Doença
de Chagas avança nos EUA e põe autoridades em alerta
As
autoridades sanitárias dos Estados Unidos estão em alerta – a doença de Chagas,
antes associada à América Latina, tem avançado no país. Até o momento, foram
registrados casos em pelo menos oito estados americanos.
A
doença é uma infecção parasitária causada por um protozoário, transmitido
principalmente por insetos conhecidos por barbeiros. Ao picar, eles podem
eliminar fezes com o parasita; se a pessoa coça, o protozoário entra pela pele
ou mucosas. A doença pode causar problemas cardíacos fatais em humanos e cães.
Pesquisadores
dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) publicaram em setembro, na
revista científica Emeging Infectious Diseases, que a doença pode ser
considerada endêmica no país. Essa classificação indica que não se trata mais
de uma doença tropical importada, mas um risco permanente à saúde nos EUA.
A
classificação proposta teria consequências de longo alcance para monitoramento,
pesquisa e tratamento da doença, que ainda é desconhecida no país. Atualmente,
a sociedade e a comunidade médica sabem pouco sobre a infecção, e os testes
ainda são limitados.
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Como acontece a transmissão
O
percevejo transmissor da doença de Chagas ganhou o apelido de barbeiro ou
chupão porque costuma picar o rosto de pessoas durante o sono, especialmente as
partes com pele mais fina, como lábios ou pálpebras.
Não é a
picada em si que é perigosa, mas as fezes do inseto que contêm o patógeno. O
barbeiro transmite o parasita Trypanosoma cruzi ao defecar enquanto se alimenta
do sangue da vítima. Assim, ele coloca o protozoário em contato com a pele e a
ferida.
Ao
coçar a ferida ou esfregar os olhos, o parasita entra no corpo. Com menos
frequência, as pessoas são infectadas por meio de transfusões de sangue,
transplantes de órgãos ou durante a gravidez, da mãe para o filho.
Os
pesquisadores acreditam que o avanço de barbeiros em novas áreas tem sido
impulsionado pelo aquecimento global, já que temperaturas mais quentes são mais
favoráveis a esses insetos.
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Perigo negligenciado
A
doença recebeu o nome do médico e cientista brasileiro Carlos Chagas (1878 -
1934), que descobriu a doença em 1907 e destrinchou todos os seus aspectos: o
patógeno (protozoário), o vetor (barbeiro), os hospedeiros (pessoas e alguns
animais), as manifestações clínicas e a sua incidência.
A
doença é endêmica em 21 países do continente americano, inclusive no Brasil –
mas deixou de ser uma infecção tropical exótica. Por meio da migração,
transfusões de sangue e rotas comerciais globais, a doença também chegou à
Europa e à América do Norte.
Segundo
estimativas, há cerca de 6.000 pessoas infectadas na Espanha e várias centenas
de milhares nos Estados Unidos.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, mais de 7
milhões de pessoas estão infectadas com o patógeno e que cerca de 10 mil morrem
a cada ano como resultado da infecção. Estima-se que mais de 90% das pessoas
infectadas não são diagnosticadas.
A
doença é mais comum em áreas rurais ou com infraestrutura precária, onde as
pessoas vivem em casas de adobe ou madeira com más condições de saneamento, o
que favorece a proliferação do inseto transmissor. Por isso a OMS a classifica
como uma "doença negligenciada".
Com as
notícias vindo dos EUA, a doença agora está recebendo mais atenção
internacional.
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Quais os sintomas?
A
infecção tem duas fases. Muitos dos afetados não notam nenhum sintoma durante
as primeiras semanas ou meses após a infecção. Alguns desenvolvem sintomas mais
genéricos, como febre e fadiga. É comum haver inchaços próximos à ferida, como
em uma das pálpebras. Depois, esses sintomas geralmente desaparecem, mas o
parasita permanece no corpo.
Após um
período de latência que pode levar anos, a fase crônica da infecção pode se
manifestar. Isso acarreta consequências graves. Foram documentados casos de
miocardite, insuficiência cardíaca permanente ou arritmia cardíaca, bem como
aumento patológico do esôfago e do cólon.
Até 30%
das pessoas infectadas desenvolvem essas complicações. A OMS alerta que, sem
tratamento, a doença pode ser fatal, principalmente para bebês, crianças ou
pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.
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Qual o tratamento?
Durante
a fase aguda, o parasita pode ser detectado microscopicamente no sangue. Nos
estágios posteriores, os testes de anticorpos são a ferramenta de diagnóstico
mais importante. Até o momento, não há vacina.
O
tratamento é baseado em dois medicamentos antiparasitários, nifurtimox e
benznidazol, que são particularmente eficazes durante a fase aguda. Ambos os
medicamentos, no entanto, podem causar efeitos colaterais graves e ainda não
foram oficialmente aprovados para o tratamento da doença de Chagas na União
Europeia, por exemplo.
Nos
EUA, os medicamentos geralmente só podem ser administrados durante o tratamento
hospitalar. Em casos crônicos, a terapia apenas alivia os sintomas; até o
momento, a doença dificilmente pode ser prevenida.
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Animais de estimação e animais selvagens
Não são
apenas os seres humanos as vítimas da picada do barbeiro: cães, gatos, ratos,
tatus e gambás também são considerados hospedeiros importantes.
O Texas
e a Califórnia, em particular, estão relatando cada vez mais casos de cães
infectados, o que indica que a circulação do patógeno já está estabelecida no
sul dos EUA.
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Como se proteger contra a doença de Chagas?
Para
prevenir a infecção, especialistas recomendam proteção rigorosa contra insetos.
Nas regiões afetadas, redes tratadas com inseticida, vedação das paredes das
casas e controle específico de pragas podem ajudar.
Para
animais de estimação, os veterinários recomendam medicamentos que também são
usados contra pulgas e carrapatos. Em muitos países, as doações de sangue agora
são testadas rotineiramente para o patógeno, a fim de prevenir a infecção por
transfusão de sangue.
Fonte:
DW Brasil

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