terça-feira, 1 de outubro de 2024

Tânia Mandarino: ”Sempre desobedecer, nunca reverenciar!”

Você não sente, nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, minha amiga/meu amigo.

Não é segredo para ninguém que, nas eleições municipais que se aproximam, muitas capitais foram tratoradas por decisões impostas pela Executiva Nacional do PT, que escolheu o candidato a ser apoiado pelo partido interditando debates e contrariando as bases partidárias.

É o caso, por exemplo, de Curitiba, cidade onde vivo, na qual o PT está apoiando Luciano Ducci (PSB) à prefeitura.

Tenho acompanhado uma discussão sobre se os militantes poderiam ou não, do ponto de vista legal, deixar de votar no candidato indicado pelo partido.

Alguns ligados à direção majoritária prometem inclusive pedir a abertura de comissão de ética contra filiados que declararem voto em outro candidato e candidatas/os à vereança que aparecem em eventos com outros candidatos à prefeitura.

Lançam mão ainda de argumentos irracionais do tipo ”se o candidato da situação ganhar, a culpa será dos que não estão apoiando” o candidato imposto pela majoritária.

É importante relembrar que, em 2012, o referido candidato (estava na prefeitura de Curitiba quando Beto Richa, de quem era vice, foi eleito governador do Paraná) foi derrotado nas urnas pelo candidato apoiado pelo PT, que teve uma vice-prefeita petista.

Segundo relatos de quem trabalhava na Fundação de Ação Social (FAS), no dia 9 de janeiro de 2013, em retaliação à derrota sofrida, o referido candidato deixou a Assistência Social sem recursos nos acolhimentos de crianças e adolescentes, que ficaram sem comida.

Também é preciso relembrar que o candidato apoiado pelo PT em 2024 à prefeitura de Curitiba:

1. De 2006 a 2010, além de vice-prefeito, acumulou o cargo de Secretário Municipal da Saúde. Sua administração foi caótica.

2. Quando assumiu a prefeitura, em 2010, os funcionários da saúde municipal nunca foram tão desprestigiados: além dos péssimos vencimentos, Ducci conseguiu proibir manifestações pacíficas da categoria na frente da sua residência.

3. No mesmo sentido, pediu a CENSURA do blog do Professor Tarso Cabral Violin, que publicara em seu blog que a preferência de seus visitantes era pelo outro candidato em 2012.

4. Gastou quase 85 MILHÕES DE REAIS para construir uma ponte estaiada que não serve absolutamente para nada, dizendo que poderia ter valor turístico. Com esse valor, 20 viadutos comuns poderiam ser construídos.

5. Em seu programa eleitoral de 2012, utilizou imagens de uma escola particular em Curitiba como se fosse uma escola pública, justificando que não poderia utilizar espaços públicos, mas, em outra ocasião, usou sem qualquer remorso imagens de hospitais públicos nas suas filmagens.

6. Na mesma campanha, se declarou “IMIGRANTE LEGÍTIMO E CURITIBANO DA GEMA”. Um discurso xenófobo, preconceituoso e contrário aos ideais de diversidade e tolerância que devem respaldar o crescimento de Curitiba

7. Como deputado federal, disse ”SIM’‘ à abertura do processo de impeachment da Presidente Dilma na Câmara, naquele nefasto 17 de abril de 2016.

8. Ainda na condição de parlamentar, declarou que “Lula era o comandante máximo do esquema de corrupção”, em 14 de setembro de 2016.

9. Em maio de 2023, votou contra o governo Lula, posicionando-se a favor do marco temporal juntamente com Beto Richa, Deltan Dallagnol e outros deputados paranaenses de direita e extrema-direita.

10. Mais recentemente, em maio de 2024, se ausentou da votação que derrotou o veto de Lula à restrição da “saidinha” de presos em feriados.

11. Se ausentou, igualmente, na votação do veto do ex-presidente Jair Bolsonaro a dispositivo que criminalizava a disseminação de fake news em eleições.

Pois bem, diante da biografia política de Luciano Ducci e da forma como a direção majoritária interditou o debate pela candidatura própria em Curitiba, para a qual, aliás, se disponibilizaram ao menos dois nomes de projeção nacional (Carol Dartora e Zeca Dirceu), é natural que parte da militância não queira fazer campanha para o candidato apoiado pelo PT.

Assim como é natural que parte dos militantes filiados se recuse a votar no referido candidato do PSB, cujo vice é do PV – partido que compõe a Federação junto com o PT.

Por conta disso, há um grande número de filiados que apoia candidaturas à vereança do PT e outras candidaturas de pessoas ou partidos de esquerda à prefeitura de Curitiba.

Muitos o fazem de forma velada, com o temor de estar cometendo uma espécie de “crime partidário”.

Já outros assumem publicamente que estão apoiando e votarão, por exemplo, em Roberto Requião (recém-saído do PT para o Mobiliza) e em Andréa Caldas (ex-PT, hoje PSOL).

Para tais ”demônios” parece já estar se formando um “Santo Ofício” que os levará a comissões inquisitórias seguidas das fogueiras da expulsão, pois seriam os verdadeiros responsáveis pelo voto do candidato, atualmente apoiado pelo PT, em favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 (!).

Sim, eu tenho ouvido irracionalidades como estas:

1. ”Pior que Ducci, foi muitos dos nossos, que em 2014 saíram nas ruas pelo ‘NAO VAI TER COPA’. Foi ali que tudo começou. Se muitos dos nossos não tivessem colaborado, o Ducci não teria votado pelo Impeachment, porque o pedido não teria chegado na Câmara e no Senado”.

2. ”O discurso contra a Dilma iniciou por alguns ‘iluminados’ do partido, que começaram criticando sua política econômica”.

Ou seja, mais uma vez, a culpa é do Petê. Só que agora petistas da linha majoritária acusam as esquerdas petistas de serem culpadas pelo candidato imposto de cima para baixo ter votado a favor do impeachment em 2016. É mais que irracional: é surreal!

Um dos fundamentos utilizados pelo “Santo Ofício” para levar à Comissão de Ética os filiados que apoiarem outro candidato seria cometimento de “infidelidade partidária”.

Vejamos o que diz o Glossário Eleitoral do TSE sobre o que é infidelidade partidária:

A infidelidade partidária se dá quando um político não observa as diretrizes da agremiação à qual é filiado ou abandona o partido sem justificativa. A fidelidade partidária, por sua vez, é uma característica medida pela obediência do filiado ao programa, às diretrizes e aos deveres definidos pela sigla, ou ainda pela migração de um partido para outro.

O TSE entende que, por vigorar no Brasil o sistema representativo, o mandato eletivo pertence ao partido. Além disso, a Lei dos Partidos Políticos prevê, no artigo 22-A, que perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, da sigla pela qual foi eleito.

Ou seja, o fundamento da infidelidade partidária para queimar na fogueira quem votar em outro candidato é, portanto, uma fake news, já que o conceito usado por alguns filiados para aterrorizar outros se refere objetivamente a parlamentares que trocam de partido no exercício de seus mandatos.

O mesmo Glossário Eleitoral do TSE segue informando (grifo meu):

O parágrafo único do mesmo artigo, contudo, considera como justa causa para a desfiliação as seguintes três hipóteses: mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; grave discriminação política pessoal; e mudança de partido efetuada durante o período de 30 dias – a chamada “janela partidária” – que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

Repise-se que candidato apoiado sequer é filiado ao PT, apesar de ter um vice de partido da Federação integrada pelo PT.

Do esboço da biografia política sintetizada mais acima é possível extrair uma boa discussão sobre mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário.

Assim, para os que, num exercício gigantesco de extensividade ou analogia, insistirem em usar o fundamento da infidelidade partidária para expulsar ou pedir expulsões, é preciso dizer que, igualmente, a resposta se encontra no parágrafo primeiro do artigo 22-A da Lei dos Partidos Políticos: justa causa.

Além de poder configurar justa causa votar em outro candidato que não o imposto pela majoritária, tenho para mim (ainda num exercício de analogia que não fui eu quem começou) que no ordenamento jurídico brasileiro vigora a determinação de que ordem manifestamente ilegal não se cumpre.

Isso está também no artigo 22 do Código Penal que tem a rubrica de “Coação irresistível e obediência hierárquica” e assim preceitua: “Se o fato é cometido sob coação moral irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem”.

O que pode ser mais bem compreendido nos termos de um entendimento jurisprudencial muito conhecido de pessoas que atuam com o Direito, mas cuja leitura é de fácil compreensão também para quem não opera o Direito cotidianamente: “Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal; caso contrário, nega-se o Estado de Direito”.

Obviamente que o caso em questão não demanda judicialidades e tampouco quem quiser votar no candidato apoiado oficialmente pelo PT em Curitiba estaria cometendo qualquer ilegalidade.

Assim como, evidentemente, o filiado que optar por não votar no referido candidato não deve ser aterrorizado com a promessa de uma fogueira inquisitória.

A questão é política e se situa, portanto, na esfera principiológica, ética e, por que não dizer?, em camadas da esfera moral.

Ainda que haja quem defenda que fazer campanha ou votar em Luciano Ducci para prefeito de Curitiba não seja uma obrigação política, mas que, mesmo assim, a decisão majoritária vincula todos os filiados, eu ouso questionar e desobedecer.

Ninguém é obrigado a ter vínculo com uma decisão partidária que implica em apoiar candidatura que reflita mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário.

Maiores e mais profundas discussões a respeito de como chegamos a este momento de aparência irracional, devem ser entabuladas em momento oportuno de avaliação partidária, posterior ao pleito municipal de 2024, em plenária ampla e aberta à toda a militância, pois o PT é o conjunto de todos os seus filiados, e não apenas a sua direção majoritária.

Este entendimento não expressa qualquer posição no âmbito da tendência política que integro dentro do Partido dos Trabalhadores. É minha compreensão pessoal.

E, tal como cantava o genial Belchior em ”Como o Diabo Gosta”: Sempre desobedecer, nunca reverenciar!

 

Fonte: Viomundo

 

Os 7 princípios-chave para ser influente e persuadir os outros

Certo dia, Robert Cialdini estava no seu dormitório na universidade, quando atendeu outro estudante, que vendia assinaturas da revista Sports Illustrated.

"Eu era um aluno que mal comia, não tinha muita renda livre", relembra ele. "Por isso, não iria comprar a revista."

Mas o rapaz era persistente. Ele disse que Cialdini estaria perdendo uma venda única, que duraria apenas aquele fim de semana.

Ele destacou que os principais especialistas no assunto tinham excelente impressão sobre a revista. E mencionou casualmente que ele já havia vendido muitas assinaturas para outros residentes.

Cialdini acabou cedendo. E, quando o rapaz saiu, ele se reclinou contra a porta e só então percebeu o que havia acabado de acontecer.

"Eu pensei: 'você gastou o seu dinheiro e não foi pelas qualidades do produto – foi pela forma de apresentação'", relembra Cialdini. "E pensei 'Não é interessante? Não vale a pena estudar?'"

A curiosidade de Cialdini o levaria a escrever o livro O Poder da Persuasão (Ed. Elsevier, 2006), publicado originalmente em 1984.

Combinando a pesquisa acadêmica sobre ciências comportamentais com estudos de casos pertinentes e sua experiência pessoal, seu livro terá possivelmente criado o padrão para autores do "pensamento inteligente", como Charles Duhigg, Adam Grant e James Clear.

Depois de diversas edições atualizadas, o livro já vendeu mais de sete milhões de cópias, segundo seus editores.

No 40º aniversário de lançamento de O Poder da Persuasão, eu me sentei com Cialdini em um hotel de Londres para discutir a concepção e os impactos causados pelo livro.

Também conversamos sobre como a psicologia da persuasão evoluiu nas décadas seguintes à sua primeira publicação e suas implicações na polarizada sociedade atual.

•        Os seis princípios da persuasão

Como parte da sua pesquisa, Cialdini decidiu passar algum tempo estudando pessoas que ele definiu como "profissionais da conformidade" – trabalhadores da área de vendas, marketing, recrutamento e levantamento de fundos, cujo sustento depende de mudar a opinião dos outros.

Em muitos casos, este trabalho envolveu entrevistas formais. Em outros, o autor trabalhou "disfarçado", como candidato a empregos e aprendendo os macetes da profissão com seus colegas.

"Quando você encontra o seu efeito no campo, você sabe que ele é importante", destaca ele.

Pedi a Cialdini que indicasse uma experiência marcante. Ele conta que acompanhou um vendedor brilhante que oferecia de porta em porta alarmes contra incêndio acionados por calor.

Nas suas visitas, o mentor de Cialdini levava um grande catálogo, detalhando os diferentes produtos, mas sempre deixava no carro. Enquanto os moradores das casas faziam o teste de segurança da residência, ele pedia para pegar as chaves emprestadas para poder ir buscar o livro e voltar para a casa.

"Era a única coisa que ele fazia diferente", conta o escritor. E, depois de perguntar repetidas vezes, o vendedor acabou explicando seu raciocínio.

"Ele disse 'Bob, em quem você confia? Você confia nas pessoas que você deixa entrar e sair da sua casa sozinhas e eu queria ficar associado com aquilo'", relembra Cialdini. "E me lembro de pensar 'uau, este cara entende o comportamento humano'."

Depois de três anos comparando as experiências com as pesquisas publicadas, Cialdini identificou seis princípios globais que, aparentemente, orientam qualquer campanha de persuasão. São eles:

•        Escassez

•        Autoridade

•        Prova social

•        Simpatia

•        Reciprocidade

•        Compromisso e coerência

O estudante que vendia a revista Sports Illustrated demonstra perfeitamente três destes princípios.

A venda por tempo limitado cria o sentimento de escassez. É a sensação de que estamos concorrendo por um recurso limitado e o temor de que podemos estar a ponto de perder uma oportunidade.

O estudante também apelou à autoridade, mencionando todos os especialistas que leem a revista. E ele ofereceu a prova social – a evidência de que outras pessoas como nós estão tomando a mesma decisão, descrevendo quantos colegas de Cialdini haviam aceitado a oferta.

Esta não é apenas uma questão de conformidade, mas ela também faz parte do processo. "Ela demonstra que a ação é válida e que sua realização é viável", explica Cialdini.

Já em relação à prova social, hoje podemos observar sua importância em diversos cenários.

Podemos ficar mais dispostos a baixar uma música, por exemplo, se soubermos que ela é popular entre outros ouvintes. E as pessoas ficavam mais propensas a usar máscaras durante a pandemia de covid-19, quando viam os demais fazendo o mesmo.

O princípio da simpatia diz que somos mais propensos a concordar com as sugestões ou exigências de alguém se passarmos a gostar daquela pessoa. Pode parecer óbvio, mas uma rápida análise das provocações existentes nos debates políticos indica que muitas pessoas não colocam esta ideia em prática quando tentam convencer os demais sobre as suas opiniões.

Na primeira edição do seu livro, Cialdini mencionou estudos sobre as "festas da Tupperware" – um modelo comercial em que um membro de uma comunidade pode ganhar comissão promovendo reuniões e vendendo os recipientes de cozinha.

Pesquisas mostraram que, quanto maior fosse a conexão social das pessoas com o anfitrião, maior a probabilidade de que eles comprassem os produtos, independente da sua qualidade ou das suas características.

A reciprocidade é definida pela expressão "uma mão lava a outra". Mas, no quesito influência, Cialdini demonstrou que favores muito pequenos podem render grandes dividendos.

Um exemplo é o famoso experimento da "Coca-Cola". Nele, o psicólogo Dennis Regan convidou participantes a visitar o seu laboratório. Sua tarefa era avaliar pinturas.

Em uma etapa do experimento, Joe – apresentado como um dos participantes, mas, na verdade, um assistente de pesquisa – saía do laboratório por um minuto. Em alguns casos, ele voltava com duas garrafas de Coca-Cola, uma para ele e outra para o participante real. Em outros, ele voltava sem nada.

Depois que o experimento supostamente havia acabado, Joe perguntava ao participante se ele gostaria de comprar bilhetes de rifa que ele estava vendendo. E seu comportamento anterior tinha grande influência sobre as decisões do colega.

Quando Joe praticava aquele pequeno ato de generosidade, comprando a garrafa adicional de Coca-Cola, os participantes compravam consideravelmente mais bilhetes.

E o principal é que isso acontecia até quando os participantes ouviam Joe maltratar alguém no início do experimento. Neste caso, a reciprocidade aparentemente superava a simpatia.

Por fim, existem o compromisso e a coerência.

"Quando fazemos uma escolha ou tomamos uma posição, enfrentamos pressões pessoais e interpessoais para pensar e nos comportar consistentemente de acordo com aquele compromisso", explica Cialdini.

O simples ato de perguntarmos a uma pessoa se ela irá votar, por exemplo, pode aumentar as chances de que ela compareça às urnas. Deixar de votar pareceria inconsistente e causaria uma desconfortável sensação de "dissonância cognitiva".

•        O poder da unidade

Nas edições atualizadas do seu livro, Cialdini acrescentou um sétimo princípio: a unidade, que faz com que as pessoas "sejam inclinadas a dizer sim para alguém que elas consideram um deles."

Ele conta que foi parcialmente inspirado pelo aumento do tribalismo que ele observa na sociedade.

"Sempre considerei a unidade um amplificador: se você tivesse unidade, a escassez ou a prova social seriam mais poderosas. Mas comecei a ver que ela [a unidade] tem uma força independente de qualquer uma das demais."

Cialdini indica um estudo sobre levantamento de fundos em um campus universitário. Nele, uma jovem pede contribuições para uma organização beneficente. "Quando ela começava seu pedido dizendo 'sou estudante', as contribuições recebidas aumentavam em 450%", segundo ele.

Cialdini também conhece a influência da unidade na sua própria vida pessoal.

"Pouco tempo atrás, li no jornal um artigo sobre celebridades que torcem por diversos times de futebol americano e fiquei sabendo que Justin Timberlake e Lil Wayne são torcedores apaixonados do [time] Green Bay Packers", ele conta. "Imediatamente, passei a apreciar mais a sua música e desejei que eles tivessem sucesso no futuro."

Perguntei a Cialdini se seus estudos sobre a persuasão o prepararam contra a manipulação de vendedores espertos. Será que ele ainda se considera ingênuo?

Cialdini responde que sua reação aos ataques de sedução das pessoas depende da confiabilidade das informações sendo transmitidas.

"Quando é um golpe, estou preparado para dizer não", diz ele. Mas, se as informações forem honestas e fundamentadas, "sou mais propenso a dizer sim, pois estes princípios podem nos orientar corretamente".

Cialdini destaca que é perfeitamente racional verificar se um produto é popular entre outras pessoas, por exemplo, o que aumenta a chance de ter apelo pessoal.

"E eu teria sido insensato se não soubesse qual é o consenso entre as verdadeiras autoridades sobre este analgésico, este automóvel ou esta revista."

Esta parece ser uma distinção importante. Se usarmos estes princípios honestamente, eles nos levam a fornecer as informações mais relevantes para que alguém tome sua decisão.

"Você é simplesmente informado ou instruído para a conformidade", segundo ele. E Cialdini defende que toda pessoa que decidir aplicar os princípios de forma desonesta precisará arcar com as consequências.

"Você acabará sendo desmascarado como trapaceiro – e quem irá querer fazer negócios com você de novo?"

•        Política convincente

Nas décadas que se seguiram ao lançamento de O Poder da Persuasão, o conselho de Cialdini foi muito valorizado pelos líderes corporativos e também pelos políticos.

Ele trabalhou, por exemplo, com o ex-presidente americano Barack Obama e com a ex-candidata presidencial Hillary Clinton. Ele fez parte de um "time dos sonhos", formado por psicólogos que assessoravam as campanhas presidenciais.

Uma das mudanças sugeridas pela equipe foi a forma de divulgação das doações da campanha. Em vez de fornecer o total arredondado do dinheiro recebido, eles passaram a informar o número total de pessoas que contribuíram.

"Isso fornece a prova social", explica Cialdini. "O número informa que existem muitas outras pessoas que decidiram entrar em ação e que você deveria prestar atenção naquilo."

Ele conta que seus serviços nem sempre foram bem recebidos pelas pessoas próximas aos candidatos.

"Os consultores tradicionais de campanha se sentiram ameaçados por estas informações provenientes da comunidade acadêmica, a que eles não tinham acesso", segundo ele. "Por isso, às vezes, eles ignoravam algumas das orientações."

Perguntei a Cialdini como poderíamos promover maior senso de unidade no mundo polarizado de hoje em dia.

Ele não tem soluções rápidas, mas sugere que todos nós podemos fazer um esforço maior para construir pontes com as pessoas que têm opiniões contrárias às nossas.

"Forme os tipos de conexão tradicionalmente associados ao parentesco ou à amizade", orienta ele. Você pode, por exemplo, convidar um colega para jantar, mesmo se a visão de mundo dele colidir com a sua.

"E você não os trata como convidados. Você os trata como família e pede para eles ajudarem a pôr e tirar a mesa."

Novamente, isso invoca sentimentos de confiança e "nos permite reduzir a falta de identificação".

Talvez você imagine que estes diálogos irão gerar conflitos, mas as pesquisas psicológicas indicam que, muitas vezes, formamos melhores laços com nossos "inimigos" políticos do que pensamos.

Cialdini certamente faz parecer fácil e acessível aplicar estes princípios psicológicos no nosso dia a dia.

Saio da entrevista com a sensação de que, agora, consigo entender muito melhor as formas de melhorar minhas comunicações e as estratégias que outras pessoas podem usar para influenciar meu pensamento.

Talvez seja fruto dos seus poderes de influência, mas Cialdini me convenceu de que a psicologia da persuasão é ainda mais relevante hoje em dia do que era em 1984.

 

Fonte: Por David Robson, para BBC Future

 

Banana, de manhã é ouro, de tarde é prata e de noite mata: nutricionista esclarece o que tem de verdade no ditado

Descubra a verdade por trás do ditado popular e saiba como a banana pode ser uma aliada da sua saúde em diferentes momentos do dia.

Você provavelmente já ouviu no ditado popular: "banana, de manhã é ouro, de tarde é prata e de noite mata". Mas será que existe alguma verdade por trás dessa afirmação? Afinal, a banana é uma das frutas mais consumidas no Brasil, conhecida por ser rica em nutrientes e uma aliada da saúde.

Para esclarecer o que é mito e o que é verdade nesse dito popular, conversamos com a nutricionista Priscila Gontijo, que explicou como o consumo da banana impacta o organismo em diferentes horários do dia. Acompanhe!

•        O melhor horário para comer banana é de manhã e o pior é à noite: mito ou verdade?

A expressão popular "banana, de manhã é ouro, de tarde é prata e de noite mata" pode soar um pouco exagerada, mas reflete uma visão tradicional, vinda da geração das nossas avós, sobre o horário mais apropriado para consumir essa fruta. Mas será que há realmente um melhor ou pior momento do dia para comer banana?

A nutricionista detalhou o que acontece com o nosso organismo quando ingerimos essa fruta em cada um desses horários:

•        Banana de manhã

Consumir banana pela manhã é considerado uma escolha de ouro, e não é por acaso! Essa fruta é rica em carboidratos de rápida absorção e potássio, sendo perfeita para compor o seu café da manhã, conforme explica Priscila:

“Pela manhã, após o jejum noturno, seu corpo está em busca de energia para começar o dia. A banana pode ajudar a fornecer um impulso de energia e equilibrar os eletrólitos, especialmente para quem pratica exercícios físicos pela manhã”, disse a especialista.

•        Banana à tarde

Durante a tarde, Priscila garante que a banana continua sendo uma boa opção, especialmente como lanche:

“Ela ajuda a manter os níveis de energia estáveis e pode prevenir os picos e quedas de glicemia que muitas vezes levam à sensação de cansaço. O magnésio presente na fruta também pode contribuir para o relaxamento muscular”, explicou a nutri. Então, se você está procurando um lanche saudável e energizante, a banana ainda é uma escolha acertada.

•        Banana à noite

Se você comer uma banana à noite, fique tranquilo, ela não vai fazer nenhum mal, muito menos te matar. A recomendação de moderação quanto ao consumo da banana neste horário é baseada em algumas preocupações:

“O alto teor de carboidratos pode, para algumas pessoas, impactar a qualidade do sono e contribuir para o acúmulo de energia não utilizada. No entanto, é importante notar que a banana contém triptofano, um aminoácido que pode ajudar na produção de serotonina e melatonina, hormônios que promovem um sono mais tranquilo”, esclareceu Priscila.

Para muitas pessoas, comer uma banana à noite não causará problemas e pode até oferecer benefícios. A questão é que o efeito do horário de consumo pode variar conforme as necessidades individuais e o estilo de vida de cada um.

<><> Dicas de como incluir a banana na sua dieta

A banana é uma fruta super acessível e fácil de incluir edm qualquer dieta. Com sua combinação de energia rápida e nutrientes essenciais, ela é uma aliada para a saúde e o bem-estar. Se você está procurando maneiras diferentes de incluir a banana na rotina alimentar, aqui estão algumas dicas práticas para aproveitar todos os benefícios dessa fruta:

•        Comece o dia com um smoothie de banana

Inicie o seu dia com um smoothie de banana para um café da manhã nutritivo. Combine uma banana madura com iogurte natural, um pouco de mel e algumas folhas de espinafre. Se preferir, adicione um pouco de aveia para dar mais consistência. Esse smoothie é delicioso e fornece uma boa dose de potássio e vitamina C para começar o dia com energia.

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•        Banana no pré ou pós-treino

As bananas são uma excelente fonte de carboidratos simples e potássio, tornando-as ideais para consumir antes ou depois dos treinos. Coma uma banana para um lanche pré-treino para garantir energia ou após o exercício para ajudar na recuperação muscular e na prevenção de cãibras. Se estiver buscando um pouco mais de proteína, adicione a banana a um shake de whey.

•        Experimente colocar a banana em sobremesas

Que tal uma opção de sobremesa saudável? Faça um “banana split” usando iogurte grego e frutas frescas ou prepare um sorvete de banana batendo a fruta congelada até obter uma textura cremosa. É uma forma divertida e saudável de matar a vontade de doce depois das refeições.

 

•        Maçã ou banana: qual dessas duas frutas é mais benéfica para a saúde?

Especialista revela qual dessas frutas vale mais a pena incluir na dieta e ainda fala sobre os prós e contras de cada uma.

Quando se trata de escolher entre comer uma maçã ou uma banana, é comum ficar em dúvida sobre qual delas oferece mais benefícios para a saúde. Ambas são super populares, práticas para o dia a dia e carregam uma lista de nutrientes importantes.

A maçã é rica em fibras e antioxidantes, enquanto a banana, conhecida por ser a queridinha dos esportistas, é uma poderosa fonte de potássio e energia. Mas qual delas ganha o título de mais saudável?

Para esclarecer essa dúvida, a nutricionista entrevistada pela France Bleu Belfort Montbéliard, Stéphanie Drieu, revela os prós e contras de cada uma dessas frutas e indica a vencedora dessa disputa. Confira!

<><> Os pontos fortes e fracos da maçã

Um dos pontos fortes da maçã é que ela está disponível em muitas variedades. “Assim, você pode brincar com cores, texturas, suculência, sabor e acidez”, explica Stéphanie Drieu. Ela também pode ser consumida de diversas formas, como amassada, em compotas ou em sobremesas.

Do ponto de vista nutricional, a maçã contém açúcar, como todas as frutas, com cerca de 9g a cada 100g. Ela também possui uma quantidade moderada de fibras (1,5g), incluindo a pectina, que auxilia na digestão. Além disso, as maçãs contêm antioxidantes, cuja quantidade pode variar de acordo com a cor da fruta. Outro ponto positivo das maçãs, segundo a nutricionista, é o preço acessível.

Além disso, a nutricionista Patricia Bertolucci, em um artigo para o Minha Vida, destacou outra vantagem dessa fruta: ela é uma fonte rica de potássio. “O potássio é indispensável para a geração de energia nas células, sendo importante na contração muscular e na transmissão de estímulos nervosos, além de essencial para a saúde cardiovascular”, ressaltou.

Por outro lado, há algumas desvantagens a serem consideradas, de acordo com Stéphanie Drieu. Se a maçã não for orgânica, pode conter muitos pesticidas, pois é uma das frutas mais tratadas. “Em média, ela passa por 35 a 40 tratamentos durante o cultivo”, alerta ela, “mas, com produtos orgânicos, pelo menos não haverá pesticidas sintéticos”.

<><> Os pontos fortes e fracos da banana

“As bananas são completamente diferentes”, começa Stéphanie Drieu. Essa fruta contém açúcar, mas também amido e fibras. “Como resultado, mesmo que haja um pouco mais de açúcar, ele é liberado mais lentamente no corpo. O amido proporciona mais energia, que dura mais tempo. Eu quase classificaria a banana como um alimento energético”, ela continua.

Em um artigo para o MinhaVida, a nutricionista Patricia Bertolucci revela outros benefícios dessa fruta: “A banana é uma excelente opção para o consumo diário, pois é rica em carboidratos (macronutriente responsável por fornecer energia às células). Além disso, a banana é rica em fibras e minerais, importantes para a saúde intestinal e metabólica”, detalhou.

Quais são os outros pontos fortes da banana? Ela é rica em potássio e triptofano, um precursor da serotonina, um dos hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar. Por fim, se a banana não for orgânica, isso não é tão problemático quanto no caso das maçãs, já que sua casca é removida antes do consumo.

<><> Quem vence essa disputa?

Para a especialista, é um empate. As maçãs contêm mais antioxidantes, enquanto as bananas possuem mais minerais. A recomendação é escolher de acordo com sua fome: se estiver com mais fome, opte pela banana, já que ela oferece energia por mais tempo.

 

Fonte: Minha Vida

 

Moisés Mendes: ‘Aliados expõem Bolsonaro como estorvo e entregam sua cabeça a Gonet e Moraes’

A rejeição a Bolsonaro nessa eleição, por parte de eleitores e de parceiros de luta, é mais do que constrangedora para quem pretendia ser visto, por muito tempo, como líder da extrema direita que vinha engolindo a velha direita.

É muito mais do que ser abalado pelo desprezo de liderados. É pior do que ter a prova da desimportância da sua imagem até para o fascismo. É também mais desmoralizante do que saber que, além de não atrair votos, ele atrapalha as campanhas.

É mais complicado do que perceber que, no embate que não desiste de fazer com Lula, ele afugenta possíveis eleitores de Ricardo Nunes e de outros candidatos, enquanto Lula atrai eleitores para Guilherme Boulos e nomes das esquerdas em cidades grandes e médias.

O pior do que não significar quase mais nada e ser rejeitado é saber que, exatamente por enfrentar essa degradação, deverá ser completamente abandonado como um leão velho, sem dentes e imprestável. E que, sem a proteção dos seus, finalmente será alcançado pelo sistema de Justiça.

Bolsonaro foi escondido nos biombos das campanhas da direita. Só aparece, mais como gesto de desespero, nas propagandas de Alexandre Ramagem no Rio e de outros do terceiro time da extrema direita. Todos com chances mínimas de chegar ao segundo turno.

Candidatos que conseguiram calibrar seus reacionarismos e se posicionar bem nas pesquisas, nas grandes capitais, não querem saber de Bolsonaro por perto. Como Nunes em São Paulo e Sebastião Melo em Porto Alegre.

Não há mais, por maior que seja o esforço até de parte da grande imprensa, conexões entre sucesso eleitoral e bolsonarismo, na velha e na nova direita. Bolsonaro é um espantalho assustando eleitores fiéis e indecisos.

É nessa situação, com a imagem aos frangalhos, que Bolsonaro será associado a fracassos e não terá nenhum vínculo com eventuais vitórias da direita. É assim, sem forças, que ele pode esperar o cerco final do Ministério Público e do Judiciário.

A campanha às eleições municipais preparou uma armadilha para Bolsonaro, por expor suas fragilidades. Nenhum outro teste é mais importante hoje do que esse que o denuncia como estorvo para os seus aliados.

Bolsonaristas em busca de consolo podem dizer que na campanha de 2014, quando Dilma venceu Aécio, o PSDB tentou esconder Fernando Henrique Cardoso. Não é a mesma coisa.

FH teve a imagem depreciada pelos desastres do segundo governo, mas não se envolveu com nada parecido com o conjunto de crimes que acabou com a força política de Bolsonaro.

Não há mais o que fazer. Depois da eleição, a qualquer momento poderão bater nas portas de Bolsonaro e de todos, civis e militares, que ele puxou para o golpe e para os delitos que cometeu.

Daqui a pouco mais de um mês, antes do verão e do recesso do Judiciário, passado o segundo turno, o cenário agora esboçado estará definido. Com o abandono de Bolsonaro, ficou mais fácil para Paulo Gonet e Alexandre de Moraes.

<><> Bolsonaro decide não gravar programa de Ricardo Nunes no 1º turno

Na Band e com Jair Bolsonaro, em 20 minutos, tudo pode mudar. Mas, salvo alguma novidade, a decisão atual do ex-presidente é não gravar neste primeiro turno um depoimento pedindo votos para Ricardo Nunes.

A promessa é que a gravação ocorra no segundo turno, se a maioria das pesquisas eleitorais se confirmar no dia 6 de outubro e o emedebista avançar para a última etapa da disputa.

A propósito, Bolsonaro segue sentindo-se pouco prestigiado por Ricardo Nunes. O problema é que, se o segundo turno for contra Guilheme Boulos, tudo indica que o emedebista vá se afastar mais ainda do ex-presidente, para tentar fazer prevalecer a imagem de alguém de centro.

•        Nunes foge de perguntas, comemora casas de 18m² e se escora em coronel

O debate da Record TV com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, realizado na noite deste sábado (28), manteve um tom civilizado, dentro do possível, e apenas viu a temperatura subir em alguns poucos momentos, mas dentro da “normalidade”. A transmissão começou com o mediador listando uma série de condições preestabelecidas com os participantes, como não sair do local onde foram colocados, não usar apelidos, não fazer acusações desrespeitosas e um rosário de outras imposições.

As mudanças são claramente uma reação ao baixíssimo nível da campanha eleitoral deste ano, sobretudo avacalhada pelo coach Pablo Marçal (PRTB), que depois de muitos xingamentos, acusações infundadas e provocações acabou agredido por uma cadeirada desferida por José Luiz Datena (PSDB) no debate da TV Gazeta, há algumas semanas.

Desde o início o coach goiano condenado por integrar uma quadrilha de fraudes a bando nitidamente estava se segurando para não vandalizar o encontro e descambar com tudo. Chegou até a chamar Guilherme Boulos (PSOL) de “Boules”, se ‘desculpando’ de forma cínica e irônica, mas acabou punido. Já Marina Helena (Novo) desfilou uma caravana de bobagens elitistas e ataques macartistas contra o candidato apoiado pelo presidente Lula, sempre fazendo dobradinha com Ricardo Nunes (MDB).

O atual prefeito, aliás, foi um dos centros do debate, sendo alvo de quase todos os candidatos. No geral, ele fugiu das perguntas e respondia a tudo com discursos desconexos e com supostos feitos de seu mandato. Foi neste momento, num dos ataques a Boulos, que ele resolveu se jactar de ter feito casas de 18m² e passou então a se escorar em seu vice, o coronel da reserva e ex-comandante da Rota Mello Araújo, um bolsonarista que quando estava na ativa assumiu abertamente que a Polícia Militar tem que abordar diferente os cidadãos que moram na periferia daqueles que vivem em bairros nobres.

Uma outra atitude que chamou a atenção foi a da candidata Tabata Amaral (PSB), que procurou de maneira mais direta antagonizar com Boulos e disparar críticas ao seu partido, o PSOL. Ela questionou o adversário de esquerda sobre sua posição em relação a temas caros ao campo progressista, como a liberação de drogas, aborto e o regime venezuelano de Nicolás Madura. Boulos procurou não polemizar e seguiu falando de propostas.

<><> E então Nunes, Bolsonaro vai indicar cargos caso você seja reeleito?

O prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), simplesmente ignorou a pergunta de uma jornalista neste domingo (28), durante debate promovido pela TV Record. Ele agiu como se ela simplesmente não tivesse tocado no assunto. E a pergunta era clara e fulminante:

“O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai indicar cargos na sua gestão?”

Nunes se limitou a defender seu candidato a vice, indicação de Bolsonaro, o coronel Ricardo de Mello Araújo.

E teve que ouvir Guilherme Boulos (PSOL), escalado para comentar sua resposta, lembrar afirmação do coronel de que a abordagem policial na periferia deveria ser diferente do que nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Nunes tem se esquivado cada vez mais do apoio do ex-presidente. O bolsonarismo que, em outro momento, trazia votos, virou um problema. E o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Boulos, tem o efeito contrário.

Pesquisa da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) divulgada pela Fórum neste sábado aponta que, numa mesma simulação de segundo turno, quando os eleitores são informados que Nunes é apoiado por Bolsonaro, ele cai de 41,9% para 40,5%. Boulos, por sua vez, quando o eleitor é avisado que tem o apoio de Lula, vai de 35,3% para 39%. Neste cenário, os dois ficam empatados tecnicamente.

•        PL já descarta 2º turno no Rio com Ramagem

O PL do Rio de Janeiro já perdeu as esperanças de que haverá um segundo turno nas eleições municipais da cidade, conforme reportado por Guilherme Amado, em sua coluna no Metrópoles. O partido avalia que Alexandre Ramagem, seu candidato à prefeitura, dificilmente conseguirá reduzir a larga diferença em relação a Eduardo Paes, atual prefeito e candidato à reeleição pelo PSD.

Na mais recente pesquisa de intenção de voto, Paes lidera com 59%, enquanto Ramagem aparece com 17%. Para que haja segundo turno, o candidato do PL precisaria aumentar sua popularidade em mais de 30 pontos percentuais em menos de uma semana. Diante desse cenário, integrantes do partido consideram a tarefa quase impossível.

Mesmo com o pessimismo predominante entre os aliados de Ramagem, Jair Bolsonaro (PL) pretende intensificar sua presença na capital fluminense na reta final da campanha. De acordo com fontes do partido, Bolsonaro deve participar de uma série de eventos ao lado de Ramagem entre os dias 1º e 6 de outubro, com o objetivo de alavancar o desempenho do candidato.

Apesar dessa movimentação, o clima dentro do PL é de resignação. Muitos acreditam que os esforços não serão suficientes para alterar significativamente o quadro eleitoral. A campanha de Ramagem vinha apostando em sua imagem de "outsider" e em sua trajetória como delegado da Polícia Federal, mas, até o momento, essas estratégias não se mostraram suficientes para ameaçar a hegemonia de Paes.

 

•        Em culto evangélico, Tarcísio prega contra "falsos cristos", "filhos das trevas" e "falsos profetas"

Em um momento decisivo da campanha eleitoral, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou de um culto neste domingo (29) na Igreja Mundial do Poder de Deus, localizada na região central da capital paulista. Acompanhado do prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), Tarcísio subiu ao palco ao lado do líder religioso apóstolo Valdemiro Santiago, onde fez um discurso direcionado aos fiéis, alertando sobre "falsos cristos", "filhos das trevas" e "falsos profetas", segundo a Folha de S. Paulo.

Durante sua fala, o governador mencionou que "estamos chegando a um momento decisivo, de pensar no futuro", e reforçou a necessidade de cautela diante de promessas falsas. Citando uma passagem bíblica, ele defendeu que “aquele que é infiel no pouco será infiel no muito”.

Tarcísio de Freitas tem intensificado sua agenda em apoio a Ricardo Nunes, buscando consolidar a base evangélica e neutralizar o crescimento de outros candidatos, como Pablo Marçal (PRTB), que também têm buscado o voto desta fatia do eleitorado. Durante o culto, o governador destacou que "os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz" e que é preciso estar atento para "falsos profetas" que prometem coisas "mirabolantes".

Ao ser questionado pela imprensa sobre a possível alusão a Marçal, que disputa o eleitorado evangélico com Nunes, Tarcísio evitou a confirmação direta, mas reconheceu que 'toda campanha tem falsos profetas'. O governador também aproveitou para criticar o nível de desrespeito que considera presente na corrida eleitoral, citando que o apelido "goiabinha", atribuído a ele por Marçal, é um sinal da falta de respeito por parte do adversário. "Se a pessoa não respeita ninguém, se não consegue respeitar o mandatário do estado, com quem vai ter de ter relação, como imaginar harmonia lá na frente?", questionou.

O culto, que teve início com cerca de uma hora de atraso, foi marcado por momentos de descontração e interação entre as lideranças políticas e religiosas. Valdemiro Santiago, em sua fala, destacou a importância de orar pelas autoridades, referindo-se a Tarcísio como um "homem de Deus, que gosta de gente. Amém!"

 

Fonte: Brasil 247/Fórum