Como
os presidenciáveis querem melhorar a saúde pública
A
redução das filas do Sistema Único de Saúde (SUS) aparece como prioridade comum
entre os principais candidatos à Presidência
da República
de acordo com as pesquisas de intenção de voto. Em 2024, o tempo médio de
espera para atendimento especializado era de 57 dias, segundo levantamento do
jornal O Globo com base em dados do Ministério da Saúde.
Embora
as propostas variem, os presidenciáveis apostam em digitalização, uso de inteligência artificial (IA) e telemedicina para
ampliar o acesso a consultas, exames e especialistas. As diferenças aparecem
sobretudo no papel da rede privada, nas prioridades na reorganização do sistema
público, e nas estratégias dedicadas a saúde mental e saúde da mulher.
Veja o
que propõe cada presidenciável nos principais temas da área da saúde.
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Redução das filas do SUS
Se
reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promete impulsionar
o Agora tem Especialistas, lançado em 2025 para oferecer consultas, exames e
cirurgias em serviços especializados. O programa faz parcerias entre o SUS e
hospitais privados por meio de créditos financeiros ou de dívidas. Suas propostas mencionam
ainda o investimento em novos equipamentos na rede pública, uma maior
integração entre atenção primária, especializada e farmacêutica, e o uso da
tecnologia para trazer transparência e organização às filas de atendimento.
O
programa apresentado por Flávio Bolsonaro (PL) tem um capítulo
inteiro dedicado ao combate às filas em diversos serviços públicos. Na saúde,
promete aproveitar equipamentos da rede privada para realizar exames em
horários ociosos, e utilizar a inteligência artificial para agilizar o
agendamento de consultas e exames.
O
candidato Augusto Cury (Avante) propõe uma meta de 30 minutos de espera para
atendimentos que possam ser feitos a distância, e uma plataforma nacional
integrada, possibilitando que médicos possam atender online pacientes em outras
regiões.
O plano
de governo de Ronaldo Caiado (PSD) tem como meta reduzir em pelo menos 50% o
tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior espera até 2030.
Para isso, o candidato deseja alterar os parâmetros da fila dando prioridade a
fatores como risco, gravidade e vulnerabilidade para definir o atendimento.
A
proposta é semelhante a defendida por Renan Santos (Missão). Já Romeu Zema
(Novo) quer implementar parcerias com a rede privada na realização de exames,
consultas e cirurgias, com metas de quantidade e qualidade dos atendimentos.
Todos
os candidatos apresentam ainda propostas de teleatendimento e digitalização
para ampliar o acesso à saúde pública.
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Saúde mental
A saúde
mental é um dos grandes gargalos do SUS.
Especialistas afirmam que o Sistema Único de Saúde enfrenta um histórico de
dificuldades relacionadas ao tema. Esse problema tem ficado cada vez mais
evidente, dizem especialistas, diante da crise de saúde mental no país, com
cada vez mais brasileiros sofreram com esse tipo de doença.
Os
candidatos Lula e Caiado propõe ampliar os investimentos na Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS). Sem detalhar propostas, os dois também mencionam ainda o
combate e apoio a indivíduos viciados em apostas. O atual presidente cita
ainda o cuidado psicossocial com mulheres vítimas de violência e o
diagnóstico e acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Sem
citar propostas específicas, o plano de governo de Flávio Bolsonaro menciona o
cuidado com crianças com TDAH, pessoas com depressão e ansiedade, e
idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas,
Augusto
Cury defende a implantação de uma política nacional de saúde mental, envolvendo
escolas, empresas, forças de segurança, unidades de saúde e comunidades. O
plano defende a priorização da prevenção da ansiedade, automutilação e
suicídio, e menciona atividades de "educação emocional", realizadas,
por exemplo, na espera de serviços médicos.
Já
Romeu Zema promete fortalecer a rede de atendimento, por meio do financiamento
compartilhado entre União, estados e municípios. Renan Santos não apresenta a
propostas específicas para a saúde mental.
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Atenção básica e prevenção
O
programa de governo divulgado pela campanha de Lula fala na formação de
profissionais dedicados a saúde da família, mencionando equipes
multiprofissionais e a continuidade do programa Mais Médicos, com foco em áreas
de maior vulnerabilidade. Também assegura o fortalecimento do programa de vacinação.
Flávio
Bolsonaro propõe a ampliação da já existente Estratégia Saúde da Família (ESF),
e a criação de um Programa de Atendimento aos Idosos. Promete também ampliar o
acesso a exames preventivos e fomentar a produção nacional de vacinas.
Augusto
Cury promete investir na prevenção de doenças, no acompanhamento de
famílias e na ampliação das equipes multiprofissionais. O plano de governo
também dedica um capítulo inteiro a um projeto de prevenção e detecção precoce
do câncer.
O plano
de Ronaldo Caiado baseia-se numa melhor integração entre os serviços de
Atenção Primária, especialistas, hospitais, urgência e outros, garantindo a
continuidade do cuidado. O candidato também defende uma política baseada na
prevenção e antecipação de riscos, e propõe ações especificas para a saúde
cardiovascular, para o câncer, e o cuidado de crianças e idosos.
O
programa de governo de Zema também fala em fortalecer a Estratégia de Saúde da
Família, com a ampliação da cobertura e o uso de ferramentas digitais. Entre as
prioridades, estão citados o programa de vacinação, a prevenção e
acompanhamento de doenças crônicas a promoção de hábitos saudáveis e o cuidado
com a população indígena e idosa.
Renan
Santos quer que 80% dos casos sejam resolvidos pela Atenção Primária. Com o
sistema de saúde digital proposto, o candidato quer realizar vigilância
epidemiológica preditiva. Renan também propõe criar compensações tributárias
relacionadas ao cuidado com a saúde física, citando especificamente atividades esportivas.
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Saúde da mulher
O plano
de Lula promete reforçar os cuidados com mulheres que sofrem de doenças
ginecológicas crônicas, como a endometriose, além do diagnóstico precoce e
tratamento dos cânceres de mama e do colo do útero.
Também fala na distribuição gratuita de métodos contraceptivos, como o
Implanon, no SUS, e no acesso a insumos menstruais como absorventes e
medicamentos. O programa promete ainda reduzir a mortalidade materna.
Já o
programa de Flávio Bolsonaro promete ampliar o acesso a exames e levar a todo o
país a já existente Unidade Móvel de Saúde da Mulher.
Augusto
Cury promete políticas voltadas à saúde preventiva, atenção
materno-infantil, prevenção do câncer e planejamento reprodutivo. Também
defende uma atenção especial a questões de saúde mental e autoestima, com foco
especial nas meninas, mencionando os efeitos negativos dos padrões estéticos e do bullying.
Ronaldo
Caiado traçou a meta de reduzir em 30% a razão de mortalidade materna até 2030,
além de propor uma política de rastreamento do câncer de mama e colo do útero,
uma melhor organização do diagnóstico e tratamento de doenças ginecológicas
como a endometriose e a criação de uma linha de cuidado para climatério e
menopausa na Atenção Primária.
O plano
de governo de Romeu Zema trata apenas do cuidado de gestantes, prometendo
atendimento pré-natal de qualidade e redução de riscos e complicações durante e
após o parto. O programa menciona também uma integração entre as redes de saúde
e segurança no cuidado e acolhimento de mulheres vítimas de violência.
O
programa de Renan Santos afirma que a saúde é considerada pelas mulheres como
um dos principais problemas atuais do Brasil. Apesar disso, o candidato não
apresenta nenhuma proposta especifica focadas na saúde da mulher.
Fonte:
DW Brasil

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