sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Hugo Motta ressuscita três fantasmas e prova que não tem condições de presidir a Câmara

O jogo político parecia simples para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, na semana seguinte à condenação de Jair Bolsonaro e de outros integrantes do núcleo central do golpe pelo Supremo Tribunal Federal, STF.

De um lado, a oposição insistia em duas bandeiras impopulares: a anistia a Bolsonaro e a chamada PEC da blindagem – que logo virou PEC da bandidagem nas ruas e nas redes sociais por tentar dificultar processos criminais contra parlamentares. Pesquisas mostram que ambas têm ampla rejeição da sociedade. 

Do outro, o governo defendia um projeto altamente popular: isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, promessa feita até por Bolsonaro durante a campanha de 2022 e que beneficiará 90 milhões de brasileiros ao ser validada.

A escolha parecia óbvia. Bastava Motta pautar o que interessa ao povo e deixar as aventuras da oposição morrerem sozinhas. Mas faltou ao presidente da Câmara cálculo político ou coragem. 

Ele fez o inverso: abriu espaço para a PEC mais rejeitada em discussão (a da bandidagem) e engavetou a pauta da renda. Supostamente, era um acordo para barrar a anistia. Mas a articulação desandou, e a urgência da anistia também acabou aprovada pelos deputados.

O estrago se completou quando Motta entregou a relatoria da anistia a Paulinho da Força, deputado do Solidariedade de São Paulo. Paulinho, por sua vez, achou boa ideia consultar ninguém menos que Aécio Neves e Michel Temer. 

O trio gravou um vídeo anunciando uma “solução intermediária”: em vez de anistia, um projeto de dosimetria para reduzir penas já aplicadas pelo STF aos golpistas. Na TV, falou-se até que a pena de Bolsonaro poderia cair substancialmente, de 27 anos para 21 meses. Para embalar a proposta, Aécio recorreu ao velho clichê da “pacificação” contra os “extremos”.

Com isso, Motta trouxe de volta três fantasmas. O primeiro é o ex-presidente Michel Temer, cuja biografia ficará marcada pela traição política e pelo apoio a um impeachment sem crime de responsabilidade. 

O segundo é Aécio Neves, pioneiro em minar a confiança no sistema eleitoral ao pedir auditoria das urnas sem qualquer prova de fraude — mas, como confessou depois, apenas para “encher o saco do PT”. 

O terceiro é a falácia dos dois extremos, que coloca no mesmo plano instituições que cumprem a Constituição e atores que tentaram destruí-la.

Não há extremos quando se trata de penas definidas em lei pelo próprio Congresso, sancionadas por Bolsonaro e aplicadas pelo STF com base em provas abundantes. O que existe é a tentativa de reescrever a narrativa do golpe para diluir responsabilidades.

Ao falhar em arbitrar entre uma pauta legítima e outra flagrantemente ilegítima, Hugo Motta mostrou-se incapaz de presidir a Câmara com independência e responsabilidade. 

Trouxe de volta figuras desacreditadas e um discurso que busca normalizar crimes contra a democracia. O Brasil não precisa desses fantasmas para seguir adiante.

¨       Motta diz que Lula chega forte para eleição de 2026

 presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve chegar fortalecido à disputa presidencial de 2026. As declarações foram feitas durante o Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, na segunda-feira (22).

<><> Soberania como estratégia de fortalecimento

Segundo Motta, o discurso internacional adotado por Lula aumentou sua popularidade. “Analisando de forma muito imparcial, você tem a esquerda aglutinada e unida em torno da possível reeleição do presidente Lula”, disse ele, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. Para ele, o presidente soube reposicionar o discurso e transformar a comunicação em ativo político.

O parlamentar avaliou que a defesa da soberania nacional, em meio às sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, ajudou a reforçar a imagem de Lula junto ao eleitorado.

<>< Impacto das sanções dos Estados Unidos

Entre as medidas impostas pelos EUA visando interferir no julgamento de Jair Bolsonaro - condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado - (PL) estiveram um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, a cassação de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No total, ao menos 18 pessoas foram afetadas pelas sanções.

Com o novo cenário, o governo trocou o slogan “União e Reconstrução” por “Do lado do povo brasileiro”, em uma tentativa de reafirmar seu posicionamento político. Pesquisas recentes indicaram melhora na percepção popular sobre a gestão federal.

<><> Direita sem unidade e indefinição de Bolsonaro

Sobre o campo conservador, Motta destacou a falta de organização e a indefinição em torno de Jair Bolsonaro (PL). “A direita está um pouco mais desorganizada, na minha avaliação. Porque, primeiro, não se sabe o que o presidente Bolsonaro irá fazer, quem ele vai apoiar”, afirmou.

O deputado citou os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União-GO) como nomes possíveis no pleito, mas avaliou que a pulverização de candidaturas mostra fragilidade. “Você tem várias opções. O Brasil segue dividido”, disse.

<><> Fadiga da polarização política

Ainda de acordo com a reportagem, Motta também destacou que tanto a esquerda quanto a direita enfrentam dificuldades para dialogar com o eleitor que não se identifica com nenhum dos lados. “Vejo que tem uma fadiga dessa dicotomia. Então, vai levar esse eleitor quem tiver mais habilidade e mais condição de garantir entregas”, observou.

Questionado sobre seu próprio posicionamento em 2026, o presidente da Câmara disse que seguirá a decisão do Republicanos. “Eu sou um homem de partido. Eu sou do Republicanos, eu tenho no presidente Marcos Pereira um líder político. Eu tenho que aguardar o posicionamento do meu partido”, disse.

Segundo ele, por ocupar a presidência da Câmara, não é adequado antecipar preferências. “Se eu externo hoje a minha posição política, ela acaba atrapalhando o meu dia a partir do minuto seguinte”, concluiu.

¨       Direita fala em desmoralização e cobra de Hugo Motta compromisso com anistia. Por Rachel Vargas

Em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vice-líderes da oposição externaram ao deputado paraibano a insatisfação com os últimos acontecimentos, em especial a derrubada da PEC da Blindagem pelo Senado e a indicação de Paulinho da Força como relator do PL da anistia.

Segundo relatos, os deputados reclamaram da escolha do relator para a matéria que é, hoje, a principal aposta da direita para tentar salvar Jair Bolsonaro da prisão. Sob Paulinho, a tendência é que o texto seja elaborado de forma a reduzir as penas, em vez de perdoar os envolvidos na trama golpista.

Além disso, classificaram como “desmoralização” a repercussão da PEC da Blindagem no Senado, que foi rejeitada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e arquivada, nesta quarta-feira, pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Para esses deputados, a Câmara se expôs ao aprovar a matéria politicamente indigesta, embora Hugo Motta tenha dito reservadamente que havia o compromisso de Alcolumbre em defender a PEC.

Os deputados, ainda assim, garantem que, se o tema voltasse a ser discutido, votariam “mil vezes sim”. A insistência em defender a matéria se dá em um movimento anti-Supremo, uma vez que, para a direita, a proposta tem como objetivo proteger os parlamentares dos supostos excessos da Corte.

¨       Tarcísio não quer enfrentar Lula em 2026, dizem aliados

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem sinalizado a interlocutores que não pretende disputar a Presidência da República em 2026, segundo o Metrópoles, que ouviu aliados próximos ao chefe do Executivo paulista. Segundo as fontes, o desgaste político recente, somado à falta de unidade da direita, levou Tarcísio a adotar um tom de desânimo sobre a possibilidade de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo pleito.

Tarcísio se mostrou incomodado com a pressão de lideranças do Centrão que o incentivavam a assumir o posto de principal adversário de Lula. A exposição antecipada teria gerado críticas públicas, ataques de adversários e maior desgaste com a militância petista. Além disso, sua rejeição nacional atingiu 40% em setembro, segundo pesquisa Genial/Quaest, ampliando a preocupação interna.

<><> Pressão e desgaste político

Um dos aliados mais próximos de Tarcísio avaliou que ele teria entrado em uma "furada" ao aceitar articulações com dirigentes partidários como Valdemar Costa Neto (PL), Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil). Nesse processo, o governador se aproximou do discurso bolsonarista, inclusive defendendo a anistia a condenados por atos antidemocráticos e criticando duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento não trouxe dividendos políticos. Pelo contrário, fortaleceu a percepção de que o cenário presidencial é desfavorável. “Se antes ele [Tarcísio] demonstrava alguma dúvida em ser candidato [a presidente], hoje não parece restar mais nenhuma. Ele percebeu que o cenário é muito desfavorável pra ele no momento e que o Lula se fortaleceu no último mês”, resumiu um interlocutor.

<><> Recuo estratégico em São Paulo

Com o aumento da rejeição, Tarcísio decidiu “submergir”, voltando-se às agendas estaduais e à gestão no Palácio dos Bandeirantes. O governador busca retomar foco em obras, projetos de infraestrutura e respostas a crises locais, como o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes, investigado por suposta ligação com o crime organizado.

Em ato público, o governador negou pretensões presidenciais e reafirmou o desejo de disputar a reeleição. “Diria que após pagar a fatura [ao bolsonarismo] ele ficou mais tranquilo para recusar um projeto nacional”, afirmou uma fonte próxima, em referência ao ataque de Tarcísio a Moraes durante o 7 de Setembro.

<>< Desorganização da direita e críticas internas

Outro fator que pesa contra a candidatura nacional é a falta de unidade da direita. Tarcísio se queixou de que a pauta do PL da Anistia e da PEC da Blindagem expôs fragilidades da base conservadora no Congresso. Atos organizados por partidos de esquerda e movimentos sociais contra esses projetos ampliaram a pressão.

A imagem do governador também foi abalada durante o episódio do chamado “tarifaço” aplicado pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Tarcísio tentou adotar uma posição conciliadora: negociava uma saída diplomática, mas evitava críticas diretas ao presidente norte-americano, Donald Trump. O gesto lhe rendeu acusações de “submissão” por parte da oposição e ataques de aliados de Jair Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

<><> Olhar para 2030

Embora ainda seja visto por lideranças do Centrão como o nome mais competitivo para enfrentar Lula, Tarcísio passou a avaliar que o momento não é favorável. Além da força da máquina federal, que deve lançar medidas populares em ano eleitoral — como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e do auxílio gás —, pesa a constatação de que sua rejeição avançou rapidamente.

O governador paulista agora sinaliza que prefere se concentrar em entregar resultados em São Paulo e consolidar sua imagem local. A aposta seria se reposicionar para uma disputa presidencial em 2030, já sem Lula na corrida. Caso confirme a decisão de buscar apenas a reeleição em 2026, nomes como o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), podem ganhar protagonismo na oposição.

¨       Centrão se 'descola' de Tarcísio e articula candidatura presidencial de Ratinho Jr.

O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), passou a ser considerado pelo Centrão como um nome alternativo ao de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, na disputa presidencial de 2026. A movimentação foi relatada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reuniu empresários, médicos e políticos em um jantar em São Paulo nesta semana. O encontro serviu para testar a viabilidade de Ratinho Jr. como opção competitiva. Participantes descreveram o clima como de “descolamento” gradual da candidatura de Tarcísio e de incentivo à do governador paranaense.

<><> Apoio no Centrão e cenário eleitoral

Lideranças do PP e do União Brasil, que também integram a base de apoio de Tarcísio, afirmaram que, caso a candidatura do governador paulista se inviabilize, Ratinho Jr. surge como alternativa capaz de unificar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas recentes reforçam esse movimento. Levantamento do Datafolha mostra que ambos têm desempenho semelhante em um eventual segundo turno contra Lula: o petista teria 45% contra 41% de Tarcísio, e 45% contra 40% de Ratinho.

<><> Dificuldades de Tarcísio no tabuleiro político

Nos últimos meses, Tarcísio acumulou desgastes políticos. Ele entrou em atrito com o Supremo Tribunal Federal ao participar de manifestação pela anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao chamar o ministro Alexandre de Moraes de “tirano”. Além disso, sua defesa considerada tímida em favor de Bolsonaro tem desagradado parte do eleitorado bolsonarista.

O cenário complica-se ainda mais com a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar já declarou a interlocutores que pretende disputar a Presidência em 2026 “com ou sem o apoio do pai”, podendo enfrentar Tarcísio diretamente nas urnas.

<><> Cálculos para 2026

Apesar de já ter dito publicamente — e reafirmado nos bastidores — que não pretende disputar o Planalto, Tarcísio segue formalmente no páreo, já que o prazo de desincompatibilização se encerra apenas em março de 2026. Até lá, sua candidatura permanece viável.

 

Fonte: Por Fábio de Sá e Silva, em The Intercept/Brasil 247

 

Nenhum comentário: