Pressão
sobre Mendonça chega ao TSE e abre debate sobre suspeição
A crise
envolvendo André Mendonça no Supremo Tribunal Federal chegou à sua posição como
vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois das acusações
públicas de atuação com viés político-eleitoral, a permanência do ministro na
cúpula da Justiça Eleitoral passou a provocar questionamentos nos bastidores do
STF, onde uma arguição de suspeição é apontada como um possível primeiro
caminho para levar a discussão adiante.
Um
integrante do Supremo ouvido reservadamente pelo ICL Notícias indicou à
reportagem que a situação de Mendonça no TSE é justamente um dos problemas
colocados pela crise. Questionado sobre quais medidas poderiam ser adotadas
diante das dúvidas sobre a permanência do ministro no comando da Justiça
Eleitoral, apontou a arguição de suspeição como uma possibilidade inicial.
A
iniciativa, porém, dependeria de uma provocação externa. Ao ser questionado
pela reportagem sobre a possibilidade de uma arguição ser apresentada nos
próximos dias, esse integrante da Corte indicou os partidos políticos como
atores capazes de levar a questão formalmente à Justiça Eleitoral.
A
avaliação não significa que ministros do STF estejam preparando uma medida
contra Mendonça, nem que exista hoje uma articulação coletiva para afastá-lo do
TSE. Revela, porém, que os questionamentos deixaram de se limitar às decisões
tomadas pelo ministro no Supremo e alcançaram sua atuação na Corte responsável
pela eleição presidencial.
A
discussão reservada coincide com manifestações que Gilmar Mendes fez
publicamente neste sábado (19). Sem mencionar nominalmente Mendonça ou o
presidente do TSE, Nunes Marques, o decano afirmou que partidos políticos e o
Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar as condições de atuação dos
integrantes da Justiça Eleitoral e arguir suspeição quando entenderem que ela
esteja configurada.
“Quem
tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne
condições de nele permanecer”, escreveu Gilmar. O ministro também afirmou que o
STF continuará atuando como “instância de supervisão” da Justiça Eleitoral.
As
declarações acrescentaram uma nova dimensão à crise. Até agora, o confronto
estava concentrado principalmente na condução, por Mendonça, de investigações
relacionadas ao Banco Master. O problema que começa a chegar ao TSE é outro:
quais consequências acusações de atuação político-eleitoral podem ter quando
dirigidas ao vice-presidente do tribunal encarregado de arbitrar a eleição
presidencial.
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Gilmar e Moraes acusaram viés eleitoral
Os
questionamentos ganharam força durante a sessão extraordinária do STF de
terça-feira (15).
Gilmar
acusou Mendonça diretamente de conduzir o caso com “inequívoco viés
político-eleitoral”. O decano sustentou ainda que o ministro teria aguardado o
período eleitoral para dar determinados passos na investigação. Mendonça reagiu
no plenário, classificou a acusação de leviana e negou atuação política.
Alexandre
de Moraes também dirigiu acusações a Mendonça durante a sessão e questionou a
condução do caso sob a perspectiva eleitoral. Os dois ministros associaram a
controvérsia ao momento em que medidas e informações da investigação vieram à
tona.
Flávio
Dino adotou uma formulação diferente nos embates relacionados à crise, chamando
atenção para os deveres de imparcialidade dos magistrados e para os cuidados
exigidos de integrantes do Judiciário em período eleitoral.
As
manifestações não significam que Gilmar, Moraes e Dino defendam uma mesma
providência contra Mendonça. Tampouco permitem afirmar que exista uma ação
conjunta dos três. Elas mostram, no entanto, que a dimensão político-eleitoral
passou a integrar os questionamentos sobre a atuação do ministro.
E é
justamente essa dimensão que ganha peso adicional por causa do cargo ocupado
por Mendonça.
Ele é o
vice-presidente do TSE.
Suspeição
não retira ministro automaticamente da Corte
A
hipótese mencionada reservadamente à reportagem exige uma distinção importante.
Uma
arguição de suspeição serve para questionar a imparcialidade de um magistrado.
O Código Eleitoral prevê que integrantes do TSE podem ter suspeição ou
impedimento arguidos por interessados, inclusive por motivo de parcialidade
partidária.
Isso
não significa que uma eventual suspeição produziria automaticamente a retirada
de Mendonça da vice-presidência da Corte.
Uma
coisa é discutir se um magistrado pode participar do julgamento de determinado
processo. Outra, juridicamente diferente, é questionar sua permanência
institucional no tribunal.
É
justamente nessa fronteira que a crise entra agora.
O
debate nos bastidores não está restrito a saber se Mendonça poderia ser
considerado suspeito em uma causa eleitoral específica. A preocupação levantada
à reportagem é mais ampla: o que as acusações de atuação político-eleitoral
representam para um ministro que ocupa a segunda posição na hierarquia da
Justiça Eleitoral.
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Pedido de afastamento já chegou à PGR
A
discussão sobre suspeição não está apenas no campo das hipóteses.
Na
quarta-feira (16), o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à
Procuradoria-Geral da República o afastamento cautelar de Mendonça das funções
no TSE e que o ministro seja declarado suspeito por suposta “parcialidade
partidária” nas eleições de 2026.
A
representação cita, entre outros episódios, o encontro de Mendonça com Daniel
Vorcaro, a condução de investigações relacionadas ao Banco Master, decisões
envolvendo a Polícia Federal e as próprias acusações feitas contra o ministro
durante a sessão do Supremo. O pedido utiliza como fundamento o artigo 20 do
Código Eleitoral.
A
iniciativa de Lindbergh não significa que a PGR concorde com as acusações ou
que exista decisão pelo afastamento. Mendonça rejeita as acusações de
parcialidade.
Há,
porém, uma diferença entre esse movimento e o caminho indicado reservadamente à
reportagem.
O
pedido de Lindbergh foi encaminhado à PGR. A possibilidade apontada nos
bastidores do Supremo coloca os próprios partidos como potenciais agentes de
uma provocação formal sobre suspeição.
É
exatamente o papel das legendas que Gilmar mencionou publicamente neste sábado,
ao afirmar que partidos e Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar as
condições de atuação dos magistrados eleitorais e arguir suspeição quando
considerarem que ela esteja configurada.
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Crise alcança o comando do TSE
A
discussão ocorre em um momento particularmente delicado porque Mendonça divide
o comando da Justiça Eleitoral com Nunes Marques, presidente do TSE e, assim
como ele, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os
questionamentos envolvendo os dois não são os mesmos.
As
acusações públicas de viés político-eleitoral feitas durante a crise foram
dirigidas diretamente a Mendonça. Nunes está envolvido em outra frente dos
conflitos recentes entre integrantes do Supremo.
Durante
a sessão extraordinária de terça-feira, Nunes alegou impedimento para
participar da discussão justamente por presidir o TSE. Nos dias seguintes,
também entrou em confronto com Gilmar.
A
manifestação pública feita pelo decano neste sábado não citou nenhum dos dois
nominalmente, mas ocorreu em meio aos embates com presidente e vice-presidente
da Justiça Eleitoral. Gilmar afirmou que o principal risco à credibilidade da
instituição surge quando integrantes da própria Corte tentam submetê-la a
disputas político-partidárias.
É nesse
ambiente que a crise aberta no Supremo começa a mudar de endereço.
No caso
de Mendonça, os questionamentos já não dizem respeito apenas à maneira como
conduziu investigações relacionadas ao Banco Master. A discussão passou a
alcançar o que essas acusações representam para sua atuação no TSE.
Reservadamente,
a reportagem ouviu que o problema eleitoral existe e que uma arguição de
suspeição pode ser um caminho inicial para enfrentá-lo. Também ouviu que uma
iniciativa dessa natureza dependeria dos partidos.
Não há,
até o momento, confirmação de que alguma legenda esteja preparando uma arguição
para os próximos dias.
Esse
passa a ser um dos pontos centrais da próxima etapa da crise: saber se algum
partido transformará os questionamentos feitos dentro do próprio Supremo em uma
contestação formal da atuação de Mendonça na Justiça Eleitoral — e, caso isso
aconteça, até onde os efeitos jurídicos dessa iniciativa poderão chegar.
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STF: primo de Vorcaro pede a Fachin retorno de ação a Mendonça
A
defesa de Felipe Vorcaro pediu nesta segunda-feira (21) ao presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que a ação envolvendo o primo do
ex-banqueiro Daniel Vorcaro seja devolvida ao ministro André Mendonça, relator
do caso Master.
Segundo
os advogados, a decisão de Fachin que interrompeu novas movimentações no
inquérito do Banco Master, em 12 de setembro, dificulta a análise do pedido de
revogação da prisão preventiva e também a revisão da necessidade de manutenção
da custódia, prevista para ocorrer após 90 dias.
Felipe
Vorcaro é apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de Daniel
Vorcaro. Ele está preso em Minas Gerais desde 7 de maio. A operação que teve o
primo do ex-banqueiro como alvo também realizou buscas contra o senador Ciro
Nogueira (PP-PI), suspeito de receber vantagens indevidas para beneficiar o
grupo criminoso no Congresso.
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Defesa questiona envio do processo à Presidência
Em meio
à crise entre ministros do STF, Fachin determinou que todos os documentos das
investigações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) e ao Banco Master, ambas sob relatoria de Mendonça, fossem encaminhados
à Presidência da Corte.
Os
advogados de Felipe sustentam que, embora a investigação contra ele esteja
inserida na Operação Compliance Zero, da PF, o caso possui objeto diferente
daquele que motivou o envio dos autos à Presidência.
“Seu
objeto, no entanto, é distinto daquele que motivou a remessa dos autos à
Presidência”, afirmaram os advogados.
Na
petição, a defesa também argumentou que não há, no processo envolvendo Felipe,
fatos atribuídos a ministros do STF ou diligências direcionadas a integrantes
da Corte. Segundo os advogados, a ligação entre os casos ocorre apenas porque
todos tiveram origem na Operação Compliance Zero.
“Não há
nesses autos fato atribuído a Ministro desta Corte, diligência dirigida a
qualquer de seus integrantes ou questão relacionada à apuração que deu origem
às Pets 16.662 e 16.704. A vinculação decorre apenas da origem comum na
Operação Compliance Zero, não da matéria que levou à remessa dos feitos à
Presidência”, dizem advogados, citando tanto a petição que traz o relatório da
PF com supostas mensagens de Vorcaro a Moraes quanto a que questiona o trabalho
de Mendonça na condução do caso Master.
A
defesa também afirmou que a indefinição do STF sobre os processos que envolvem
ministros impede que o pedido de Felipe seja analisado por Mendonça: “Embora a
determinação de remessa à Presidência não tenha alterado a relatoria da Pet
15.873/DF, ela impede que o em. Min. André Mendonça, juiz natural da causa,
aprecie o pedido urgente. A agravar o cenário, tem-se que o julgamento da Pet
16.662 foi interrompido por pedido de vista, e a Pet 16.704 aguarda essa
definição para ser analisada pelo Pleno. Não há, portanto, previsão para a
retomada do andamento da Pet 15.873.”
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Pedido de liberdade
A
defesa de Felipe Vorcaro havia solicitado a Mendonça, em 22 de junho, a
revogação da prisão preventiva. Sobre a revisão da custódia, os advogados
afirmam que o prazo de 90 dias previsto no Regimento Interno do STF terminou em
14 de setembro.
A
contagem considera como marco a decisão de 16 de junho, quando a Segunda Turma
do STF referendou a determinação de Mendonça que levou à prisão do investigado.
A
sessão de 15 de setembro, que poderia analisar a abertura de investigação
contra o ministro Alexandre de Moraes, foi interrompida após pedido de vista do
ministro Flávio Dino. A medida pode adiar o julgamento por até 90 dias.
Também
foi desmarcada a sessão plenária prevista para 23 de setembro, que analisaria a
atuação de Mendonça no caso Master. Até o momento, não há nova data definida
para a reunião.
Fonte:
ICL Notícias/Brasil 247

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