Especialistas
explicam por que restrição a alimentos não é sinônimo de controle do diabetes
“Quanto
menos eu comer, melhor.” A ideia pode parecer lógica para quem tenta controlar
a glicose, mas não resume o que deve orientar a alimentação de uma pessoa com
diabetes.
Segundo
especialistas ouvidos pelo Portal Um Diabético, reduzir a quantidade de comida
não é, por si só, uma estratégia de controle. A alimentação precisa considerar
as necessidades de cada pessoa, a quantidade consumida e o tratamento.
A
nutricionista Tarcila Campos, a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e
o nutrólogo Newton Lopes também alertam para os efeitos que restrições
excessivas podem provocar na relação com a comida.
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Alimento saudável também pode aumentar a glicose
Um dos
pontos destacados por Tarcila Campos é a diferença entre um alimento saudável e
a quantidade consumida.
Segundo
a nutricionista, um alimento pode fazer parte de uma alimentação adequada e,
ainda assim, aumentar a glicose quando consumido em grande quantidade.
Ela
cita a banana como exemplo. Uma pessoa pode consumir uma quantidade grande da
fruta e provocar maior impacto na glicemia do que teria com uma pequena porção
de batata.
Por
isso, a avaliação não deve considerar apenas se determinado alimento é
classificado como saudável. A quantidade também interfere na resposta da
glicose.
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Arroz integral não libera o consumo sem limite
A mesma
lógica vale para o arroz integral. A troca do arroz branco pelo integral não
significa que a pessoa possa aumentar a quantidade consumida.
Durante
a entrevista, Tarcila explicou que as fibras presentes em determinados
alimentos não eliminam a necessidade de observar as porções.
Segundo
ela, o arroz branco também pode fazer parte da alimentação. Uma possibilidade é
combinar o alimento com verduras e legumes, aumentando a presença de fibras na
refeição.
O foco,
portanto, não está apenas na escolha de um alimento. A composição do prato e a
quantidade consumida também fazem parte da alimentação.
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Restrição pode aumentar a busca por comida
A
restrição excessiva também foi relacionada pelos especialistas à compulsão
alimentar.
Newton
Lopes explicou que períodos prolongados sem alimentação podem aumentar a busca
do organismo por energia. Segundo o nutrólogo, esse mecanismo pode contribuir
para episódios de consumo excessivo.
No caso
de quem tem diabetes, ele relaciona esse comportamento ao medo constante de
consumir determinados alimentos.
Segundo
Newton, uma pessoa pode passar o dia restringindo a alimentação e chegar ao fim
do dia procurando doces ou outros alimentos com maior quantidade de calorias.
O
especialista também citou a facilidade de acesso a produtos prontos. Segundo
ele, alguns alimentos podem custar menos e exigir menos preparo do que opções
como saladas e outras refeições.
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Família pode transformar cuidado em cobrança
A
alimentação também pode se tornar motivo de cobrança dentro de casa.
Denise
Franco destacou a importância do acolhimento, principalmente quando uma criança
vive com diabetes. Segundo a endocrinologista, a família precisa acompanhar as
mudanças que acontecem durante o crescimento.
Newton
Lopes contou que recebeu o diagnóstico aos oito anos e passou a seguir horários
e quantidades determinadas para as refeições.
Na
adolescência, porém, a fome aumentou e o organismo passou por mudanças
relacionadas ao crescimento e aos hormônios. Segundo ele, o tratamento precisou
acompanhar essa fase.
A
quantidade de insulina e de carboidratos foi ajustada com acompanhamento
médico.
Para
Denise, a família precisa participar desse processo sem transformar a
alimentação em uma fiscalização constante.
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Diabetes tipo 2 pode colocar comida no centro da preocupação
A
alimentação também pode ocupar um espaço maior na preocupação de quem recebe o
diagnóstico de diabetes tipo 2.
Segundo
Denise Franco, a pessoa pode começar a se perguntar o que fez de errado e
associar a doença aos próprios hábitos.
A
partir daí, alimentos presentes na rotina podem passar a ser vistos como
proibidos. Pizza, macarrão, arroz e doces aparecem entre os exemplos citados
durante a entrevista.
O
problema, segundo os especialistas, é que a pessoa continua vivendo uma rotina
que inclui trabalho, reuniões, viagens e encontros sociais.
Por
isso, a alimentação precisa ser adaptada ao cotidiano e ao tratamento, em vez
de se transformar em uma sequência de proibições.
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Fibras ajudam no controle da glicose
As
fibras também entraram na conversa. Segundo Tarcila Campos, elas podem
contribuir para uma absorção mais lenta da glicose e aumentar a saciedade.
Newton
Lopes acrescentou que o consumo de fibras pode contribuir para o controle do
colesterol e do peso. Ele também explicou que elas servem como alimento para
bactérias presentes no intestino.
Segundo
os especialistas, as fibras também participam da alimentação relacionada à
prevenção do diabetes tipo 2.
Tarcila
citou como referência colocar verduras e legumes em metade do prato no almoço e
no jantar. Ela também mencionou o consumo de duas a três frutas por dia.
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Frutas e verduras aparecem na prevenção do diabetes tipo 2
A
relação entre alimentação e prevenção do diabetes tipo 2 também foi abordada
pelos profissionais.
Segundo
os especialistas, frutas e verduras fornecem fibras e fazem parte de uma
alimentação associada a menor risco de desenvolver diabetes ao longo dos anos.
A
conversa também abordou a epigenética. O conceito foi explicado como a
influência de hábitos de vida e alimentação sobre a expressão dos genes.
Segundo
os profissionais, esses fatores podem modificar a forma como determinados genes
se expressam no organismo.
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Tratamento precisa acompanhar as necessidades de cada pessoa
Os
especialistas também destacaram que a alimentação não funciona de forma isolada
no tratamento do diabetes.
Medicamentos,
alimentação e acompanhamento profissional fazem parte desse processo. Newton
Lopes também chamou atenção para a regularidade no uso dos medicamentos.
Tarcila
Campos, Denise Franco e Newton Lopes defendem a atuação conjunta entre
nutrição, endocrinologia e nutrologia.
A
alimentação, nesse contexto, deixa de ser tratada apenas como uma lista de
alimentos permitidos e proibidos. A quantidade, a rotina, a fase da vida e o
tratamento também entram nessa adaptação.
Fonte:
Um Diabético

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