segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Home Office: tendências atuais e o que elas nos dizem sobre trabalho e o futuro das profissões

Quando falamos em trabalho home office, estamos diante de uma mudança que vai além da tecnologia. Teletrabalho, trabalho remoto e modelo híbrido deixaram de ser exceções para se tornarem tendências globais que transformam a forma como nos relacionamos com nossos empregos.

No Brasil, a pandemia da Covid-19 acelerou esse movimento. Profissionais que antes nunca imaginaram trabalhar de casa precisaram se adaptar rapidamente, mostrando que a flexibilidade é viável.

Embora não seja o modelo predominante, o home office passou a ser valorizado por trazer mais produtividade, economia de tempo e melhor qualidade de vida. Porém, evidenciou desigualdades, já que nem todo mundo tem acesso a esses benefícios de forma igual.

Neste artigo, vamos falar sobre home office, tendências atuais e o que esse modelo revela sobre como nossa sociedade encara o trabalho.

<><> O que é home office?

O home office é um modelo que permite trabalhar em casa usando apenas tecnologias digitais. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define esse modelo de forma ampla, englobando trabalho remoto, em domicílio ou teletrabalho.

A necessidade de ficar no conforto do lar não é obrigatória para se enquadrar na categoria. Afinal, alguns profissionais chegam a trabalhar de qualquer lugar do mundo, como os chamados nômades digitais.

<><> E o trabalho híbrido?

Embora o avanço tecnológico permita o trabalho totalmente remoto, muitas empresas adotam o modelo híbrido, alternando dias em casa e dias no escritório. Esse formato oferece flexibilidade, mas ainda preserva momentos de interação presencial quando necessários.

A proporção de trabalho remoto e presencial pode variar. Há organizações que concedem home office às segundas ou sextas-feiras, como forma de manter o engajamento do trabalhador.

<><> A ascensão do home office no Brasil

O home office começou a ganhar espaço no Brasil em meados dos anos 2000, mas foi a pandemia da Covid-19, em 2020, que fez a adesão a esse modelo disparar. Antes dela, a OIT estimava que apenas 3% dos trabalhadores da América Latina e Caribe atuavam remotamente. Já no segundo semestre de 2020, esse número saltou para 20% a 30%.

No Brasil, a ideia de se trabalhar em casa esteve historicamente mais associada a profissionais autônomos ou atividades precarizadas. Mas o isolamento social impulsionou a adoção desse modelo entre profissionais com ensino superior.

No entanto, isso também reflete a desigualdade social. Um estudo do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que, em 2020, homens e mulheres negras foram os mais atingidos pelo desemprego e pela queda da atividade econômica.

Por outro lado, a mudança no perfil de quem trabalhava em domicílio, motivada pelo aumento do teletrabalho, evidenciou que o home office não se tornou uma oportunidade para todos. Em 2022, uma pesquisa do IBGE revelou que o perfil majoritário de trabalhadores home office é de mulheres, brancas e com ensino superior completo.

<><> Pós-pandemia: como ficou o trabalho remoto?

Se a pandemia fez o número de teletrabalhadores explodir, o cenário pós-pandêmico continua em transformação. Em 2021, período ainda marcado pelo isolamento social parcial, mais de 45% das empresas ofereciam auxílio para home office como forma de custear parte dos gastos como luz e internet. Em 2024, pouco mais de 27% dos empreendimentos mantinham a prática. Os dados são do levantamento Planeta Firma 2025, feito pela Leme em parceria com a Swile.

Mas, passado o boom do home office, muitas empresas têm buscado retornar ao presencial ou adotado modelos híbridos.

Um levantamento com dados da empresa de RH, Gupy, apontou que o número de vagas presenciais anunciadas na plataforma tem aumentado desde 2020. Ao mesmo tempo, as posições remotas atingiram o menor nível desde o início da pandemia.

O que chama a atenção é que, a partir de 2023, foi identificada uma tendência de crescimento no número de vagas no modelo híbrido.

Em 2025, gigantes da tecnologia, como Amazon e Dell, anunciaram o desejo de restringir totalmente o home office, enquanto Google e IBM têm avaliado a mesma alternativa.

Dados do Linkedin Economic Graph, divulgado em 2025, apontam que a tendência de redução na oferta de vagas home office não ocorre só no Brasil. D, diversos países como Estados Unidos, Indonésia, México, Austrália e Singapura também enfrentam cenários parecidos.

A oferta de vagas totalmente home office tem diminuído, isso é um fato. No entanto, as posições em formato híbrido cresceram e têm se tornado uma alternativa viável para conciliar as duas realidades: online e presencial.

Mas a procura por vagas de teletrabalho não diminuiu e esse ainda é o sonho de muita gente. Não por acaso, o Google Trends apontou que a busca por vagas nesse formato atingiu o pico no Brasil em 2025.

Nem tudo está perdido e em diversos postos de trabalho a possibilidade de fazer o seu horário de expediente do conforto da sua casa ainda é uma realidade.

<><> O futuro das profissões: áreas em crescimento para home office

Em funções que dependem totalmente do uso de tecnologias digitais, o modelo remoto reduz custos e amplia possibilidades. Por isso, o futuro das profissões está diretamente ligado ao home office. Conheça algumas áreas que prosperaram nesse contexto:

•        Tecnologia da Informação

•        Marketing Digital

•        Design Gráfico

•        Produção de Conteúdo

•        Atendimento ao Cliente

•        Educação à Distância

•        Consultoria

•        Tradução

•        Vendas e E-commerce

•        Finanças e Contabilidade

<><> Por que tanta gente sonha em trabalhar de casa?

Trabalhar de casa virou um desejo para muitos brasileiros — e não à toa. Entre mais tempo com a família, menos horas perdidas no trânsito e a chance de disputar vagas sem fronteiras, o home office se apresenta como um modelo que devolve parcialmente a autonomia e qualidade de vida ao trabalhador.

<><> Mais qualidade de vida e flexibilidade

A vida no home office, para muita gente, parece que ganha até mais cor. E os dados indicam que essa é a realidade da maioria. A pesquisa Percepções sobre o Trabalho em Home Office ou Híbrido, feita pela FEA-USP em parceria com a FIA Business School, apontou que 94% dos trabalhadores nesse modelo de contratação acreditam que trabalhar de casa “melhorou sua vida”.

Entre os principais benefícios apontados pelos funcionários está a possibilidade de gerenciar melhor o tempo, manter a saúde física e mental e conciliar o trabalho com atividades domésticas e o convívio familiar.

<><> Redução do tempo gasto com deslocamento

Um levantamento da consultoria Great Places To Work (GPTW), destacou que “não perder tempo com deslocamento” foi um benefício destacado por 61% dos entrevistados. Em uma cidade como São Paulo, em que as pessoas gastam em média 2h47min por dia no transporte público, qualquer minuto a mais para si já é um lucro.

<><> Inclusão para pessoas neurodivergentes e com deficiência

Para pessoas neurodivergentes ou com deficiência física, o home office se torna uma opção ainda mais importante, já que permite a personalização do ambiente de trabalho, aumenta o acesso a vagas diferentes e reduz o estresse ocasionado pela falta de acessibilidade.

No Brasil, 37% das pessoas com deficiência não consideram o seu ambiente de trabalho acessível e o preconceito ainda é uma barreira para a inclusão desse grupo. Por isso, é preciso ter em mente que o home office deve se consolidar como uma opção, não como uma escolha necessária para garantir a sobrevivência em meio a uma realidade que não te acolhe.

<><> Redução das barreiras geográficas

O home office também amplia o horizonte de oportunidades profissionais. Sem que estar fisicamente no escritório seja uma obrigação, as barreiras geográficas diminuem. Entre 2020 e 2022, o número de pessoas que moram no Brasil, mas trabalham no exterior cresceu 491%, segundo a empresa de pagamentos internacionais Husky.

<><> O home office também pode ser problemático

Apesar das vantagens, o home office não é um mar de rosas. O modelo também trouxe desafios importantes, que vão do isolamento social ao aumento da sobrecarga, especialmente para mulheres. Em muitos casos, estar sempre conectado transformou a promessa de flexibilidade em fonte de estresse.

<><> Isolamento e impacto nas relações sociais

As vagas home office permitem que o trabalhador passe sua jornada de trabalho dentro de casa, mas ao mesmo tempo, podem impulsionar o isolamento e a dificuldade de interação social. Uma análise do Integrated Benefits Institute apontou que, entre os teletrabalhadores, sintomas de ansiedade e depressão foram mais comuns, atingindo 40%. Já entre aqueles que trabalham presencialmente, o índice chegou a 35%.

<><> Produtividade maior e sobrecarga desigual

A pesquisa da startup Deel mostrou que a produtividade aumentou para 56% dos trabalhadores brasileiros que adotaram o home office. Mas isso também pode vir acompanhado do aumento da sobrecarga.

Evidências apontam que o acúmulo de funções impactou as mães que trabalharam remotamente durante a pandemia. Compartilhar o mesmo espaço físico para cuidar dos filhos e executar as demandas profissionais aumentou a sensação de sobrecarga e estresse.

<><> Ser cronicamente online virou uma demanda

Entre quem trabalha home office, piadas sobre o temor provocado pelos sons de notificação dos aplicativos usados para comunicação na empresa são comuns. Mas, no fundo, isso revela uma realidade complicada. A demanda por estar online 100% do tempo em jornadas remotas se tornou um fator de estresse e sobrecarga e tem dificultado a separação entre trabalho e vida pessoal.

<><> Como trabalhar home office: dicas de organização no trabalho

•        Reserve um cantinho fixo: defina um espaço silencioso, iluminado e confortável, com horário consistente para começar e encerrar o trabalho. Isso ajuda a manter a linha entre vida pessoal e profissional.

•        Monte um cronograma realista: use técnicas como Pomodoro, checklists ou planejamento semanal para manter foco, dividir tarefas e evitar a sensação de caos.

•        Mexa o corpo (nem que seja só um alongamento): breves pausas com alongamentos, exercícios leves ou até uma caminhada rápida ajudam a aliviar o estresse e cuidar da saúde física e mental.

•        Personalize o ambiente com calma: adicione plantas, esquemas de iluminação suave ou elementos naturais para elevar a concentração e criar um espaço acolhedor.

•        Estabeleça limites entre trabalho e vida pessoal: tenha limites claros com sua equipe, evite horários fora do expediente e, se possível, desligue as notificações após encerrar a jornada.

•        Mantenha uma dose de interação (se quiser): pode ser uma call rápida com colegas, um café virtual ou até mandar memes no grupo da equipe. O importante é não se sentir isolado, mas também respeitar o seu próprio ritmo social.

<><> O que o home office revela sobre nosso trabalho presencial

O home office é, sem dúvida, uma conquista. Mas talvez o mais provocativo seja o que ele escancara: nossas condições de trabalho presencial são, em muitos casos, insustentáveis. Por que tanta gente sonha em trabalhar de casa? Não é apenas pelo conforto do sofá ou pela possibilidade de usar pantufas em reuniões. É porque o modelo presencial, do jeito que foi imposto, rouba tempo, energia e qualidade de vida.

Se o home office ganhou fama como “melhor opção”, isso não significa que ele seja perfeito. Pelo contrário: mostra que o trabalho no escritório se tornou sinônimo de longas jornadas, deslocamentos desgastantes e pouco espaço para conciliar vida pessoal e profissional.

Assim, o home office é mais do que uma alternativa tecnológica: é um convite a repensar o trabalho. Ele nos obriga a refletir se queremos continuar aceitando condições precárias no presencial ou se chegou a hora de reconstruir a ideia de produtividade com mais humanidade, equilíbrio e bem-estar.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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