quinta-feira, 30 de abril de 2026

'Lição para quem começou a guerra': EUA não atingem objetivos desejados no Irã, diz MRE iraniano

Os Estados Unidos, ao atacarem o Irã, queriam alcançar mudanças geopolíticas na região, e eles as conseguiram, mas o resultado é outro, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh.

Discursando no Instituto de Estudos Políticos e Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Irã, o vice-ministro afirmou que Teerã continuará a se defender, mas ao mesmo tempo vai buscar a resolução diplomática das hostilidades, já que, na opinião dele, a diplomacia não tem alternativas.

"Há uma expressão: tenha medo de seus desejos. Eles [EUA] queriam mudanças geopolíticas, eles as conseguiram, mas não tenho certeza se isso corresponde ao que eles queriam. Mais uma lição para quem começou a guerra", ressaltou Khatibzadeh.

O diplomata iraniano explicou que Washington iniciou a guerra contra Teerã porque queria "punir" os iranianos pela Revolução Islâmica de 1979, como resultado da qual os EUA foram "expulsos do Irã".

No entanto, os planos dos norte-americanos fracassaram: eles acreditavam que a República Islâmica estaria à beira do colapso e que os militares iranianos seriam incapazes de dar uma resposta, mas a realidade se mostrou outra.

"O Irã continuará em alerta máximo e defensivo em todas as frentes até que perceba que a guerra terminará 'em todas as frentes' e que a situação se estabilizará", disse o diplomata.

Ao mesmo tempo, ele enfatizou que o Irã precisa se concentrar em acabar com a guerra e abordar as causas subjacentes. O Irã continua agindo de acordo com essa linha e não aceitará riscos relacionados à soberania nacional, à integridade territorial ou à segurança nacional do país, acrescentou Khatibzadeh.

Vale mencionar que nesta terça-feira (28) um jornal norte-americano informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando a retomada dos bombardeios uma opção mais arriscada.

¨      Irã prioriza segurança regional mais do que programa nuclear em conversas com EUA, diz analista

Os iranianos estão adotando uma estratégia calculada, priorizando a estabilidade regional antes de abordar as questões nucleares, informa a agência de notícias CNN Brasil, citando Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC-Minas.

Zahreddine destaca que os iranianos estão "dando um nó" nos norte-americanos nas tratativas nucleares.

"O Irã tem adotado uma estratégia calculada nas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, priorizando primeiro a estabilidade regional e a abertura do estreito de Ormuz antes de discutir questões mais sensíveis, como o programa nuclear e mísseis balísticos", ressalta o analista.

Segundo ele, o Irã sabe que resolver rapidamente questões do seu programa nuclear seria prejudicial aos seus interesses.

Ao mesmo tempo, a estratégia iraniana inclui articulações diplomáticas com vizinhos, como viagens do ministro das Relações Exteriores ao Paquistão, Omã e Rússia, para ganhar apoio à negociação em etapas.

O foco é criar estabilidade regional e garantir livre acesso ao estreito de Ormuz, adiando temas nucleares, que são mais complexos. Essa tática contraria o objetivo principal dos EUA de resolver a questão nuclear de imediato, afetando diretamente a narrativa norte-americana.

Dessa forma, o analista conclui que o Irã fortalece sua posição regional diante das tentativas dos EUA de pressionar Teerã.

Cabe lembrar que, segundo informações da mídia, nesta segunda-feira (27), Teerã sugeriu aos EUA um acordo que prevê a abertura do estreito de Ormuz e o adiamento da discussão da questão nuclear para uma data posterior.

Na terça-feira (28), um jornal norte-americano escreveu que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava insatisfeito com a proposta iraniana porque ela previa o adiamento das negociações sobre a questão nuclear iraniana, enquanto esse era um dos pontos-chave para o chefe da Casa Branca.

Nesta quarta-feira (29), o presidente estadunidense instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando que a retomada dos bombardeios seria uma opção mais arriscada, segundo matéria de outro veículo de imprensa norte-americano.

¨      EUA gastaram cerca de US$ 25 bilhões na guerra com Irã, afirma Pentágono

Os Estados Unidos já gastaram cerca de US$ 25 bilhões (R$ 125 bilhões) na guerra contra o Irã, afirmou agência de notícias norte-americana, citando vice-secretário interino de defesa para finanças dos EUA, Jules Hurst.

Segundo a publicação, o montante de US$ 25 bilhões é a estimativa pública mais abrangente até o momento do custo do conflito, apresentada pela administração Trump.

"Até hoje, gastamos cerca de US$ 25 bilhões na operação Fúria Épica. […] a maioria [desses fundos foi gasta] em munição", declarou Hurst.

O alto funcionário do Pentágono responsável pelas questões orçamentais militares anunciou esse número durante um discurso perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes na quarta-feira (29), juntamente com o secretário de Defesa, Pete Hegset.

Durante a reunião foi debatida também a necessidade de aumentar o orçamento militar norte-americano. O chefe do Pentágono, Pete Hegset, argumentou que um aumento de 40% corrigiria a situação de subfinanciamento de longo prazo, criticando, ao mesmo tempo, as declarações antiguerra dos democratas.

Hegset negou também que a guerra tenha esgotado as principais reservas de munição. No entanto, a agência norte-americana informou que os bombardeamentos norte-americanos ao Irã também esgotaram uma grande parte dos estoques de mísseis e bombas de alta tecnologia.

Vale lembrar que, anteriormente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) afirmou que os Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta precisão em futuros confrontos de grande escala devido ao esgotamento de seus arsenais durante o conflito com o Irã.

<><> Economia do Reino Unido pode perder cerca de 35 bilhões de libras devido à guerra no Irã, diz mídia

O Reino Unido se prepara para um impacto econômico de £ 35 bilhões (R$ 235 bilhões) e uma possível recessão em 2026 devido às consequências da guerra no Irã, informa uma mídia britânica. O material destaca que, mesmo na melhor das hipóteses, a economia britânica registraria um crescimento mais lento em 2026 e 2027 devido ao conflito em andamento.

Segundo o artigo, o Reino Unido enfrentará um prejuízo econômico grave em 2026, com as repercussões da guerra no Irã intensificando as pressões sobre o governo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer.

"A economia do Reino Unido cresceria a um ritmo muito mais lento neste e no próximo ano devido ao conflito no Oriente Médio [...]. Isso representa um duro golpe para a missão do governo de fazer a economia do país voltar a crescer", ressalta a publicação.

Nesse contexto, é apontado que as famílias britânicas enfrentam custos crescentes de energia associados à guerra no Irã, o que agrava um déficit de bilhões de libras nas finanças públicas, em meio a pressões inflacionárias cada vez mais intensas.

Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio ressalta a vulnerabilidade do país a choques energéticos globais.

Isso prejudica principalmente as famílias mais pobres e sobrecarrega as empresas com custos mais elevados, além de deixar a economia do país significativamente abaixo das projeções recentes, mesmo que as tensões diminuam rapidamente.

Em uma perspectiva pessimista diante da guerra em andamento, as previsões de crescimento da economia britânica foram reduzidas em 0,5 ponto percentual para 0,9% em 2026 e em 0,3 ponto para 1% em 2027.

Em um cenário mais severo, porém plausível, no qual os preços globais do petróleo subissem para US$ 140 (R$ 697) por barril, a inflação aumentaria ainda mais, podendo levar a economia à recessão no segundo semestre deste ano.

Mesmo no cenário base, de uma redução gradual dos preços da energia, as taxas de juros devem subir um quarto de ponto em julho, para 4%, embora um aumento na próxima reunião de política monetária continue sendo possível.

Portanto, a matéria conclui que o impacto econômico da guerra pode aumentar o endividamento do governo em quase £ 24 bilhões (R$ 161 bilhões) até o final da década.

Anteriormente, um jornal britânico informou que no Reino Unido há temores de recessão, da escassez de suprimentos no Serviço Nacional de Saúde e alerta sobre a vulnerabilidade econômica do país.

¨      EUA revisam proposta de paz do Irã apesar do descontentamento de Trump, diz mídia

Embora o presidente norte-americano, Donald Trump, esteja insatisfeito com a proposta do Irã sobre cessar-fogo e resolução da situação no estreito de Ormuz, a Casa Branca ainda analisa a mensagem iraniana, afirmou o jornal estatal chinês Global Times.

Citando o vice-diretor do Instituto de Pesquisas Internacionais chinês, Dong Manyuan, o veículo informou que o descontentamento do presidente estadunidense pode não significar uma rejeição completa, deixando espaço para a possibilidade de que Washington possa formular uma contraproposta após uma análise mais aprofundada.

"Um olhar mais atento aos detalhes mostra que o Irã não abandonou suas pré-condições; em vez disso, adiou as negociações sobre a questão nuclear, o que por sua vez destaca o estreito de Ormuz como um ponto-chave de discórdia", opinou o especialista chinês.

Ao mesmo tempo, Dong Manyuan sublinhou a queda da imagem dos Estados Unidos aos olhos da comunidade internacional e o crescimento da desconfiança de uma série de países em todo o mundo com as ações norte-americanas no Golfo Pérsico.

"Repetidas violações no estreito de Ormuz fizeram o mundo pagar pelas ações irresponsáveis dos Estados Unidos. Aquilo que inicialmente causou descontentamento em alguns países agora se transformou em um problema internacional mais amplo que provocou forte oposição de muitas nações", observou o analista.

Cabe lembrar que, segundo informações da mídia, nesta segunda-feira (27), Teerã sugeriu aos EUA um acordo que prevê a abertura do estreito de Ormuz e o adiamento da discussão da questão nuclear para uma data posterior.

Na terça-feira (28), um jornal norte-americano escreveu que Donald Trump estava insatisfeito com a proposta iraniana porque ela previa o adiamento das negociações sobre a questão nuclear iraniana, enquanto esse era um dos pontos-chave para o chefe da Casa Branca.

Nesta quarta-feira (29), o presidente estadunidense instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio de longo prazo ao Irã, considerando que a retomada dos bombardeios seria uma opção mais arriscada, segundo matéria de outro veículo de imprensa norte-americano.

<><> Trump recebe opções para lidar com o bloqueio de Ormuz em meio a negociações paralisadas, diz mídia

Trump recebeu novas opções para responder ao bloqueio do estreito de Ormuz enquanto as negociações com o Irã seguem sem avanços diplomáticos, segundo a mídia norte-americana. A Casa Branca avalia ampliar ou reduzir sua presença na hidrovia após semanas de tensão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu uma série de opções sobre como lidar com o bloqueio contínuo do estreito de Ormuz, enquanto as negociações entre Washington e Teerã estão paralisadas, informou a mídia norte-americana nesta quarta-feira (29), citando duas pessoas a par da reunião.

Mais cedo, Trump instou o Irã a acelerar os esforços para chegar a um acordo sobre o programa nuclear.

As opções apresentadas na segunda-feira (27) foram elaboradas pela equipe de Segurança Nacional do presidente e incluíam aumentar ou reduzir a presença dos EUA na hidrovia, segundo a reportagem, que cita um funcionário norte-americano. Além disso, a "agressividade" operacional de Washington também foi discutida.

Trump ainda não decidiu qual opção seguir, informou a apuração, observando que não está claro quando o presidente pretende tomar uma decisão.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, causando danos e baixas civis. Em 7 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. As negociações subsequentes em Islamabad terminaram sem conclusões, e Trump estendeu a cessação das hostilidades para dar ao Irã tempo para apresentar uma "proposta unificada".

Em 13 de abril, a Marinha dos EUA começou a bloquear o tráfego marítimo que entrava e saía dos portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz. Washington afirma que embarcações não iranianas podem navegar livremente pelo estreito, desde que não paguem pedágio a Teerã.

¨      Presença militar israelense nos Emirados não muda arquitetura de segurança no Golfo, diz mídia

O suposto envio da Cúpula de Ferro por Israel aos Emirados Árabes Unidos (EAU), usada para interceptar mísseis iranianos durante a escalada regional, marca uma cooperação militar inédita entre os dois países, mas indica uma tendência no Oriente Médio em meio à guerra com o Irã.

O suposto envio do sistema antimíssil Cúpula de Ferro para os Emirados Árabes Unidos, revelado pelo Axios, foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão nos alinhamentos de segurança do Oriente Médio, em meio à guerra entre Israel e Irã.

A presença do sistema, acompanhado por tropas israelenses, teria ocorrido logo no início do conflito, marcando uma mudança significativa na cooperação militar entre os dois países, embora não indique uma tendência mais abrangente.

Segundo o site norte-americano, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o envio de uma bateria completa da Cúpula de Ferro — com interceptores e dezenas de operadores — após uma conversa com o presidente emiradense, sheik Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Os EAU teriam utilizado o sistema para interceptar dezenas de mísseis iranianos, configurando a primeira operação da Cúpula de Ferro em território árabe.

A suposta implantação ocorreu enquanto os Emirados eram alvo de ataques com mísseis e drones, parte da retaliação iraniana contra aliados dos EUA após o início dos bombardeios conjuntos de Washington e Tel Aviv contra o Irã, em 28 de fevereiro. O episódio reforçou o papel central dos sistemas de defesa antiaérea no conflito, especialmente diante das táticas eficazes de saturação empregadas por Teerã.

Desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, os EAU aprofundaram sua cooperação militar com Israel, e o conflito atual parece ter acelerado essa integração. O Ministério da Defesa emiradense afirma que o país foi alvo de cerca de 550 mísseis balísticos e de cruzeiro e mais de 2.200 drones, e embora a maioria tenha sido interceptada, os mísseis iranianos demonstraram que o sistema israelense não é infalível.

Para Liselotte Odgaard, pesquisadora do Hudson Institute consultada pelo South China Morning Post, o envio da Cúpula de Ferro representa um "momento decisivo" na arquitetura de segurança regional, indicando que a defesa antiaérea está se tornando um esforço compartilhado.

A analista ressalta, porém, que o sistema é eficaz, mas limitado, e deve ser entendido como parte de uma defesa em camadas, não como um escudo absoluto.

Odgaard argumenta que a presença de uma bateria operacional israelense nos Emirados marca a transição da normalização diplomática para a integração militar em tempos de guerra, refletindo um nível inédito de coordenação. Para ela, a medida também evidencia uma convergência na percepção de ameaças em relação ao Irã entre Israel e seus parceiros do Golfo.

Também falando à apuração, James Dorsey, pesquisador em Cingapura, elogiou a primeira implantação da Cúpula de Ferro em um Estado árabe, mas alertou que isso não deve ser interpretado como uma tendência generalizada no Golfo. Segundo ele, os Emirados são uma exceção, por serem o parceiro mais próximo de Israel tanto política quanto ideologicamente.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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