segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Aliados se afastam e Eduardo Bolsonaro perde força para 2026

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vê seu projeto político para 2026 enfraquecer diante de críticas internas e resistência entre aliados estratégicos. Segundo a CNN Brasil, Eduardo, que alimenta planos de disputar a Presidência da República, enfrenta um cenário adverso tanto entre nomes do Centrão quanto no núcleo político próximo a Jair Bolsonaro (PL). O desgaste se intensificou após sua atuação nos Estados Unidos, onde demonstrou apoio às tarifas comerciais impostas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A principal crítica a Eduardo Bolsonaro gira em torno da defesa pública da política tarifária de Trump. Analistas e aliados avaliam que a movimentação foi um erro estratégico, já que o deputado não possui trânsito relevante junto ao poder político em Washington. Esse posicionamento teria reforçado a percepção de isolamento e fragilidade de sua articulação internacional.

Enquanto busca manter protagonismo, Eduardo tenta alternativas para assegurar viabilidade política. De acordo com a reportagem, ele mantém conversas com outras legendas, mas ainda sem garantias de apoio sólido. Atualmente nos EUA, o deputado segue com atividades parlamentares à distância, mas sua permanência fora do país aumenta as críticas sobre seu real engajamento no cenário nacional.

Ao mesmo tempo, lideranças importantes do Congresso, como Arthur Lira (PP-AL) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantêm distância do filho do ex-presidente, reforçando a percepção de que Eduardo perdeu espaço. O desgaste de Eduardo coincide com a ascensão de outros potenciais candidatos dentro do campo conservador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como favorito entre parte expressiva da base política de direita.

Além dos obstáculos internos, o futuro político de Eduardo pode ser influenciado pela repercussão internacional dos processos judiciais que envolvem Jair Bolsonaro e aliados próximos. Caso as decisões nos tribunais brasileiros tenham efeitos negativos na imagem do clã Bolsonaro, a posição de Eduardo tende a se fragilizar ainda mais.

•        Lula cobra cassação de Eduardo e descarta acompanhar julgamento de Bolsonaro

 Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem chamou de "o maior traidor da história do país", e defendeu a cassação de seu mandato. O chefe do Executivo também comentou o processo judicial contra Jair Bolsonaro (PL), dizendo que não pretende acompanhar o julgamento.

<><> Críticas a Eduardo Bolsonaro

Lula foi categórico ao afirmar que Eduardo Bolsonaro não tem condições de permanecer no Congresso. Para ele, as atitudes do deputado ultrapassaram todos os limites.

"Não pode exercer o mandato dele. Já falei com o presidente Hugo Motta, com vários deputados. É extremamente necessário cassar Eduardo Bolsonaro, porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história deste país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo", declarou.

O presidente acusou o parlamentar de ter atacado o Brasil em viagens ao exterior, principalmente nos Estados Unidos, ao lado do ex-presidente Donald Trump. "Ele sai do Brasil, vai para os Estados Unidos denunciar o Brasil e fica mentindo com relação ao país. As acusações que Trump fez ao Brasil são todas inverídicas", disse Lula.

<><> Julgamento de Jair Bolsonaro

Ao ser questionado sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula garantiu que não se envolve no processo e que não pretende acompanhar as sessões. "Não vou assistir a julgamento nenhum. Tenho coisa melhor para fazer", afirmou.

O petista ressaltou que o caso será decidido pela Justiça com base em provas, depoimentos e investigações da Polícia Federal. "Ele vai ser julgado com base nos autos. Não é a figura de Bolsonaro que está sendo julgada. O que está sendo julgado é o comportamento desse cidadão que foi presidente em função das denúncias e delações feitas e das provas apuradas pela Polícia Federal. Se ele cometeu crime, será punido. Se não cometeu, será absolvido e a vida continua. A Justiça deve valer para todos", destacou.

<><> Anistia fora de cogitação

Lula também rejeitou qualquer possibilidade de anistia ao ex-presidente. Para ele, sequer há espaço para esse debate neste momento. "Não se discute anistia. É uma coisa tão impertinente. Ninguém foi ainda condenado. O homem não foi nem julgado e já está querendo anistia? Ele já está dizendo que é culpado e quer ser perdoado?", questionou.

O presidente acrescentou que Bolsonaro deve apresentar sua defesa como qualquer outro cidadão. "Ele está tendo direito à presunção de inocência, que eu não tive. Então, que ele se defenda e prove que é mentira. Que prove que não tinha caminhão com bomba no aeroporto de Brasília. Que prove que não tinha plano arquitetado para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Que prove que não foi ele que organizou a ocupação na frente dos quartéis brasileiros", concluiu.

•        Eduardo Bolsonaro envia ofício a presidente da Câmara solicitando exercer mandato dos EUA

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enviou nesta quinta-feira (29) um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitando autorização para exercer seu mandato a partir dos Estados Unidos. A informação foi publicada pela Sputnik Brasil.

Eduardo está nos EUA desde fevereiro, quando viajou para o período do Carnaval e não retornou após o recesso parlamentar em agosto. No documento divulgado em suas redes sociais, ele afirma estar impedido de exercer seu mandato no Brasil devido a uma suposta perseguição política e jurídica, e pede que a Câmara crie mecanismos para permitir sua participação remota nas atividades legislativas.

<><> O pedido de Eduardo Bolsonaro

No ofício, Eduardo escreve: "Durante o período de Carnaval, viajei aos EUA levando apenas uma pequena mala, em caráter predominantemente privado. Ainda no curso dessa viagem, surgiram notícias de que minha atuação internacional estava incomodando a ponto de se cogitar a cassação de meu passaporte e a imposição de outras medidas restritivas. Certo de que não poderia correr o risco de interromper esforços diplomáticos tão relevantes, decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada, direito assegurado a qualquer parlamentar."

O deputado argumenta que, assim como ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando parlamentares participaram de votações remotamente, a Câmara deveria assegurar a mesma possibilidade em razão da atual “crise institucional”. Ele acrescenta: "Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda. Vivemos, infelizmente, sob um regime de exceção, em que deputados federais exercem seus mandatos sob o terror e a chantagem instaurados por um ministro do STF que age fora dos limites constitucionais e já é alvo de repúdio internacional. Não reconheço falta alguma, não renuncio ao meu mandato, não abdico das minhas prerrogativas constitucionais e sigo em pleno exercício das funções que me foram conferidas pelo voto popular."

<><> Atuação política nos Estados Unidos

Desde que se instalou nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem mantido encontros com representantes do governo norte-americano. Sua principal pauta é articular pressões pela anistia do pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

No último domingo (24), em entrevista a um canal conservador norte-americano, Eduardo exaltou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando-o de “o maior líder de todos os tempos”. Ele também agradeceu o tarifaço imposto contra exportações brasileiras: "Também tenho que agradecer muito ao presidente Trump, ele é o maior líder de todos os tempos na história da humanidade, na minha opinião. Ele começou dando alguma pressão no sistema financeiro do Brasil com as tarifas de 50%, e claramente dizendo que isso não é só por questões comerciais, mas também porque o Brasil está vivendo uma enorme crise institucional."

Além disso, voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de “juiz louco” e defendendo a aprovação de uma anistia no Congresso Nacional.

<><> Indiciamento pela Polícia Federal e julgamento de Jair Bolsonaro

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro sob a acusação de tentar influenciar processos judiciais no Brasil por meio das sanções econômicas impostas por Donald Trump. A PF também pediu ao STF que uma equipe de agentes permaneça em tempo integral na casa do ex-presidente, considerando o monitoramento eletrônico por tornozeleira insuficiente para evitar uma possível fuga. O ministro Alexandre de Moraes encaminhou a solicitação à Procuradoria-Geral da República, que deve se manifestar até segunda-feira (1º).

O julgamento de Jair Bolsonaro na Suprema Corte está marcado para quarta-feira (3), em um dos capítulos mais críticos da crise política e institucional que o país atravessa.

•        "Tem que jogar na lata do lixo", diz Lindbergh sobre pedido de Eduardo Bolsonaro para exercer mandato dos EUA

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais nesta sexta-feira (29) para criticar duramente o pedido de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à Câmara dos Deputados. O filho de Jair Bolsonaro (PL) solicitou autorização para exercer o mandato diretamente dos Estados Unidos, onde permanece desde fevereiro.

“É um absurdo! Nessa madrugada, Eduardo Bolsonaro teve a ousadia de pedir pra exercer o mandato direto dos Estados Unidos, de onde vive tramando contra o Brasil. Esse ofício precisa ir pra lata do lixo. A Câmara tem que cassar Eduardo e Carla Zambelli e dar um chega pra lá nessa turma golpista”, escreveu Lindbergh no X.

A postagem foi feita após Eduardo Bolsonaro enviar um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alegando estar impedido de retornar ao Brasil por conta de uma suposta perseguição política e jurídica. O parlamentar solicitou a criação de mecanismos que permitam sua atuação remota, citando como exemplo o modelo de sessões virtuais adotado durante a pandemia de Covid-19.

“Durante o período de Carnaval, viajei aos EUA levando apenas uma pequena mala, em caráter predominantemente privado. [...] Certo de que não poderia correr o risco de interromper esforços diplomáticos tão relevantes, decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada”, escreveu o deputado.

Desde que se instalou nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem mantido encontros com representantes do governo norte-americano, com foco em pressões por anistia ao pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Em entrevistas, ele tem exaltado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder de todos os tempos”, além de agradecer medidas tarifárias contra exportações brasileiras.

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro sob a acusação de tentar influenciar processos judiciais por meio de articulações internacionais. O caso deve ser analisado pelo STF, em meio a um ambiente de tensão política e institucional.

O julgamento de Jair Bolsonaro está marcado para a próxima quarta-feira (3), em um dos momentos mais críticos da crise que atinge o país.

Já a deputada Carla Zambelli (PL-SP) permanece presa na Itália após passar por uma terceira audiência judicial. A decisão foi tomada pela Justiça italiana após análise detalhada do laudo médico de Zambelli, que se encontra detida desde 29 de julho, em Roma. A Justiça ainda citou o risco de Zambelli fugir para evitar o processo de extradição ao Brasil.

A audiência mais recente, realizada na quarta-feira (27), contou com a participação da perita do tribunal, Edy Febi, que afirmou por videoconferência que não há incompatibilidade entre o estado de saúde da deputada e a manutenção da prisão.

 

Fonte: Brasil 247

 

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