O
petrodólar em crise: como os Houthis estão pondo Trump em xeque
O
pró-iraniano Ansar Allah, mais conhecido como Movimento Houthi – em razão da
família que os lidera – obteve uma vitória importante ao tomar das forças
pró-sauditas a estratégica e histórica cidade de Moca (Mokha ou Mocha, a
depender da grafia), no mar Vermelho. Com o estreito de Ormuz bloqueado pelo
Irã, essa medida pode marcar o travamento do mar Vermelho. Enquanto isso, o
Estoque Estratégico de Petróleo dos Estados Unidos segue ladeira abaixo.
Junto
disso, o oleoduto Leste-Oeste (ou Petroline) da Arábia Saudita foi atingido
possivelmente por um ataque oriundo do Iraque, também ligado aos braços
internacionais da resistência iraniana. Tudo isso levou a um impacto brutal
sobre o mercado global de petróleo, com o preço do barril chegando a mais de
100 dólares, com severos impactos sobre o abastecimento europeu, em particular.
Os dois
movimentos produziram uma pressão poderosa sobre Donald Trump, que em um dado
momento lançou advertências – não ouvidas – para os ucranianos cessarem ataques
às refinarias russas – o que contribui para o aumento do preço de derivados do
petróleo em escala mundial –, mas também fez tudo que a atual administração
americana menos queria presenciar: um cenário que obrigava seu banco central a
subir os juros.
Estamos
testemunhando, em tempo real, a realidade estratégica se impor, afetando
variáveis econômicas centrais com desdobramentos imediatos: o petróleo, como
sabemos, não é apenas a principal fonte energética global, é também a base
financeira do mundo. Não é exagero ou anedota falar em petrodólar. Com esse
sistema atingido, o pilar econômico mundial desde o fim do padrão-ouro em 1971
está em xeque.
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A alquimia do petrodólar
O poder
dólar repousa no fato de que ele era a moeda capaz de comprar petróleo. Por
outro lado, as elites árabes usavam seus imensos superávits comerciais para
comprar títulos da dívida americana, ativando o mecanismo que o economista
grego Yanis Varoufakis chamou de Minotauro Global – uma engrenagem do
que se chama, tecnicamente, de reciclagem de capitais, e que estruturou o dólar
como o conhecemos.
Dessa
forma, os Estados Unidos transformaram uma fraqueza, os déficits comerciais, em
uma força, ao usar isso para estruturar seu mercado da dívida – passando assim
a poder sustentar e ampliar déficits gêmeos, um deles nas contas públicas,
enquanto jorrava internacionalmente dólares que serviam, mais e mais como moeda
franca. Anos mais tarde, outros países passaram a entrar nesse sistema, que
funcionou bem até a crise financeira de 2008.
Convenhamos
que se a crise de 2008 fez o mundo perceber as fragilidades do duvidoso
equilíbrio global; por outro lado, foi justamente essa estrutura que permitiu
uma recuperação rápida dos Estados Unidos e da economia global – ainda que com
um aumento da exploração dos mais pobres e das classes trabalhadoras. Os
problemas vieram depois, talvez em parte pelos efeitos da crise, o que conduziu
a uma ruptura entre americanos e chineses.
Importante
dizer que a China, ao ser assimilada pelos Estados Unidos no sistema global, se
tornou uma peça tão central quanto as petromonarquias. Aquele movimento foi
parecido ao que tinha ocorrido entre americanos e iugoslavos décadas antes –
uma cisão do bloco socialista em desfavor da União Soviética –, mas a dimensão
titânica desse novo encontro produziu um novo circuito nesse sistema.
A China
Popular recebeu inúmeras empresas ocidentais, muitas vezes em regime de
parceria, instaladas no país com o objetivo de exportar bens industriais para
os países-sede. Os chineses reciclavam seus superávits comerciais igualmente em
títulos do tesouro americano, usando isso para navegar no mercado mundial e,
inclusive, obter petróleo – não desejavam juros altos, mas acesso a um mercado
americano aquecido a juros baixos.
Tudo
muda com o avanço chinês se movendo para além de uma grande instalação
industrial estrangeira para, no fim, construir suas próprias empresas,
tecnologias, marcas e projetos capazes de competir no mercado mundial – o que
ensejou uma reação política das direitas internacionais, mais radicais e
renascidas como no fenômeno da ascensão do trumpismo nos Estados Unidos em
2015-16.
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O dólar em seu ocaso: de solvente universal a arma
O
sistema do dólar construiu uma fórmula que assegurou, de vez, a hegemonia
americana no bloco capitalista, mas também fez com que o país se tornasse um
polo de atração também em relação aos países do antigo Terceiro Mundo e, além
do mais, exercesse influência sobre os países socialistas – muitos dos quais
foram lenta e gradualmente se afastando da União Soviética por meio do comércio
global.
O peso
que teve a chegada do dólar ao antigo Segundo Mundo, o bloco socialista,
persiste menosprezado, mas muitos países do Leste Europeu possuíam dívidas e
endividamento em dólar – ao passo que, cada vez mais, buscavam exportar para um
Ocidente que se tornaria plenamente dolarizado a partir dos anos 1970. Os
subsequentes ajustes no dólar, com o choque de juros dos anos 1980, produziram,
por tal razão, uma crise generalizada.
No
entanto, as elites do bloco socialista não abandonaram o dólar no início dos
anos 1980, mas usaram o choque dos juros e a crise das dívidas para se livrar
do socialismo real – e suas “amarras” aos negócios – em um processo em que o
velho regime era culpado. A União Soviética, em crise, não parecia ser capaz de
ser alternativa, e ela própria seguiu o mesmo caminho de iugoslavos, poloneses
e quetais.
O
movimento chinês, contudo, foi numa direção oposta: isso foi marcado pelo
ingresso no mercado global de forma soberana, mas com uma cautela acentuada em
não se endividar – e um empenho em, na verdade, se tornar credor mesmo dispondo
de padrões modestos. Todo esse movimento ajuda a explicar o fenômeno da
globalização nos anos 1990.
Contudo,
a crise de 2008 e a ascensão de ex-rivais da Guerra Fria, aparentemente
domesticados pela globalização, produziram uma mudança nos ânimos de Washington
em usar o dólar como arma – e uma força disciplinar para determinar quem manda,
o que funcionou no passado com japoneses e europeus, mas não pareceu ter o
mesmo efeito contra potências militares como Rússia e China.
As
sanções antichinesas de 2017 em diante, que se seguiram às sanções antirrussas
em razão da Ucrânia de 2014, produziram um sonoro abalo nesse sistema –
inclusive com Pequim e Moscou usando de suas economias ampliadas e modernizadas
para produzir um sistema global paralelo; se os Estados Unidos usavam do dólar
como arma, em reação à ascensão dos emergentes, eles o fizeram quando eles já
eram grandes demais para se dobrarem.
O pior
é que russos e chineses já haviam sido inseridos no mesmíssimo mercado global
capitalista, o que produziu um efeito inimaginável para os estrategistas de
Washington: sanções contra Moscou ou Pequim não seriam reproduzidas fora do
mercado americano, uma vez que os fluxos de comércio de ambos com o mundo
afetaria, direta ou indiretamente, todo mercado global.
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De volta ao Oriente Médio
Mas
ainda havia uma fronteira final: embora a Rússia seja uma enorme produtora – e
exportadora – de gás e petróleo que poderia negociar diretamente com a China,
por outro lado, ainda restava de pé o circuito árabe de petróleo – do qual a
indústria chinesa não poderia prescindir por completo. Mas a recíproca,
igualmente, era verdadeira: os sauditas em particular não poderiam ignorar o
peso do papel chinês.
Quando
Joe Biden resolveu expandir a Otan para a Ucrânia, uma missão cujo único
objetivo seria levar a uma mudança de regime na Rússia, ele errou o cálculo:
ignorou a resiliência russa, não apenas pela ancoragem chinesa, mas também pela
dependência do mercado global do petróleo e gás russo – que se fosse realmente
tirado do mercado, levaria a um colapso internacional dos preços.
Trump
compreendeu isso em algum grau, assim como os republicanos, mas talvez não
com urgência suficiente ou, simplesmente, desconhecendo os meios técnicos
necessários. Por outro lado, ele se viu arrastado para um conflito que Israel
iniciou contra o Irã, ignorando a capacidade de Teerã travar e gerir o estreito
de Ormuz, além de mover os seus aliados no Eixo da Resistência para atacar as
petromonarquias e colapsar o mercado global de petróleo.
Anos
antes, os sauditas se inclinaram para os chineses, inclusive transigindo com um
acordo de paz com os iranianos, o que nada interessava aos americanos, mas era
muito bom para ambos. Recentemente, em vez de tomar o lado dos palestinos e
confrontar Israel, os sauditas preferiram se chocar com os iranianos ou
transigir com os ataques contra eles.
O Irã
mostrou ao mundo que era mais poderoso do que parecia, principalmente quando
saia da defensiva. Os sauditas não esperavam por isso. E o resultado é uma
queda brutal dos Estoque Estratégico de Petróleo dos Estados Unidos, em seu
menor nível desde 1982; quase uma data cabalística. O poder americano não
reside apenas em usar sua moeda de forma exclusiva para comprar a fonte global
de energia, mas em estocá-la em larga escala.
Enquanto
isso, os chineses ampliaram seu Estoque Estratégico e diminuíram o consumo de
petróleo, além de se afastar dos títulos americanos – cada vez mais absorvidos
pelas bancas ocidental e japonesa, ciosas por ganhos financeiros garantidos
somente por juros altos. A saída chinesa vai em direção ao ouro, que não por
acaso superou os títulos do tesouro americano como principal reserva
internacional.
Nos
últimos dias, contra todas advertências e gritarias de Trump, o seu presidente
do banco central recém-empossado não teve escolha senão subir os juros – em uma
alta precificada, mas que pode não ser a primeira e antever mais altas que, aí
sim, podem afetar o mercado de capitais inflado pelas corporações de
Inteligência Artificial (IA). Mesmo que a bolha não estoure logo, essa variável
cheira à recessão ou a uma desaceleração para lá de incômoda..
Verdade
seja dita, enquanto trabalha com dureza para mudar os destinos do Brasil, Trump
parece só conseguir vitórias na América Latina, uma vez que resta favorecido
por uma crise das forças progressistas da nossa região – além da deriva da
esquerda europeia, que sempre lhes serviu de guarda-chuvas. De resto, só más
notícias para ele e para quem, porventura, vier a ser o novo residente da Casa
Branca.
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EUA alertam cidadãos no Oriente Médio sobre risco por
escalada entre Arábia Saudita e houthis
Os
serviços consulares dos Estados Unidos nos países do Oriente Médio emitiram um
alerta neste sábado para seus cidadãos que moram na região após nova ofensiva
do Ansar Allah, movimento iemenita também conhecido como houthi, na Arábia
Saudita.
Um
alerta deste tipo, emitido pelo Departamento de Estado, costuma anteceder
possíveis movimentações militares. No documento, as autoridades
norte-americanas destacam que os houthis têm o apoio de países como o Irã, que
vive tensões militares contínuas com os Estados Unidos desde fevereiro.
Alex
Plitsas, analista de segurança da CNN, publicou no X que fontes
declaram que o presidente Donald Trump teve uma reunião nas últimas horas na
casa de campo de Camp David para "deliberar e revisar opções de ataques ao
Iêmen".
As
Forças Armadas do Ansar Allah, que controlam o norte do Iêmen, informaram no
sábado que realizaram duas operações militares contra alvos em Riad e
instalações da companhia petrolífera Saudi Aramco, no oeste da Arábia Saudita.
"A
primeira operação militar teve como alvo instalações estrategicamente
importantes na capital do inimigo saudita, Riad, e a segunda visou instalações
da Aramco em Yanbu", disse Yahya Saree, porta-voz militar do movimento, no
Telegram.
Mais
cedo, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou que Ancara
cumprirá sua promessa de defender a Arábia Saudita contra agressões, em um
tratado elaborado no âmbito do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, assinado pelos dois
países e pelo Paquistão.
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Busca pela paz
O chefe
do Conselho de Segurança do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que Teerã quer o fim da
guerra entre a
Arábia Saudita e o movimento Ansar Allah, que já dura mais de 11 anos.
"Queremos
que a guerra entre a Arábia Saudita e o Iêmen termine. Acredito que os
iemenitas também buscam uma solução com a Arábia Saudita", afirmou Rezaei
em entrevista à Al Jazeera.
Trump
disse na sexta-feira (18) que os EUA estavam em negociações com os houthis e
que o grupo estava interessado em
um acordo. A emissora libanesa Al Mayadeen noticiou na quinta-feira (17) que a
Arábia Saudita havia procurado Omã para solicitar a mediação de uma trégua de
duas semanas.
¨ Trump diz avaliar
'explodir o Irã inteiro', mas admite possibilidade de acordo com Teerã
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (20) que está
avaliando o que fazer em relação ao Irã e citou três possibilidades para o
conflito: destruir o país, atingir sua economia ou buscar um acordo. A guerra
no Oriente Médio já dura mais de sete meses, entre idas e vindas constantes nas
declarações do líder estadunidense.
Em
entrevista à emissora Fox News, Trump também afirmou que está disposto a
se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
"Estou
em processo de tomada de decisões", afirmou Trump, acrescentando que
"acontecimentos muito importantes" ocorrerão em um futuro próximo.
Questionado sobre a possibilidade de uma ação extrema contra o país, o
presidente disse estar decidindo "se explode o Irã inteiro ou não".
Segundo
um jornalista da emissora, as opções consideradas pelo governo são
"eliminar" o Irã, "deixar eles apodrecerem economicamente"
ou fechar um acordo. Trump não estabeleceu um prazo para definir qual caminho
pretende seguir.
As
declarações ocorrem em meio aos temores de uma retomada dos
bombardeios
em larga escala contra o Irã. Diante disso, Teerã afirmou que responderá
"sem qualquer limitação" contra bases dos Estados Unidos caso o país
volte a ser atacado e que também responsabilizará países do Oriente
Médio
que permitirem operações estadunidenses.
Sobre
uma eventual negociação, Trump afirmou que algumas autoridades iranianas que
poderiam participar das tratativas "estão se escondendo como ratos".
O Irã, por sua vez, informou no sábado (19) que enviou aos Estados Unidos novas
exigências para o encerramento do conflito.
Apesar
das ameaças, Trump afirmou que "provavelmente estaria aberto" a um
encontro com Pezeshkian à margem da assembleia geral, que reunirá líderes
mundiais na sede da ONU em Nova York.
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Erros de inteligência e a confiança na IA levaram ao ataque dos EUA à escola
iraniana de Minab, diz mídia
Informações
de inteligência incorretas, imagens de satélite desatualizadas e confiança
excessiva na inteligência artificial foram a causa do ataque dos EUA à escola
em Minab, no Irã, segundo a Bloomberg, com base em fontes envolvidas na
investigação interna do Pentágono.
O
principal banco de dados militar continuou definindo as instalações como
pertencentes ao Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica, embora a escola já
estivesse lá há alguns anos.
Alguns
membros do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos confiaram
excessivamente no Maven Smart System e esperavam que ele identificasse dados
desatualizados ou contraditórios nas informações sobre os objetivos.
A
escola de Minab foi atingida no primeiro dia das agressões conjuntas de Estados
Unidos e Israel ao Irã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas
Araghchi, afirmou que pelo menos 171 alunas morreram. A Organização das Nações
Unidas exigiu responsabilização pelo ataque mortal.
Em 28
de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã,
incluindo Teerã. Há relatos de destruição e mortes de civis. O Irã está realizando ataques
retaliatórios
em território israelense, bem como em instalações militares dos EUA no Oriente
Médio.
¨
Irã alerta EUA que responderá com 'ataques dolorosos'
caso Washington retome ataques
O
Quartel-General Khatam al-Anbiya declarou neste domingo (20) que o Irã atacará
todas as bases americanas no Oriente Médio se os Estados Unidos decidirem
agredir novamente o território iraniano.
"Alertamos:
se os EUA cometerem um erro contra o Irã islâmico, todos os centros de
posicionamento e os interesses desse país na região se tornarão, sem limitações
ou considerações, alvos de ataques contínuos, sensíveis e dolorosos", diz
o comunicado, citado pela mídia local.
O órgão
também emitiu um alerta aos países do Oriente Médio, ressaltando que,
caso se alinhem à agressão americana, não poderão "esperar moderação ou
contenção" por parte das Forças Armadas do Irã.
Segundo
o Comando Central militar iraniano, Washington — com o aval de alguns países da
região e após uma reunião conjunta realizada na Europa — teria decidido retomar
as ações bélicas contra o Irã.
Em 18
de junho, Teerã e Washington assinaram um
memorando de entendimento para tentar encerrar a guerra iniciada pelos EUA e
por Israel em 28 de fevereiro. No entanto, forças americanas têm atacado o
território iraniano desde 8 de julho, em resposta a supostas ações do Estado
iraniano contra navios mercantes que cruzavam o estreito de Ormuz. Teerã afirmou, em
todo momento, que não foi o país persa quem violou a trégua. Por enquanto, a
situação permanece sem solução.
Devido
à escalada do conflito, o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz praticamente
paralisou. Trata-se de uma rota fundamental para o abastecimento do mercado
mundial de petróleo, derivados de petróleo e gás natural liquefeito. Como
resultado, os preços dos combustíveis subiram na maioria dos países do mundo.
Fonte:
Por Hugo Albuquerque, em Opera Mundi/Sputnik Brasil

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