sexta-feira, 25 de setembro de 2026

IA e vídeos falsos superam fake news como maior ameaça à democracia

Vídeos falsos criados por inteligência artificial e a informação de baixa qualidade substituíram as tradicionais fake news e passaram a ser a principal ameaça digital às eleições e à democracia. É o que mostra o Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado nesta terça-feira (22) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O Guia considera a mudança abrupta entre 2018, ano da primeira edição, e este ciclo eleitoral. Se lá atrás os meios prioritários de circulação eram as redes abertas, como o Facebook, atualmente redes mais restritas, como o Whatsapp, são a principal via de difusão.

Os especialistas do CGI.br identificaram ainda que a disseminação de desinformação tornou-se mais distribuída, com circulação simultânea em múltiplas plataformas. “Em termos de formato, o vídeo passou a ser o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ancora e legitima a narrativa falsa”, aponta o documento. Não à toa a desinformação passou a ser considerada um dos maiores riscos globais por instituições como o Fórum Econômico Mundial, já em 2025.

Diante deste cenário, a centralidade da internet como mídia de informação, entretenimento e contato passa a ser um elemento cada vez mais importante para as disputas democráticas.

Ferramentas recentes, como as inteligências artificiais generativas, já tiveram estreia no ciclo eleitoral de 2022, mas é esperado que este ano tenham ainda mais impacto, aliadas a ferramentas de difusão, com o direcionamento cada vez mais atrelado a perfis específicos de usuários e estruturas cada vez mais complexas de roteiro, com maior apelo a aparência de verdade.

“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem”, diz a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.

Renata destaca que são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público. “Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”.

Disponível no site do CGI.br, a publicação aborda temas como a operação dos sistemas de recomendação de conteúdo, o impacto da IA generativa no cenário eleitoral e discute como ferramentas avançadas, a exemplo das deepfakes e dos modelos de linguagem conversacionais, funcionam.

A publicação reúne ainda diretrizes para o combate institucional à desinformação e orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos.

Além de analisar as estruturas dos meios de divulgação e das redes, o estudo destaca o papel dos comunicadores destas mídias, os influenciadores. Reconhece seu papel de destaque, mas alerta para a diferença fundamental que tem em relação ao jornalismo: não seguem um código de ética, não respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações ou por imprecisões, ou mesmo erros deliberados, naquilo que divulgam.

<><> Alerta

Segundo os estudos do grupo do CGI.br, a preocupação mais apontada a respeito das deepfakes diz respeito ao realismo ou à fidedignidade. Como esse tipo de conteúdo mentiroso tem passado por aprimoramento constante, passa a ter potencial para enganar mesmo aqueles eleitores mais experientes em avaliar conteúdos.

Este tipo de conteúdo pode fomentar a desconfiança generalizada sobre qualquer tipo de informação, mesmo as verdadeiras.

“A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribuem para esse cenário, fazendo com que convicções pessoais se sobreponham à verificação dos fatos”, alerta o Guia.

Outro problema que aparece com o clima de desconfiança é o de que as pessoas passam a consumir cada vez mais conteúdos que confirmem o que já pensam. “Quando se deparam com informações que contrariam essas crenças, tendem a descartá-las — a chamada racionalidade motivada. Nesse sentido, podem produzir o efeito de reforço ideológico”, alerta o estudo.

<><> Influenciadores trumpistas promovem Flávio Bolsonaro e Polymarket em campanha paga sem identificar financiador

ma rede de influenciadores digitais alinhados a Donald Trump está divulgando anúncios pagos no X para promover a candidatura de Flávio Bolsonaro e a plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil desde abril, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (23) da Folha de S.Paulo.

As publicações, feitas entre 18 e 21 de setembro, trazem gráficos da plataforma e a indicação de “parceria paga”, mas omitem quem financia a publicidade. O caso levou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) a pedir investigação ao Supremo Tribunal Federal.

Segundo a reportagem, ao menos 11 contas estrangeiras publicaram, entre 18 e 21 de setembro, anúncios sobre o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro em apostas na Polymarket. As postagens circulam no X e são acompanhadas de gráficos da plataforma, que opera como um mercado de previsão: usuários apostam dinheiro no resultado de eventos futuros, incluindo eleições.

Abaixo de cada publicação aparece a indicação de “parceria paga”, mas o financiador da publicidade não é identificado em nenhum dos casos.

Um dos nomes mais expressivos na campanha é o do ex-deputado republicano Matt Gaetz, da Flórida, que conta com 3,4 milhões de seguidores no X. “Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”, escreveu Gaetz em uma das postagens.

Gaetz chegou a ser indicado por Trump para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas desistiu da indicação durante o avanço de investigações sobre crimes sexuais, acusações que ele negou. A participação de uma figura desse calibre político não é acidental: ela sinaliza o grau de articulação da rede e o peso institucional que o movimento trumpista empresta à promoção da candidatura bolsonarista no exterior.

<><> Conexões e envolvimento de figuras ligadas a Trump

As contas identificadas na campanha não são perfis genéricos. Segundo a Folha de S.Paulo, elas se concentram em influenciadores alinhados a Trump e ao movimento Make America Great Again (MAGA), além de perfis que adotam o formato visual de veículos de notícias internacionais para tratar de política global.

Entre eles está a empresa UHN Plus Media Network Inc., que afirma ser “movida” pela Polymarket e acumula 1,2 milhão de seguidores. Seu vice-presidente, Javier Negre, foi sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario. As conexões com o bolsonarismo brasileiro são diretas. Cerimedo é ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele atuou na eleição brasileira de 2022 e está atualmente preso na Bolívia, acusado de tentativa de homicídio contra sua então companheira Nadia Beller.

À Folha de S.Paulo, Beller afirmou que Cerimedo disse que trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro. No centro financeiro da operação está Donald Trump Jr., filho do presidente norte-americano, que atua como conselheiro da Polymarket. Sua empresa, 1789 Capital, investiu aproximadamente US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) na plataforma, segundo a Folha. A sobreposição entre os investidores da Polymarket, os influenciadores que a promovem e as figuras históricas do bolsonarismo compõe um quadro de articulação transnacional que vai além de uma campanha publicitária convencional.

><> Implicações legais e pedido de investigação

A legislação eleitoral brasileira é clara em dois pontos diretamente atingidos pelo caso: proíbe que terceiros façam impulsionamento de propaganda em favor de candidatos e veda doações de entidades estrangeiras a campanhas no país. As publicações marcadas como “parceria paga” sem identificação do financiador se enquadram exatamente no tipo de operação que essas normas buscam coibir. A omissão do financiador não é um detalhe técnico: é o ponto que impede a fiscalização eleitoral de rastrear a origem do dinheiro.

O volume financeiro envolvido reforça a gravidade da suspeita. Segundo o Politico, citado pela Folha, a Polymarket desembolsou pelo menos US$ 350 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) para influenciadores e criadores de conteúdo entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026. Parte desse dinheiro pode ter financiado as publicações sobre Flávio Bolsonaro, mas a ausência de transparência impede confirmar a relação.

Diante das suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) formalizou pedido de investigação ao Supremo Tribunal Federal. A questão que o caso coloca ao STF e à Justiça Eleitoral é objetiva: quando uma plataforma bloqueada no Brasil financia influenciadores estrangeiros para promover um candidato brasileiro em rede social, sem revelar quem paga, há ou não violação das regras que protegem a soberania do processo eleitoral?

•        TSE cria ferramenta de IA para acesso a informações sobre eleições

Um assistente virtual, criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ajudará os eleitores brasileiros a acessarem informações e esclarecerem dúvidas sobre o pleito que elegerá, em 2026, presidente e governadores, além dos representantes da população nos legislativos federal, estadual e distrital. Tudo de forma rápida e com linguagem acessível.

Tendo como base a Inteligência Artificial (IA), o ChatVote pode ser acessado por meio de um ícone localizado no canto inferior direito do portal do TSE ou pelo aplicativo e-Título.

“O assistente reúne informações sobre serviços e temas de interesse do eleitor, como dia, horário e local de votação; justificativa de ausência às urnas; orientações para mesários; conteúdo das resoluções das eleições, entre outros”, informou o TSE.

O ChatVote esclarece também as principais dúvidas que costumam ser levadas à Justiça Eleitoral.

“Com a incorporação de IA, a interação deixa de ocorrer por meio de menus fechados e passa a ser feita em formato conversacional, permitindo que o eleitor formule perguntas de maneira mais livre e intuitiva”, detalhou o tribunal.

A fim de aperfeiçoar o funcionamento do ChatVote, que pode ser integrado ao WhatsApp, o TSE fará um acompanhamento contínuo tanto das informações solicitadas pelos eleitores quanto da qualidade das respostas geradas a partir do assistente.

Foi também implementado um sistema de avaliação das respostas pelos usuários.

 

Fonte: Agencia Brasil

 

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