista do
bolsonarismo.
O que
está em curso é uma operação para tumultuar as eleições, contestar o resultado
caso Flávio Bolsonaro, do PL, seja derrotado e governar sequestrando o
Judiciário por meio de impeachment e indicações de ministros.A crise deflagrada
no STF é parte da nova trama golpista que está em curso. Mendonça afastou o
diretor da Polícia Federal que prendeu Vorcaro, três dias depois que Flávio
Dino havia autorizado uma operação contra seus aliados. Ele busca o caos para
proteger o seu grupo político, que já está com o novo plano golpista em ação.
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Apoio de Donald Trump fortalece a nova ofensiva golpista no Brasil
Enquanto
o Judiciário está em chamas, Trump está exigindo que o Brasil tenha “eleições
livres” e ameaçando novamente ministros do STF com a aplicação da Lei
Magnitsky. Se em 2022 Biden se recusou a endossar a empreitada golpista, agora
Trump está dando todo o suporte. Não se trata de um plano secreto. A maior
potência bélica e econômica do planeta já colocou todas as cartas sobre a mesa.
Depois
da sessão no STF, choveram análises indignadas com a quebra do decoro e com a
crise moral dos ministros. Muitos analistas se mostraram envergonhados com a
várzea institucional que estamos vivendo. Foram muitas as Carmens Lúcias na
grande imprensa. Quase todas negligenciaram o pano de fundo da história, o que
é realmente importante: o futuro da democracia.
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Cordeirinho do Supremo
‘A
narrativa de que Mendonça busca moralizar o tribunal esconde o objetivo real:
aparelhar o Judiciário para fragilizar o processo eleitoral e criar um ambiente
favorável ao golpismo’.
A
maioria das análises se dedicou a criticar Flávio Dino, Alexandre de Moraes e
Gilmar Mendes, mas poupou André Mendonça. O ministro bolsonarista foi tratado
como um cordeirinho indefeso na frente de dois lobos famintos da velha
política.
A
narrativa de que Mendonça busca moralizar o tribunal esconde o objetivo real:
aparelhar o Judiciário para fragilizar o processo eleitoral e criar um ambiente
favorável ao golpismo.
‘O
golpismo parece ter virado uma corrente política legítima para a imprensa
brasileira.’.
Mendonça
parece estar passando ileso, mesmo depois que suas relações muito mal
explicadas com Vorcaro e Cezinha de Madureira, deputado federal pelo PL de São
Paulo, vieram à tona. O fato de ser um representante do mesmo grupo político
que há três anos invadiu e destruiu o STF, o Congresso Nacional e o Palácio do
Planalto está sendo omitido em todas as análises. Mendonça está sendo tratado
com generosidade ímpar. O golpismo parece ter virado uma corrente política
legítima para a imprensa brasileira.
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Como a mídia tradicional valida a narrativa do bolsonarismo no STF
Faltando
pouco mais de duas semanas para a eleição, a narrativa golpista do bolsonarismo
vem sendo turbinada pela complacência de parte relevante da grande mídia.
‘Essa
insistência em associar Lula com Moraes é uma forçação de barra sem tamanho. Os
dois nunca foram aliados políticos’.
Depois
da briga no STF, os nomes de Lula e Alexandre de Moraes começaram a aparecer
juntos nas manchetes. Chegaram até a dizer que os dois haviam saído
enfraquecidos do embate com Mendonça, o que não faz o menor sentido.
Essa
insistência em associar Lula com Moraes é uma forçação de barra sem tamanho. Os
dois nunca foram aliados políticos, longe disso. Moraes foi indicação de Michel
Temer, o ex-presidente que Lula considera ser um golpista.
A única
coisa que os colocou do mesmo lado e em oposição ao bolsonarismo foi a defesa
da democracia. É o mesmo lado em que a imprensa e todos os democratas deveriam
estar.
Colar a
imagem de Lula a Moraes foi a maneira que a campanha de Flávio Bolsonaro
encontrou para arrastar o presidente para o escândalo do Banco Master. Essa
associação serve exclusivamente aos interesses da candidatura golpista.
‘O fato
é que não há nada no escândalo que atinja o presidente em cheio, pelo
contrário’.
A tese
estapafúrdia e eleitoreira ganhou adesão da mídia tradicional, disposta a
ignorar os fatos para simular uma falsa neutralidade, o famoso doisladismo.
O fato
é que não há nada no escândalo que atinja o presidente em cheio, pelo
contrário. O banco foi liquidado durante o governo de Lula e Vorcaro foi preso.
Além disso, ficou comprovado que a Polícia Federal desfruta de total liberdade
para investigar até mesmo pessoas próximas dele, como Jaques Wagner, do PT da
Bahia e ex-líder do governo no Senado.
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Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas explorando o caos no Supremo
O
quiproquó armado por Mendonça foi um sucesso do ponto de vista bolsonarista.
Apesar de estar envolvido até os ossos no escândalo do Master, Flávio Bolsonaro
subiu consideravelmente nas últimas pesquisas.
A
imagem de Lula ficou associada à crise do STF. Segundo o último levantamento da
Atlas/Intel, 49,5% dos eleitores acreditam que a crise prejudica Lula, enquanto
apenas 20,9% acreditam que prejudica Flávio.
Muita
gente se pergunta por que o bolsonarista tem crescido nas pesquisas mesmo com
tantos escândalos de corrupção envolvendo ele e seu grupo político.
A
resposta não é simples, mas certamente passa pelo fato da grande imprensa estar
falhando em apontar o caráter golpista de uma das candidaturas.
É
evidente que o STF vive uma crise moral da qual pouquíssimos ministros escapam,
mas há algo muito maior em jogo.
Que
todos os ministros sejam investigados e punidos, mas não ao arrepio da lei como
tentou Mendonça. Há anos o bolsonarismo tenta minar e destruir o STF e a
democracia. Mas, agora, conta com um ministro para insuflar o golpismo, com o
apoio dos EUA.
Tratar
as ações do bolsonarista com legitimidade é brincar com a democracia. O triunfo
de André Mendonça no STF é o triunfo do golpismo. Ignorar ou minimizar o
caráter golpista do ministro é aceitar dançar com ele à beira do abismo.
Abin
alerta: EUA querem interferir nas eleições brasileiras
Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou no fim de agosto um relatório
confidencial ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alertando para uma “escalada de pressão” do
governo Trump sobre o Brasil, com riscos classificados como de “nível de
criticidade” para as eleições de 2026.
O
documento, acessado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo,
descreve uma ofensiva que combina pressão geopolítica, sanções econômicas e
tentativas de interferir diretamente nas regras eleitorais brasileiras, tendo
como pano de fundo a disputa de Washington pelo domínio na América Latina.
• Mendonça diz que não consegue acessar
celular de Vorcaro e pede ajuta à PF
O
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou à Polícia
Federal que seu gabinete ainda não conseguiu acessar efetivamente a íntegra dos
dados de um dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação
foi publicada neste sábado (19) pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, com
base em ofício encaminhado pelo magistrado ao diretor-geral da PF, Andrei
Rodrigues.
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No
documento, Mendonça relata que os dados armazenados na mídia entregue pela
Polícia Federal não puderam ser consultados pelo gabinete. Segundo o ministro,
a dificuldade pode estar relacionada tanto a questões técnicas e operacionais
quanto a um eventual problema no próprio material fornecido pela corporação.
“Até o
presente momento, seja por dificuldades de ordem técnica operacional, seja por
algum tipo de defeito contido na mídia entregue, este Gabinete não logrou êxito
em obter acesso efetivo ao material ali contido, permanecendo os respectivos
dados e informações indisponíveis ao exame e análise deste juízo”, afirma
Mendonça no ofício.
Diante
do problema, o ministro solicitou que a Polícia Federal preste o suporte
técnico necessário para permitir a leitura dos arquivos. Mendonça também pediu
que a corporação confira a integridade do material encaminhado ao Supremo, numa
tentativa de identificar a origem da dificuldade de acesso.
No
pedido, o ministro requer à PF “auxílio técnico operacional necessário, bem
como a conferência na higidez do material especificamente entregue” ao
gabinete, “a fim de viabilizar a superação de qualquer óbice ao efetivo acesso
ao referido material”.
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Disputa pelo conteúdo do celular
Mendonça
e o ministro Luiz Fux solicitaram acesso ao mesmo conjunto de informações que
já havia sido disponibilizado aos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
Fux
também pediu à Polícia Federal acesso integral ao conteúdo do aparelho nos
últimos dias. A circulação das informações entre diferentes gabinetes do
Supremo tornou o material apreendido pela PF um dos pontos centrais da atual
controvérsia envolvendo o caso Banco Master.
A
questão ganhou relevância porque os dados extraídos dos aparelhos de Vorcaro
passaram a ser analisados por diferentes integrantes da Corte. As informações
obtidas pela Polícia Federal incluem mensagens e registros de contatos do
ex-banqueiro com autoridades, empresários, advogados e outras pessoas.
Reportagens
publicadas nos últimos dias também apontaram referências, nas mensagens, a
integrantes ou familiares de ministros do Supremo. Entre os citados estão os
filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além de contatos
envolvendo o próprio André Mendonça. Os envolvidos negaram irregularidades ou
relações indevidas apontadas a partir das mensagens.
A
dificuldade relatada por Mendonça acrescenta um novo capítulo à disputa sobre
quem pode consultar o material e em que condições. O caso envolve dados
apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco
Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O
acesso aos arquivos também se tornou objeto de divergências entre os próprios
ministros. Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, já havia
determinado medidas envolvendo mensagens extraídas do celular de Vorcaro. A
divulgação de parte desse conteúdo provocou reações de outros integrantes da
Corte e ampliou a discussão sobre os limites de acesso e divulgação das
informações.
Nos
últimos dias, ministros passaram a solicitar diretamente à PF cópias ou acesso
ao material bruto. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já haviam recebido os dados,
enquanto Fux e Mendonça também buscaram acesso ao conteúdo. Posteriormente,
Kassio Nunes Marques solicitou à Polícia Federal acesso à íntegra dos diálogos,
que já havia sido disponibilizada a outros ministros.
A
controvérsia ocorre enquanto o conteúdo do aparelho de Vorcaro é examinado em
diferentes frentes. Mensagens reveladas pela investigação passaram a integrar o
debate sobre as relações mantidas pelo ex-banqueiro com integrantes do
Judiciário, advogados e agentes políticos.
Nesse
cenário, o pedido apresentado por Mendonça à Polícia Federal tem caráter
técnico: o ministro afirma que os arquivos disponibilizados ao seu gabinete não
puderam ser acessados e solicita que a corporação verifique a integridade da
mídia e forneça suporte para tornar os dados disponíveis à análise judicial.
Até o
momento, o documento não atribui à Polícia Federal responsabilidade deliberada
pela impossibilidade de acesso. Mendonça registra apenas duas possibilidades
para o problema: dificuldades técnicas ou eventual defeito no material entregue
ao gabinete.
• Abin alerta para interferência externa
nas eleições de 2026
O
relatório confidencial da Abin, segundo apuração de Mônica Bergamo na Folha de
S.Paulo, não trata a pressão norte-americana como um episódio isolado.
O
documento adverte para uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão
exercida pelos EUA” sobre o Brasil.
A
escolha de elevar o risco ao “nível de criticidade” sinaliza que a inteligência
brasileira avalia a situação como qualitativamente diferente do que vinha sendo
monitorado até então.
O fato
de o documento ter sido encaminhado simultaneamente ao Palácio do Planalto e ao
TSE revela a dimensão do alerta: não se trata apenas de uma questão de política
externa, mas de uma ameaça percebida ao próprio processo eleitoral.
<><>Estratégia
dos EUA e alvos no Brasil
Segundo
o relatório, conforme apurado por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, a
reafirmação do domínio geopolítico na América Latina tornou-se prioridade
central do segundo mandato de Donald Trump.
A
estratégia prevê conter o avanço de potências rivais como a China na região,
negar a elas acesso a ativos estratégicos e infraestruturas cruciais, e forçar
o realinhamento de países que resistam às exigências de Washington.
O
Brasil ocupa posição de destaque nesse cálculo por manter um governo com
disposição política e capacidade para sustentar sua autonomia internacional, o
que o transformou em alvo de retaliações econômicas, comerciais e diplomáticas
da Casa Branca.
As
táticas identificadas pela inteligência brasileira são variadas e combinam
instrumentos formais com pressão política direta.
A
administração Trump classificou facções criminosas brasileiras como
“organizações terroristas”, usando essa designação como gancho para impor
barreiras comerciais e sanções administrativas.
Além
disso, o documento aponta tentativas de condicionar as próprias regras do
pleito de 2026: Washington exigiu que o Brasil não limitasse a participação de
“dissidentes políticos” nas urnas durante as negociações do tarifaço em outubro
de 2025, uma clara interferência na justiça eleitoral brasileira.
Fonte:
Por João Filho, em The Intercept/Veasil 247/Fórum

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