Brasil
tem potencial para ampliar passageiros aéreos: como a Embraer pode ajudar
nisso?
O
Brasil é o segundo país do mundo em número de pistas e aeroportos, atrás apenas
dos Estados Unidos. Apesar disso, a menor parte desta infraestrutura
aeroportuária é utilizada com regularidade. A Embraer, terceira maior
fabricante de jatos comerciais do mundo, poderia ajudar a mudar esta realidade?
Um
estudo da Coppe/UFRJ apresentado à Câmara dos Deputados mostra que apenas 164
aeródromos tinham voos regulares domésticos em 2019, contra 152 em 2002. Sendo
que o país dispõe de milhares dessas estruturas.
Apesar
disso, o Brasil chegou como o quarto maior mercado doméstico do mundo em 2024,
com 1,2% do total global, conforme dados da International Air Transport
Association (IATA). Em 2025, o mercado doméstico superou pela primeira vez 100
milhões de passageiros num ano.
É um
número expressivo. Entretanto, "se calcularmos a população e a dimensão do
país, o Brasil tem um potencial para ampliar isso muito mais", comenta
Marcos Barbieri, especialista em indústria aeroespacial e de defesa da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Outro
dado que salta aos olhos num primeiro momento, é o que demonstra o Brasil atrás
apenas dos EUA em relação ao número de pistas e aeroportos. Segundo a CIA, em
levantamento de 2025, contam 5.297 estruturas no Brasil contra 16.116 nos EUA,
entre pistas pavimentadas ou não, em operação ou não. Embora haja volume, o
especialista ressalta que uma pista é algo "relativamente simples de
fazer".
"A
complexidade está onde? Na infraestrutura para que eu possa receber uma rota
comercial, mesmo que seja uma rota pequena com aviões pequenos, eu tenho que
ter uma estrutura para receber os passageiros, para poder fazer a manutenção e
o reabastecimento das aeronaves", acrescenta.
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Embraer, o mercado aéreo brasileiro e rotas de baixa densidade
De
acordo com Barbieri, a relação entre a fabricante e o mercado brasileiro tem
"dupla importância", mas não é de dependência. A Embraer nasceu para
atender o país e exporta desde os anos 1970. "Ela não depende do mercado
brasileiro para sobreviver", afirmou, "assim como o mercado
brasileiro não opera só com Embraer".
Porém,
para ajudar a alcançar um potencial já mencionado de ampliar o número de
passageiros, o analista acredita que uma oportunidade de mercado com definições
bem estruturadas poderia ser oferecida à empresa para investir em aeronaves
menores para voos comerciais, com até 50 ou 70 assentos. Isso também
demandaria, obviamente, modernização nas infraestruturas dos aeroportos de
médias cidades e pequenas cidades, que são um gargalo para o Brasil.
No
cenário internacional, o segmento de até 50 lugares seria dominado praticamente
pela ATR, num mercado que os grandes fabricantes teriam abandonado.
A
Embraer, por sua vez, até chegou a tentar. Suspendeu o projeto de turboélice em
2023. Em novembro de 2025, o CEO Francisco Gomes Neto anunciou o cancelamento
definitivo, alegando falta de motores de nova geração que atendessem às metas
de eficiência. Vale notar que o projeto mirava 70 a 90 assentos, portanto acima
das rotas que o entrevistado descreve. Ou seja, o gargalo não é só de demanda:
passa também por motor, custo e escala de produção.
Porém,
Barbieri defende que sejam oferecidas condições para a empresa desenvolver
aeronaves específicas para esse mercado. "E a partir daí, desse mercado,
ela poder ocupar o mercado internacional. O que eu estou falando foi o que
aconteceu exatamente nos anos 70".
Conforme
recorda o analista, naquela ocasião, a empresa desenvolveu o Bandeirante, que
operava em rotas de baixa densidade. "A Força Aérea comprou uma quantidade
grande de aeronaves, mas para estimular a produção dessa aeronave, o governo
brasileiro reestruturou todo o mercado aéreo regional, desenvolveu empresas
aéreas regionais, dividiu o mercado em cinco regiões e, para cada região,
concedeu a uma empresa aérea, com a condição de que eles comprassem aeronaves
da Embraer". Assim estimulou o mercado de aviação regional.
Ou
seja, ele não defende copiar o modelo, mas repetir a lógica: uma política
construída em conjunto com Embraer, empresas aéreas e aviação regional,
financiada por subsídio cruzado, com parte do lucro das rotas densas custeando
as de baixa densidade. Sem isso, adverte, "esse mercado, no mundo, tirando
os Estados Unidos, é relativamente deficitário".
• Construído no Brasil, navio afretado
pela Petrobras tem tripulação 100% feminina
Um
navio 100% brasileiro e com tripulação feminina foi batizado pela Petrobras no
Armazém do Porto do Rio, Píer Mauá, na noite desta quinta-feira (17).
Não por
acaso, a embarcação recebeu o nome de Starnav Elektra. Na mitologia grega,
Elektra evoca uma figura feminina de forte personalidade e protagonismo, tendo
em sua raiz o significado de "brilhante" e "radiante".
O navio
foi construído no Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), com investimento de cerca
de R$ 450 milhões. Faz parte do Programa Mar Aberto, para renovar e ampliar a
frota do Sistema Petrobras. Com 92 metros de comprimento, é um navio híbrido
(diesel-elétrico) do tipo Platform Supply Vessel (PSV).
De
acordo com a Petrobras, o Starnav Elektra navegou de Santa Catarina ao Rio de
Janeiro sob a liderança da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon, com 16
mulheres embarcadas. As plataformas das bacias petrolíferas brasileiras são o
próximo destino da embarcação.
Durante
a cerimônia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que os
investimentos na indústria naval e offshore visam otimizar o retorno de capital
da Petrobras e impulsionar novo ciclo de negócios e oportunidades para o setor,
além de garantir segurança e continuidade para a indústria nacional.
"São
projetos que nos trazem mais eficiência e lucro. Quando usamos nossa própria
frota, estamos economizando recursos e valorizando o portfólio da
Petrobras", disse ela.
Ela
salientou que nessa primeira entrega do programa há 48 barcos contratados até o
final deste ano.
"Até
o ano que vem, vamos alcançar um total de 96 embarcações, incluindo barcaças e
empurradores. As empresas brasileiras estão tendo um desempenho excelente e
estão vencendo todas as licitações", declarou Chambriard.
Ainda
segundo ela, para garantir a meta da empresa avançar na transição energética,
os projetos dos novos PSVs incorporam sistemas mais modernos de geração e
distribuição de energia, incluindo bancos de baterias, que reduzem em cerca de
18% a emissão de gases poluentes em comparação a modelos tradicionais.
Há,
ainda, monitoramento de consumo por telemetria e possibilidade futura de
operação parcial com combustível renovável. As novas tecnologias de pintura e
sistemas anti-incrustação também contribuem para reduzir o consumo de
combustível e as emissões.
Fonte:
Sputnik Brasil

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