Oliveiros
Marques: PCC, PIX e NKLS
E não é
que essa sopa de letrinhas tem mesmo algo a ver. O deputado Chupetinha, também
conhecido como Nikolas - ou NKLS, para os mais chegados –, acabou prestando um
serviço de altíssima relevância ao crime organizado no Brasil ao espalhar fake
news contra a fiscalização das fintechs. A PF e a Receita, por sua vez, devem
seguir firmes nessa carreira, que muito provavelmente levará ao septo de alguns
narigões da extrema-direita.
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O crime planejado
Esta
semana também veio à tona um plano para assassinar um promotor que atua
diretamente contra organizações de traficantes no Estado de São Paulo. Dois
criminosos, travestidos de empresários, foram presos. Mas, como o plano não
chegou a ser executado, há quem diga que parlamentares extremistas no Congresso
pedirão a liberdade dos bandidos. O argumento utilizado seria de que tudo não
passou de meros “pensamentos digitalizados”, alguns “considerandos” inofensivos
– que não mataram ninguém.
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Eleições operam milagres
A
capacidade que as urnas eletrônicas têm de despertar súbitos acessos de “bom
samaritanismo” em certos políticos é realmente absurda. O exemplo da vez tem
nome e sobrenome: o governador do Paraná, Carlos Roberto Massa Junior. Depois
de sete anos cobrando um dos IPVAs mais caros do País, resolveu anunciar,
justamente agora, a redução do tributo. Azar do próximo governador ou
governadora, que herdará a conta. Azar também dos municípios paranaenses, que
verão sua arrecadação minguar. A pergunta que fica é simples: se podia fazer,
por que não fez antes?
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Fora Trump
Imagino
que as eleições de meio de mandato do próximo ano podem inaugurar a operação
“Fora Trump”. E, convenhamos, razões não faltam para o seu despejo da Casa
Branca. O bilionário coleciona absurdos como quem coleciona imóveis: os
tarifaços que fizeram até o cafezinho americano virar artigo de luxo; a
tentativa grotesca de demitir uma diretora do FED, como se o Banco Central
fosse uma de suas empresas falidas; a perseguição a profissionais da saúde e da
educação que ousaram discordar de suas sandices; as políticas xenófobas contra
migrantes; e, para completar o quadro, a mais nova invenção trumpista - a
“eugenia urbana” contra moradores em situação de rua, já em prática em
Washington.
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O adversário de Tarcísio
Vem de
onde menos se esperava - ou talvez de onde mais se deveria esperar - o
principal adversário de Tarcísio de Freitas em sua tentativa de disputar as
eleições presidenciais: a própria família Bolsonaro. O clã já percebeu que a
única forma de se manter politicamente vivo é sabotar qualquer candidatura da
direita que não leve o seu sobrenome. Afinal, sabem que, no instante em que
outro nome ganhar fôlego nesse campo, acaba de vez o sonho deles de liderar
qualquer coisa que vá além de alguns bois e vacas.
• Fábio de Sá e Silva: Operação contra PCC
derruba três mitos
Enquanto
o país se concentrava no iminente julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro
por crimes contra o Estado democrático de direito, a Polícia Federal e a
Receita Federal, em conjunto com outras agências, deflagraram na última
quinta-feira, 28, a operação Carbono Oculto.
A
investigação desarticulou um esquema bilionário ligado ao PCC, com 14 prisões,
350 mandados de busca e apreensão e 1.400 agentes mobilizados em oito estados.
O
mecanismo central consistia na importação de combustíveis com sonegação de
impostos e adulteração do produto. Os valores ilícitos eram lavados por meio de
uma rede que ia de postos e padarias a bancos e fintechs. Parte do dinheiro era
aplicada em fundos do mercado financeiro.
Durante
anos, repetiu-se que nenhuma operação chegara — ou chegaria — tão longe quanto
a Lava Jato. A Carbono Oculto mostra que não é verdade. Em valores, já nasce
maior: mapeia desvios estimados em R$ 52 bilhões, enquanto a Lava Jato teria
“recuperado” R$ 22 bilhões.
Mais
importante, porém, é o contraste de método: não houve prisões televisionadas
nem heróis de toga ou de gabinete. Esse é o primeiro mito derrubado — o de um
perverso “excepcionalismo” da Lava Jato, que ajudou a glorificar a operação na
esfera pública e, por isso mesmo, a legitimar práticas fora ou acima da lei.
O
segundo mito é o de que o combate ao crime seja monopólio da direita. A Carbono
Oculto ocorreu sob um governo de centro-esquerda e demonstra que a efetividade
dessa agenda depende não de ideologias, mas sim da força e do profissionalismo
das instituições.
Ideologias,
ao contrário, tendem a desviar as instituições de seus propósitos. Quem tiver
dúvida pode consultar, nos inquéritos do golpe, como a Polícia Rodoviária
Federal, PRF, foi instrumentalizada no governo Bolsonaro.
O
terceiro mito é o de que a corrupção se limita ao setor público. Quarenta e
dois alvos da operação tinham endereço na Faria Lima. O esquema não teria
existido sem bancos e fintechs. É significativo que setores que pregam um
Estado menor figurem agora como parte de uma engrenagem que o saqueava de forma
sistemática.
A
Carbono Oculto, portanto, não apenas revelou um esquema criminoso de grande
envergadura. Mostrou também que o combate à corrupção não depende de salvadores
da pátria nem de espetáculos midiáticos, mas de instituições sólidas, capazes
de atuar com técnica, independência e responsabilidade.
• Nikolas não foi o único a presentear o
PCC. Por Moisés Mendes
São
muitos os textos e falas que estabelecem algum tipo de conexão entre as
atitudes de Nikolas Ferreira e os interesses do crime organizado.
Mas não
há como afirmar que o deputado da peruca tem ligações com o PCC. Nada disso.
Não se sabe de nenhuma prova que o incrimine. Até porque Nikolas escapa sempre
de tentativas de incriminação.
O que
dá para dizer é que tudo o que ele fez, em janeiro, quando sabotou a tentativa
da Receita de exigir informações básicas das movimentações financeiras das
fintechs, favoreceu o crime organizado.
Não é
só a Receita que faz essa relação, ao se manifestar agora sobre os ataques à
norma soterrada pela gritaria e pelas fake news do bolsonarismo, em vídeos
divulgados principalmente por Nikolas.
Também
não são apenas os jornalistas de esquerda que exploram essa conexão. Vinicius
Torres Freire escreveu ontem na Folha:
“A
propaganda mentirosa das direitas, da bolsonarista em particular, acabou por
derrubar a norma. Dizia, em suma, que o governo Lula queria espionar o PIX,
armação destinada a facilitar uma fantasiosa cobrança de impostos sobre essas
transações. Era um ataque destrutivo à possibilidade de debate e deliberação
democrática”.
Freire
diz mais: “A propaganda da direita facilitou a vida do PCC. (...) Considerem-se
as consequências das ações dessa gente lunática, perturbada, ignorante,
violenta e dada à política de terra arrasada. Foram criminosamente nocivas na
epidemia de Covid, na vacinação, no 8 de janeiro e na repressão do PCC e de
seus associados”.
Gente
lunática e conectada, talvez por ignorância, às demandas da bandidagem
acumpliciada com o mercado financeiro. Mas o que pode acontecer com Nikolas,
mesmo que parlamentares do PT estejam encaminhando pedidos de investigação do
colega?
É mais
provável que não aconteça nada. Como não aconteceu, como reparação
significativa, depois dos ataques transfóbicos do sujeito em teatro na tribuna
da Câmara. É provável até que a defesa de Nikolas, se ele tentar uma invertida,
seja mais incisiva do que a denúncia de que facilitou a vida do PCC.
Nikolas
se protege, e vem sendo vitorioso, na conversa da liberdade de expressão
absoluta. Mas um dia o cara do PIX poderá se dar mal, como aconteceu com Carla
Zambelli e outros com a mesma agressividade? Não apostem.
Lembrando
ainda que não só a nova extrema direita, mas a direita antiga e cheirosa,
tucana e liberal também ajudou o PCC ao embarcar na conversa de Nikolas no
início do ano.
Um
representante de peso dessa gente, colega de Freire no colunismo da Folha, o
economista e filósofo Joel Pinheiro da Fonseca espalhou terror em artigo de 13
de janeiro.
O
sujeito escreveu que o brasileiro via algum sentido nas ‘notícias’ sobre o PIX,
porque a Receita não queria vigiar a circulação da dinheirama sem controle, mas
preparar “uma investida contra trabalhadores informais” e “arrancar mais
moedinhas do cidadão comum”.
Nikolas
Ferreira e Joel da Fonseca merecem agradecimentos públicos do PCC, que
movimenta bilhões em moedinhas em parceria com a Faria Lima. Fonseca conhece
essa gente, é do meio do dinheiro e do rentismo e defende seu ponto de vista de
arcabouços e outras coisas fiscais.
É um
tucano extraviado e sem plano de voo e fala com os bacanas da Faria Lima, que
Nikolas nem sabe onde fica, por ser de outra turma menos rendada. Mas Fonseca,
esse fofo neoliberal, pode ficar na boa porque ninguém vai querer investigá-lo.
• Nikolas diz que vai processar Lula por
fala envolvendo o PCC
O
deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que vai entrar com uma ação
judicial contra o presidente Lula (PT) por difamação. A decisão foi tomada após
declarações dadas pelo petista em entrevista à Rádio Itatiaia sobre a
megaoperação envolvendo o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Durante
a entrevista, Lula mencionou, sem citar nomes, que "um deputado fez uma
campanha contra as mudanças propostas pela Receita Federal", afirmando que
"agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime
organizado".
Embora
não tenha sido nominalmente citado na entrevista, Nikolas Ferreira
manifestou-se nas redes sociais afirmando que Lula cometeu uma
"canalhice" ao fazer tal afirmação "dolosamente e sem prova
alguma". O parlamentar classificou a fala como uma "mentira torpe,
criminosa e irresponsável".
A
origem da controvérsia remonta a janeiro de 2025, quando o deputado publicou um
vídeo nas redes sociais acusando o governo de planejar taxar o Pix. A
publicação ganhou ampla repercussão nas redes sociais e acabou gerando uma
crise na gestão petista.
• Lindbergh sobre Nikolas Ferreira:
“Chorando de desespero. Foi desmascarado”
O
deputado federal e líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias,
desmontou, em vídeo publicado nesta sexta-feira (29), a ofensiva de Nikolas
Ferreira (PL-MG) contra o presidente Lula (PT) e afirmou que o parlamentar por
Minas Gerais “está desesperado” porque foi “desmascarado” e que sabe que seu
vídeo repleto de desinformação sobre o Pix serviu como base para operações do
PCC.
"Acabei
de ver um vídeo do Nikolas, ele quase chorando, desesperado. Depois vi um tweet
que vai processar o Lula... o Lula não fala nem o nome dele. Mas sabe por que
essa defensiva política? Porque ele foi pego de calças curtas. Foi desmascarado",
iniciou o deputado.
Em
seguida, Lindbergh afirmou que “cada vez mais surgem evidências de que toda
aquela campanha de fake news contra o Pix foi financiada com dinheiro das
organizações criminosas”. O deputado ainda exibiu um trecho em que Nikolas se
defende, alegando que o vídeo dele foi feito em janeiro deste ano e que o
esquema do PCC começou em 2020.
"O
Nikolas, você acha que a gente é otário? Deixa de ser chorão. Não era o
passado, era o futuro. Você queria garantir a continuidade dos crimes, que eles
continuassem operando sem nenhum tipo de fiscalização financeira. Foi isso que
você fez quando derrubou aquela instrução normativa com aquela campanha de
pânico na sociedade. Só a fintech ligada ao PCC movimentou R$ 54 bilhões [...]
você, Nikolas, não é inocente, você sabia o que estava fazendo [...] a casa
caiu", disparou Lindbergh Farias.
Fonte:
Brasil 247/The Intercept/CNN Brasil/Fórum

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