Assessora
de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle
Uma
assessora de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou, em 2023, da liberação de emendas
parlamentares enviadas pelo senador com o miliciano Robson Calixto, conhecido
como “Peixe”, que foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF (Supremo
Tribunal Federal) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco
(PSOL-RJ).
O
montante de R$ 199 mil foi enviado por Flávio a um projeto de futebol do Ifop
(Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), no Rio. A entidade
fica localizada no bairro Taquara, uma área de influência do ex-deputado
Chiquinho Brazão e do conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro)
Domingos Brazão –condenados como mandantes da morte de Marielle.
A
Polícia Federal vê indícios de desvios de recursos no envio dos repasses. As
informações foram inicialmente publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, com
base em diálogos obtidos pela PF entre Calixto e a assessora de Flávio, Maria
de Fátima Bezerra Castro. A Folha de S.Paulo também teve acesso às conversas.
Em
nota, a assessoria de Flávio, atualmente candidato à Presidência pelo PL, disse
que os repasses foram feitos dentro da lei e seguiram critérios técnicos do
Ministério do Esporte.
“A
entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu
os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da
entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser
apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei”, afirma.
Os
irmãos Brazão foram condenados, cada um, a 76 anos e 3 meses de prisão pelo STF
em fevereiro por terem sido os mandantes da morte de Marielle e chefiarem de
uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de
reclusão por integrar o grupo.
A
reportagem entrou em contato com o advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib,
por mensagem e por ligação nesta segunda-feira (21), mas não houve resposta.
Cleber Lopes, que representa Chiquinho, disse que não se manifestaria. A defesa
de Domingos Brazão no caso Marille informou que não cuida desse tema
relacionado a emendas. O espaço segue aberto para os demais citados.
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Conversas
Nos
diálogos, coletados de um celular de Calixto em março de 2024, quando ele foi
alvo de busca e apreensão no caso Marielle, o miliciano afirma ao contato salvo
como “Fafa Flávio Bolsonaro”: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue [sic]
nos ajudar”.
A
assessora do candidato do PL pede que ele mande um email ou um ofício com a
solicitação, o que é feito por Calixto. Ela, então, pergunta quando o miliciano
iria a Brasília. “Vou em Novembro, será que consegue nos ajudar com alguma
coisa?”, respondeu.
Os
diálogos entre eles se estenderam até março de 2024, com cobranças de Calixto
por “notícias boas” e um pedido para que Flávio Bolsonaro não esquecesse o
Ifop. “Vê se o senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso
projeto”, diz ele em uma conversa de novembro. “Pode deixar”, afirma a
assessora. Dias depois, Mária de Fátima declara que ligaria para Calixto.
“Consultamos
as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos
no aguardo”, escreveu o miliciano em 22 de março de 2024.
Além da
negociação envolvendo as mensagens, os registros mostram a funcionária do
senador pedindo ingressos para um desfile na Sapucaí. “Joinha!!! Já estou te
perturbando rsrsrs será que consegue 4 ingressos pro desfile das campeãs no
camarote Arpoador?”, enviou a assessora de Flávio a Calixto.
A
solicitação foi classificada pelos investigadores como vantagem indevida.
Em
outra troca de mensagens, de outubro de 2023, Maria de Fátima convida o
assessor de Chiquinho Brazão para ir a uma cerimônia de entrega de coletes para
a Polícia Militar do Rio e cobrar pessoalmente Flávio pela liberação dos
recursos. “Leva o deputado”, diz ela a Calixto.
Em
julho, a PF deflagrou uma operação sobre suspeitas de desvios de emendas
parlamentares destinadas por Chiquinho Brazão a ONGs no Rio, para apurar os
crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A
investigação, diz a polícia, identificou que parte dos recursos provenientes de
emendas parlamentares federais destinados a entidades sem fins lucrativos, que
mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal,
teria sido desviada mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas
interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores.
• Quem é o miliciano que negociou emenda
com assessora de Flávio Bolsonaro
revelação
de que o gabinete do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
negociou o direcionamento de verbas públicas articuladas por um operador da
milícia fluminense colocou no centro dos holofotes nacionais a figura de Robson
Calixto Fonseca, o “Peixe”. O escândalo emergiu com os desdobramentos da
Operação Emendatio da Polícia Federal, que interceptou mensagens trocadas em
2023 no celular do miliciano. A apuração detalhou que Peixe manteve diálogo
direto com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar do senador,
usando de sua proximidade para negociar o envio de verbas federais a áreas sob
controle de seu grupo armado.
A
articulação resultou no envio de uma emenda parlamentar assinada por Flávio
Bolsonaro no valor exato de R$ 199.999,79 para o Instituto de Formação
Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Taquara, Zona Oeste do
Rio. Sob o pretexto oficial de financiar o projeto de futebol infantil
“Jogadores do Futuro”, uma auditoria técnica do Tribunal de Contas da União
(TCU) e da PF descobriu que o dinheiro foi integralmente desviado. O montante
acabou repassado para um escritório de advocacia pertencente aos próprios donos
da entidade por meio de contratos de fachada e simulação de concorrência. Como
contrapartida pela facilitação do recurso, mensagens interceptadas mostraram a
assessora de Flávio cobrando de Peixe quatro ingressos de camarote no Sambódromo
durante o Carnaval carioca, configurando forte suspeita de vantagem indevida.
Para
compreender como um operador do crime organizado obteve livre trânsito e
capacidade de barganha junto ao gabinete de um senador da República, é preciso
examinar a trajetória de Robson Calixto Fonseca no ecossistema do crime de
“colarinho branco” do Rio de Janeiro.
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Do crime organizado ao gabinete de Flávio Bolsonaro
Ex-policial
militar, miliciano e operador político-financeiro, Peixe foi condenado pelo
Supremo Tribunal Federal no início de 2026 a uma pena de 9 anos de prisão em
regime fechado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal o
classificaram como o braço operacional e o principal elo político da
organização criminosa armada chefiada pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.
Sua marca registrada sempre foi a capacidade de circular com extrema facilidade
entre as forças de segurança, as estruturas formais do Estado e as lideranças
paramilitares da Zona Oeste.
Foi nas
comunidades de Rio das Pedras e da Taquara, consideradas o berço do
milicianismo fluminense, que Peixe consolidou seu poder. Longe de ser um mero
homem de frente focado no confronto armado, ele exercia funções estratégicas de
logística, finanças e articulação. Relatórios de investigação e delações
premiadas, como a do ex-PM Ronnie Lessa, revelam que Peixe comandava o mercado
imobiliário clandestino em Jacarepaguá, chefiando esquemas de grilagem de
terras, loteamentos irregulares e construções ilegais cujos lucros irrigavam a
estrutura da milícia, além de gerenciar redes de extorsão contra comerciantes e
agiotagem. No plano bélico, Lessa o apontou como o intermediário original na
busca por armamentos pesados, incluindo a submetralhadora HK MP5 utilizada nos
assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em
2018.
Para
garantir trânsito livre nos bastidores do poder e revestir suas atividades
criminosas com uma fachada de legalidade, Calixto acumulava cargos públicos.
Enquanto mantinha o status de policial militar, atuou por anos como assessor de
extrema confiança de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de
Janeiro (TCE-RJ). Era desse gabinete oficial que ele articulava as demandas da
milícia e estabelecia pontes com diversos agentes políticos. Mesmo após o
assassinato de Marielle Franco e o cerco policial contra os Brazão, Peixe
permaneceu ativo no “crime institucionalizado”, especializando-se na captação
de recursos públicos para alimentar os currais eleitorais do grupo.
Atualmente,
enquanto Calixto cumpre sua pena em regime fechado pela condenação no caso
Marielle Franco, as novas descobertas sobre o desvio da emenda geraram
desdobramentos jurídicos e políticos de grande impacto em Brasília. Partidos de
oposição acionaram a PGR para apurar o nível de conhecimento e envolvimento
direto do senador Flávio Bolsonaro sobre as tratativas de sua assessora com o
miliciano. Por sua vez, a defesa do parlamentar sustenta que a indicação da
emenda seguiu critérios estritamente técnicos e que a fiscalização da aplicação
do dinheiro competia aos órgãos de controle e ao Ministério do Esporte.
• Partidos vão à PGR por ligação de Flávio
Bolsonaro e miliciano envolvido na morte de Marielle
A
bancada do PSOL na Câmara acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para
pedir o aprofundamento das investigações sobre a relação entre o senador e
Robson Calixto, conhecido como Peixe, apontado como homem de confiança de
Domingos Brazão e condenado no processo relacionado ao assassinato da vereadora
Marielle Franco.
O líder
do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), pediu ao ministro Flávio Dino, do
Supremo Tribunal Federal (STF), que determine uma auditoria da
Controladoria-Geral da União (CGU) em todas as emendas parlamentares destinadas
pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a entidades do terceiro setor no Rio de
Janeiro desde 2019.
As duas
iniciativas têm como ponto de partida uma emenda de R$ 199 mil destinada, em
novembro de 2023, ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio
(Ifop), investigado na Operação Emendatio.
Mensagens
extraídas pela Polícia Federal do celular de Calixto mostram tratativas entre
ele e uma assessora de Flávio Bolsonaro, Maria de Fátima Bezerra Castro,
relacionadas à liberação dos recursos. Os registros indicam que a verba foi
transferida ao instituto em 29 de novembro de 2023.
Segundo
reportagem do Estadão, a assessora também teria solicitado a Calixto quatro
ingressos para um camarote no desfile das escolas campeãs do Carnaval do Rio. A
investigação trata o pedido como possível vantagem indevida, sem que o material
divulgado confirme a entrega dos ingressos.
O Ifop
já era alvo de apurações de órgãos de controle. Uma auditoria do Tribunal de
Contas da União (TCU), incorporada ao inquérito da PF, identificou pagamentos
realizados pelo instituto a um escritório de advocacia pertencente aos próprios
dirigentes da entidade. O fato é tratado pelos investigadores como possível
indício de desvio de finalidade dos recursos públicos.
Diante
desse cenário, Uczai pediu ao STF que sejam obtidos os documentos relativos ao
repasse e que a CGU examine as demais emendas destinadas por Flávio Bolsonaro a
organizações do terceiro setor no Rio de Janeiro. O deputado também solicitou
que sejam avaliadas medidas para suspender novas parcerias e transferências ao
Ifop e a outras entidades investigadas até a conclusão das auditorias.
Já o
PSOL pede que Flávio Bolsonaro seja ouvido pela PGR para esclarecer se tinha
conhecimento das conversas entre seus assessores e Calixto, se participou
direta ou indiretamente da escolha e liberação dos recursos e se manteve
contato com o miliciano, representantes das entidades ou outros intermediários.
A
bancada também quer saber quem indicou as instituições beneficiadas, se houve
orientação ou autorização do senador para que seu gabinete negociasse a
destinação das verbas e se ele tinha conhecimento sobre a aplicação dos
recursos e a prestação de contas.
Uczai,
por sua vez, solicitou o encaminhamento das informações à PF, à PGR e ao
ministro Alexandre de Moraes, relator da Operação Emendatio.
Flávio
Bolsonaro não é alvo dos mandados da operação e afirma que a destinação das
emendas seguiu a legislação e os critérios técnicos estabelecidos pelo
Ministério do Esporte. O senador também sustenta que a execução dos recursos é
responsabilidade das entidades beneficiárias e que eventuais irregularidades
devem ser apuradas pelos órgãos de controle.
• Perfis estrangeiros fazem posts pagos no
X sobre suposto favoritismo de Flávio, diz site
Publicações
patrocinadas no X em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à
Presidência da República foram feita por contas registradas fora do Brasil
fizeram p. Os posts usam previsões da plataforma Polymarket para apresentar
Flávio como favorito na disputa. O próprio X identifica as publicações como
Paid Partnership, ou “Parceria paga”. As informações são do Metrópoles.
A
legislação brasileira restringe o impulsionamento de propaganda eleitoral por
terceiros. A Lei das Eleições também proíbe que partidos e candidatos recebam,
direta ou indiretamente, recursos de origem estrangeira.
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Posts usam Polymarket
Um
levantamento do site Factchequeado identificou 13 publicações patrocinadas pela
Polymarket no X entre março e maio deste ano. Segundo a análise, 11 traziam
mensagens favoráveis a políticos de direita ou críticas a nomes da esquerda.
No
Brasil, uma das publicações afirmou que Flávio havia ultrapassado Lula nas previsões da Polymarket e apresentou o
movimento como sinal de favoritismo eleitoral. A mesma estratégia foi
identificada em conteúdos sobre candidatos da Colômbia e do Peru.
Desde
junho de 2025, a Polymarket é parceira oficial de previsões de mercado do X.
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Relação com Trump Jr.
Donald
Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, é investidor da Polymarket
por meio da empresa 1789 Capital e integra o conselho consultivo da plataforma
desde 2025. A entrada ocorreu após um aporte do fundo.
Em
abril deste ano, o governo brasileiro bloqueou o acesso à Polymarket e a outros
mercados de previsão, sob o argumento de que as plataformas não tinham
autorização para oferecer contratos ou apostas no país envolvendo política e
eleições.
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Repercussão entre bolsonaristas
Eduardo
Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, republicou no X algumas das publicações
patrocinadas sobre o desempenho do senador na Polymarket. Perfis bolsonaristas
também compartilharam os conteúdos e repetiram a frase “vai ser no primeiro
turno”.
Entre
os perfis que reproduziram as publicações estão os de Mário Frias (PL-SP),
Lucas Pavanato (PL-SP) e Allan dos Santos. A repetição das mensagens, porém,
não comprova por si só a existência de uma ação coordenada entre as contas.
Fonte:
Folhapress

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