segunda-feira, 15 de setembro de 2025

'Se tocarem na Venezuela, o povo saberá responder', afirma Maduro em plenária do PSUV

O presidente Nicolás Maduro e a cúpula do governo venezuelano participaram da Plenária Extraordinária do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), ocorrida nesta quinta-feira (11/09), no Teatro Municipal de Caracas. O encontro foi promovido para traçar estratégias de defesa, reforçar a soberania nacional e mobilizar a população frente à presença militar dos Estados Unidos nos mares caribenhos.

Maduro destacou que neste fim de semana serão realizados debates e consultas em mais de 60.000 comandos do PSUV para definir futuras linhas de ação. Estão previstas sete frentes de batalha em torno de três tarefas centrais: consolidar a capacidade de governo no programa “7 Transformações” (7T), fortalecer o poder popular e as comunas e preparar o país para a luta armada, se necessário, para proteger a soberania.

“Jamais nos humilharemos diante do império; permaneceremos de pé em batalha ativa. O PSUV, como partido de governo e unificador das forças políticas, sociais e culturais da Revolução, deve se preparar e se adaptar para passar à luta armada caso a Venezuela seja atacada militarmente pelo imperialismo norte-americano”, afirmou Maduro.

Ele mencionou a ativação de 284 pontos estratégicos em todo o território nacional e convocou a mobilização de 260 mil estruturas territoriais para defesa do país. Também destacou que a Venezuela tem um “conceito estratégico de defesa e de segurança construído há décadas pelo comandante Hugo Chávez, que rompeu com a visão colonial e nos deu a doutrina de defesa mais avançada de toda a América Latina e do Caribe”.

Disse ainda que “milhões de venezuelanos estão dispostos a defender o país em qualquer terreno, diante das ameaças de setores extremistas e do governo dos Estados Unidos” e exibiu o legado: “somos herdeiros de Guaicaipuro, Bolívar, Zamora, Cipriano Castro, Fabricio Ojeda e Hugo Chávez”.

Madura também enviou o recado: “que ninguém se atreva. Aqui estamos de pé, preparados, com máxima união e máxima moral para defender cada palmo desta terra sagrada. Se tocarem na Venezuela, o povo saberá responder.”

<><> ‘Tremenda mentira’

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, contestou relatos da imprensa internacional que indicavam que uma embarcação do grupo Tren de Aragua, carregada de drogas, havia sido destruída por forças norte-americanas, resultando na morte de 11 traficantes.

Cabello classificou o episódio como uma tentativa de difamar o país. E apontou que a destruição de um navio “carregado de drogas para envenenar os EUA” é “uma tremenda mentira”. Não se tratava de um navio, mas de uma lancha com apenas 11 pessoas, afirmou, ao contar que é um tipo de embarcação que precisa levar um tanque de gasolina para reabastecer.

O ministro frisou que as investigações feitas em território venezuelano não apontaram vínculo algum com o grupo Tren de Aragua ou com narcotráfico. E afirmou sobre os Estados Unidos: “eles confessaram abertamente terem assassinado 11 pessoas. Fizemos nossas investigações aqui em nosso país e há famílias dos desaparecidos que reclamam seus parentes. Quando perguntamos nas cidades, nenhum era do Tren de Aragua, nenhum era traficante de drogas”, afirmou.

“Foi cometido um assassinato contra um grupo de cidadãos usando força letal”, complementou. “O que se faz quando se detectam drogas? Bombardear o barco ou determinar quanta droga ele tem? (…) O que estabelece o direito internacional?”

<><> ‘Calibrar o GPS’

O ministro do Interior da Venezuela também criticou o fato de a imprensa ter comprado a versão do imperialismo ao anunciar em suas manchetes “Tren de Aragua assassinado”. Ele frisou que a Venezuela é um país livre de produção e de laboratórios produtores de drogas, e mencionou os dados oficiais do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes de que apenas 5% das drogas produzidas na região passam pela Venezuela.

“A Venezuela não tem laboratório, é território livre de laboratórios para processamento de drogas. Mas Venezuela tem petróleo, tem gás, tem ouro, tem água e, digo a vocês, a Venezuela também tem dignidade”, apontou, ao ser ovacionado.

A vice-presidenta venezuelana Delcy Rodríguez também reiterou o combate ao narcotráfico no país e disse que “os Estados Unidos devem calibrar seu GPS porque a droga que querem combater não sai pelo Caribe, e sim pelo oceano Pacífico”. Ela também frisou que as agressões de Washington “não são um tema militar. A presença de barcos no Caribe tem outro objetivo e significado: uma mudança de regime na Venezuela”.

Como aponta o relatório das Nações Unidas, o fentanil, responsável por mais de 40 mil mortes nos Estados Unidos no último ano, flui principalmente ao longo da costa do Pacífico do Equador e da Colômbia, bem como da América Central e do México. E não pela Venezuela, o que invalida a rota pelo Caribe, onde estão as forças militares norte-americanas, explica a TeleSur.

¨      “Falso positivo”: estratégia dos EUA contra Venezuela é a mesma usada no Vietnã, diz especialista

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou em 2 de setembro, em relação ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que “ninguém acredita em suas mentiras”. O mandatário venezuelano assegurou que o chefe da diplomacia “inventou uma história, um relato sobre o narcotráfico” para justificar suas ações contra o país sul-americano.

Maduro reiterou sua denúncia, feita em 1º de setembro, de que “a máfia de Miami”, comandada por Rubio, quer “manchar de sangue o sobrenome (do presidente estadunidense Donald) Trump”, mediante a ameaça bélica que tem sido mobilizada durante as últimas semanas no Caribe.

Continua após o anúncio

Horas antes, Trump informou sobre o ataque de militares estadunidenses a uma embarcação em águas internacionais do Caribe, que supostamente transportava drogas.

“Eles buscam o petróleo e o gás venezuelanos, querem de graça”, disse Maduro, ao afirmar que a suposta luta contra as drogas dos Estados Unidos é completamente falsa.

O país, nas últimas semanas, tem estado mobilizado para se preparar para a defesa do território diante de uma eventual agressão estrangeira.

Maduro informou também em 1º de setembro que, a partir das recentes jornadas de alistamento na Milícia Nacional Bolivariana — quinto componente da Força Armada venezuelana, constituído por reservistas civis — o país conta com 8 milhões e 200 mil homens e mulheres registrados. Isso representa um aumento de cerca de 3 milhões e 700 mil efetivos, já que no início das jornadas de registro o governo falava em 4 milhões e 500 mil combatentes.

<><> Barco no Caribe supostamente abatido

Trump anunciou em 2 de setembro que forças militares dos Estados Unidos dispararam contra uma embarcação carregada de drogas, que teria partido da Venezuela. Afirmou que do país sul-americano saem entorpecentes “em grandes quantidades” e que “há mais de onde isso veio”.

Por sua vez, Rubio declarou que o incidente ocorreu no sul do Caribe e que se tratou de um “ataque letal”.

Mais tarde, o próprio Trump publicou em sua rede Truth Social um vídeo aparentemente gravado por um dispositivo militar, no qual se observa uma lancha na água com um grupo de pessoas a bordo. O vídeo avança, mostra uma explosão e, em seguida, o bote envolto em chamas. Na publicação, o presidente estadunidense escreveu:

“Esta manhã, sob minhas ordens, as forças militares dos Estados Unidos realizaram um ataque cinético contra narcoterroristas do Tren de Aragua (TDA), positivamente identificados, na área de responsabilidade do Comando Sul.”

Acrescentou que o TDA é uma organização terrorista estrangeira designada e que “opera sob o controle de Nicolás Maduro”. Além disso, especificou que o ataque deixou 11 “terroristas” mortos, que ocorreu em águas internacionais e que a lancha se preparava para “transportar narcóticos ilegais com destino aos Estados Unidos”.

Nem Trump, nem Rubio, nem o vídeo apresentado oferecem qualquer prova de que a lancha mencionada transportava drogas, nem que vinha da Venezuela, nem que tinha como destino os Estados Unidos. Tudo isso é apresentado, até o momento, apenas nas palavras do presidente e de seu secretário de Estado. Tampouco há como comprovar quem eram os tripulantes da embarcação, ou mesmo se se tratava de 11 pessoas, como afirmou o chefe da Casa Branca.

Rubio respondeu com evasão às perguntas dos jornalistas durante uma entrevista coletiva em 2 de setembro. Disse que o Pentágono se encarregaria de oferecer mais detalhes sobre a operação nas próximas horas.

Em suas declarações, Marco Rubio evidenciou uma contradição com as afirmações de seu chefe, o presidente Donald Trump. O secretário, tentando estabelecer a ideia de que o narcotráfico que dizem combater afeta toda a região, afirmou: “Essas drogas em particular provavelmente se dirigiam a Trinidad ou a algum outro país do Caribe, momento em que simplesmente contribuem para a instabilidade que essas nações enfrentam”.

Assim, enquanto Trump afirmava que o barco se dirigia aos Estados Unidos, Marco Rubio envolvia um terceiro país: Trinidad e Tobago.

<><> Vídeo fake

Na noite de 2 de setembro, o ministro da Comunicação da Venezuela, Freddy Ñáñez, afirmou que o vídeo publicado por Trump poderia ter sido criado com o uso de inteligência artificial (IA).

“Parece que Marco Rubio continua mentindo para seu presidente: depois de colocá-lo num beco sem saída, agora lhe entrega como ‘prova’ um vídeo com IA (assim comprovado)”, escreveu em seu canal no Telegram.

Ñáñez apresentou ainda uma consulta feita ao Gemini, a inteligência artificial do Google, à qual pediu uma análise do vídeo: a resposta foi que “é muito provável que tenha sido criado com IA”.

<><> A estratégia dos falsos positivos

O jornalista venezuelano Eligio Rojas, especialista em temas de segurança, ao analisar o que foi anunciado por Trump e Rubio, apontou que a retórica de Washington busca dar a entender que a droga supostamente transportada pela embarcação teria como origem a Venezuela.

Mas isso contrasta com informações recentes fornecidas pelo ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López, e pelo comandante estratégico operacional da Força Armada Nacional Bolivariana, general Domingo Hernández Lárez, que informaram que, nos últimos dias, foram apreendidos no país cerca de 50 mil quilos de entorpecentes, todos provenientes da Colômbia.

Essa informação é coerente com os dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Relatórios do organismo sobre o tráfico de drogas mostram que vários países da América do Sul — entre eles Colômbia, Equador e Peru — registraram maiores apreensões de cocaína em 2022 do que em 2021, mas não atribuem à Venezuela o papel desproporcional que a Casa Branca tem apontado nos últimos meses.

Esse fato deve ser interpretado, segundo o especialista, em conexão com a denúncia feita 24 horas antes pelo presidente Maduro, que alertou que Washington busca, com seu deslocamento militar no Caribe, gerar um falso positivo — ou seja, uma operação de bandeira falsa — para justificar uma agressão contra a Venezuela.

Maduro citou como exemplos históricos o incidente do Maine, que deu início à guerra Hispano-Americana em 1898, e o incidente do Golfo de Tonkin, que serviu para justificar a entrada dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

<><> Operações psicológicas e guerra não convencional

O escritor José Negrón Valera, especialista venezuelano em análise geopolítica e doutor em Filosofia da Guerra, concorda com Rojas ao afirmar que a primeira interpretação possível é a de que se trata de um falso positivo.

“O mais importante neste caso é considerar que os Estados Unidos são o maior fabricante de falsos positivos dos séculos 20 e 21, todos com as mesmas desculpas: moldar a opinião pública para intervir em países considerados alvos militares”, refletiu.

No entanto, ele enfatiza que não se deve dar credibilidade ao discurso de Washington — não porque não estejam executando ações para desestabilizar Caracas, mas porque uma operação militar formal contra o país, que querem fazer parecer iminente, é improvável no curto e médio prazo.

Em vez disso, o que pode ocorrer é uma intensificação da guerra não convencional.

“O cenário que pode se apresentar é um recrudescimento da ‘máxima pressão’, que inclui o aumento de operações psicológicas para gerar insegurança no povo venezuelano”, explicou.

¨      Venezuela denuncia EUA por ‘interceptação ilegal’ de barco pesqueiro em sua zona marítima

O governo da Venezuela denunciou neste sábado (13/09) que um destróier dos Estados Unidos reteve, de forma ilegal e injustificada, uma embarcação pesqueira venezuelana nas águas da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do país caribenho. A retenção de oito horas foi descrita por Caracas como uma “provocação direta” destinada a gerar tensões na região.

Segundo um comunicado publicado pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano, o incidente ocorreu na sexta-feira (12/09). Na nota assinada pelo chanceler Yván Gil, explicou-se que o “Jason Dunham”, da Marinha norte-americana, equipado com “potentes mísseis de cruzeiro e tripulado por fuzileiros navais altamente treinados”, abordou o navio pesqueiro “Carmen Rosa”, que contava com nove pescadores de atum e navegava 48 milhas náuticas a nordeste da Ilha La Blanquilla, dentro da ZEE venezuelana.

“O navio de guerra mobilizou 18 militares com armas de longo alcance que abordaram e ocuparam a pequena e inofensiva embarcação durante oito horas, impedindo a comunicação e as atividades normais que os pescadores realizavam”, disse Gil, enfatizando que se tratava de uma atividade autorizada pelo Ministério da Pesca da Venezuela.

A chancelaria confirmou que a Marinha Bolivariana manteve vigilância constante durante todo o ataque norte-americano. Gil ainda ressaltou que os eventos constituem uma violação flagrante do direito marítimo internacional, pois ocorrem no território aquático venezuelano.

“Os que ordenam essas provocações buscam um incidente para justificar uma escalada da guerra no Caribe, a fim de promover sua fracassada política de mudança de regime, rejeitada pelo próprio povo americano”, disse o governo venezuelano. “Ao colocar seus soldados e oficiais como bucha de canhão e arriscar suas vidas mais uma vez, eles estão repetindo a história de outros eventos que levaram a guerras intermináveis ​​como a do Vietnã”.

A Venezuela informou ter solicitado explicações formais sobre o episódio, enquanto avalia apresentar uma denúncia às organizações internacionais correspondentes sobre o “comportamento vergonhoso de setores políticos em Washington”.

“Irresponsavelmente comprometem recursos militares extremamente caros e soldados treinados como instrumentos para fabricar pretextos para aventuras bélicas, atacando também seu próprio prestígio e honra militar ao realizar esta manobra grotesca e desmedida”, conclui a nota.

 

¨      Venezuela posiciona forças armadas ao longo da costa contra ameaças dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta quinta-feira (11/09) o lançamento do “Plano Independência 200”, uma nova estratégia militar que prevê a mobilização das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) ao longo da costa central em resposta às ameaças dos Estados Unidos.

“O povo venezuelano nunca será escravo, e nunca será colônia de ninguém”, disse o líder de Caracas, enfatizando que sua nação está pronta para defender sua soberania.

A medida prevê a ativação de 284 “frentes de batalha” em toda a fachada do Caribe e do Atlântico, com o objetivo de manter “as costas livres de imperialistas, invasores e grupos violentos”.

Estamos posicionados de “norte a sul, de leste a oeste, de todas as costas do Caribe, da fronteira com a Colômbia, dos Andes, do leste do país; incluindo as costas, as fronteiras venezuelanas”, detalhou Maduro. “Os mares, as terras e as montanhas pertencem ao povo venezuelano e jamais ao império norte-americano”.

O líder bolivariano também acrescentou que o destacamento contempla a participação da FANB com todos os seus equipamentos, tropas e oficiais, bem como do Corpo de Combatentes e da Milícia Bolivariana

“Estamos cobrindo nossas estradas, portos, aeroportos e todos os nossos sistemas vitais. Do Mar do Caribe, temos todos os sistemas de comunicação conhecidos e ainda a serem conhecidos. Em Caracas também temos todo o sistema defensivo implantado com três diretrizes: defesa integral da nação, resistência ativa do povo e ofensiva permanente para garantir a identidade territorial e o direito à paz, ao futuro e à felicidade”, explicou. “Nosso objetivo é apenas um: independência, liberdade ou nada”.

A iniciativa de Caracas se dá após os EUA do governo de Donald Trump terem enviado navios de guerra e um submarino nuclear ao Mar do Caribe, em uma operação que a Casa Branca usa como pretexto “o combate ao narcotráfico”. Nos últimos dias, Washington bombardeou uma embarcação venezuelana, matando seus 11 tripulantes, que segundo a gestão do republicano, eram “narcotraficantes” ligados ao Tren de Aragua. Caracas negou que os mortos integravam grupo criminoso.

Para Maduro, a presença militar dos EUA na região responde a um plano para promover mudanças políticas na Venezuela.

¨      Venezuela inicia treinamento de voluntários para defesa nacional frente a ameaças dos EUA

Após realizar uma jornada de alistamento massivo da população para a Milícia Nacional Bolivariana, como forma de defender o território nacional, a Venezuela inicia neste sábado (13/09) o treinamento dos novos alistados. 

A Milícia Bolivariana é uma organização formada em 2009 composta por civis e militares aposentados em seus quadros. Eles recebem treinamento para defesa pessoal e fiscalização do território em seus diferentes contextos — urbano e rural. A milícia passou a compor uma das cinco Forças Armadas da Venezuela, que tem uma estrutura diferente do Brasil. Antes do alistamento massivo, o governo venezuelano afirmava que o número de civis alistados na Milícia Bolivariana chegava a 5 milhões. 

Na sexta-feira (12/09), o presidente do país, Nicolás Maduro, informou que o treinamento ocorrerá em 312 quartéis e unidades militares distribuídas pelo território nacional. 

“Sábado, 13 de setembro, a partir das 9 da manhã, alistados, alistadas, homens e mulheres, patriotas, Milícia Nacional Bolivariana, o povo vai aos quartéis, às unidades, em união bolivariana, com coração, com o fogo sagrado que nos move. A Venezuela defende o seu direito à paz”, disse o presidente, em um vídeo gravado após se reunir com o alto comando militar do país.  

No comunicado, Maduro explicou que os alistados vão receber capacitação para o uso do sistema de armas, organização e formação para atuação nas operações militares. 

O treinamento dos voluntários ocorre em meio à tensão provocada após o governo dos Estados Unidos enviar embarcações de guerra e cerca de 4 mil soldados às águas do Caribe, próximas ao país. 

Em agosto, o Departamento de Estado dos EUA havia aumentado a recompensa pela prisão de Nicolás Maduro para US$ 50 milhões e, sem apresentar provas, reiterou que o mandatário venezuelano seria chefe do Cartel dos Sóis, uma suposta organização criminosa, sobre a qual não há informações oficiais.

Diante desse cenário, na última quinta-feira (11/09), o governo venezuelano ativou a chamada “Operação Independência 200”, com 24 frentes militares de defesa distribuídas pela costa caribenha, visando a proteção de objetivos estratégicos e da soberania do território nacional. 

<><> “Bandeira falsa”

Na última semana, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) emitiu um comunicado oficial em que afirma que o governo dos Estados Unidos busca “fabricar um incidente de falso positivo” que serviria de “pretexto para justificar uma agressão militar” contra o país sul-americano. 

O falso positivo a que se refere a FANB se referia a um suposto helicóptero estadunidense que estaria se aproximando do território insular do país, como forma de provocar uma reação da Força Armada venezuelana. O comunicado menciona um episódio ocorrido no Vietnã, quando um incidente fabricado, envolvendo um destroyer estadunidense e torpedeiros norte-vietnamitas, terminou sendo usado como justificativa para uma escalada na guerra.  

“Sem dúvida, essas fake news fazem parte das operações psicológicas contempladas no roteiro tradicional de guerra dos EUA, que visam criar cenários fictícios como pré-condição para intervenções armadas; neste caso, sob a desculpa fatídica da ‘luta contra o narcotráfico’, quando, na realidade, o objetivo é uma mudança forçada de regime na Venezuela, o que simultaneamente arrastaria a região para um conflito de consequências imprevisíveis”, diz o comunicado, assinado pelo general em chefe da FANB e ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

 

Fonte: Opera Mundi/Diálogos do Sul Global

 

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