A
terapia da atenção plena
Não dá
para ler, ouvir ou assistir alguma coisa, um algo e já dali a pouco sair
dizendo “Ah, eu sei, deixa que eu resolvo, quem disse que eu não preciso de
mais tempo para aprender, é tudo rápido e nem cabe tempo nesse esquema porque
já tem outro apontando aí. E vai que um de nós – não seja ele! – fica para
trás, substituído sem dó nem piedade pelo contexto? Eu já entendi e ponto, como
assim você sabe mais do que eu, quem sabe sou eu!” E aí, o que acharam, dá?
Isso é a pretensão, muita gente é pretensiosa, estamos aqui para entender como
isso funciona e perturba o centro de apoio do ser humano, além das relações
sociais, o frente a frente.
Não é o
ideal fechar as aspas no que se refere ao ser humano, à vida, tudo segue uma
continuidade, o fecha aspas e o “nós somos o quê nessa peça?” invariavelmente
fica à mostra, portanto é fazer as perguntas, façam mais perguntas a vocês
mesmos, perguntar é umas das vias da maturação. Se você vive em um contexto que
nega a maturação, nega crescer, psicologicamente faltando, ou se você é mais
uma vítima estocolmizada do capitalismo, a partidária do poder em vigência,
veja se te faz bem. Nada para eles dessa vez, deixa passar o que não te agrada!
Os
problemas demoram para se resolver, a solução nem sempre é acatada; às vezes
falamos do que muitas vezes, talvez nenhuma vez, nem sequer venha a ser
resolvido, falamos mesmo. Vamos ser sinceros. E se for aquilo fatídico, não
tenho como mudar o contexto, quem sabe? Uma solução é acatar que não existe
solução absoluta, algumas coisas são assim e ponto.
Lidando
com o fato intransponível de forma segura e aberta, a solução é saber que as
coisas ou situações não têm solução definitiva, andar com isso no coração é
parte desse altruísmo Estoico; não tem como fingir que os problemas não
existem, claro, eles existem e tudo bem, existem tantos problemas quanto
existem soluções, nós enxergamos os caminhos. Optar por essa visão de atuação
no mundo é uma solução adulta, daí maturada. Para usar também a noção da
terapia da atenção plena, a global Mindfulness, segue a sua intuição e você
encontra algo, encontra a si, o ambiente, talvez até o universo.
A
análise da cultura contemporânea tem fracassado porque optou pelo contrato
utilitarista, quer dizer isso de uso e desuso induz ao mal-estar, a ação humana
sendo resolvida por essa praticidade estéril. Isso é o que acha então esse
contrato utilitarista; é bem pretensioso também, é aquele que acha que com a
sua ação rápida, por alto, as coisas são resolvidas e pronto, acabou, eles
mandam em tudo.
Nem a
Terra nem nada no Cosmos têm donos. Uso e desuso é um perigo, o tempo viabiliza
de muitas formas e vemos a pretensão tomar conta das decisões. Mas ninguém doma
a fortuna, diriam os estoicos. Na medida que você reduz o mal-estar e otimiza o
bem-estar, evidencia que o ser está sendo é movido por um princípio de escolha
racional, então não se afina por exemplo com um fracasso funcional diante do
caminho do sofrimento, diante das incertezas, não vai mais viver sem se ater
aos significados.
A
certeza é que você deve passar pelas coisas sejam elas boas ou más, elas vêm e
vão e tudo bem. A vida na Terra é assim. Viver é sofrer também, parece uma
insistência, parece algo insustentável, mas é o que é. Sofrer existe, se dar
bem existe. Essas são as formas de percepção, muitas delas. Só que isso pesa e
ninguém mais quer suportar peso algum, eu ouço demais isso, ninguém mais quer
aceitar, lidar, amadurecer com tudo isso, o indivíduo só quer é passar, pular o
estágio, às vezes com artimanhas ou macetes, como o rolar de feed na rede
social.
Tem
gente achando que com um estalo de dedos, um clique a seguir tudo está
resolvido, justamente como faz o recém-nascido, pede tudo e não espera a vez; o
recém-nascido vê o mundo e sua mãe fazendo suas vontades, sendo sua infindável
cuidadora, a imagem do amparo infinitamente provedor de tudo, e que está bom
assim.
Como se
o sujeito dissesse “eu não preciso de mais nada, talvez um seio bom para
dispensar birra e atenção, para dar uma atenção maior a isso tudo”, no entanto,
esse é o tipo de atitude que danifica sua existência no mundo, atitudes muito
mais próximas de um colapso da realidade fatídica, infalível sentença que não
abre brechas. Só pedir e não doar é um erro. Aprender com os erros e ser
realmente alguém humano, humanamente realizado deve ser a meta de toda pessoa,
ou seja, passar por este mundo e desenvolver algo nele. Otimiza o seu
bem-estar, parece legal!
Não
faça como os que acham que “é tudo assim e vocês os seres que se segurem,
porque eu faço o que eu quero”. A maturidade é um estágio, requer passar pelos
estágios anteriores. Que tal discursar sobre esses assuntos? E o Ambiente, o
mundo ao redor? É maior que você, lidamos com esse fato, então entre no mundo
de verdade, agir em consonância é atitude madura, refino do ser. A atuação de
todos nós é em conjunto, totalmente real, viva.
A
pessoa, o ser deve ser capaz de simbolizar, usar o lúdico e a criatividade e
explorar as reflexões que vão se apresentando com esses conteúdos pensados, a
mente precisa disso, você precisa refletir e conjecturar, e desse envolvimento
físico e emocional entre as pessoas e o ambiente o resultado é a sua saúde.
Equalização
física e emocional, mente alerta captando os estímulos do ambiente,
mindfulness. Muito mais que o caminho da atenção plena, das técnicas do
mindfulness, isso se trata de um sentimento e uma percepção do ambiente.
Fonte:
Por Paulo Vitor Grossi, em A Terra é Redonda

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