quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Mensagens mostram que Vorcaro temia vazamento de jantar com Jair e Flávio Bolsonaro, diz site

Uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário Flávio Carneiro indica que Vorcaro demonstrava preocupação com o possível vazamento de um encontro com Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro no fim de 2024. As conversa foram trocadas pelo WhatsApp em dezembro daquele ano e são analisadas no âmbito das investigações sobre o caso Master. As informações são dos repórteres Rodrigo Martins e Sergio Lirio, do site Carta Capital.

O assunto foi levantado inicialmente por Carneiro em 8 de dezembro de 2024. Ele perguntou a Vorcaro se o banqueiro participaria de um jantar com Flávio Bolsonaro e o pai dele, após receber uma cobrança de um interlocutor identificado como Thiago. “Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”, escreveu o empresário. Vorcaro respondeu inicialmente que não sabia do que se tratava.

Carneiro insistiu e disse ter imaginado que o banqueiro já tivesse sido informado sobre o encontro. Em seguida, Vorcaro respondeu: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”. No dia seguinte, foi o próprio banqueiro quem retomou a conversa. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, escreveu. Depois, acrescentou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.

As mensagens não permitem concluir se o jantar mencionado chegou de fato a ocorrer.

Segundo fontes ligadas à investigação do Caso Master, o “xará” citado por Carneiro seria Flávio Bolsonaro, enquanto a referência ao “pai dele” corresponderia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro ainda não estava preso, mas cumpria medidas cautelares determinadas pela Justiça no processo que investigava a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre as restrições estavam a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país e limitações de contato com outros investigados.

Ainda de acordo com fontes relacionadas às apurações, o “Thiago” mencionado na conversa seria o publicitário e lobista Thiago Miranda, proprietário da Agência MiThi e, naquele período, sócio do Grupo Léo Dias de Comunicação.

A sociedade foi encerrada em maio de 2026, depois de Miranda ser alvo da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de ter participado da articulação do chamado “Projeto DV”, que teria como objetivo contratar influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.

•        “Flávio B e Neypai estão me cobrando”: Flávio Bolsonaro e pai de Neymar Jr cobraram repasses de Vorcaro, mostram mensagens

ensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre o Banco Master revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr., pressionavam o banqueiro Daniel Vorcaro pela liberação de recursos em fevereiro de 2025. Os diálogos foram obtidos pela CartaCapital e mostram o lobista Thiago Miranda relatando a Vorcaro que estava sendo cobrado pelos dois para resolver pendências ligadas ao filme sobre Jair Bolsonaro e a uma negociação de patrocínio com o Santos Futebol Clube.

<><> As cobranças reveladas pela PF

Em 11 de fevereiro de 2025, o lobista e publicitário Thiago Miranda enviou uma mensagem a Vorcaro pedindo ajuda para resolver “a questão do filme e do Santos” e informando que os dois assuntos não haviam avançado. Na sequência, escreveu sem rodeios: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”. Vorcaro respondeu chamando Miranda para conversar, sem que o trecho reproduzido nas fontes detalhe o desfecho da conversa.

O registro aparece no material apreendido pela PF no âmbito da investigação sobre o Banco Master, instituição controlada por Vorcaro. A mensagem conecta, num único diálogo, o nome de um senador da República e o pai de um dos jogadores mais conhecidos do país a um banqueiro que está preso, expondo a articulação de figuras de alto perfil em negociações financeiras com alguém investigado.

<><> Os negócios em questão

As cobranças de Miranda a Vorcaro tinham dois objetos distintos. O primeiro era, supostamente, o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O projeto já havia recebido recursos do banqueiro quando a mensagem foi enviada. Em maio de 2026, mensagens vieram a público mostrando Flávio Bolsonaro cobrando diretamente de Vorcaro pagamentos para a produção; os repasses relacionados ao filme teriam chegado a R$ 61 milhões.

O segundo negócio envolvia o Santos Futebol Clube e a imagem de Neymar. Cartas de intenção encaminhadas a Vorcaro em 5 de fevereiro de 2025 previam uma proposta de R$ 15 milhões pelo uso da marca do Banco Master em três espaços do uniforme do clube. Os documentos constam do relatório da investigação da PF.

<><> O papel do lobista e as lacunas

Thiago Miranda funcionava como elo entre Vorcaro e os interessados nas duas frentes. Em 1º de fevereiro de 2025, ele já havia procurado o banqueiro para tratar de uma “demanda do Neymar” e mencionado que estivera com Flávio Bolsonaro no dia anterior. Em 3 de fevereiro, informou a Vorcaro que organizava uma reunião em sua residência com Neymar Pai e pessoas ligadas ao jogador, com a possibilidade de Neymar Jr. comparecer dependendo de sua agenda no centro de treinamento do Santos. No dia 6, Miranda voltou ao assunto e indicou que Neymar Pai pretendia levar o filho para conversar pessoalmente com o banqueiro.

O material apreendido, porém, não permite concluir se Neymar Jr. ou seu pai chegaram a se reunir presencialmente com Vorcaro, se as negociações foram fechadas nos termos discutidos, ou qual valor específico cada parte estava cobrando.

•        Daniel Vorcaro teria atuado para manter Otto Lobo na presidência da CVM, mostram mensagens

em que colocar na presidência”, afirmou Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, ao comentar com o advogado Ciro Soares a possibilidade de manter Otto Lobo no comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na sequência, o banqueiro reforçou a disposição de atuar politicamente: “Vamos fazer acontecer. Vou falar com a minha turma”. As mensagens, analisadas pela Polícia Federal e reveladas pelo jornal O Globo, foram trocadas em julho de 2025, quando Lobo havia acabado de assumir interinamente a presidência da autarquia.

O diálogo ocorreu um dia depois da renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento, em um momento em que a CVM precisava definir sua nova liderança. Segundo as mensagens, Lobo havia procurado Ciro Soares para tentar chegar ao senador Otto Alencar (PSD-BA), enquanto o advogado, que mantinha interlocução com Vorcaro, repassava o pedido ao banqueiro.

A CVM é responsável por fiscalizar e regular o mercado de valores mobiliários, incluindo companhias abertas, fundos de investimento e operações no mercado de capitais. Para o Banco Master, a direção da autarquia tinha relevância direta: decisões do colegiado poderiam afetar negócios, operações societárias e processos regulatórios envolvendo o conglomerado. A articulação descrita nas mensagens, portanto, ocorreu em torno da permanência de um dirigente que teria influência sobre assuntos de interesse do grupo financeiro.

Procurados, Ciro Soares e Otto Lobo negaram as articulações descritas nas mensagens. Soares afirmou desconhecer qualquer tratativa de Otto Alencar com Vorcaro ou outros líderes políticos para manter Lobo no cargo. O presidente da CVM negou ter buscado apoio do banqueiro e afirmou não ter ingerência sobre conversas privadas de terceiros. Otto Alencar também negou ter participado de articulação para garantir a permanência de Lobo.

<><> “Vou falar com a minha turma”: a articulação de Vorcaro

O conteúdo das mensagens aponta para uma divisão de tarefas entre Vorcaro e Ciro Soares. Enquanto o advogado relatava o pedido de aproximação feito por Otto Lobo, o banqueiro afirmava que mobilizaria seus próprios contatos.

Em áudio enviado a Vorcaro em 19 de julho de 2025, Soares teria dito:

“O Otto Lobo da CVM está me pedindo uma ajuda para falar com o senador Otto”.

Na conversa, o advogado também teria mencionado a intenção de levar Lobo a um encontro com Jaques Wagner. O senador negou que a reunião tivesse ocorrido e afirmou não ter atuado em favor do Banco Master. A conversa entre Vorcaro e Soares terminou com a seguinte troca:

Vorcaro: “Vamos fazer acontecer. Vou falar com a minha turma”.

Ciro Soares: “Por vc, irmão. Toca de um lado, eu toco do outro”.

Os diálogos registram a intenção declarada de Vorcaro de atuar pela permanência de Lobo na presidência da CVM.

<><> A CVM no centro dos interesses do Banco Master

A articulação ocorreu em julho de 2025, quando o Banco Master estava em uma fase de expansão de negócios e mantinha interesses em diferentes setores do mercado financeiro e de capitais.

A CVM, nesse contexto, tinha atribuições que poderiam afetar diretamente operações envolvendo o conglomerado. Entre elas estavam a análise de operações societárias, a fiscalização de participantes do mercado e o julgamento de processos administrativos sancionadores.

Após assumir interinamente a presidência, Otto Lobo anulou um voto de João Pedro Nascimento em um processo que envolvia interesses ligados ao conglomerado de Vorcaro. Lobo se defendeu dizendo que a autarquia aplicou multas que somaram aproximadamente R$ 200 milhões ao grupo Banco Master, incluindo R$ 20 milhões direcionados diretamente a Daniel Vorcaro.

<><> Otto Lobo chegou à CVM pelas mãos de Bolsonaro

Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo ingressou na CVM em janeiro de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Sua nomeação para a diretoria da autarquia ocorreu naquele ano, e seu mandato original se estendeu até dezembro de 2025.

Advogado com atuação em direito societário, mercado de capitais e insolvência, Lobo assumiu interinamente a presidência da CVM em julho de 2025, após a renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento.

A permanência definitiva no cargo passou a depender de uma indicação presidencial e da aprovação do Senado. O processo se desenrolou em meio a um impasse político em Brasília, envolvendo o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A indicação de Lobo para a presidência efetiva foi feita pelo presidente, que buscava se aproximar do presidente do Senado. O Senado aprovou seu nome em maio de 2026, por 31 votos a 13.

•        Pesquisa aponta STF e clã Bolsonaro como os mais desgastados pelo caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) e o clã Bolsonaro figuram no topo das instituições e agentes políticos que sofreram o maior desgaste de imagem perante a opinião pública após as revelações envolvendo o escândalo do Banco Master. De acordo com o levantamento feito pelo instituto de pesquisa Palver, divulgado nesta segunda-feira (21), quando questionados sobre qual instituição se comprometeu mais gravemente por conta do episódio, 76% dos entrevistados apontaram o STF como o órgão de maior prejuízo em termos de imagem institucional.

Play Video

O desgaste associado ao escândalo financeiro também atingiu com força o ambiente político. Para 44% dos eleitores ouvidos, o caso afetou de forma expressiva a imagem da família Bolsonaro. Logo na sequência, surge o presidente Lula (PT) e o seu partido, citados por 39% dos entrevistados como alvos do desgaste derivado da crise.

A percepção de desgaste estende-se ainda ao Poder Legislativo e ao sistema financeiro nacional. O Senado Federal aparece como a quarta instituição mais impactada na visão do eleitorado, sendo mencionado por 32% dos participantes da sondagem. Já a Câmara dos Deputados surge na quinta colocação da lista, assinalada por 25% dos entrevistados.

Por sua vez, o Banco Central (BC), órgão encarregado da fiscalização do sistema financeiro, acumula 17% das indicações dos eleitores que veem a autoridade monetária entre as prejudicadas em sua reputação por conta do escândalo.

A sondagem mostrou ainda uma parcela residual que não enxerga impactos institucionais ou que desconhece os fatos: 1% dos eleitores respondeu que nenhuma das instituições listadas sofreu prejuízo de imagem por causa do escândalo do Banco Master, enquanto 4% afirmaram não conhecer o caso ou não souberam responder ao questionamento feito pelos pesquisadores.

A pesquisa Palver foi realizada entre os dias 15 e 20 de setembro, mediante a oitiva de 5 mil eleitores distribuídos por todo o território nacional. A margem de erro máxima do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, contando com um índice de confiança estatística de 95%. Conduzida com recursos próprios da empresa de pesquisa, a amostragem está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00860/2026.

 

Fonte: ICL Notícias/Fórum/Brasil 247

 

Nenhum comentário: