segunda-feira, 1 de maio de 2023

O que pretende a CPMI do 8 de janeiro?

A crise aberta pela aparição do ex-ministro do GSI, o general Gonçalves Dias, em vídeos vazados do 8 de Janeiro determinou a relocalização do governo e o giro do cenário político para a CPMI no congresso. Delineia-se por parte do petismo e de partidos como o PSOL a continuidade da aliança com alas do reacionário “centrão” com o objetivo de supostamente conter o bolsonarismo, o que tem como pressuposto a manutenção dos ataques econômicos dos últimos anos contra a classe trabalhadora e o povo pobre. Para enfrentar realmente o bolsonarismo e sua obra, é necessário uma saída na luta de classes.

Nas últimas semanas, acompanhamos a queda de Gonçalves Dias, general próximo de Lula e até então seu ministro no GSI, que foi flagrado em novos vídeos revelados do interior do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro, durante os atos golpistas em Brasília. Diante da iminência da proposta de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre a data, apoiada pelo bolsonarismo na Câmara, o governo Lula-Alckmin se relocalizou para comandar a narrativa e evitar maior desgaste político. Agora, a tendência é que se reaglutine na CPMI um arco amplo de forças, colocando lado a lado novamente desde alas do centrão golpista e ex-bolsonarista até as forças governistas como PT e PSOL.

Enquanto se conforma esse quadro da CPMI e Ricardo Cappelli assume provisoriamente o GSI, órgão tradicionalmente controlado pelos militares, o Alto Comando do Exército cotou o general Marcos Antônio Amaro dos Santos, nome que dirigia a pasta no governo Dilma, como sucessor. Lula já estaria em diálogo com Amaro e sua nomeação indicaria um novo movimento de pactuação de Lula com a cúpula militar.

É diante deste novo espetáculo parlamentar do vale-tudo da política burguesa - e em debate particularmente com o PSOL e suas correntes que se reivindicam socialistas e revolucionárias, como o MES - que mais uma vez levantamos a questão: como enfrentar a extrema-direita bolsonarista e sua obra? Enquanto o PT e o governo Lula estão seguindo o mesmo caminho de conciliação de classes e aliança com a grande patronal e seus políticos, a mesma política que fortaleceu a direita, abriu caminho ao golpe de 2016, ao bolsonarismo e permitiu aprofundar os ataques aos direitos da classe trabalhadora, é preciso uma esquerda que resgate o legado do marxismo revolucionário e levante uma saída de independência de classe, contra todas as variantes burguesas e que confie na força organizada das trabalhadoras e trabalhadores, capaz de alavancar as demandas da população negra, indígena, das mulheres, LGBTQIA+ e da população mais pobre da cidade e do campo.

Pelo contrário, mesmo nos aproximando de uma data histórica de luta como o 1º de Maio, mesmo com fortes exemplos internacionais como as batalhas do movimento operário e da juventude na França contra a reforma da previdência e o autoritarismo e repressão de Macron - sobre onde MES e Resistência inclusive buscam se posicionar - mesmo com a classe trabalhadora brasileira amargando a precarização e a terceirização, com diversos casos de trabalho escravo vindo à tona, a mira política do PSOL, agora parte integrante do novo governo, com um ministério e a vice-liderança na Câmara, se nega, junto ao PT e suas burocracias sindicais e estudantis, a travar qualquer luta séria contra a herança econômica do golpe e do bolsonarismo, bem como contra a Reforma do Ensino Médio - o primeiro dos ataques e que hoje ressona com o ódio da extrema-direita contra a educação, refletido nos ataques e ameaças às escolas.

Por sua parte, o MES/PSOL levanta que a luta “contra a desbolsonarização (sic) passa por seguir acompanhando os desdobramentos dos atos golpistas de 8 de janeiro [...]; a CPI para criminalizar os golpistas [...]; e a luta contra as ameaças às escolas pelo terrorismo dos neofascistas”. Em outra nota de análise desta mesma corrente, além da reivindicação da unidade com o novo governo, Moraes, STF, Globo e a direita não-bolsonarista, lemos que a CPMI deve ser encarada como uma “trincheira voraz”.

Como levantávamos durante a febre política da CPI da Covid, aderida entusiasticamente pelo PSOL, estas são recursos do próprio regime para disputas que ocorrem em seu interior e ainda podem ter o efeito de “limpar a barra” de vários de seus atores. Impulsionando um artifício institucional assim, as alas e figuras como Lira no Congresso lançam uma névoa sobre a memória de que foram eles os responsáveis por aplicar uma série de ataques que também conduziram ao fortalecimento da extrema-direita e à situação política e social a que chegamos hoje.

Entre os defensores e apoiadores da CPMI, um argumento utilizado é que ela conseguirá catalisar crises maiores para o bolsonarismo. No entanto, a magnitude desse desgaste, e se ele vai se dar, é bastante questionável, ainda mais visto que a CPMI até então era uma pauta do bolsonarismo e o governo agora, com a queda de G. Dias, teve de cerrar fileiras e adentrar essa campanha sob uma demanda defensiva. Como podemos acompanhar da boca dos porta-vozes do reacionarismo no parlamento e na Jovem Pan, já se estabelece o clima de uma guerra de versões, como fez a extrema-direita durante todo o mandato de Bolsonaro, inflamando e reorganizando sua base social, que havia se desmoralizado no último período.

Seguindo com a definição de uma disputa entre “democracia x fascismo”, os que se dizem socialistas se localizam atrás de uma ala com forte composição burguesa, com golpistas e ajustadores vestindo roupagem mais “democrática” e contando com atores autoritários desse regime cada vez mais degradado. Essa é a lógica da “frente ampla pela democracia”: trégua na luta de classes e unidade no fortalecimento do regime das reformas e privatizações, realizando uma oposição ao bolsonarismo puramente eleitoral, parlamentar e institucional, nos limites do que a direita liberal propõe.

Nos fatos, o caminho que a maioria do PSOL (junto com MES e Resistência), vem trilhando é o de tentar impedir qualquer possibilidade de surgir uma alternativa de independência de classe para os trabalhadores no país, inclusive definindo em seu Diretório Nacional que não irá se contrapor ao novo “teto dos gastos” costurado por Fernando Haddad e o Congresso, chamado agora de arcabouço fiscal.

Para abrirmos uma saída pela esquerda, é inaceitável que o 1º de Maio seja marcado pela política de conciliação com a burguesia, patronal e os governos, como quer o PT e as grande centrais sindicais, como CUT e CTB, com suas direções integrantes do novo governo, que convidaram para os atos até mesmo o bolsonarista governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas. Esse contexto político nacional nos coloca a necessidade da reorganização do movimento de trabalhadores, do movimento sindical e do movimento estudantil (com a aproximação de um novo CONUNE) de maneira independente, atravessada pelas principais tarefas e pautas da classe trabalhadora e da população, que passam pela revogação e reversão de todas as reformas, cortes, privatizações e ataques de Temer e Bolsonaro, mas também dos ataques já em curso por Lula 3, como a privatização do metrô de BH.

Chamamos todos que aspiram verdadeiramente lutar contra o conjunto das reformas e ataques, do qual o PSOL não só se afasta, mas adota uma política em sentido oposto, de apoio à preservação do regime atual. Não é possível construir uma posição de independência de classe dentro do PSOL e dentro do governo de frente ampla. Assim, precisamos erguer um programa de independência política, anti-burocrático e classista, com os setores que se colocam independentes do governo e à esquerda do PT e das burocracias sindicais e dos movimentos sociais e estudantil. Neste 1º de Maio, chamamos a construir atos independentes do governo, pela independência política dos sindicatos, contra as reformas e, portanto, independentes dos atos convocados pela burocracia sindical.

 

       Para livrar PMs flagrados tomando água de coco no 8/1, coronel mentiu ao depor na CPI

 

Uma das responsáveis por elaborar planos de contenção para o protesto organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 8 de janeiro, a coronel PM Cíntia Queiroz tentou livrar os policiais flagrados pelo Estadão bebendo água de coco enquanto os prédios dos Três Poderes eram invadidos.

A policial militar, que também atua como subsecretário de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (DF), apresentou essa versão em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF que investiga os responsáveis pelos ataques golpistas ocorridos na capital federal.

PEGA NA MENTIRA

“A gente tem que tomar muito cuidado. Por exemplo, a imprensa muitas vezes divulga uma imagem fora de contexto. Por exemplo, a Polícia Militar, foi divulgada uma imagem de três policiais no dia 8 de dezembro (sic) tomando água de coco, como se aquilo tivesse acontecido às 15 horas da tarde, no horário da invasão, mas isso aconteceu às 8 horas da manhã”, disse Cíntia.

Ao contrário do alegado pela subsecretária, a foto foi tirada pela reportagem do Estadão às 15h50, conforme registrado nos metadados do dispositivo usado para fazer o registro.

A captura foi feita logo na chegada da reportagem à Esplanada dos Ministérios no dia 8 de janeiro. No momento em que a fotografia foi feita o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto já se encontravam depredados pelos golpistas.

A declaração mentirosa da coronel Cíntia à CPI do DF foi feita em resposta a uma pergunta do deputado distrital Fábio Feliz (PSOL) a respeito da ausência de prisões imediatas dos extremistas que tentaram invadir a sede da Polícia Federal (PF) e cometeram atos de vandalismo no centro de Brasília no dia 12 de dezembro do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para embasar a pergunta, o deputado mostrou um vídeo em que os manifestantes aparecem sentados no chão cercados por policiais.

Na resposta, a coronel Cíntia alegou que o grupo não foi preso porque não havia flagrante dos ataques ao patrimônio público. Na sequência, a coronel argumentou que a imprensa teria publicado conteúdos descontextualizados e citou o caso da água de coco como exemplo.

PREVARICAÇÃO

A coronel foi alvo de uma proposta de indiciamento por prevaricação no dia 8 de janeiro proposta pela Corregedoria da Polícia Militar do Distrito Federal.

Ela foi responsável por um dos planos de contenção e controle de multidões elaborado pela Secretaria de Segurança Pública da capital para lidar com as manifestações convocada para aquele dia.

A coronel Cíntia alega em sua defesa que nunca prevaricou e que o plano elaborado seguiu os atos normativos previstos pela legislação e pelo regramento do governo do DF.

 

Fonte: Esquerda Diário/Agencia Estado

 

Manguezal: o que é e principais características

O manguezal é um ecossistema costeiro de regiões tropicais e subtropicais, de águas doce. Elas são normalmente definidas como zonas de transição entre o ambiente marinho e o terrestre. O sistema é formado por árvores, grande quantidade de matéria orgânica e outras espécies vegetais arbustivas. Essas são capazes de resistir ao fluxo marítimo – e, consequentemente, ao sal da água do mar.

·         O que é a importância do manguezal?

O manguezal é a base de um ecossistema biologicamente diversificado, rico e produtivo. Por isso, são lar e local de alimentação de várias espécies, muitas das quais estão em extinção

Apesar disso, esse ecossistema costeiro representa menos de 1% de todas as florestas tropicais do mundo. Daí a importância de preservá-lo, afinal, ele contribui significativamente para o bem-estar das comunidades costeiras. Sendo também fonte de renda e de alimentos para milhares de pessoas.

·         Qual é o tipo de vegetação do manguezal?

Além disso, o mangue é de importância para a fauna aquática e abriga enorme biodiversidade. Também tem espécies que buscam esse ecossistema para se reproduzirem. O manguezal tem também relevância econômica, com atividades voltadas para a aquicultura, por exemplo. 

Existem aproximadamente 70 espécies de árvores de mangue identificadas em todo o mundo. Esse tipo de vegetação tem grande relevância para os ambientes litorâneo e marinho.

As árvores de mangue são halófitas, ou seja, plantas que se desenvolvem em condições salgadas. Geralmente lamacento, o solo do manguezal é rico em matéria orgânica, o que permite a adaptação e o desenvolvimento de uma vegetação típica da região. Muitas dessas árvores possuem raízes aéreas, que possibilitam as trocas gasosas da planta em ambientes com muita água.

Sua cobertura de costas e pântanos oferece a muitas espécies diversas de pássaros, mamíferos, crustáceos e peixes um habitat único e insubstituível. Além disso, o manguezal preserva a qualidade da água e reduz a poluição por filtragem de materiais em suspensão e assimilação de nutrientes dissolvidos.

·         Impactos ambientais ao manguezal

A árvore é a base de uma complexa cadeia alimentar marinha e do ciclo alimentar detrítico. À medida que as folhas do manguezal caem nas águas das marés, elas são colonizadas em poucas horas por fungos marinhos e bactérias que convertem compostos de carbono difíceis de serem digeridos em material de detrito, rico em nitrogênio. Os pedaços resultantes, cobertos com micro-organismos, tornam-se alimento para animais menores, como minhocas, caracóis, camarões, moluscos, mexilhões, cracas, mariscos e ostras.

Por sua vez, esses comedores de detritos são alimento para outros animais, como peixes, caranguejos, pássaros e outras espécies na teia alimentar, incluindo o ser humano. Muitas dessas espécies, cuja existência depende de manguezais prósperos, estão em perigo ou ameaçadas. Essa realidade preocupa especialistas, uma vez que o mangue proporciona inúmeros benefícios para a ecologia marinha, servindo como um verdadeiro berçário para diferentes espécies.

<<< Benefícios do manguezal

  • É a base de uma complexa cadeia alimentar marinha;
  • Serve como um “berçário” que oferece proteção à prole de diversas espécies que se reproduzem ali;
  • Faz a filtragem e assimilação de poluentes do escoamento das terras altas;
  • Estabiliza sedimentos de fundo;
  • Ajuda a melhorar a qualidade da água;
  • Captura carbono e protege contra mudanças climáticas.

<<< Ação humana é causa da destruição do manguezal

O desenvolvimento e o crescimento populacional continuarão a ter um impacto negativo no habitat desses ambientes. Com base na análise de fotos aéreas das décadas de 1940 a 1980, um estudo do Indian River, de Sebastian Inlet ao sul até Vero Beach, na Flórida, documentou um declínio de 86% na disponibilidade de habitat de mangue para a pesca durante o período de quarenta anos.

Além disso, a pressão crescente sobre as populações de manguezal e as quantidades crescentes de poluentes que atingem as águas costeiras e intracostais trouxeram um novo interesse sobre a importância do manguezal para uma ecologia marinha saudável. Como membro natural do sistema estuarino, este ecossistema ajuda a mitigar os efeitos ambientais adversos da atividade humana e da poluição.

O manguezal também tem sido destruído pela construção de fazendas de camarão, pelo desmatamento e pelo corte de madeira. Além do lançamento de esgoto, derramamento de petróleo e construção de residências na área. Manguezais afetados pelo desmatamento também apresentaram problemas como erosão do solo e aumento de desastres naturais. Sendo eles, furacões, tsunamis e tempestades com alto poder de destruição, uma vez que as áreas de mangue minimizam o impacto desses fenômenos, sendo uma zona de amortecimento.

·         Manguezal brasileiro

No Brasil, o manguezal está presente desde o estado do Amapá, no norte, até o estado de Santa Catarina, no sul. O litoral norte possui uma área de aproximadamente 8.000 km quadrados de manguezal. Ao longo do litoral dos estados do Pará e Maranhão, o manguezal forma uma faixa contínua de cerca de 700.000 hectares, ou seja, quase 85% de todo o manguezal brasileiro.

Além disso, o país é dono de uma das maiores áreas de manguezal do planeta, com a sua maior extensão contínua em todo o mundo. Aqui são encontrados quatro tipos de mangue: mangue vermelho (Rhizophora mangle), mangue preto (Avicennia schaueriana), mangue branco (Laguncularia racemosa) e mangue de botão. Para preservar esse rico ecossistema, é importante incentivar algumas medidas, como exploração sustentável, reflorestamento e a manutenção do manguezal. Alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, possuem programas de reflorestamento dos mangues e da Mata Atlântica.

Por outro lado, o Código Florestal não segue a mesma linha e pode atrapalhar na preservação dessas áreas. Além disso, a possibilidade de extinção, pelo governo, de resoluções que restringem o desmatamento e a ocupação no manguezal também é motivo de preocupação de ambientalistas. Afinal, são poucos os instrumentos legais de proteção do manguezal brasileiro.

·         Qual é a importância do manguezal para a população humana?

O manguezal é uma proteção natural contra as tempestades tropicais e evita que a água do mar inunde campos agrícolas e os estrague com a alta salinidade. Além disso, também atua como um capturador de carbono azul. Pesquisas mostram que 10% das emissões de carbono causadas pelo desmatamento são fruto da destruição do manguezal. De acordo com um estudo, as florestas de mangue costeiras contêm 1.023 mg de carbono por hectare em média.

Outra pesquisa publicada no jornal Functional Ecology estudou as florestas de mangue na Ilha de Hainan, na China, e descobriu que a diversidade de espécies do manguezal aumenta a produção de biomassa e o armazenamento de carbono no solo, com uma média de 537 toneladas de carbono por hectare. A descoberta sugere que florestas de mangue com maior diversidade também têm maior capacidade de armazenamento de carbono e potencial de conservação.

·         Habitats costeiros

Ao proteger as florestas de mangue existentes e permitir que se espalhem de seus habitats originais, é possível reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Contando com essa vegetação resistente para armazenar mais carbono da atmosfera. 

Pesquisas sugerem que o manguezal pode ser melhor estocador de carbono do que os habitats costeiros que estão invadindo. Assim, abrindo a possibilidade de que o manguezal combata as próprias causas do aquecimento global. Assim, o ecossistema atua como defesa natural da Terra às mudanças climáticas, atacando a própria causa do problema.

No entanto, fatores de mudança climática, como aumento do nível do mar, de tempestades, da temperatura e alteração do regime de precipitação, estão impactando o manguezal em escalas regionais. Mais pesquisas na área são necessárias para permitir que se identifique processos que influenciam a vulnerabilidade e a resiliência do manguezal às mudanças climáticas.

É urgente adotar medidas de proteção desses ecossistemas costeiros como o mangue, não só para preservar a fauna e a flora típicas dos manguezais, mas para, talvez, conquistar mais um aliado do meio ambiente, contra as mudanças climáticas.

 

Fonte: eCycle

 

Anafilaxia: entenda as causas e riscos da reação alérgica grave

alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico à exposição do organismo a uma série de substâncias.

O quadro clínico pode ser causado por alimentos, medicamentos, insetos e animais. A anafilaxia, também chamada de choque anafilático, é a reação mais grave entre as alergias e potencialmente fatal.

influencer Brendo Yan, de 27 anos, morreu na quarta-feira (26), em Natal, no Rio Grande do Norte, após um quadro de reação alérgica grave.

·         Riscos da alergia alimentar

A alergia alimentar é uma reação adversa à presença de substâncias presentes em um determinado alimento. Entre os principais agentes alérgicos para algumas pessoas estão o camarão e outros frutos do mar, leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, além de nozes e castanhas.

Ao ingerir o alimento com potencial alérgico, o organismo desencadeia um mecanismo imunológico exagerado que pode apresentar quadros clínicos diversos. Os sintomas variam de uma pessoa para outra, incluindo sinais na pele, além de impactos respiratórios e gastrointestinais. As reações podem ser leves, como simples coceira nos lábios, até reações graves que podem comprometer vários órgãos.

Existe uma predisposição genética para a alergia e se reconhece a influência do meio ambiente neste processo – mudança de estilo de vida e alimentação são alguns dos fatores mais associados. No Brasil não há estatísticas oficiais, porém, a prevalência parece se assemelhar com a literatura internacional, que mostra cerca de 8% das crianças, com até dois anos de idade, e 2% dos adultos com algum tipo de alergia alimentar, de acordo com informações da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

A anafilaxia é caracterizada pela associação de manifestações clínicas envolvendo dois ou mais sistemas do corpo, como explica a médica Albertina Varandas Capelo, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Asbai.

“Um desmaio súbito, obstrução de vias aéreas ou edema de glote, e vômitos, também podem ser manifestações de anafilaxia. As manifestações alérgicas podem iniciar com sintomas cutâneo e mucoso e evoluir para anafilaxia, apresentando acometimento respiratório ou gastrointestinal por exemplo”, explica Albertina.

<<< Veja as principais manifestações da reação alérgica grave:

# Na pele e mucosas (80% a 90% dos casos):

- Vermelhidão localizada ou no corpo todo, coceira, manchas na pele, placas no corpo e/ou inchaço nos olhos e lábios. Geralmente, são as mais frequentes e aparecem primeiro.

#  Respiratórias (70% dos episódios):

- coceira e entupimento nasal, espirros, coceira ou aperto na garganta, dificuldade para falar, rouquidão, estridor, tosse, chiado no peito ou falta de ar.

# Gastrointestinais (30% a 40%):

- náuseas, vômitos, cólicas e diarreia.

# Cardiovasculares (10% a 45%): p

- pressão baixa, com ou sem desmaio, aceleração ou descompasso dos batimentos cardíacos.

# Neurológicas (10% a 15% dos casos):

- dor de cabeça, crises convulsivas e alterações do estado mental.

# Outras manifestações clínicas:

- sensação de morte iminente, contrações uterinas, perda de controle de esfíncteres, perda da visão e zumbido.

·         Como é feito o tratamento

A anafilaxia é considerada uma emergência médica. O paciente deve ser encaminhado para atendimento médico hospitalar com urgência. O tratamento deve ser feito por profissionais de saúde com a administração de adrenalina injetável, por via intramuscular.

De acordo com a Asbai, a adrenalina trata todos os sintomas associados à anafilaxia e pode prevenir o agravamento dos sintomas. Outros medicamentos também podem ser associados ao tratamento, como antialérgicos, corticoides e broncodilatadores, mas não devem ser administrados antes ou no lugar da adrenalina e também não devem atrasar a administração rápida de adrenalina assim que a anafilaxia for identificada.

Após a recuperação da anafilaxia é recomendado o acompanhamento com um especialista em alergia e imunologia para realizar corretamente o diagnóstico, tentar identificar os agentes desencadeantes daquela reação, diminuindo o risco de reação anafilática futura.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Congressistas de esquerda e centro-direita se unem em 'gabinete compartilhado'

Um grupo formado por seis deputados federais e um senador de diferentes partidos e estados brasileiros divide uma equipe técnica conjunta de 12 assessores no Congresso Nacional com o intuito de qualificar o debate político e otimizar recursos.

Intitulado gabinete compartilhado, a iniciativa reúne parlamentares de partidos que são da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de legendas que se consideram independentes.

Ele foi idealizado em 2018 pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e pelo ex-deputado Felipe Rigoni, que concorreu pela União Brasil-ES e não foi reeleito.

Para esta legislatura, o grupo cresceu e passou a ser integrado também por Pedro Campos (PSB-PE), Duarte Jr. (PSB-MA), Amom Mandel (Cidadania-AM), Duda Salabert (PDT-MG) e Camila Jara (PT-MS) —todos estreantes no Congresso.

"O perfil que nos chamou atenção foi novamente de parlamentares de primeiro mandato com ideias diferentes, mas com perfil político muito forte, do ponto de vista de protagonismo e de qualidade de atuação", diz Vieira.

O senador avalia ainda que o gabinete permite antecipar debates que irão ser realizados no Congresso e indicar possíveis consensos em torno de matérias.

"Tem o ponto da aceleração das pautas, porque a gente passa a ouvir pessoas com visões completamente diversas. Você antecipa também a correção de arestas de dificuldade de entendimento. Isso nos estabelece muita clareza do que é possível fazer em termos de negociação e nos traz muito rapidamente, por exemplo, o retrato do que se entende dentro de cada um desses partidos."

"São parlamentares com vontade de fazer uma política diferente, não uma política comum como a gente está vendo de baixaria, de mentiras, de frustração de expectativas", diz Duarte Jr.

O gabinete tem três principais áreas de atuação: fiscalização, políticas públicas e legislativo. Entre as pautas principais são lembradas educação, meio ambiente, direitos humanos e segurança pública.

A iniciativa é sustentada financeiramente a partir de repasses da verba de gabinete de cada parlamentar: deputados repassam 12,67% de sua cota, enquanto o senador, 12,71%. Com isso, a iniciativa diz economizar cerca de 20% dos recursos de cada gabinete, uma vez que possui menos gastos com contratação de pessoal.

A equipe é estabelecida por meio de processo seletivo nacional —mais de 14 mil pessoas se inscreveram para tentar uma vaga nesta legislatura. Integram o grupo advogados e especialistas em políticas públicas, além de um economista e um analista de dados.

O gabinete realiza duas reuniões semanais com os parlamentares, ainda que nem sempre com a participação de todos eles, numa sala do gabinete de Vieira no Senado, local que abriga a estrutura do grupo.

Nas tardes de terças, os parlamentares e assessores discutem a pauta do Congresso Nacional.

Às quartas, num café da manhã com quitutes veganos, como bolos, bolachas e salgadinhos —Duda Salabert é vegana—, eles tratam de questões de funcionamento interno, além de debater a atuação política do grupo e eventuais pautas conjuntas. A reportagem acompanhou alguns encontros ocorridos neste mês.

No dia 18, a discussão foi conduzida por um assessor legislativo e girou em torno da sessão do Congresso que estava prevista para ocorrer naquele dia. Somente uma deputada não participou.

No começo, ele explicou o funcionamento de uma sessão do Congresso, já que a maioria dos deputados nunca tinha participado de uma antes, e tirou dúvidas. Depois, destrinchou cada um dos vetos presidenciais que estavam previstos para serem apreciados —a sessão, no entanto, acabou sendo adiada.

Ao final de cada explicação, o assessor indicava qual era a sinalização do governo sobre o tema, caso houvesse, e apresentava uma orientação elaborada por técnicos do gabinete, que pode ou não ser acatada por cada parlamentar.

Na reunião, houve divergência entre eles em alguns vetos, como por exemplo um que tratava do despacho gratuito de bagagens.

Alessandro Vieira diz que não há imposição de adesão a pautas no grupo. "O gabinete entra com a produção técnica. A decisão política é do parlamentar. A gente não tem compromisso de unanimidade de votos, não é um partido político, não tem fechamento em questão."

No dia seguinte (19), com apenas 4 dos 7 parlamentares presentes e conduzida pela chefe de gabinete, foram discutidas questões internas de funcionamento, como a necessidade de conseguir um crachá para um assessor legislativo da equipe ter acesso aos plenários das Casas, e pautas de interesse do grupo, como o PL das Fake News.

Duda sinalizou que a bancada do PDT se reuniria naquela tarde com o relator do PL, deputado Orlando Silva (PC do B-SP), para tratar do tema —e ouviu apelo para que um assessor do gabinete compartilhado pudesse acompanhar o encontro e, assim, ficar mais a par da discussão do texto. Iniciativas de interlocução da equipe técnica com assessores de cada parlamentar são incentivadas.

Em um momento da reunião, a chefe de gabinete pediu para a reportagem deixar a sala, sob a justificativa de que iriam tratar de temas sensíveis. Nesse caso, os parlamentares discutiram o que chamaram de PEC do Fies, proposta que deverá ser protocolada por membros do gabinete compartilhado na Câmara e no Senado.

Apesar de a maioria dos parlamentares ter ligações com movimentos e organizações de renovação política, isso não é um pré-requisito para participar do gabinete. Duda Salabert, inclusive, faz críticas a eles.

"Reconheço que a gente tem que fortalecer os partidos no Brasil. Vivemos num contexto de erosão da intelectualidade, de esvaziamento de conteúdo político nos partidos. E esses movimentos, como Renova entre outros, reconheço que acabam se aproveitando desse cenário a aprofundando mais ainda o problema político no país."

Uma novidade neste ano é a participação de uma deputada do mesmo partido do presidente da República. Para Camila Jara, isso pode acabar facilitando a relação com o Executivo.

"Trago informações de como a gente está pensando, como a gente quer atuar na Casa. E quando não conseguimos somar em algumas questões que vão contra o interesse do partido e do governo, a opinião é respeitada."

Alessandro Vieira diz ainda que não há um esquema de rodízio estabelecido para definir quem será o eventual porta-voz do gabinete em determinadas pautas.

Ele explica que isso acaba se dando pela afinidade dos parlamentares com cada matéria —e nega que possa dar margem para disputa de egos entre eles.

"As pautas se ajustam por perfil, a gente tenta não disputar o holofote, não é necessário. A briga deles é mais no plenário do que no compartilhado. Esse movimento constante dá espaço para todos exercerem seu protagonismo. Não somos do mesmo estado, então, na base, você não tem divergência. Nesse formato, que é de atuação mais nacional, não tivemos nenhum conflito nesses primeiros quatro meses."

 

       Bolsonaro é melhor cabo eleitoral que candidato em 2026, diz Lira

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será melhor cabo eleitoral do que candidato à Presidência em 2026.

Em entrevista ao jornal O Globo, o deputado afirmou que o ex-presidente “jogou fora” a possibilidade de se reeleger em 2022 e que outro ligado à direita como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo) podem ter melhor desempenho político no próximo pleito.

“Ninguém vai tirar essa herança dos 4 anos de Bolsonaro. Ele jogou fora a possibilidade de reeleição? Sem dúvidas. Outro nome de direita como Romeu Zema, Tarcísio de Freitas ou Ratinho Jr. vai desperdiçar essa chance e errar tanto? Então, talvez Bolsonaro seja melhor cabo eleitoral do que candidato”, afirmou Lira.

Questionado sobre sua relação com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente da Casa afirmou que está agindo como um “aliado” do presidente e que não vai “sacanear” o governo.

“Poderia ter sido eleito presidente da Câmara sem o PT, mas aceitei o apoio e não vou sacanear o governo. Não vou trabalhar contra nem atuar deliberadamente para prejudicar”, disse Lira.

Segundo o deputado, pautas como o arcabouço fiscal e a reforma tributária terão ajuda da Câmara para tramitarem com mais facilidade. No entanto, questões como a alteração no Marco do Saneamento Básico, editada por Lula por meio de 2 decretos em 5 de abril, não serão aceitas pelos congressistas da Casa.

•        Bolsonaro vai se dedicar a municípios sem segundo turno em 2024

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve se empenhar especialmente como cabo eleitoral nas disputas municipais do ano que vem em cidades menores, com menos de 200 mil habitantes. A avaliação, segundo o filho e senador Flávio Bolsonaro (PL), é que o ex-mandatário tem grande capacidade de transferência de votos nesses locais.

Assim, a estratégia do PL será priorizar cidades sem segundo turno, em que há expectativa de ele eleger um número maior de candidatos aliados.

"Nas cidades menores, ele vai ter dedicação especial, porque o apoio pode transferir 20%, 30% de votos para um candidato que seja aliado nosso na prefeitura municipal", disse o senador à reportagem.

Ainda que tenha vencido em 16 capitais contra 11 do PT, Bolsonaro teve um desempenho eleitoral melhor em cidades menores em comparação com 2018.

De acordo com o senador, o ex-presidente vai dar a palavra final sobre os principais candidatos nos grandes centros. Ele próprio é um dos nomes colocados para disputar a prefeitura do Rio de Janeiro.

Há uma preocupação especial com o Sudeste, onde, apesar de Bolsonaro ter tido mais votos que Lula, ficou muito aquém da expectativa de sua equipe. Um caso especial é Minas Gerais.

"A gente esperava uma votação maior no Sudeste, que não veio. Alguma coisa também a gente tem que fazer uma reanálise para dar mais atenção para esses grandes centros", disse Flávio.

 

Fonte: FolhaPress/Poder 360

 

Estados Unidos: a direita com rótulo diferente

A política norte-americana situa-se cada vez mais à direita, em especial entre os adeptos republicanos. Nenhuma das duas grandes agremiações se dispõe a frear o deslocamento, ainda que uns considerem, posto que equivocados, os democratas localizados à esquerda.

Isso seria possível se fosse observado o posicionamento republicano, hoje de maneira predominante de ultradireita, como se fosse apenas de centro-direita. Todavia, análise além da superfície do contexto estadunidense esvai a avaliação.

Como exemplo do enfraquecimento de sociedade com perfil supostamente socialdemocrata, basta evocar os índices oficiais de desigualdade no século 21.

É concebível vislumbrar um e outro parlamentar na esfera progressista, porém a maioria do partido, representada na Casa Branca, distancia-se da prática, conquanto se valha de discursos constantes nesse rumo. A postura não é inédita, nem única, uma vez que se repete ao redor do mundo como em países da América do Sul.

Siglas constituídas na Guerra Fria, onde predominava a rivalidade bipolar, ou mesmo antes já não representam a realidade da posição das direções partidárias atuais, desejosas de se instalar no poder – quer executivo, quer legislativo - ou nele se conservar.

Destarte, não se importam as lideranças com o caráter das alianças eleitorais, alicerçado na manutenção do status quo econômico e, portanto, desfavorável à parcela mais desapercebida da população. Na retórica a votantes, maquila-se a característica conservadora.

Após o fim da discórdia amero-soviética, parcela da antiga esquerda anunciar-se-ia como Terceira Via, uma amálgama em tese de virtudes do capitalismo e do socialismo; no entanto, seria o modo disfarçado de aderir ao ideário de direita – o neoliberalismo - embora não de forma total ou com ritmo menos acelerado como nos Estados Unidos democratas, no Brasil socialdemocrata ou na Grã-Bretanha trabalhista durante a década de 90.

Pouco depois, a ultradireita se consolidaria como neoconservadora à feição norte-americana. O dístico de via alternativa ou de equilíbrio se esboroaria, em decorrência da insuficiência de resultados sociais positivos.

Entre o final dos anos 90 e o início dos do corrente milênio, expectativas de reação estruturada ao pêndulo deslocado à direita adviriam; citem-se a França do socialismo, o Brasil do trabalhismo ou a Venezuela do bolivarianismo. Nenhuma delas iria no seu ápice abalar a base do capitalismo neoliberal; no máximo, sacudi-lo de modo efêmero, ao reduzir de maneira modesta a desigualdade de renda.

Contudo, o invólucro da direita conservadora modifica-se em roda viva, ou seja, sem pausa. Nos últimos anos, ela embala-se sob o rótulo do populismo republicano em solo estadunidense, ao misturar nacionalismo em função da decepção com as consequências econômicas da globalização e, ao mesmo tempo, intolerância com seus contraditores, já não considerados meros opositores, porém inimigos viscerais.

Assim, equipara-se a arena política a campo de batalha, onde a intimidação – virtual ou física – se torna frequente, de sorte que até invasão a um símbolo maior do país como o Capitólio tenha ocorrido em janeiro de 2021. Com revestimento populista, os republicanos propõem-se a voltar em 2024 à Casa Branca. Aguarde-se o contraponto dos democratas.

 

Ø  Ameaça do gigante chinês. Por Frei Betto

 

A “Newsweek” noticiou que o ex-presidente Jimmy Carter recebeu telefonema de Trump, preocupado com o crescimento geopolítico da China. Carter reagiu: "Você tem medo que a China nos supere, e concordo com você. Sabe por que a China nos superará? Eu normalizei relações diplomáticas com Pequim em 1979, e desde aquela data sabe quantas vezes a China entrou em guerra com alguém? Nenhuma, enquanto estamos constantemente em guerra. Os EUA são a nação mais guerreira da história do mundo, querem impor aos Estados se submeterem ao nosso governo e aos valores americanos em todo o Ocidente, e controlar as empresas que dispõem de recursos energéticos em outros países. A China, no entanto, investe seus recursos em projetos de infraestrutura, ferrovias de alta velocidade, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios, em vez de usá-los em despesas militares. Quantos quilômetros de ferrovias de alta velocidade temos em nosso país? Já desperdiçamos U$ 300 bilhões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou nenhum centavo em guerras e, por isso, nos ultrapassa em quase todas as áreas. Se tivéssemos U$ 300 bilhões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA, teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade. Teríamos pontes que não desabam, sistema de saúde grátis para os americanos não se infectarem por Covid-19, quando se infectaram mais conterrâneos do que qualquer outro país do mundo. Teríamos estradas adequadas. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai".

Os EUA estão gastando em orçamento militar, neste ano de 2023, quase US$ 800 bilhões. E mantêm mais de 700 bases militares ao redor do mundo. O orçamento militar da China em 2023 não chega a US$ 300 bi e ela não dispõe de nenhuma base militar fora de suas fronteiras.

Passei um mês na China em 1988 e visitei oito províncias. Então, a China era chinesa. Toda a população vestia a mesma roupa anil estilo Mao Tsé-tung e as diferenças sociais não eram gritantes. Hoje, diz a anedota que, perguntado se atualmente o sistema chinês é híbrido, o presidente Xi Jinping respondeu: “Sim, o Conselho de Estado e o Birô Político são comunistas e, os demais, capitalistas”.

Os chineses são pragmáticos. E o governo e as empresas, diante da necessidade alheia, perguntam primeiro pela contrapartida antes do gesto de solidariedade. É um povo autocentrado. A palavra China significa “país do meio”, o centro do mundo. Vi nas escolas mapas-múndi nos quais o território chinês se destacava no centro, assim como muitos mapas no Brasil são eurocentrados.

A recente viagem de Lula a China incomodou a Casa Branca que, progressivamente, perde sua hegemonia na América Latina. Sabem quantas vezes o presidente Biden visitou a América do Sul? Nenhuma. Biden, infelizmente, se relaciona com o nosso continente mais pautado por Trump do que por Obama. Este flexibilizou as relações com Cuba, inclusive reatando relações diplomáticas, embora mantendo o bloqueio, enquanto Trump adotou quase 300 medidas para apertar o bloqueio e Biden não ousa revogá-las.

A China é, hoje, o principal parceiro comercial do Brasil. É o país que mais importa nossos produtos. Em 2022, as exportações brasileiras para a China (incluindo Hong Kong e Macau) somaram 91,26 bilhões de dólares. O Brasil é o quarto país no mundo onde a China mais investe. Responde por 5% do total. O país asiático importou US$ 90 bilhões do Brasil em 2022 e exportou US$ 60 bilhões. As exportações do Brasil para os chineses somaram, no ano passado, mais do que o total que o país vendeu para os EUA (US$ 37 bilhões) e a União Europeia (US$ 50,8 bilhões).

Na afirmação de nossa soberania, Lula decretou o fim do dólar como moeda de comércio entre a China e o Brasil. E deu um “chega pra lá” no FMI e no Banco Mundial ao valorizar o banco dos Brics, com sede em Xangai e, agora, presidido por Dilma Rousseff.

Um mundo multilateral favorece o surgimento de uma nova governança global, capaz de assegurar a paz no planeta. Mas, para isso, é preciso que a União Europeia dê o seu grito de independência em relação à Casa Branca e a ONU sofra uma profunda reforma, a começar pela democratização de seu Conselho de Segurança.

 

Fonte: Correio da Cidadania

 

Histórias, sabores e raízes dos trabalhos culturais na capital baiana

Mudando, refazendo, promovendo, crescendo… O movimento que faz uma cidade crescer vem de quem vive nela, de homens e mulheres que acordam cedo, tarde ou de madrugada para fazer a cidade acontecer. Em Salvador, não são poucos os trabalhadores que exercem funções diretamente ligadas à cultura e história da primeira capital do Brasil. Hoje, véspera do Dia do Trabalhador, o A TARDE traz histórias de alguns dos muitos trabalhadores que movimentam a cidade exaltando puramente o que ela tem de melhor para oferecer: ela mesma.

 “Ser baiana de acarajé, para mim, é um prazer tão grande que eu nem consigo explicar. Todo dia durante o preparo e já no meu tabuleiro, juro, é como se fosse a primeira vez, mas já fazem 34 anos. Amo o que faço e sei da importância do acarajé para a cidade. O acarajé é uma coisa muito nossa, um cartão postal marcante de Salvador e é dignificante, criei meus filhos com o acarajé, e carreguei muito cesto na cabeça durante anos antes de chegar onde estou”, explica a baiana de acarajé, Eliana Anunciação Ferreira.

Filha de baiana de acarajé, Eliana já ajudava a mãe com os clientes aos 15 anos e hoje o seu tabuleiro, o Acarajé da Eliana (@acarajedaeliana1), também se tornou ‘escola’ dos filhos dela. “Três trabalham comigo e a mais nova, de 12 anos, vem apenas às vezes, mas já tem tomado gosto. Para mim, o momento em que mais me sinto realizada com o que faço é quando chego no meu tabuleiro, o arrumo e vejo o acarajé fritando no dendê. É lindo e eu amo isso, mas a verdade é que nenhum trabalho é fácil, mas cabe a nós fazer acontecer”, afirma.

Quem também trabalha há anos na mesma função, mas tem a sensação que começou ainda ontem, é o historiador e guia de turismo, Roberto Pessoa. Dos seus 64 anos muito bem vividos, 44 foram dedicados ao turismo. "Quando a gente gosta do que faz, não cansa. Depois que me formei em história, dava aulas durante a semana, e nos finais de semana, folgas e férias, trabalhava com turismo. É uma profissão que me encanta, sempre me encantou e a qual continuo exercendo com todo entusiasmo, pois com ela posso transmitir e encantar os visitantes com a história da Bahia, mas também do Brasil, de Portugal, da África… Sou movido por isso”, explica.

E foi com base nesse histórico cosmopolita de Salvador, que com a colonização e a infeliz escravidão trouxe pessoas de todo o mundo para a capital baiana, é que a cidade se tornou um caldeirão multicultural, e criou para si essa imagem de lugar festivo e receptivo. Explorar o caldo cultural extremamente diverso da cidade e seu patrimônio, explica a jornalista, doutora em antropologia e colunista de A TARDE, Cleidiana Ramos, foi o caminho escolhido para construir a nova imagem de Salvador, quando ela perdeu o status de capital das colônias.

“Da baiana de acarajé e guia de turismo, até a pessoa que rega os pés daqueles que saem da praia no Dia de Iemanjá, todos eles fazem parte dessa imagem e vocação de Salvador como cidade festiva. O patrimônio simbólico e histórico da cidade é muito forte e rico, e mesmo entrando na modernidade, ela sempre joga com esses dois tempos muito bem. Perdeu a capital, mas não a pose, entende? Para nós, a festa é algo estratégico do ponto de vista da geração de emprego e renda. Festa em Salvador é algo muito sério”, explica a jornalista, que é especialista em antropologia da festa.

•        Multiplicidade

A cultura múltipla de Salvador é o que torna a cidade tão rentável por si só - e isso é o que faz ela ser uma Salvador que, realmente, dá trabalho. E claro, a cadeia produtiva da cultura, aponta o diretor de patrimônio e equipamentos culturais da Fundação Gregório de Matos (FGM), Chicco Assis, lida com muitos elos. “Sabe por quantos profissionais passaram os insumos do acarajé que você comeu? E o artesanato que decora sua mesa? E a roupa que te torna ímpar? E os livros que você lê? Cada profissional envolvido cumpre papéis relevantes para que os processos culturais e suas movências ocorram. Nós movimentamos o mundo, cada peça dessa engrenagem”, explica.

E ainda há aqueles que fazem de tudo um pouco, como Tárcis Rocha: ator, modelo internacional, percussionista e capoeirista (dentre outras habilidades e formações artísticas), Tárcis também é mediador cultural na Cidade da Música da Bahia. “Na Cidade da Música sinto que faço parte da história da cidade e relembro momentos marcantes da minha vida através das músicas. Além disso, a música nos permite conhecer os visitantes de forma transparente, onde eles acessam nosso equipamento cultural trazendo um pouco de sua cultura e expressões, e se deparam com nossa essência cultural, que alcançou e continua alcançando o mundo inteiro”, afirma.

Já o estudante de museologia pela Universidade Federal da Bahia, Breno Luiz do Nascimento Dias Coelho, é mediador cultural na Casa do Carnaval da Bahia e conta que seu trabalho no museu serviu como combustível para sua auto estima intelectual. “Minha habilidade com o inglês sempre foi aproveitada dentro do espaço do museu, por exemplo, mas para além disso, a experiência como um todo tem sido uma das mais enriquecedoras da minha vida, pois me sinto muito feliz quando o público dialoga comigo durante o expediente, gerando um espaço de escuta e acolhimento para ambos”.

Firme no sonho de ser um escritor, Breno escreve nas horas vagas, mas ressalta a importância de (parafraseando a cantora, compositora e atriz Liniker): fazer tudo com o máximo de excelência. “Entregar excelência no trabalho todos os dias pode não ser fácil, mas é seu dever como profissional se esforçar para entregar o seu melhor. E falando do lugar de um homem negro, praticar a excelência no meu dia a dia virou quase uma regra, visto que vivemos em uma sociedade racista”, salienta.

E além de tudo isso, cada cliente tem um perfil, cada evento tem uma singularidade, um público e um projeto, salienta o analista de marketing pleno do Centro de Convenções de Salvador, Alan Lobo. “Então quando você participa de todas ou muitas das etapas e chega ao fim, é muito gratificante, pois nós trabalhamos com sonhos, expectativas, e projetos de pessoas e marcas. Cada dia mais tenho me empenhado em realizar as melhores entregas possíveis, para que a gente continue movimentando o turismo de negócios em Salvador e posicionando o Centro de Convenções de Salvador como o melhor equipamento do nordeste”, afirma.

 

Fonte: A Tarde