Quando
a esquerda é também antissistema
Tenho sangrado demais / Tenho chorado pra
cachorro / Ano passado eu morri / Mas este ano eu não morro! Dezenas de artistas identificados com as lutas sociais
compareceram às manifestações deste domingo, mas poucos foram tão sensíveis
quanto Emicida. Ao resgatar, na tarde de São Paulo, o Belchior de 1976, ele deu
voz a uma multidão que se sentia ultrajada pelos retrocessos políticos e pela
prepotência dos conservadores — mas também pela dificuldade de articular uma
resposta nas ruas. Ela começou, finalmente. Centenas de milhares de pessoas
tomaram as principais cidades do país, contra a anistia aos golpistas de 2023 e
a blindagem que a maioria parlamentar conservadora quer garantir a si própria e
aos crimes que pratica. Os significados da possível virada iniciada
ontem — e os recados emitidos pelas ruas — são, no entanto, mais vastos.
Eis alguns: 1. Lula terá
apoio popular sempre que enfrentar as ameaças da ultradireita e as sanções dos
EUA. 2. Contudo, para não frustrar seus eleitores, nem ampliar
a descrença na política, um governo de esquerda não pode se deixar emparedar
pelas instituições conservadoras: precisa ser também antissistema. 3. Os
partidos e suas frentes sociais não têm mais o monopólio da convocação popular.
Felizmente, entraram em ação outros atores — o que garantiu o enorme sucesso da
jornada de domingo. 4. Estão emergindo novas pautas. Quem
reage aos privilégios do Congresso rejeita, também, seu papel de guardião do
atraso e dos interesses minoritários. 5. É preciso dar
sequência e profundidade à mobilização. Se isso ocorrer, pode surgir, no
período que nos separa das eleições de 2026, um programa popular
suprapartidário, que proponha a reconstrução do país em novas bases. Com base
nele, será possível sustentar a ideia de uma faxina no
Congresso. Estes cinco pontos, cuja elaboração detalhada não cabe no espaço
deste texto, são apresentados em síntese, nos parágrafos que seguem.
>>> 1. A supresa
Nas enormes manifestações de ontem foram
protagonistas, como se verá adiante, atores que vão muito além do lulismo e dos
partidos de esquerda. Mas enfrentar a ultradireita e o Centrão, e retomar a
maioria nas ruas, começou a se tornar possível no final de junho, quando o
governo deixou de ser submisso a um Congresso ultraconservador. Até então, o
país parecia viver em contagem regressiva para a volta do bolsonarismo.
Amarrado desde o início do terceiro mandato por um “ajuste fiscal” anacrônico,
que ele mesmo impôs ao país, o Palácio do Planalto era incapaz de corresponder
aos anseios de mudança que o elegeram. Seu índice de popularidade — a diferença
entre os que o apoiam e o rejeitam — chegou a 17 pontos negativos. Pior: ele
desidratava especialmente entre os segmentos sociais mais ativos em seu favor:
as mulheres, os nordestinos, os que ganham até 2 salários mínimos. Os setores à
sua esquerda radicalizavam a crítica — mas permaneciam impotentes, incapazes de
mobilizar a sociedade em favor de suas próprias teses…
As mudanças vieram em duas etapas. Em 28/6,
após sofrer uma derrota humilhante no Congresso, relacionada ao Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF), o Palácio do Planalto não reagiu com o conformismo
até então costumeiro. Recorreu ao STF. Muito mais importante: passou a
difundir, nas redes sociais, mensagens de denúncia contra os privilégios
fiscais dos mais ricos e a proteção dada a eles pelos parlamentares. Convocada
pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, uma primeira manifestação, em
11/7, reuniu um público muito menor que o deste domingo, mas sinalizou uma
mudança fundamental de atitude. Apelar às ruas deixava, pela primeira vez, de
ser tabu em Lula 3.
A disposição de mobilizar a sociedade assumiu
novo sentido 19 dias depois, quando Donald Trump impôs a uma longa lista de
produtos exportados pelo Brasil um tarifaço aduaneiro de 50%.
Tanto o objetivo declarado quanto o oculto eram de interferência política. A
Casa Branca “exigia” um afrouxamento das punições a que estavam sujeitos Jair
Bolsonaro e outros líderes da ultradireita, julgados por tentativa de golpe de
Estado em 2023. Além disso, demonstrava desejar que o Brasil desse aos EUA
acesso a seus minerais críticos e se comprometesse a preservar os interesses
das big techs norte-americanas no país.
Diante das pressões de Trump, atores
economicamente muito mais sólidos que o Brasil — como o Japão e a Coreia do
Sul, ou a União Europeia em bloco — capitularam. Lula resistiu. Os insistentes
pedidos de entidades empresariais e da mídia, que insinuavam a necessidade de
“um telefonema para a Casa Branca”, foram negados mesmo diante de novas ameaças
dos EUA, que persistem.
Uma capitulação de Lula teria tornado
extremamente improvável a grande jornada de 21/9. É quase impossível imaginá-la
em meio ao ambiente de derrota que prevalecia até meados de junho. Como
enfrentar as injustiças fiscais atávicas, ou as pressões imperiais contra o
país, sem contar com algum ponto de apoio no Estado brasileiro? Mas os sinais
de que havia resistência no governo, e de que as tentativas de anistiar os
golpistas e blindar o Congresso podiam ser vencidas, indicaram — ao contrário —
que as ruas poderiam fazer a diferença. Também por isso, elas voltaram a se
encher no domingo.
>>> 2. O cacoete
Passados três meses desde que Lula sinalizou
a possibilidade de uma mudança de rumos, uma contradição continua a marcar este
possível giro. No terreno da política interna, ele está restrito, até o
momento, ao terreno da retórica. No final de agosto, como reportou Outras Palavras, o governo anunciou os
planos para privatizar as três maiores hidrovias da Amazônia — com enormes
consequências sociais e ambientais —, pois o arrocho do investimento público
não permite mantê-las sob administração dos órgãos públicos. Em 17/9, a Medida
Provisória 1318/25 criou estímulos
tributários às corporações internacionais que
desejem instalar data centers no Brasil, quando a comunidade
científica e tecnológica pede que sejam instalados por empresas públicas, e
vinculados à soberania digital do país. E em 22/9, um dia depois dos protestos
do fim de semana, o ministro Fernando Haddad afirmou, a um encontro de
banqueiros, que o governo executa o “ajuste fiscal” “por convicção,
não por pressão”.
Isso não impede a narrativa do governo — e
seus atos reais de resistência a Trump — de produzir efeitos, como se viu: na
política, as palavras têm enorme peso. Mas a contradição entre o discurso e a
prática irá se alargar aos poucos, até que se torne impraticável, para Lula 3,
manter um pé em cada canoa. Foi este abismo, aliás, que dispôs o Centrão e a
ultradireita a lançarem, em 16/9, a tentativa de autoblindagem dos deputados —
e os animou, um dia depois, a aprovar urgência para a anistia dos líderes golpistas.
Vale a pena rememorar passo a passo. A prisão
de Bolsonaro e seus cúmplices havia sido decidida, pelo STF, na quinta-feira
anterior (em 11/9). Já na segunda-feira (15/9), porém, começaram no Congresso
as conspirações para anular, por meio de manobras, a decisão histórica que
puniu com rigor, pela primeira vez na história, uma tentativa de golpe de
Estado.
As bancadas governistas tinham a opção de se
opor e denunciar. Mas não cogitaram recorrer às ruas. Preferiram, como era de
costume, a via dos acordos. Há controvérsias e versões distintas sobre as
negociações. Não se sabe ao certo o que levou 12 deputados do PT a um voto
esdrúxulo. Foi um gesto de boa vontade que a bancada do partido fez, em direção
ao Centrão, em busca de contrapartidas? Ou foram decisões individuais dos
parlamentares, por motivos ainda obscuros. O certo é que já nas primeiras horas
de 17/9 os jornais alardearam que uma dúzia de petistas havia se posicionado,
junto com outros 341 deputados, em favor da Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) que buscava estabelecer a blindagem dos parlamentares.
A notícia jogou mais lenha na fogueira da
indignação popular.
>>> 3. O fator Caetano Veloso
As grandes mobilizações de rua por justiça
social, que foram uma marca da vida política brasileira entre 1977 e 1989,
refluíram nos governos petistas. Entre 2003 (quando Lula tomou posse pela
primeira vez) e 2016 (quando Dilma foi deposta por golpe parlamentar); e também
com Lula 3, a partir de 2023, os partidos de esquerda foram sempre minoritários
no Congresso Nacional. Estranhamente, porém, não foram capazes de enxergar
horizonte, nem de buscar apoio, mais além do Legislativo.
A manifestação de 11/7 deste ano, em resposta
às chantagens do Centrão, foi uma exceção. Convocada essencialmente pela
esquerda institucional e suas frentes sociais, teve, como se viu, alcance e
repercussão limitados. Para recolocar em movimento as ruas, era preciso algo
maior. Foi o que ocorreu imediatamente após o ultraje de 17/9, a partir de três
vertentes.
Uma delas foi a reação popular espontânea. Os
chamamentos, que partiam de múltiplas fontes, começaram já na madrugada em
seguida à votação. Tinham caráter claramente antissistema: “Congresso
inimigo do povo!” era um dos motes. Este apelo foi reforçado, porém, por outro
— vindo de parte das bancadas de esquerda no Congresso. Horas antes da PEC da
Blindagem ser aprovada, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), gravou um vídeo
em que denunciava a manobra, a partir do próprio plenário da Câmara: Estes
parlamentares, que não querem votar a isenção de imposto de renda para quem
ganha até R$ 5 mil, estão prestes a se proteger da Justiça. Não era
algo inteiramente inédito. Nos dias anteriores, embora sem tanta concretude,
Lindbergh Farias (PT-RJ) frisara a necessidade de mobilização popular contra o
risco de o Legislativo anistiar os golpistas.
Mas é provável que nem as convocações
populares espontâneas, nem as vozes de Boulos e Lindbergh, tenham produzido
efeito tão potente quanto um chamado do compositor Caetano Veloso. No mesmo
17/9, um vídeo gravado por ele com indignação peculiar chamava a proposta de
“PEC da Bandidagem”. E exortava: “Um negócio desse, ainda mais com o projeto de
anistia, não pode ficar sem resposta (…) A gente tem de ir pra rua, para a
frente do Congresso, como já fomos outras vezes: voltar a dizer que não
admitimos isso como povo, nação. Não admitimos!”.
Caetano foi muito além do discurso. Nas horas
seguintes, anunciou que compareceria, no domingo, ao protesto agendado para a
praia de Copacabana. Ou a seu convite, ou por impulso de seguirem seu gesto,
dezenas de outras presenças culturais ilustres confirmaram-se em sequência: as
de Chico Buarque, Gilberto Gil e Paulinho de Viola, também no Rio; de Emicida,
Nando Reis, Dexter e Otto, em São Paulo; de Daniela Mercury e Wagner Moura, em
Salvador; Chico César, em Brasília; Marco Nanin, em Belém; e muitas outras.
As presenças culturais ilustres são, desde
as Diretas Já, em 1984, uma característica das grandes
campanhas de mobilização popular. A ação liderada por Caetano produziu, em
21/9, dois efeitos notáveis. O primeiro, óbvio, foi encher as ruas — muito mais
do que poderiam os partidos de esquerda e suas frentes. Em consequência, deu-se
algo igualmente importante. Os palcos, improvisados em carros de som, foram
comandados na maioria dos casos pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.
Mas a presença de um público muito maior e mais diverso fez surgir algo que
lembrou, embora em menor proporção, as jornadas de 2013. Os múltiplos coletivos
— em especial, negros e feministas — com suas reivindicações, faixas e
bandeiras. Os partidos sem representação no Congresso (em São Paulo e no Rio,
destacou-se a UP). As milhares de pessoas que compareceram com seu cartaz feito
à mão, para somar-se ao grande mosaico do ato.
A esquerda parece ter-se reencontrado com seu
lado antissistêmico.
Belo Horizonte. Foto: Gladyston Rodrigues/D.A
Press
>>> 4. A fabulosa deputada 6×1
Em meio à diversidade multicor do ato em São
Paulo, ninguém foi mais ovacionada que a deputada Érika Hilton (PSOL-SP). A
multidão a saudou com aplausos e gritos de entusiasmo desde que ela, em passo
de superstar, avançou pela Avenida Paulista até o caminhão de som, rodeada por
um cordão de acompanhantes. O apoio tornou-se mais forte quando, microfone em
punho, foi além da denúncia da anistia e da blindagem (votadas por “um
Congresso canalha”), e fez um discurso de corte acentuadamente classista. Falou
dos que “acordam cedo para carregar o país nas costas”, na luta por uma vida
mais digna. Enalteceu “a classe trabalhadora, os negros, as mulheres, a
comunidade LGBT, os indígenas” — este “povo que quer comida, quer salário, quer
descanso, quer igualdade”. Propôs “continuar a tomar as ruas, as redes, o
parlamento” e “eleger em 2026 uma bancada de esquerda aguerrida, para ajudar o
presidente Lula a governar”. Talvez seja uma meia solução, como se argumentará.
A fala de Érika é emblemática porque expõe
como é possível transitar da denúncia dos privilégios do Congresso ao
desnudamento dos interesses econômicos e oligárquicos protegidos pelos
parlamentares. O fim da escala 6×1, que tornou a deputada famosa, é defendido por
70% dos brasileiros. Mas não passa no
Legislativo, por ter a oposição de 70%
dos deputados e senadores,
interessados em escorar os empresários que os financiam.
O apoio entusiasmado da rua à parlamentar
expõe uma brecha aberta na vida brasileira. Quantas pautas como a sua
permanecem subterrâneas — mofando nas gavetas do Legislativo e ocultas no
noticiário? Como esperar que a população apoie ou respeite um sistema político
que volta as costas para suas dores, porque não quer tocar nos grandes
privilégios? Uma esquerda que se cala diante deste ocultamento; que “prestigia
as instituições”, quando estas esnobam e humilham as maiorias, não estará
abrindo caminho para que a ultradireita proponha liquidar o que resta de
democracia? De que forma resolver o impasse?
>>> 5. Plataforma
Popular e Faxina
Como “tomar as ruas, as redes e os
parlamentos”, segundo a proposta esboçada, em São Paulo, pela deputada Érika
Hilton? O apoio a Lula em 2026, indicado por ela, pode ser eficaz para derrotar
a ultradireita. Desde que mudou o curso de seu governo, mesmo com todos os
limites que vimos, o presidente recuperou apoio rapidamente. As últimas
pesquisas revelam que está prestes a zerar seu déficit de popularidade e segue
em trajetória ascendente. Um texto no Poder 360, publicado em 18/9, sugere:
a economia pode ser aquecida, no próximo ano, com R$ 252 bilhões a mais. Sem
que nenhuma reforma estrutural tenha se realizado, eles advirão de medidas como
a isenção de imposto de renda até 5 salários-mínimos (que o Congresso não terá
como continuar adiando), elevação do Bolsa-Família e medidas pontuais como
contratação de especialistas para o SUS, “Gás do Povo” e gratuidade das contas
de luz para famílias que consomem até 80 Kw.
Mas o apoio a Lula será capaz de manter as
ruas mobilizadas e pulsando em favor da mudança, como neste fim de semana? Tudo
indica que não. O presidente já indicou que formará, também no
próximo ano, a frente amplíssima que permitiu derrotar Bolsonaro em 2022. Nela
cabem desde Érika até parte expressiva do Centrão e defensores do rentismo
financeiro, das privatizações, do agronegócio e de tantos outros interesses
parasitários.
Manter acesa a chama do 21 de Setembro exige
algo mais, com vistas às ruas e às eleições. Requer reconstruir um horizonte
político de mudanças. Um programa que expresse a crítica às injustiças
sociais, à degradação ambiental e à condição de periferia atrasada, a que o
país regrediu – mas também as alternativas. Esta possível Plataforma Popular
pode ser suprapartidária e cidadã. Significa incluir candidatos de múltiplos
partidos. Implica contar além disso, desde a formulação, com pensadores e
ativistas que se dedicam, hoje de forma fragmentada, ao exame da crise do país
e das saídas.
A retomada das ruas é promissora e pode
prosseguir, se houver quem a sustente. Não é preciso realizar, sempre, enormes
atos. Mas é importante que propostas como o fim da escala 6×1 e a redução da
jornada de trabalho não fiquem restritas nem à agenda hostil do Legislativo,
nem a movimentos valorosíssimos, mas de repercussão limitada, como o Vida Além
do Trabalho (VAT). Imagine uma Plataforma Popular abrangente, porém sintética e
claramente compreensível, a ponto de promover pedagogia política.
Formulá-la será obra árdua – mas plenamente
possível e muito instigante. Dela poderiam constar, por exemplo, a recomposição
dos direitos do Trabalho, extensivos também a novas realidades, como a das
plataformas; o resgate do projeto original do SUS, adaptado às condições
do século XXI; a Educação pública de excelência, em período integral e com
currículos abrangentes e renovados; a tarifa zero no transporte
público; a transição energética, com renacionalização da Eletrobrás; o
início de reconstrução de uma malha ferroviária brasileira e de redes de
metrô nas capitais; a reforma agrária com transição agroecológica;
uma reforma política que inclua formas diretas e participativas de
democracia; o fim do “ajuste fiscal”, a redução drástica do pagamento de
juros aos rentistas e o uso da capacidade de emissão de moeda do Estado
para a igualdade social e a reconstrução do país em novas bases.
Além de manter o debate sobre estes e outras temas nas ruas e redes, esta
Plataforma repolitizaria as eleições para o Legislativo, talvez deslocando para
elas o centro da disputa de ideias, em 2026. Sim, é preciso
derrotar a ultradireita na batalha pela Presidência, e isso requer uma
candidatura potente do ponto de vista eleitoral, como Lula. Mas é necessário,
também, projetar uma saída para a crise que ponha em xeque as causas
estruturais da desigualdade e do atraso brasileiros.
Imagine uma Plataforma Popular de cujo
desenho participem movimentos como o MST e o MTST; o VAT, os coletivos de
entregadores e Cesit-Unicamp; a Frente pela Vida, formada em torno da defesa do
SUS; a Campanha Nacional pelo Direito à Educação; a Plataforma por um Novo
Sistema Político; a Rede Brasileira de Integração dos Povos (Rebrip); a Frente
pela Soberania Digital; as frentes de massa inovadoras ligadas à UP; as
centenas de pesquisadores ligadas a estas iniciativas.
Imagine também que esta Plataforma Popular
lance, além dos “candidatos aguerridos de esquerda” hoje presentes nos partidos
políticos, figuras públicas como Manuela D’Ávila; Dráuzio Varella (lançada ao
Senado, meio como gracejo, meio a sério, no programa Calma, Urgente!),
Gilmar Mauro e Marina do MST; Carmen Silva (da Ocupação 9 de Julho, em São
Paulo); Jones Manoel (hoje empenhado numa campanha presidencial para a qual
falta partido); Ian Neves e Pedagolítica (do Coletivo Soberana); Rick Azevedo e
Priscila Araújo (do VAT), Luana Alves, e muit@s outr@s. Um elenco assim
poderia, inclusive, contrapor-se à casta política que hoje
controla o Legislativo propondo uma faxina do Congresso
Nacional e recuperando o espírito de indignação que tomou as ruas no fim de
semana.
Os desafios da política parecem às vezes
inalcançáveis; mas esta percepção se altera quando uma necessidade maior, antes
oculta, torna-se clara. Há três meses, a grande jornada de 21/9 era impensável.
No entanto, ocorreu, e graças a ela surgiram novas demandas – problemas melhores, que
cabe à formulação teórico-política tentar resolver. Melhor assim: aos poucos,
clareia-se um caminho para que seja possível, a uma esquerda que recupere seu
caráter de antissistema, olhar para 2026 e repetir os versos
de Belchior revividos por Emicida: Este ano, eu não morro!
Fonte:
Por Antonio Martins, em Outras Palavras

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