Unha
encravada em quem tem diabetes pode virar um problema maior; entenda o risco
Uma
unha encravada pode parecer um problema localizado, mas exige atenção de quem
tem diabetes. Segundo especialistas entrevistados pelo DiabetesCast, uma
alteração na unha pode provocar uma lesão, facilitar uma infecção e contribuir
para complicações no pé.
O risco
aumenta quando a pessoa apresenta neuropatia diabética. Essa condição pode
reduzir a sensibilidade dos pés e fazer com que pequenos machucados passem
despercebidos.
A
enfermeira especializada em diabetes Gabriela Cavicchioli explica que a
avaliação dos pés deve fazer parte do acompanhamento de quem convive com
diabetes. O objetivo é identificar alterações antes que elas avancem.
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Como a unha encravada pode causar problemas
Quando
a unha entra na pele, a região pode apresentar vermelhidão e inflamação. Em
pessoas com diabetes, esse quadro exige atenção porque uma lesão pode evoluir
para uma infecção.
Gabriela
destaca que a unha encravada aparece entre os problemas que precisam ser
observados durante a avaliação dos pés. Por isso, o acompanhamento também
considera o estado das unhas e a forma como a pessoa realiza o corte.
Além
disso, a neuropatia pode alterar a percepção de dor. Assim, uma pessoa pode não
perceber uma lesão no pé da mesma forma que alguém sem perda de sensibilidade.
O
ortopedista Eduardo Araújo, especialista em cirurgias do pé e tornozelo,
explica que a perda de sensibilidade muda a forma como a pessoa deve observar
os próprios pés.
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Neuropatia pode esconder uma lesão
A
neuropatia pode reduzir a capacidade de perceber estímulos nos pés. Com isso, a
dor deixa de funcionar como um sinal de alerta para algumas lesões.
Eduardo
compara essa perda de sensibilidade ao funcionamento de um painel de carro.
Quando o painel funciona, ele indica que existe algum problema. No pé com
neuropatia, esse mecanismo de alerta pode deixar de funcionar.
Por
isso, a pessoa pode desenvolver uma lesão sem perceber imediatamente. Uma unha
encravada, por exemplo, pode provocar uma alteração local que passa
despercebida.
Nesse
contexto, observar os pés diariamente ajuda a identificar mudanças. A
recomendação apresentada pelos especialistas inclui procurar sinais como
vermelhidão, calosidades, feridas e alterações nas unhas.
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Como cortar a unha de quem tem diabetes
Gabriela
orienta que a pessoa respeite o formato da unha durante o corte. Segundo ela,
não é indicado entrar nas laterais da unha.
O
motivo está relacionado ao risco de a unha encravar. Quando isso acontece, a
região pode apresentar inflamação e infecção, aumentando a possibilidade de
complicações.
Por
outro lado, pessoas que apresentam alterações nos pés precisam avaliar a
necessidade de ajuda profissional. A atenção ganha importância quando existe
perda de sensibilidade ou alguma alteração visual que dificulte o cuidado.
O
acompanhamento também permite identificar alterações antes que elas evoluam.
Por isso, Gabriela orienta que a pessoa com diabetes peça ao profissional
responsável pelo acompanhamento para avaliar os pés.
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Avaliação dos pés ajuda a identificar alterações
A
avaliação dos pés faz parte do acompanhamento de pessoas com diabetes. Segundo
Gabriela, pessoas com diabetes tipo 2 devem realizar essa avaliação uma vez ao
ano.
Para
quem tem diabetes tipo 1, a orientação apresentada no episódio também prevê
avaliação anual. Nesse caso, o acompanhamento deve começar cerca de cinco anos
após o diagnóstico ou depois do início da puberdade.
Durante
a avaliação, o profissional observa a pele, as unhas e possíveis calosidades.
Também pode verificar a sensibilidade protetora dos pés.
Um dos
métodos citados pelos especialistas utiliza o monofilamento de 10 gramas. O
instrumento encosta em pontos específicos do pé para verificar se a pessoa
consegue perceber o toque.
O exame
não deve causar dor. Gabriela explica que, caso o profissional não tenha o
monofilamento disponível, pode realizar a avaliação do toque com o próprio
dedo.
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O que observar nos pés todos os dias
A
rotina de cuidados começa com a observação dos pés. Gabriela recomenda que a
pessoa procure mudanças que não estavam presentes anteriormente.
Entre
os sinais citados no episódio estão calosidades, vermelhidão, feridas,
alterações nas unhas e ressecamento da pele.
A
hidratação também faz parte dos cuidados. O creme deve ser aplicado no pé, mas
não entre os dedos.
A
região entre os dedos concentra calor e umidade. Segundo Gabriela, essas
condições favorecem o crescimento de fungos e podem aumentar o risco de
frieiras.
Além
disso, os especialistas orientam evitar procedimentos que possam machucar a
pele. Lixar o pé ou tentar remover calos em casa pode provocar uma lesão sem
que a pessoa perceba.
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Por que não cortar ou lixar o calo em casa
O
cuidado com os calos também exige atenção. Gabriela explica que a calosidade
pode indicar um ponto de pressão maior no pé.
Eduardo
explica que a neuropatia pode alterar a forma como a pessoa pisa. Com isso,
algumas regiões passam a receber mais pressão durante a caminhada.
O corpo
pode responder a essa pressão formando uma camada mais espessa de pele. Esse
processo produz o calo.
No
entanto, uma lesão pode existir abaixo dessa área endurecida. Por isso, os
especialistas orientam que a pessoa não tente retirar o calo com cortador,
lâmina ou lixa.
O
profissional capacitado pode avaliar a região e identificar se existe alguma
lesão por baixo da pele endurecida.
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Prevenção começa antes da complicação
O
cuidado com a unha encravada faz parte de uma rotina maior de prevenção do pé
diabético. A proposta apresentada pelos especialistas é identificar alterações
antes que elas evoluam.
Gabriela
reforça que o acompanhamento não precisa começar com um especialista em pé.
Profissionais da atenção primária, como médicos e enfermeiros, também podem
realizar a avaliação dos pés.
Quando
o profissional identifica uma alteração, pode orientar novos cuidados e avaliar
a necessidade de acompanhamento com outro especialista.
Para
quem tem diabetes, portanto, uma mudança na unha não deve ser ignorada.
Observar os pés diariamente e pedir a avaliação durante as consultas permite
identificar alterações que podem não causar dor, principalmente quando existe
neuropatia.
Fonte:
Um Diabético

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