segunda-feira, 1 de setembro de 2025

PF vê risco de Bolsonaro pular muro dos fundos e fugir para embaixada dos EUA; entenda

A Polícia Federal (PF) elaborou um estudo de segurança sobre a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e concluiu que ele poderia escapar do condomínio onde cumpre prisão domiciliar e chegar em poucos minutos à embaixada dos Estados Unidos, para onde pediria asilo.

De acordo com o levantamento, feito com drones, a residência de Bolsonaro tem dois vizinhos laterais e três nos fundos. Policiais que fazem vigilância do lado de fora conseguiriam impedir uma tentativa de fuga pelos muros laterais, mas não teriam visibilidade caso ele optasse por pular os muros traseiros, que dão acesso ao jardim de casas vizinhas.

Nesse cenário, o ex-presidente poderia se esconder em um carro de terceiros e sair pela portaria sem revista, já que os veículos não passam por inspeção. O uso de tornozeleira eletrônica, segundo a PF, também não impediria a fuga: a sede da diplomacia norte-americana fica a cerca de dez minutos do condomínio Solar de Brasília.

A avaliação levou a corporação a pedir autorização para manter agentes dentro da casa de Bolsonaro 24 horas por dia. O objetivo seria eliminar qualquer possibilidade de evasão.

<><> PGR rejeita pedido da PF

O pleito, no entanto, foi rejeitado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele considerou que não há necessidade de medidas “mais gravosas” do que as já em vigor.

Bolsonaro está em prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF. Moraes havia solicitado parecer da PGR após receber alerta da PF sobre a possibilidade de fuga.

Embora tenha reconhecido que há indícios de risco — como o pedido de asilo à Argentina encontrado no celular de Bolsonaro e a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA —, Gonet entendeu que o monitoramento atual é suficiente.

“As circunstâncias recomendam precauções contra iniciativas de fuga. Tudo isso, afinal, é ainda mais acentuado pela proximidade do julgamento da ação penal, marcado para se iniciar em alguns dias. Providências de cautela já foram, por isso também, adotadas em atenção ao interesse na aplicação efetiva da lei penal”, escreveu.

O procurador, no entanto, manifestou-se favorável ao reforço da segurança nas proximidades da residência e no controle de acesso ao condomínio.

A PF insiste que a tornozeleira eletrônica pode falhar temporariamente, o que daria margem a uma fuga. A corporação também alerta que, caso Bolsonaro conseguisse alcançar a embaixada americana, a situação jurídica se tornaria ainda mais delicada, com implicações diplomáticas imediatas.

O julgamento da ação penal contra o ex-presidente está previsto para começar nos próximos dias no STF.

•        Moraes determina vistoria em todos os porta-malas dos carros que entrarem na casa de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (30) o reforço nas medidas de monitoramento permanente da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em um condomínio no bairro Jardim Botânico, área nobre de Brasília.

A decisão ocorre após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ter enviado ao STF parecer contrário ao pedido da Polícia Federal (PF) para que agentes da corporação permanecessem no interior da casa de Bolsonaro 24 horas por dia. Apesar disso, o procurador se manifestou favorável ao reforço da segurança nas proximidades da residência e na entrada do condomínio, o que foi acatado pelo ministro.

Em sua decisão, Moraes mandou a Polícia Penal do DF realizar monitoramento presencial na área externa da residência e das divisas com os demais imóveis, onde poderia haver exposição ao risco de fuga.

Além do monitoramento externo, o ministro do STF autorizou a realização de vistorias nos "habitáculos e porta-malas de todos os veículos que saírem da residência do réu". Essas vistorias, segundo a decisão, deverão ser documentadas, com a indicação dos veículos, motoristas e passageiros, e envio dessas informações ao STF diariamente.

<><> Julgamento

Na próxima terça-feira (2), Bolsonaro e mais sete aliados, que são réus do núcleo 1 da trama golpista, serão julgados pela Primeira Turma da Corte.

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde o início de agosto, com uso de tornozeleira eletrônica. A medida foi determinada após Alexandre de Moraes entender que o ex-presidente violou as medidas cautelares que proibiam postagens nas redes sociais de terceiros.

Na semana passada, em outra investigação, a PF descobriu que Bolsonaro tinha um documento de asilo político para ser apresentado ao presidente da Argentina, Javier Milei. Segundo a PF, o documento estava salvo no aparelho desde 2024.

De acordo com a defesa, o documento era apenas um "rascunho", e a solicitação de asilo não ocorreu. Os advogados negaram ainda a tentativa de fuga do país.

•        Flávio Bolsonaro critica decisão de Moraes e fala em "humilhação" a Michelle e Laura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou duramente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que neste sábado (30) determinou monitoramento policial na área externa da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar classificou a medida como uma "humilhação" contra Michelle Bolsonaro e a filha mais nova do ex-mandatário, Laura.

"Mais uma decisão ilegal, paranoica e que invade a privacidade das mulheres da casa de Bolsonaro. Uma humilhação com Michelle, com Laurinha, menor de idade, e com um ex-presidente da República honesto e inocente", afirmou Flávio, de acordo com a Folha de S. Paulo.

Moraes determinou que a Polícia Penal do Distrito Federal mantenha vigilância presencial na área descoberta da residência, mas ainda dentro do terreno, diante do risco de fuga de Bolsonaro. O ex-mandatário está em prisão domiciliar, em Brasília, com uso de tornozeleira eletrônica, e já contava com policiamento permanente em frente à casa. O julgamento de Bolsonaro e de outros sete acusados de participação em uma suposta trama golpista está marcado para terça-feira (2).

Além da vigilância, a decisão prevê inspeção em todos os veículos que saírem da residência. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se manifestado contra o pedido da Polícia Federal (PF) para monitorar o interior da casa, mas concordou que havia maior risco na área externa.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que a preocupação da PF sobre uma possível fuga de Bolsonaro tem fundamento. Segundo ele, os investigadores encontraram no celular do ex-presidente um rascunho de pedido de asilo político endereçado ao presidente da Argentina, Javier Milei, datado de 10 de fevereiro de 2024, dois dias após operações de busca contra o ex-mandatário.

Naquele mesmo mês, Bolsonaro também esteve na Embaixada da Hungria, o que reforçou, segundo o procurador, os indícios de que poderia buscar refúgio diplomático. Gonet acrescentou ainda que familiares e apoiadores do ex-presidente vivem no exterior e têm pressionado por medidas internacionais contra os processos que ele enfrenta no Brasil.

Ainda de acordo com a reportagem, o filho mais velho de Jair Bolsonaro elevou o tom contra o ministro do STF, acusando-o de parcialidade. "Além de ser notoriamente parcial para julgar e antecipar o cumprimento da pena, o que é proibido por lei e pacífico na jurisprudência do próprio STF, Alexandre de Moraes inventou uma nova modalidade de regime: o fechado com acompanhantes", declarou. Flávio ainda afirmou que Moraes "dá mais uma prova de que não tem a menor condição de compor a mais alta corte do Judiciário brasileiro".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também filho do ex-mandatário, está atualmente nos Estados Unidos, onde atua junto a autoridades do governo do atual presidente estadunidense, Donald Trump, em defesa do pai. Eduardo foi indiciado pela PF por tentativa de coagir processos em andamento no STF. Donald Trump chegou a anunciar novas tarifas contra o Brasil, citando uma suposta perseguição a Bolsonaro, e impôs sanções a Moraes em gesto de apoio ao ex-mandatário.

•        Bolsonaro pode ficar até sete anos em regime fechado se receber pena máxima

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser condenado a até sete anos de prisão em regime fechado caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida aplicar a pena máxima prevista nas acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O julgamento começa na próxima terça-feira (2), quando Bolsonaro responderá por crimes graves como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele também é acusado de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a PGR, o caso envolve diretamente a tentativa de golpe após a derrota para o presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.

>>> Pena pode variar entre 12 e 43 anos

De acordo com a acusação, a pena mínima para os crimes imputados a Bolsonaro é de 12 anos, mas pode chegar a 43 anos no limite máximo. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que, caso a condenação ultrapasse oito anos, o ex-presidente terá que começar a cumprir a pena em regime fechado.

“O fato é que é impossível retirar a alta carga de subjetividade do julgador no momento de ‘escolher’ a pena utilizada”, afirmou Leonardo Massud, professor e mestre em Direito Penal da PUC-SP. Ele acrescentou que, em casos colegiados como o do STF, os ministros podem buscar maior uniformidade, reduzindo discrepâncias entre penas aplicadas a Bolsonaro e a outros réus.

>>> Agravantes pela liderança e pelo uso da máquina pública

A PGR destaca que a acusação de chefiar uma organização criminosa armada agrava ainda mais a situação de Bolsonaro. A pena-base para esse crime é de 3 a 8 anos, podendo ser aumentada pela metade caso haja uso de armas, além de uma majoração adicional pelo fato de ser considerado líder.

Há ainda outro agravante: a participação de funcionários públicos que, segundo a acusação, teriam utilizado seus cargos em benefício da organização criminosa. Nesses casos, a lei prevê aumento de pena de um sexto a dois terços.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o simples fato de estruturar e organizar um grupo criminoso já configura o delito:

 “O simples fato de promover ou integrar uma organização criminosa já se configura como crime, independentemente da prática de outras infrações penais. Em outras palavras: a estrutura e divisão de tarefas já caracteriza o crime, mesmo que nenhum resultado tenha sido atingido.”

>>> Regime fechado pode durar até sete anos

A avaliação dos juristas aponta que, caso Bolsonaro receba a pena máxima, ele deverá permanecer pelo menos sete anos em regime fechado antes de qualquer progressão. Isso porque, em crimes cometidos com violência ou grave ameaça, a lei estabelece percentuais mais altos de cumprimento da pena antes da mudança de regime.

 “A progressão para o regime semiaberto pode variar entre 16% e 25% da pena. Em outras palavras, se condenado à pena máxima, a progressão não deverá vir antes de sete anos de prisão”, explicou Massud.

>>> Onde Bolsonaro pode cumprir pena

Por ser ex-presidente, Bolsonaro tem direito a cela especial, em uma “sala de Estado-Maior”. As opções seriam o Centro Penitenciário da Papuda, em Brasília, ou a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Considerando sua idade e problemas de saúde, também não está descartada a possibilidade de prisão domiciliar.

>>> Outros réus do processo

Além de Bolsonaro, também são réus na ação:

•        Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)

•        Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)

•        Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)

•        Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)

•        Mauro Cid (ex-ajudante de ordens e delator)

•        Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)

•        Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil)

Todos respondem por participação na trama golpista e podem enfrentar penas igualmente severas.

>>> Defesa pede absolvição

A defesa de Bolsonaro tem insistido em sua inocência e pediu a absolvição. Em suas alegações finais, os advogados sustentaram que, se houver condenação, a pena não deveria ultrapassar 14 anos.

O julgamento da Primeira Turma do STF será acompanhado de perto por todo o país, uma vez que poderá definir os rumos do maior processo relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2022.

 

Fonte: Brasil 247

 

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