segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Show de horrores no STF: André Mendonça lidera novo plano golpista do bolsonarismo

O show de horrores da última terça-feira no Supremo Tribunal Federal não é uma mera consequência de uma crise institucional e moral dos ministros. Quem preparou as condições materiais para a deflagração do caos foi André Mendonça, que atua com uma agenda eleitoral debaixo do braço e com o espírito golpista do bolsonarismo.

O que está em curso é uma operação para tumultuar as eleições, contestar o resultado caso Flávio Bolsonaro, do PL, seja derrotado e governar sequestrando o Judiciário por meio de impeachment e indicações de ministros.A crise deflagrada no STF é parte da nova trama golpista que está em curso. Mendonça afastou o diretor da Polícia Federal que prendeu Vorcaro, três dias depois que Flávio Dino havia autorizado uma operação contra seus aliados. Ele busca o caos para proteger o seu grupo político, que já está com o novo plano golpista em ação.

<><> Apoio de Donald Trump fortalece a nova ofensiva golpista no Brasil

Enquanto o Judiciário está em chamas, Trump está exigindo que o Brasil tenha “eleições livres” e ameaçando novamente ministros do STF com a aplicação da Lei Magnitsky. Se em 2022 Biden se recusou a endossar a empreitada golpista, agora Trump está dando todo o suporte. Não se trata de um plano secreto. A maior potência bélica e econômica do planeta já colocou todas as cartas sobre a mesa.

Depois da sessão no STF, choveram análises indignadas com a quebra do decoro e com a crise moral dos ministros. Muitos analistas se mostraram envergonhados com a várzea institucional que estamos vivendo. Foram muitas as Carmens Lúcias na grande imprensa. Quase todas negligenciaram o pano de fundo da história, o que é realmente importante: o futuro da democracia.

<><> Cordeirinho do Supremo

‘A narrativa de que Mendonça busca moralizar o tribunal esconde o objetivo real: aparelhar o Judiciário para fragilizar o processo eleitoral e criar um ambiente favorável ao golpismo’.

A maioria das análises se dedicou a criticar Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, mas poupou André Mendonça. O ministro bolsonarista foi tratado como um cordeirinho indefeso na frente de dois lobos famintos da velha política.

A narrativa de que Mendonça busca moralizar o tribunal esconde o objetivo real: aparelhar o Judiciário para fragilizar o processo eleitoral e criar um ambiente favorável ao golpismo.

‘O golpismo parece ter virado uma corrente política legítima para a imprensa brasileira.’.

Mendonça parece estar passando ileso, mesmo depois que suas relações muito mal explicadas com Vorcaro e Cezinha de Madureira, deputado federal pelo PL de São Paulo, vieram à tona. O fato de ser um representante do mesmo grupo político que há três anos invadiu e destruiu o STF, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto está sendo omitido em todas as análises. Mendonça está sendo tratado com generosidade ímpar. O golpismo parece ter virado uma corrente política legítima para a imprensa brasileira.

<><> Como a mídia tradicional valida a narrativa do bolsonarismo no STF

Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição, a narrativa golpista do bolsonarismo vem sendo turbinada pela complacência de parte relevante da grande mídia.

‘Essa insistência em associar Lula com Moraes é uma forçação de barra sem tamanho. Os dois nunca foram aliados políticos’.

Depois da briga no STF, os nomes de Lula e Alexandre de Moraes começaram a aparecer juntos nas manchetes. Chegaram até a dizer que os dois haviam saído enfraquecidos do embate com Mendonça, o que não faz o menor sentido.

Essa insistência em associar Lula com Moraes é uma forçação de barra sem tamanho. Os dois nunca foram aliados políticos, longe disso. Moraes foi indicação de Michel Temer, o ex-presidente que Lula considera ser um golpista.

A única coisa que os colocou do mesmo lado e em oposição ao bolsonarismo foi a defesa da democracia. É o mesmo lado em que a imprensa e todos os democratas deveriam estar.

Colar a imagem de Lula a Moraes foi a maneira que a campanha de Flávio Bolsonaro encontrou para arrastar o presidente para o escândalo do Banco Master. Essa associação serve exclusivamente aos interesses da candidatura golpista.

‘O fato é que não há nada no escândalo que atinja o presidente em cheio, pelo contrário’.

A tese estapafúrdia e eleitoreira ganhou adesão da mídia tradicional, disposta a ignorar os fatos para simular uma falsa neutralidade, o famoso doisladismo.

O fato é que não há nada no escândalo que atinja o presidente em cheio, pelo contrário. O banco foi liquidado durante o governo de Lula e Vorcaro foi preso. Além disso, ficou comprovado que a Polícia Federal desfruta de total liberdade para investigar até mesmo pessoas próximas dele, como Jaques Wagner, do PT da Bahia e ex-líder do governo no Senado.

<><> Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas explorando o caos no Supremo

O quiproquó armado por Mendonça foi um sucesso do ponto de vista bolsonarista. Apesar de estar envolvido até os ossos no escândalo do Master, Flávio Bolsonaro subiu consideravelmente nas últimas pesquisas.

A imagem de Lula ficou associada à crise do STF. Segundo o último levantamento da Atlas/Intel, 49,5% dos eleitores acreditam que a crise prejudica Lula, enquanto apenas 20,9% acreditam que prejudica Flávio.

Muita gente se pergunta por que o bolsonarista tem crescido nas pesquisas mesmo com tantos escândalos de corrupção envolvendo ele e seu grupo político.

A resposta não é simples, mas certamente passa pelo fato da grande imprensa estar falhando em apontar o caráter golpista de uma das candidaturas.

É evidente que o STF vive uma crise moral da qual pouquíssimos ministros escapam, mas há algo muito maior em jogo.

Que todos os ministros sejam investigados e punidos, mas não ao arrepio da lei como tentou Mendonça. Há anos o bolsonarismo tenta minar e destruir o STF e a democracia. Mas, agora, conta com um ministro para insuflar o golpismo, com o apoio dos EUA.

Tratar as ações do bolsonarista com legitimidade é brincar com a democracia. O triunfo de André Mendonça no STF é o triunfo do golpismo. Ignorar ou minimizar o caráter golpista do ministro é aceitar dançar com ele à beira do abismo.

Abin alerta: EUA querem interferir nas eleições brasileiras

Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou no fim de agosto um relatório confidencial ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alertando para uma “escalada de pressão” do governo Trump sobre o Brasil, com riscos classificados como de “nível de criticidade” para as eleições de 2026.

O documento, acessado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, descreve uma ofensiva que combina pressão geopolítica, sanções econômicas e tentativas de interferir diretamente nas regras eleitorais brasileiras, tendo como pano de fundo a disputa de Washington pelo domínio na América Latina.

•        Mendonça diz que não consegue acessar celular de Vorcaro e pede ajuta à PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou à Polícia Federal que seu gabinete ainda não conseguiu acessar efetivamente a íntegra dos dados de um dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi publicada neste sábado (19) pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, com base em ofício encaminhado pelo magistrado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

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No documento, Mendonça relata que os dados armazenados na mídia entregue pela Polícia Federal não puderam ser consultados pelo gabinete. Segundo o ministro, a dificuldade pode estar relacionada tanto a questões técnicas e operacionais quanto a um eventual problema no próprio material fornecido pela corporação.

“Até o presente momento, seja por dificuldades de ordem técnica operacional, seja por algum tipo de defeito contido na mídia entregue, este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido, permanecendo os respectivos dados e informações indisponíveis ao exame e análise deste juízo”, afirma Mendonça no ofício.

Diante do problema, o ministro solicitou que a Polícia Federal preste o suporte técnico necessário para permitir a leitura dos arquivos. Mendonça também pediu que a corporação confira a integridade do material encaminhado ao Supremo, numa tentativa de identificar a origem da dificuldade de acesso.

No pedido, o ministro requer à PF “auxílio técnico operacional necessário, bem como a conferência na higidez do material especificamente entregue” ao gabinete, “a fim de viabilizar a superação de qualquer óbice ao efetivo acesso ao referido material”.

<><> Disputa pelo conteúdo do celular

Mendonça e o ministro Luiz Fux solicitaram acesso ao mesmo conjunto de informações que já havia sido disponibilizado aos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.

Fux também pediu à Polícia Federal acesso integral ao conteúdo do aparelho nos últimos dias. A circulação das informações entre diferentes gabinetes do Supremo tornou o material apreendido pela PF um dos pontos centrais da atual controvérsia envolvendo o caso Banco Master.

A questão ganhou relevância porque os dados extraídos dos aparelhos de Vorcaro passaram a ser analisados por diferentes integrantes da Corte. As informações obtidas pela Polícia Federal incluem mensagens e registros de contatos do ex-banqueiro com autoridades, empresários, advogados e outras pessoas.

Reportagens publicadas nos últimos dias também apontaram referências, nas mensagens, a integrantes ou familiares de ministros do Supremo. Entre os citados estão os filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, além de contatos envolvendo o próprio André Mendonça. Os envolvidos negaram irregularidades ou relações indevidas apontadas a partir das mensagens.

A dificuldade relatada por Mendonça acrescenta um novo capítulo à disputa sobre quem pode consultar o material e em que condições. O caso envolve dados apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O acesso aos arquivos também se tornou objeto de divergências entre os próprios ministros. Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso, já havia determinado medidas envolvendo mensagens extraídas do celular de Vorcaro. A divulgação de parte desse conteúdo provocou reações de outros integrantes da Corte e ampliou a discussão sobre os limites de acesso e divulgação das informações.

Nos últimos dias, ministros passaram a solicitar diretamente à PF cópias ou acesso ao material bruto. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes já haviam recebido os dados, enquanto Fux e Mendonça também buscaram acesso ao conteúdo. Posteriormente, Kassio Nunes Marques solicitou à Polícia Federal acesso à íntegra dos diálogos, que já havia sido disponibilizada a outros ministros.

A controvérsia ocorre enquanto o conteúdo do aparelho de Vorcaro é examinado em diferentes frentes. Mensagens reveladas pela investigação passaram a integrar o debate sobre as relações mantidas pelo ex-banqueiro com integrantes do Judiciário, advogados e agentes políticos.

Nesse cenário, o pedido apresentado por Mendonça à Polícia Federal tem caráter técnico: o ministro afirma que os arquivos disponibilizados ao seu gabinete não puderam ser acessados e solicita que a corporação verifique a integridade da mídia e forneça suporte para tornar os dados disponíveis à análise judicial.

Até o momento, o documento não atribui à Polícia Federal responsabilidade deliberada pela impossibilidade de acesso. Mendonça registra apenas duas possibilidades para o problema: dificuldades técnicas ou eventual defeito no material entregue ao gabinete.

•        Abin alerta para interferência externa nas eleições de 2026

O relatório confidencial da Abin, segundo apuração de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, não trata a pressão norte-americana como um episódio isolado.

O documento adverte para uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o Brasil.

A escolha de elevar o risco ao “nível de criticidade” sinaliza que a inteligência brasileira avalia a situação como qualitativamente diferente do que vinha sendo monitorado até então.

O fato de o documento ter sido encaminhado simultaneamente ao Palácio do Planalto e ao TSE revela a dimensão do alerta: não se trata apenas de uma questão de política externa, mas de uma ameaça percebida ao próprio processo eleitoral.

<><>Estratégia dos EUA e alvos no Brasil

Segundo o relatório, conforme apurado por Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, a reafirmação do domínio geopolítico na América Latina tornou-se prioridade central do segundo mandato de Donald Trump.

A estratégia prevê conter o avanço de potências rivais como a China na região, negar a elas acesso a ativos estratégicos e infraestruturas cruciais, e forçar o realinhamento de países que resistam às exigências de Washington.

O Brasil ocupa posição de destaque nesse cálculo por manter um governo com disposição política e capacidade para sustentar sua autonomia internacional, o que o transformou em alvo de retaliações econômicas, comerciais e diplomáticas da Casa Branca.

As táticas identificadas pela inteligência brasileira são variadas e combinam instrumentos formais com pressão política direta.

A administração Trump classificou facções criminosas brasileiras como “organizações terroristas”, usando essa designação como gancho para impor barreiras comerciais e sanções administrativas.

Além disso, o documento aponta tentativas de condicionar as próprias regras do pleito de 2026: Washington exigiu que o Brasil não limitasse a participação de “dissidentes políticos” nas urnas durante as negociações do tarifaço em outubro de 2025, uma clara interferência na justiça eleitoral brasileira.

 

Fonte: Por João Filho, em The Intercept/Veasil 247/Fórum

 

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