sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Ruben Bauer Naveira: A reviravolta de Donald Trump

No Alasca, Donald Trump pareceu ter compreendido que a Rússia vai mesmo ganhar a guerra. Então, no pós-Alasca, Donald Trump pareceu ter-se empenhado em convencer os europeus a desistir de continuar apoiando cegamente a Ucrânia, para irem todos à mesa de negociação com os russos (nos termos russos, bem entendido).

Quando ficou claro que os europeus não somente não concordavam, mas insistiam em pressionar o governo americano a voltar a apoiar a Ucrânia de forma massiva, Donald Trump lhes disse então algo como “ok, eu vou com vocês – mas, primeiro, vocês parem de comprar petróleo russo por meio da Índia e da Turquia, e além disso vocês imponham tarifas pesadas sobre a China e sobre a Índia”.

É claro que até os escombros da cidade de Pokrovsk sabiam que os europeus não tinham como topar. Donald Trump deve então ter achado que, uma vez os europeus abandonados de facto, eles finalmente tomariam juízo, e se disporiam a negociar com os russos.

Só que não. Os europeus – Estônia, Polônia e Alemanha à frente – passaram a desenvolver uma tática de “convencimento cumulativo” (da opinião pública), denunciando dia sim outro também alguma nova “agressão” russa – uma violação de espaço aéreo, uma violação de águas territoriais, até mesmo uma acusação de sabotagem no GPS do avião da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

O auge dessa campanha foi o episódio de violação massiva do espaço aéreo polonês por drones russos. Pode ser que jamais saibamos ao certo, mas o que parece mais provável é que a Ucrânia tenha recuperado drones “Gerbera” lançados pelos russos em ataques anteriores, os restaurado e relançados em direção à Polônia (nota: os drones Gerbera são “iscas” para atrair as defesas antiaéreas e serem abatidos, desviando assim a atenção ucraniana dos drones “Geran” que, estes sim, bombardeiam a infraestrutura ucraniana; ao contrário dos Geran, os drones Gerbera são baratos, eles não portam carga explosiva – não foi registrada nenhuma explosão na Polônia –, e eles não têm alcance para chegar até à Polônia se lançados da Rússia).

Essa campanha de denúncias cumulativas sugere – e esta também é a conclusão da inteligência russa, que botou a boca no trombone – que os europeus estariam paulatinamente construindo o pretexto para fazer uma provocação mais séria à Rússia.

Supõe-se que tal provocação poderia ser: (i) O fechamento do Mar Báltico à navegação russa, resultando em bloqueios do porto de Saint Petersburg e do exclave de Kaliningrado ou (ii) A imposição de uma no-fly zone sobre a Ucrânia Ocidental, buscando criar uma região segura para a retaguarda ucraniana, até aqui impiedosamente castigada pelos bombardeios russos ou (iii) uma invasão da região separatista da Transnístria, na Moldávia, que se encontra ocupada (desde 1991) por forças de paz russas; algo assim requereria uma ocupação prévia da Moldávia, nação que não faz parte da OTAN, o que poderia se dar a pretexto de “garantir” as eleições próximas naquele país.

Qualquer que seja a alternativa escolhida, a Rússia se verá obrigada a reagir militarmente com dureza – que é exatamente o que os europeus esperam que os russos façam, para ver se assim conseguem trazer os Estados Unidos de volta ao campo ucraniano, e desta vez para entrar de uma vez de cabeça na guerra. E guerra da Ucrânia se converteria em uma guerra de tudo ou nada do Ocidente contra a Rússia.

Bem. Seguramente, Donald Trump dispõe de mais e melhores informações a respeito de todo esse periclitante estado de coisas.

Eis que Donald Trump no dia de ontem (23 de setembro), após ter discursado na assembleia geral da ONU, solta um post-bomba em sua rede TruthSocial, pelo qual expressa uma mudança para lá de radical na sua avaliação sobre a Rússia e a Ucrânia.

Donald Trump afirmou que: A Rússia está à beira da bancarrota e do colapso social; a Rússia não passa de um “tigre de papel” que, se de fato fosse uma potência militar, teria levado uma semana para ganhar a guerra, em vez de ter estado desnorteada já por três anos e meio; a Ucrânia pode perfeitamente vencer a guerra, recuperar todo o seu território (inclusive a Crimeia), e até mesmo avançar sobre território original da Rússia.

Essa reviravolta de Donald Trump, de tão chocante, cheira a sarcasmo.

A mídia ocidental, especialmente a europeia, sequiosa por confirmações para sua narrativa anti-Rússia, sem refletir por um segundo sequer atirou-se às palavras de Donald Trump como a uma tábua de salvação. Amplificação e repercussão máximas.

Mais prudente teria sido desconfiar de uma guinada tão abrupta e vertiginosa, e procurar ler nas entrelinhas, até se dar conta de duas outras coisas que Donald Trump também escreveu na sua postagem que deveriam lhe ter feito pensar melhor.

A primeira delas foi: “Com tempo, paciência e o suporte financeiro da Europa e, em particular, da OTAN, [reconquistar] as fronteiras originais a partir das quais essa guerra foi começou é plenamente possível”.

O que poderia estar contido nas entrelinhas? Que quem irá apoiar a Ucrânia para ela derrotar a Rússia são… a Europa e a OTAN. Donald Trump poderia também ter acrescentado “e os Estados Unidos” na sua postagem – mas ele não o fez.

O mais importante, contudo, foi a segunda coisa que ele escreveu: “Nós continuaremos a fornecer armas à OTAN para a OTAN fazer o que quiser com elas” (onde se lê “fornecer” leia-se “vender”).

Em suma, os Estados Unidos não irão fornecer armas à Ucrânia. Eles irão fornecer/vender armas à OTAN (como se os Estados Unidos não fizessem parte da OTAN…). A equação aqui é simples: OTAN menos Estados Unidos é igual à… Europa.

Ao que tudo parece indicar, Donald Trump resolveu dar um “empurrãozinho” à Europa, provendo a ela uma atmosfera psicossocial favorável a uma ofensiva europeia contra a Rússia. Só que em nenhum momento Donald Trump compromete os Estados Unidos a marcharem junto.

É como se Donald Trump estivesse dizendo à Europa: “Quer se atirar no abismo? Vá em frente. Você consegue”. Em um toque final de puro sarcasmo, Donald Trump encerra a sua postagem com um “Boa sorte a todos!”.

Terá a Europa realmente a disposição tresloucada para prosseguir sozinha? Ou, ao mirar o abismo ela recobrará os sentidos, e recuará no último minuto? Ao mundo, só resta prender a respiração, e aguardar para descobrir.

E a Donald Trump, quem sabe, resta preparar a pipoca, enquanto aguarda para colher o Prêmio Nobel da Paz lá na frente.

¨       Apoio de Trump à Ucrânia: um voto de confiança bem-vindo, mas não confiável

O julgamento de um homem que não distingue entre agressor e vítima ao descrever a guerra entre Rússia e Ucrânia não é digno de respeito. Infelizmente, quando esse homem é o presidente dos EUA, sua opinião não pode ser ignorada.

No início deste ano, Donald Trump afirmou que Vladimir Putin tinha "todas as cartas na manga" e instou Volodymyr Zelensky a firmar a paz em termos que se assemelhassem à rendição. Esta semana, Trump declarou que Kiev poderia alcançar a vitória total, libertando todo o território atualmente sob ocupação russa.

Esta avaliação segue um processo descrito pelo presidente como "conhecer e compreender plenamente a situação militar e econômica da Ucrânia/Rússia". Trump se ofereceu para continuar fornecendo armas americanas para a OTAN "fazer o que bem entendesse com elas". Questionado sobre incursões russas no espaço aéreo sobre membros da aliança, o presidente sugeriu que os jatos infratores poderiam ser abatidos. Isso foi posteriormente qualificado como uma prescrição a ser seguida apenas "se eles estiverem atacando".

Dada a capacidade do Sr. Trump para a hipérbole, a autocontradição e o discurso absurdo, é difícil avaliar o significado de seu entusiasmo repentino pela libertação ucraniana e sua atitude entusiasmada em relação às provocações militares de Moscou.

Não é totalmente novo. Sua atitude em relação ao Sr. Zelensky evoluiu gradualmente, e com o incentivo constante de líderes europeus, do desprezo à cortesia e agora a algo próximo ao respeito. Com o Sr. Putin, ele oscilou entre a admiração crédula , a paciência cautelosa, a frustração irritada e vice-versa. Ele estabeleceu prazos para o Kremlin interromper o assassinato ou enfrentar sanções mais severas, e não os cumpriu. Questionado esta semana se ainda confiava no presidente russo, o Sr. Trump disse que saberia em um mês.

A julgar pelos precedentes recentes, isso deixa amplo espaço para mais uma mudança de posição; outra rodada de indulgência covarde para as narrativas do Kremlin sobre a guerra.

Essa insegurança inveterada dificulta a compreensão dos motivos da Casa Branca. O interesse sincero em proteger a democracia contra ataques autoritários e o investimento estratégico na segurança dos aliados históricos dos EUA, infelizmente, não são explicações plausíveis. Não seriam coerentes com o ataque contínuo de Trump à própria ordem constitucional dos EUA, nem com sua tendência comprovada de ver tudo através das lentes do ego e da autoengrandecimento.

Nesse contexto, a razão mais provável é a determinação contínua em receber aplausos como um grande pacificador, aliada à percepção tardia de que Putin não encerrará uma guerra que ainda acredita poder vencer. Depois de tentar forçar a Ucrânia a capitular, Trump pode agora estar tentando algo mais próximo da dissuasão – aumentando o custo da guerra para o Kremlin, para ver se isso move a balança em direção a um cessar-fogo.

Se for assim, certamente é um plano melhor do que o apaziguamento, que apenas encorajou novas agressões. A avaliação de Trump sobre o equilíbrio de forças no campo de batalha é mais otimista em relação à Ucrânia do que a maioria das análises independentes, mas também se tornaria autorrealizável se acompanhada de ajuda militar suficiente. O mesmo se aplica ao seu prognóstico sombrio para a economia russa caso sanções mais duras sejam aceleradas.

Se Trump de fato se converter à causa de maximizar a pressão sobre o Kremlin como meio de pôr fim à guerra, será uma transformação que os aliados mais fiéis de Kiev devem acolher, mas na qual não podem confiar. Representa uma oportunidade estratégica a ser aproveitada e maximizada, com a compreensão de que pode não durar.

¨       A mudança de tom de Trump é valiosa para a Ucrânia – mas é preciso mais do que palavras. Por Dan Sabbagh

Quem consegue acompanhar? Em uma única publicação nas redes sociais, Donald Trump declarou que o exército de Kiev, sob pressão, poderia, de fato, "RECONQUISTAR toda a Ucrânia à sua forma original".

O lado positivo é que, da perspectiva da Ucrânia, os comentários sugerem que o presidente dos EUA abandonou definitivamente sua tentativa de persuadi-la a desistir da província de Donetsk em troca de uma promessa frouxa de negociações de cessar-fogo por parte de Moscou — que foi brevemente o resultado de sua cúpula no Alasca com Vladimir Putin.

A mudança no tom de Trump tem algum valor para Kiev. Mas, se o presidente americano levasse a sério uma vitória ucraniana no campo de batalha, isso exigiria não apenas mais sanções econômicas, mas também um fornecimento muito maior de armas americanas e, provavelmente, também uma intervenção militar direta por parte do Ocidente.

A Rússia foi forçada a recuar apenas em dois períodos desde que sua invasão em grande escala começou em fevereiro de 2022: na primavera daquele ano, quando estava sobrecarregada ao redor de Kiev; e novamente no outono de 2022, quando enfrentou um problema semelhante em Kherson e quando as defesas estavam fracas na região de Kharkiv antes de o Kremlin lançar uma campanha de mobilização.

Criticamente, a Ucrânia falhou em sua contra-ofensiva no verão de 2023. Tanques, foguetes e veículos blindados ocidentais foram fornecidos, mas mal utilizados por Kiev, espalhando-os em vários pontos ao longo da frente em ataques que não levaram em conta as minas, trincheiras e outras defesas russas.

Os ganhos somaram, no máximo, seis milhas em um ou dois pontos da frente e há muito foram erradicados pelo lento, mas implacável, avanço russo de Avdiivka até os portões de Pokrovsk, no centro de Donetsk. Moscou detém a iniciativa desde o início de 2024 e não dá sinais de que pretende abandoná-la.

Trump falou em endurecer sanções econômicas e aplicar tarifas secundárias aos compradores de petróleo russo, mas aplicou isso apenas à Índia , não à China, que é mais significativa. O presidente dos EUA falou em um prazo de 30 dias antes de agir no verão, depois o encurtou e, por fim, esqueceu completamente do assunto após a reunião no Alasca.

Mesmo assim, isso não ajudaria a Ucrânia a vencer a guerra. Um fornecimento mais coordenado de armas americanas certamente ajudaria Kiev, embora a necessidade mais urgente da Ucrânia seja melhorar sua defesa aérea. Mas não é isso que Trump está oferecendo, afirmando, em vez disso, que a Ucrânia poderia prevalecer com "tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa".

O que Trump está se referindo aqui é a continuação do programa revisado de fornecimento de armas do verão, em que, via OTAN, países europeus pagam por armas americanas para a Ucrânia. Embora isso claramente ajude a Ucrânia, há pouca perspectiva de uma reviravolta dramática no campo de batalha, em uma guerra travada em grande parte por drones .

A própria Ucrânia há muito reconheceu que não pode reconquistar as terras conquistadas pela Rússia por meios militares. Em fevereiro , Zelenskyy aceitou que parte ou todo o território ocupado desde 2014 teria que ser devolvido à Ucrânia por "meios diplomáticos", enquanto outros especialistas falaram em adotar uma estratégia defensiva altamente militarizada .

Em termos militares, a Ucrânia provavelmente só conseguiria expulsar o invasor russo em um de dois cenários. Um seria uma mudança radical na intervenção ocidental – talvez o envolvimento direto do poder aéreo da OTAN –, mas a ideia é tão politicamente improvável que deveria ser descartada. O segundo seria um colapso russo, provavelmente decorrente de uma mudança de regime no Kremlin, da qual, novamente, não há sinal.

¨       Zelenskyy apela à ONU por intervenção para deter a Rússia

Volodymyr Zelenskyy apelou aos líderes globais para intervirem para impedir que a Rússia lidere o mundo na "corrida armamentista mais destrutiva da história da humanidade", alertando que a combinação de tecnologia de drones e inteligência artificial terminaria em catástrofe.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente ucraniano tentou galvanizar não apenas o Ocidente, mas também a China. Seu relato arrepiante de como a Rússia está usando a tecnologia para mudar a face da guerra foi o oposto da afirmação de Donald Trump de que o exército russo pode ser apenas um tigre de papel .

Ele alertou que Vladimir Putin, sem controle, usaria drones para expandir sua guerra por toda a Europa. "Os fatos são simples. Parar esta guerra agora, e com ela a corrida armamentista global, é mais barato do que construir creches subterrâneas ou bunkers enormes para infraestrutura crítica mais tarde", disse ele à ONU. "Parar Putin agora é mais barato do que tentar proteger todos os portos e todos os navios dos terroristas. Parar a Rússia agora é mais barato do que ficar imaginando quem será forçado a criar um drone simples com uma ogiva nuclear."

Dez anos atrás, disse ele, “a guerra parecia diferente e ninguém poderia imaginar que drones baratos poderiam criar zonas de morte que se estendiam por dezenas de quilômetros, onde nada se movia, nenhum veículo, nenhuma vida. As pessoas costumavam imaginar isso apenas após um ataque nuclear. Agora, a realidade dos drones, e ainda sem IA, é real.”

Referindo-se à recente onda de perturbação russa na Europa , incluindo uma incursão de drones na Polônia , ele disse: “Putin estava decidido a levar a guerra adiante, de forma mais ampla e profunda... para continuar esta guerra expandindo-a.”

Ele disse que já havia alertado a Europa sobre as intenções da Rússia, "e agora drones russos estão sobrevoando a Europa". Ninguém poderia estar imune à propagação da guerra, disse ele, acrescentando: "Estamos vivendo a corrida armamentista mais destrutiva da história da humanidade".

Zelenskyy não fez uma avaliação geral da guerra na Ucrânia nem se referiu diretamente à afirmação surpresa de Trump de que seria possível para a Ucrânia recapturar todas as terras que havia perdido para a Rússia desde 2022, dizendo simplesmente que teve uma boa reunião na terça-feira com o presidente dos EUA.

Ele afirmou que, no mundo moderno, "apenas amigos e armas" protegiam os países, e não o direito internacional ou as resoluções da ONU. Mas afirmou que cada país enfrentava a escolha entre a paz ou ajudar a Rússia , continuando a negociar com Moscou. Aqueles que continuaram a financiar a guerra condenaram prisioneiros de guerra, crianças sequestradas e reféns a períodos mais longos de cativeiro, afirmou.

Zelenskyy também afirmou que a Europa não podia se dar ao luxo de perder a vizinha Moldávia para a influência russa . O primeiro-ministro do país, Dorin Recean, afirmou na quarta-feira que a Rússia estava gastando centenas de milhões de euros para "tomar o poder" em uma eleição parlamentar crucial que poderia prejudicar o caminho da Moldávia rumo à UE.

Antes do discurso de Zelenskyy, Moscou minimizou a mudança de tom de Trump, incluindo sua afirmação de que a Rússia estava "lutando sem rumo por três anos e meio", um forte contraste com o tratamento de tapete vermelho que ele deu a Putin em uma cúpula no Alasca no mês passado.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, atribuiu os comentários ao fato de Trump ter acabado de se encontrar com Zelenskyy à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. "É claro que o presidente Trump ouviu a versão de Zelenskyy sobre os eventos. E, aparentemente, neste momento, essa versão é a razão para a avaliação que ouvimos."

Peskov afirmou que o exército russo estava avançando na Ucrânia, ainda que lentamente. Putin "já afirmou isso repetidamente: estamos avançando com muito cuidado para minimizar as perdas... Essas são ações muito deliberadas", afirmou.

Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, agora mais conhecido por sua retórica extravagante, escreveu no Telegram que Zelensky havia atraído Trump para uma "realidade alternativa" onde a Ucrânia poderia vencer a guerra. Mas Medvedev acrescentou que estava confiante de que Trump mudaria de rumo em breve.

“Não tenho dúvidas de que ele voltará. Ele sempre volta... Muito provavelmente, em breve, ele pedirá [a Zelensky] para assinar um ato de capitulação”, escreveu Medvedev.

Blogueiros militares russos aproveitaram os comentários de Trump, retratando-os como um sinal de que ele estava tentando se afastar da guerra e criar distância de um conflito que ele prometeu encerrar em poucos dias.

“Os EUA estão tentando lavar as mãos para não perder a cara se a Ucrânia entrar em colapso”, escreveu Dva Mayora, um canal do Telegram com vínculos com o Ministério da Defesa russo.

Na terça-feira, Trump fez uma avaliação otimista das perspectivas da Ucrânia na guerra, afirmando que a Rússia enfrentava sérios problemas econômicos. Foi uma das declarações mais fortes de apoio que ele fez a Kiev nos últimos meses.

Ele disse que se o público russo descobrisse o que “realmente está acontecendo com esta guerra”, os ucranianos poderiam lançar uma contra-ofensiva na qual “retomariam todo o território ocupado pela Rússia – e, quem sabe, talvez até iriam além disso”.

A invasão da Ucrânia por Moscou teve um impacto significativo na economia russa, com o Ministério das Finanças propondo na quarta-feira aumentar a taxa do imposto sobre valor agregado em dois pontos percentuais, para 22%.

Também na terça-feira, Trump repreendeu os países europeus pelas compras "embaraçosas" de petróleo e gás russos , exigindo que eles "cessem imediatamente todas as compras de energia da Rússia" ou "caso contrário, estaremos todos perdendo muito tempo".

A UE reduziu drasticamente seu consumo de petróleo e gás russos desde 2022 e comprou 19% de seu gás e 3% de petróleo da Rússia em 2024, abaixo dos 45% e 27% antes da invasão em grande escala da Ucrânia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na terça-feira que ela e Trump, durante uma reunião bilateral na ONU, "concordaram sobre a necessidade de cortar as receitas da Rússia com combustíveis fósseis, e rápido". Em seu relato da reunião, von der Leyen afirmou: "Até 2027, a Europa terá virado a página dos combustíveis fósseis russos para sempre".

Na semana passada, von der Leyen anunciou planos para eliminar gradualmente as compras de gás natural liquefeito da Rússia até 2027, um ano antes do previsto. A comissão também anunciou planos para estender as sanções a 118 navios da frota paralela russa, petroleiros mal conservados usados ​​para transportar petróleo russo para compradores estrangeiros que burlam as restrições de preço ocidentais.

Mas a UE ainda não encerrou a isenção de compra de petróleo russo concedida à Hungria e à Eslováquia em 2022. Ambos os países da Europa Central rejeitaram o plano de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis russos, apesar da pressão de Trump, um aliado do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

A UE precisa de unanimidade para chegar a um acordo sobre sanções, embora medidas para restringir o comércio possam ser aprovadas por maioria. Ainda não está claro quando e como as propostas mais recentes serão aprovadas, e diplomatas seniores da UE devem discutir os planos nos próximos dias.

 

Fonte: A Terra é Redonda/The Guardian

 

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