Esqueçam
Trump – se a Europa quiser salvar a OTAN, precisa conquistar o povo americano
Num
momento em que a Europa está focada em persuadir Donald Trump a manter seu
compromisso com a OTAN, precisa também convencer os americanos. Por isso, a
presença esta noite do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte , diante de uma plateia em Des Moines, Iowa,
é significativa. Esta é a cidade natal do embaixador de Trump na OTAN, Matthew
Whitaker, e a visita leva o debate sobre o futuro da OTAN diretamente a um
público do Meio-Oeste, num estado conservador que se mantém distante dos
círculos de elite da política externa em Washington. A aparição de Rutte já
deveria ter acontecido há muito tempo.
A
guerra da Rússia na Ucrânia e a incerteza quanto ao compromisso dos EUA com a
segurança europeia forçaram os líderes europeus a confrontar sua dependência de
Washington
. Enquanto alguns pressionam pelo desenvolvimento das capacidades europeias
como forma de se distanciar dos EUA, outros consideram o aumento dos gastos com
defesa na Europa essencial para manter o engajamento americano. De qualquer
forma, os governos europeus não podem depender exclusivamente de encontros com
Trump para garantir o futuro da aliança.
Em vez
disso, os líderes europeus precisam olhar além de Washington e seguir o exemplo
de Rutte. Defender publicamente a OTAN, a parceria transatlântica e a segurança
compartilhada no centro do país é essencial, não opcional. Essa defesa deve
começar com o povo americano.
Durante
décadas, os americanos apoiaram a relação transatlântica porque entendiam que a
segurança da Europa estava intimamente ligada à sua própria. A OTAN e a parceria transatlântica faziam parte de uma ambição
mais ampla, concebida para tornar o mundo seguro para a democracia, sobretudo
para o crescimento e a prosperidade que ela gerava. O apoio público foi
essencial para esse empreendimento.
Para
muitos americanos, a democracia está falhando em cumprir a promessa de
prosperidade, e em algumas áreas-chave o contraste com a Europa é gritante. Na pesquisa de 2023 do Commonwealth Fund
, 46% dos adultos americanos com renda baixa ou média relataram ter deixado de
buscar ou adiado cuidados médicos necessários devido ao custo, em comparação
com 16% no Reino Unido, França, Alemanha e Holanda. Os populistas não perderam
tempo em destacar as deficiências da democracia americana, e essa mensagem
encontrou eco em amplos segmentos da população, particularmente entre eleitores
rurais e americanos sem diploma universitário – ambos fundamentais para a base
eleitoral de Trump.
Quando
se trata do público americano, há muito espaço para otimismo, mas em um
contexto político propício para que populistas cultivem antagonismo em relação
aos gastos com causas externas, há pouco espaço para complacência. As pesquisas
do Conselho de Assuntos Globais de Chicago mostram consistentemente que os
americanos apoiam a OTAN e a parceria transatlântica. Sua pesquisa recente com a Ipsos constatou que 68%
dos americanos apoiam a manutenção ou o aumento do compromisso dos EUA com a
OTAN. No entanto, apenas 47% estavam confiantes de que os aliados europeus
viriam em defesa dos Estados Unidos em caso de ataque, uma queda em relação aos
62% em 2025. O apoio público à Ucrânia também permaneceu substancial, mesmo
enquanto os americanos debatem a escala e a duração da assistência dos EUA; uma
pesquisa de 2024 constatou que 58%
apoiavam o envio de armas e suprimentos militares adicionais para a Ucrânia, e
o mesmo número apoiava a assistência econômica.
Os
líderes europeus fariam bem em investir em uma estratégia de diplomacia pública
para cultivar o entendimento entre os americanos fora do establishment de
política externa de Washington. A decisão do secretário-geral de viajar para
Iowa deve ser vista como uma parte crucial da estratégia europeia para o
Meio-Oeste. Outras importantes organizações de política externa têm buscado
fazer o mesmo. Durante o verão, a Fundação Ditchley aproveitou a ocasião do 250º aniversário dos Estados Unidos para estreitar suas
parcerias no país, promovendo mesas-redondas na Carolina do Sul e em Illinois.
Essa
iniciativa é essencial para combater o mito persistente de que os europeus
estão se aproveitando dos interesses dos Estados Unidos sem contribuir
financeiramente. O renovado compromisso da Europa com a defesa é significativo,
com um aumento de 20% em 2025 em comparação com 2024 entre os 27
Estados-membros da UE. Isso ainda é pouco compreendido nos EUA. O Relatório Anual da OTAN de 2025 observa que todos os
32 membros da OTAN atingiram ou superaram a meta de gastos de 2% do PIB para
aquele ano. Os aliados se comprometeram a investir 5% do PIB anualmente até 2035 em defesa e
segurança relacionada. Os números exatos são importantes, mas a mensagem mais
ampla também é: a de que a Europa está investindo na capacidade de se defender
e contribuir para a segurança compartilhada.
Seria
também inteligente destacar as oportunidades criadas por este investimento para
as empresas americanas. A cooperação em defesa apoia empregos e oportunidades
de crescimento. Também impulsiona as cadeias de abastecimento transatlânticas e
as parcerias de pesquisa. Mas os laços que unem a Europa e os Estados Unidos
vão além das aquisições militares. A defesa da aliança deve, em última análise,
ser feita em termos que as pessoas reconheçam em suas próprias vidas: a
segurança de seus empregos, o preço e a disponibilidade de energia, a
resiliência da tecnologia da qual dependem e, acima de tudo, a perspectiva de
suas famílias viverem sem a ameaça de uma guerra de maior escala.
A
parceria transatlântica não pode ser assegurada apenas por meio da diplomacia
presidencial. Os líderes europeus devem continuar a dialogar com a Casa Branca,
mas também precisam apresentar seus argumentos ao público americano. O futuro a
longo prazo da OTAN dependerá não apenas das decisões dos presidentes, mas
também de os cidadãos de ambos os lados do Atlântico continuarem a considerar a
aliança essencial para sua segurança, democracia e prosperidade.
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Alemanha e França atrasam decisões de defesa coletiva da UE, afirma
eurodeputada
A
Alemanha e a França estão entre os países que retardam a tomada de decisões na
esfera da defesa europeia, lamentou a chefe do Comitê de Segurança e Defesa do
Parlamento Europeu, a deputada alemã Marie-Agnes Strack-Zimmermann.
Em
entrevista ao portal Euractiv, a deputada afirmou que os governos em Berlim e
Paris atrapalham o avanço das decisões sobre a defesa coletiva
europeia
quando seus interesses nacionais e industriais são afetados.
"Falando
francamente, a Alemanha está na primeira linha aqui. Os franceses também estão
dispostos a pisar no freio, mas os alemães são exemplares a esse
respeito", disse Strack-Zimmermann.
Segundo
a parlamentar, todos os grandes países da União Europeia, incluindo Alemanha, França, Itália, Polônia e Espanha, são capazes de
bloquear ou retardar iniciativas de defesa europeias quando afetam seus
interesses nacionais, incluindo potencialmente os industriais.
"Se
as capitais não conseguirem finalmente se mover, nosso sucesso inevitavelmente
permanecerá limitado", lamentou a chefe do Comitê de Defesa do Parlamento
Europeu.
Strack-Zimmermann
também rejeitou as tentativas de atribuir a responsabilidade pelo lento avanço
dos projetos europeus de defesa exclusivamente às instituições da UE.
De
acordo com a publicação, a insatisfação dos eurodeputados com as ações dos
governos nacionais aumentou durante as
negociações sobre uma série de iniciativas de defesa da UE, incluindo medidas
para reduzir os procedimentos burocráticos para a indústria de defesa e
aumentar a mobilidade militar dentro do bloco.
No
início de setembro, a França, a Alemanha e a Itália se opuseram ao novo grupo
consultivo de defesa proposto pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, o que resultou no
abandono dessa ideia.
¨ Europa alerta para
dependência dos EUA na corrida por armas e munições, diz mídia
A
Europa intensifica planos para ampliar sua produção de armas, mas o CEO da
Nammo alerta que o continente não consegue se suprir sozinho e depende da
cadeia integrada com os EUA, citando mísseis usados nos caças F‑35 como exemplo
dessa interdependência.
Segundo
avaliação do CEO de uma das maiores fabricantes de
munições da Europa,
a Nammo, Morten Brandtzæg, a Europa não consegue suprir as necessidades de
defesa da região sozinha e depende de uma produção integrada com os EUA.
Falando à mídia britânica, o
CEO afirma que o aumento da fabricação de armas deve ser visto como um esforço
conjunto dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já
que a cadeia de suprimentos é profundamente interligada.
Brandtzæg
cita o exemplo dos mísseis ar-ar avançados de médio alcance (AMRAAM, na sigla
em inglês) usados pelos caças F‑35. Ele lembra que os
motores de foguete, produzidos pela Nammo na Noruega, são enviados aos EUA,
integrados pela Raytheon e depois retornam à Europa para equipar aeronaves ali
operadas, logo, reorganizar essa cadeia para produzir tudo apenas na Europa seria
inviável no curto prazo.
O
alerta do executivo surge em um momento em que países europeus buscam reduzir a
dependência de tecnologias norte-americanas, em meio a tensões com o governo de
Donald Trump e atrasos na entrega de sistemas de armas
dos EUA já contratados.
Washington
já avisou aliados que enfrentariam longas
esperas
por equipamentos, pois os EUA priorizam recompor estoques esgotados pela guerra
no Oriente Médio. Isso levou alguns governos a buscar alternativas nacionais ou
europeias, ampliando o debate sobre autonomia industrial.
Ainda
segundo a apuração, durante um evento na base da Nammo em Raufoss, Brandtzæg
pediu que decisões políticas de curto prazo não comprometam a ambição de longo
prazo de manter a cooperação
transatlântica.
Ele afirmou que a empresa está expandindo sua produção nos EUA, o que libera
capacidade adicional nas fábricas europeias.
O
executivo descreveu essa necessidade por coordenação como uma "sinfonia
cuidadosamente orquestrada" entre aliados, ressaltando que a
interdependência industrial é parte estrutural da defesa ocidental.
Mas, a
urgência para manter a prontidão europeia preocupa as autoridades da região que
podem acabar desagradando os EUA ao buscarem por sistemas europeus. Atrasos no
sistema Patriot, por exemplo, empurraram entregas para a próxima década,
estimulando países como a Dinamarca a optar pelo sistema europeu SAMP‑T
NG.
Segundo
Patrice Caine, CEO da Thales, cerca de uma dúzia de países europeus e do
Oriente Médio demonstraram interesse no SAMP‑T NG, motivados tanto pelo
desempenho quanto pela disponibilidade. A empresa também negocia com o Reino
Unido o fornecimento de foguetes guiados a laser produzidos na Bélgica, diante da escassez do Hydra‑70
norte-americano.
¨
Trump diz discutir com Putin termos de possível acordo de
paz entre Rússia e Ucrânia
Em meio
ao encontro com o ucraniano Vladimir Zelensky nesta terça-feira (22) à margem
da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que discute com o homólogo russo Vladimir
Putin os temos de um possível acordo de paz entre Moscou e Kiev.
"Acho
que eles vão fechar um acordo, e não quero dizer no que consiste esse acordo.
Estamos conversando muito sobre isso, inclusive com o presidente Putin, e acho
que algo precisa acontecer", declarou o líder estadunidense.
Trump
afirmou ainda que trabalha para encontrar uma
solução para o conflito e manifestou expectativa de que haja um avanço
significativo antes do inverno no hemisfério Norte. "Algo grande antes do
inverno", disse Trump a jornalistas ao ser questionado sobre as
perspectivas de um acordo entre Moscou e Kiev.
Durante
a conversa com Zelensky, Trump também foi questionado sobre os ataques das Forças
Armadas da Ucrânia
contra instalações petrolíferas na Rússia. O presidente norte-americano afirmou
que as ações tiveram impacto significativo sobre os preços dos combustíveis e
disse que discutiria o assunto com o líder ucraniano.
"Isso
também afetou seriamente o preço do diesel. O diesel ficou bastante mais caro,
mas ainda vamos conversar sobre isso", declarou.
Anteriormente,
o secretário do
Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia afirmado que os ataques ucranianos
contra instalações da infraestrutura energética russa provocam aumento dos
preços mundiais dos combustíveis.
Durante
discurso na ONU, Trump também falou sobre o conflito e garantiu que a Casa
Branca trabalha com líderes russos e ucranianos para pôr fim às hostilidades.
Os
Estados Unidos estão trabalhando com as autoridades russas e ucranianas para
pôr fim ao conflito, afirmou hoje (22) o presidente dos EUA, Donald Trump, na
81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.
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Trump não deixou Zelensky responder perguntas
A
reunião entre Trump e Zelensky começou com uma breve declaração do presidente
norte-americano, que afirmou estar empenhado em buscar uma solução para o
conflito na Ucrânia. Trump também destacou que tinha diversos assuntos para
discutir e mencionou as relações sólidas dos Estados Unidos, inclusive com
países europeus, sem especificar quais.
A parte
aberta do encontro durou pouco menos de dez minutos. Durante esse período, o
republicano conduziu as respostas às perguntas dos jornalistas, enquanto
Zelensky não respondeu diretamente a nenhuma das questões feitas pela imprensa.
Ao ser
questionado sobre os ataques contra instalações
petrolíferas russas,
Zelensky aparentemente tentou participar da conversa, mas permaneceu em
silêncio enquanto Trump comentava os efeitos sobre os preços do diesel. Depois
disso, limitou-se a sorrir e assentir enquanto o presidente norte-americano
falava.
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'Só podemos esperar': Ocidente deve iniciar negociações com Moscou sobre
Ucrânia, diz analista
Os
países ocidentais têm que começar imediatamente a negociar com a Rússia um
acordo para resolver o conflito na Ucrânia, declarou Yanis Varoufakis,
ex-ministro das Finanças da Grécia, em entrevista a um canal no YouTube.
Segundo ele, os líderes
ocidentais precisam abandonar sua abordagem anterior de negar qualquer diálogo
com o Kremlin, pois a Rússia não para de demonstrar sucessos na linha de
frente.
"O
Exército russo está avançando constantemente. [...] E, você sabe, só podemos
esperar e rezar para que os europeus, norte-americanos e canadenses iniciem uma
conversa com a Rússia, que até agora eles recusaram", disse ele.
Ao
mesmo tempo, Varoufakis enfatizou que hoje, ao contrário da Rússia, os países
europeus e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não têm planos
claros para uma resolução pacífica na Ucrânia.
"Se
você perguntar que tipo de paz eles imaginam, eles só vão falar sobre a derrota
da Rússia, mas isso nunca vai acontecer", enfatizou o observador grego.
Mais do
que isso, os líderes nem sequer têm um "plano de guerra", já que eles
forçam os ucranianos a continuar acreditando na retomada da Crimeia quando não há a
menor chance de isso a acontecer, "nem no inferno nem no céu",
explicou o especialista.
De
acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, as tropas russas continuam avançando nas defesas inimigas
e, no último dia, assumiram o controle sobre os povoados de Polnaya e
Novoaleksandrovka, na região de Carcóvia.
Além
disso, durante os ataques noturnos, as Forças Armadas russas atingiram um
centro logístico na região de Kiev, onde estavam
armazenados produtos militares, e um navio mercante que entregou cargas para as
Forças Armadas da
Ucrânia.
¨
Ucrânia pode se tornar 'terra inabitável', por isso deve
se render à Rússia, acredita especialista
No
futuro previsível, como resultado do conflito com a Rússia, a Ucrânia pode se
tornar um território inabitável, disse o analista militar e ex-oficial de
inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Scott Ritter em seu canal no
YouTube.
A
Ucrânia é um Estado proxy da OTAN e dos Estados Unidos, por isso seu plano é
apenas implementar planos do Ocidente, que são desenvolvidos por países
ocidentais e são enviados a Kiev para execução, afirmou Ritter.
Na
opinião dele, a Ucrânia corre o risco de deixar de existir. O especialista mencionou que a
Rússia já destruiu uma grande parte da capacidade de armazenamento e instalações de
energia
usadas em prol das Forças Armadas ucranianas.
"A
situação só vai piorar. Como resultado, a Ucrânia se tornará uma terra
inabitável e veremos um deslocamento maciço da população restante na Ucrânia
para a Europa", disse o analista estadunidense.
No
entanto, conforme Ritter, Kiev ainda tem uma saída: reconhecer a derrota e
render-se a Moscou para sobreviver os tempos
desfavoráveis.
"A
única maneira de os ucranianos sobreviverem ao inverno é se renderem agora e se
entregarem à mercê da Rússia. Mas, é claro, eles não vão fazer isso. Zelensky
não é capaz disso", concluiu o analista.
Em
resposta aos ataques contra a
população civil,
as Forças Armadas russas têm consistentemente atacado centros de decisão e
postos de comando, bem como empresas que o regime de Kiev usa, em conjunto com
especialistas da OTAN, responsáveis pelo fornecimento de componentes,
fornecimento de inteligência e direcionamento.
O
Ministério da Defesa da Rússia enfatizou repetidamente que os militares russos
usam drones de ataque e armas de alta precisão de longo alcance, capazes de
destruir qualquer alvo em Kiev e em todo o território ucraniano.
Fonte:
Por Leslie Vinjamuri, em The Guardian/Sputnik Brasil

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