quarta-feira, 29 de abril de 2026

Larry Johnson: Tiroteio no jantar da Casa Branca foi real ou uma operação forjada do governo Trump?

O debate sobre a possível retomada dos ataques ao Irã foi interrompido por um atirador solitário — supostamente um professor de 31 anos da Califórnia — que correu pelos corredores do Hotel Washington Hilton, onde acontecia o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca. O jantar já foi descrito como o Baile dos Nerds.

O atirador não entrou no salão de baile… Ele foi baleado do lado de fora, após atingir um policial, que teve a oportunidade de testar a eficácia de seu colete à prova de balas.

A mídia está dando grande destaque a este evento como mais uma tentativa de assassinato contra Donald Trump, mesmo que o atirador tenha sido subjugado e preso no saguão do local.

Dada a escassez de informações sobre as duas tentativas anteriores contra Trump — em Butler, Pensilvânia, e no clube de golfe de Trump na Flórida — é compreensível que alguns — eu inclusive — estejam se perguntando se este tiroteio foi real ou uma operação forjada (false flag).

Vamos ver se a Casa Branca manipula este evento nos próximos dias para justificar uma nova política ou ação do governo Trump. Um ataque ao Irã, talvez?

Falando em Irã, Donald Trump continua se comportando de forma errática. Basta ver seus comentários nos últimos dois dias.

Em 24 de abril de 2026 (sexta-feira), o presidente Trump fez diversos comentários sobre as negociações de cessar-fogo/paz em andamento entre os EUA e o Irã, em meio a uma frágil situação pós-conflito envolvendo ataques aéreos, um bloqueio naval e questões relativas ao Estreito de Ormuz.

Em entrevista telefônica à Reuters, ele afirmou que o Irã estava se preparando para fazer uma oferta com o objetivo de atender às exigências dos EUA. Ele disse: “Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, observando que ainda não conhecia os detalhes.

Questionado sobre os parceiros de negociação no Irã, ele respondeu: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no poder agora”. Anteriormente, ele havia expressado incerteza sobre a liderança iraniana e sobre quem detinha a verdadeira autoridade.

A Casa Branca anunciou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajariam ao Paquistão no dia seguinte (25 de abril) para negociações mediadas pelo Paquistão, com o vice-presidente JD Vance de prontidão. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, observou “algum progresso” por parte do Irã.

Em 25 de abril de 2026 (sábado), Trump cancelou a viagem planejada do enviado depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixou o Paquistão sem um contato direto com os EUA:

Ele publicou um comunicado no Truth Social anunciando o cancelamento, criticando a longa viagem (por exemplo, voos de cerca de 18 horas) e afirmando que não valia a pena para negociações improdutivas. Ele enfatizou que os EUA detinham grande poder de barganha (“Temos todas as cartas na manga”) e que o Irã poderia simplesmente ligar se estivesse falando sério.

Em declarações à imprensa (por exemplo, à Fox News), ele reiterou que não enviaria funcionários para “ficarem sentados conversando sobre nada” e sugeriu que o Irã posteriormente apresentou uma oferta “muito melhor” após o cancelamento. Ele minimizou a possibilidade de uma retomada imediata do conflito.

Nas últimas 48 horas, Trump se contradisse. Na sexta-feira, ele afirmou que a oferta anterior ao cancelamento era insuficiente (“um documento que poderia ter sido melhor”, “ofereceu muito, mas não o suficiente”).

No entanto, ele também disse que, cerca de 10 minutos após o anúncio do cancelamento, o Irã enviou uma proposta “muito melhor”. Mas aqui está o ponto crucial: o Irã apresentou a mesma lista de exigências que havia entregado a Trump duas semanas antes.

Trump descreveu o cancelamento da suposta reunião em Islamabad como uma tática de pressão bem-sucedida que melhorou imediatamente os termos — enquanto, simultaneamente, justificava o cancelamento alegando que a oferta original era ruim.

Isso não é uma estratégia de negociação inteligente, é pura palhaçada.

¨      O atirador acertou nos jornalistas. Por Moisés Mendes

Um atirador obrigou Trump a dizer o que já deveria ter dito diante de jornalistas, pela imposição da profissão que faz perguntas, mas não com o auxílio da muleta de uma figura que teria tentado matá-lo: “Eu não sou estuprador, nunca estuprei ninguém. Eu não sou pedófilo".

Foi uma jornalista a formuladora da pergunta, a partir da carta deixada pelo atirador para a família. Essa carta foi a muleta. A jornalista Norah O'Donnell, da CBS, só perguntou a Trump, no dia seguinte, se ele era o pedófilo citado no texto porque Cole Thomas Allen disse o que os jornalistas americanos se negam a dizer.

Allen escreveu antes da invasão do hotel onde se realizava o banquete, sem citar Trump: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”. 

Norah, ao entrevistar Trump na TV, leu esse trecho e pediu que ele o comentasse. Trump respondeu acusando a jornalista de ser uma pessoa horrível, e ela faz então a pergunta que ninguém tinha feito:

"Você acha que ele estava se referindo a você?"

Trump diz, pela primeira vez diante de uma pergunta direta, que não é pedófilo nem estuprador. O jornalismo já havia tido a chance de enfrentar Trump sobre o caso Epstein com uma pergunta assim: você é pedófilo e estuprador?

Em muitas ocasiões, ele foi confrontado com o andamento do caso na Justiça, mas não dessa forma: o atirador que fala em pedófilo e estuprador se refere a você?

Não é uma perguntinha protocolar sobre o que você acha das investigações, dos dossiês e dos depoimentos de vítimas da rede de pedofilia e prostituição, mas uma pergunta direta. Formulada a partir da acusação do atirador.

Quem teria a coragem de fazer essa pergunta durante a festa de gala em que jornalistas confraternizavam com o maior gângster mundial? Quem, entre os que se jogaram ao chão no banquete para jornalistas, perguntariam a Trump: você é pedófilo e estuprador?

A cena provocada pelo atirador expôs o cinismo do jornalismo que senta, come e bebe ao lado do poder que o atemoriza e o amordaça. Sem o atirador, não teríamos a pergunta e a reação de Trump. Allen pautou o jornalismo.

Um jornalismo de corporações de mídia americanas e de outros países que também continua, por falta de coragem, manchando as próprias mãos com o sangue de crianças, mulheres e idosos assassinados pelos foguetes de Trump e por soldados de cúmplices a seu mando. E o doente, segundo Trump, é o atirador.

¨      Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington

"Não consigo me imaginar em uma profissão mais perigosa", declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poucas horas depois de se ver envolvido em outro grave incidente de segurança.

Mesmo com um pequeno exército de agentes do Serviço Secreto americano que, possivelmente, transformam o presidente na pessoa mais protegida do mundo, mantê-lo a salvo está se mostrando uma tarefa árdua.

Primeiramente, em 2024, Trump sofreu uma tentativa de assassinato em Butler, no Estado americano da Pensilvânia, quando uma bala atingiu sua orelha de raspão.

Apenas 64 dias depois, ele voltou a ser alvo de um agressor, quando jogava no seu campo de golfe, na Flórida.

Agora, depois que novos disparos interromperam o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca no hotel Hilton da capital americana, Washington DC, a segurança de Trump está novamente sob questionamento.

O motivo e o alvo exato do suposto atirador — Cole Tomas Allen, de 31 anos — ainda não foram esclarecidos. Mas aumentam os questionamentos sobre como um homem armado conseguiu se aproximar tanto do presidente americano.

Allen foi acusado formalmente de três crimes:

  • Tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos e for condenado, o réu poderá pegar pena de até prisão perpétua em penitenciária federal;
  • Transporte interestadual de arma de fogo com a intenção de cometer um crime. Em caso de condenação, a pena prevista é de até 10 anos de prisão federal;
  • Disparo de arma de fogo durante a prática de um crime violento. Se for considerado culpado, o réu poderá ser condenado a até 10 anos de prisão federal.

A polícia informou que os agentes de segurança e o suspeito trocaram disparos em um andar do hotel, exatamente acima do local onde Trump estava reunido com outros convidados.

Uma das incógnitas é se foram implementadas medidas de segurança suficientes no hotel que abrigava alguns dos políticos, diplomatas e jornalistas mais influentes de Washington.

O correspondente-chefe da BBC na América do Norte, Gary O'Donoghue, estava presente no jantar.

Ele declarou que as ruas em torno do Washington Hilton Hotel ficaram fechadas por horas, mas a segurança no local em si "não era particularmente grande".

"O homem na porta do lado de fora deu apenas uma olhada rápida no meu ingresso, a uma distância que devia ser de uns dois metros", escreveu ele.

As entradas para o jantar tinham impressos apenas os números da mesa, não os nomes dos convidados. Em nenhum momento, foi solicitada a identificação para entrar no hotel.

Os convidados que se dirigiam ao jantar desciam por escadas rolantes dos lobbies principais, antes de passarem pelo controle de segurança em uma área localizada um andar acima das entradas do salão de baile. E, no início do jantar, eles desciam por um lance de escada para entrar.

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As imagens das câmeras de segurança publicadas por Trump nas redes sociais mostram o suspeito atravessando um dos pontos de controle, antes que os agentes do Serviço Secreto abrissem fogo. As autoridades declararam que ele portava uma espingarda, uma pistola e várias facas.

O suspeito trocou disparos com os agentes antes de ser detido.

O jornalista Wolf Blitzer, da rede americana CNN, declarou ter visto o suspeito disparar várias vezes com uma arma "muito perigosa".

Posteriormente, o presidente publicou uma foto de um homem sem camisa no chão, com as mãos algemadas às costas e rodeado por agentes do Serviço Secreto.

O procurador-geral em exercício dos Estados Unidos, Todd Blanche, declarou à rede americana NBC News que, aparentemente, o objetivo era atingir integrantes do governo, "provavelmente incluindo o presidente".

A polícia indicou que Cole Tomas Allen era hóspede do Washington Hilton, que continuou funcionando como hotel, mesmo abrigando algumas das pessoas mais poderosas do mundo.

O hotel fechou suas portas ao público horas antes do início do evento de sábado. O acesso ficou restrito aos hóspedes e às pessoas que tinham ingressos para o jantar ou para as recepções realizadas no local.

Quando Trump se sentou no salão de baile, um amplo aparato de segurança, incluindo equipes de contra-ataque fortemente armadas, se encarregou de proteger a sala, momentos depois dos disparos ocorridos no lado externo.

O ex-embaixador britânico em Washington, Kim Darroch, já havia comparecido a jantares de correspondentes anteriormente e criticou o aparato de segurança.

"Se você estivesse ali [como hóspede do hotel] e quisesse irromper no jantar com más intenções, precisaria apenas evitar um controle de segurança... e sairia no salão de baile", declarou ele ao programa de TV Sunday with Laura Kuenssberg, da BBC.

<><> 'Edifício não é particularmente seguro'

O próprio Trump declarou posteriormente que o Hilton "não é um edifício particularmente seguro".

Ele destacou que o incidente demonstrou a importância do novo salão de baile da Casa Branca, atualmente em construção, cuja obra é objeto de litígio.

"Na verdade, é uma sala maior e muito mais segura", segundo Trump. "É à prova de drones. Tem vidros à prova de balas. Precisamos do salão de baile."

O presidente também elogiou a "coragem" do Serviço Secreto, que escoltou a ele e ao vice-presidente J.D. Vance para fora de cena, afirmando que eles fizeram "um grande trabalho".

Especialistas em segurança presidencial e policial destacaram que o fato de o atacante nunca ter chegado ao salão de baile indica que as medidas de segurança funcionaram.

O ex-agente do Serviço Secreto Jeffrey James, que trabalhou na proteção de Trump durante seu primeiro mandato, destacou que o agressor foi detido em "ponto de controle perimetral externo" e nunca chegou ao piso onde estava o presidente. Ele também elogiou a comunicação entre os agentes.

Questionado pelo programa Today, da BBC Rádio 4, se as imagens mostravam alguma demora na retirada de Trump de cena, James afirmou que os agentes utilizaram uma "pausa tática" de vários segundos, para se assegurarem de não cair em uma emboscada.

O ex-agente especial do FBI, Jeff Kroeger, havia declarado anteriormente à BBC que "é exatamente para isso que o Serviço Secreto é treinado".

Quando ouviram os disparos, eles "convergiram em torno do presidente", criando uma "barreira corporal", explicou ele.

Outro ex-agente do Serviço Secreto, Barry Donadio, declarou à BBC que, aparentemente, não havia "falta de agentes, oficiais e policiais" no evento.

Ao comentar sobre como poderia alterar a segurança, especialistas indicaram esperar medidas mais rigorosas para os eventos de Trump a partir de agora, como um perímetro mais amplo.

O tiroteio de sábado é o mais recente episódio de violência política ocorrido nos Estados Unidos. E os dados indicam que ela vem aumentando.

Em 2023, a polícia do Capitólio americano investigou mais de 8 mil ameaças, o que representa um aumento de 50% em relação a 2018.

O assassinato de Charlie Kirk (1993-2025), ocorrido no Estado de Utah, expôs ainda mais as profundas divisões políticas existentes nos Estados Unidos.

O comentarista conservador foi vítima de tiroteio enquanto discursava em um evento da organização Turning Point USA, em um ato de violência filmado e distribuído via internet.

Meses antes, a ex-deputada estadual democrata de Minnesota Melissa Hortman (1970-2025) e seu marido Mark foram mortos a tiros. Já o esposo da ex-presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, foi atacado com um martelo. Paul Pelosi foi hospitalizado com fratura do crânio.

Entre outros presidentes que foram alvos de tentativas de assassinato, encontra-se o ex-presidente republicano Ronald Reagan (1911-2004), que foi ferido a bala por John Hinckley Jr. em 1981.

Reagan sofreu perfuração de pulmão, mas sobreviveu. O atentado ocorreu em frente ao Washington Hilton, o mesmo hotel que recebeu o jantar de sábado passado (25/4).

Questionado sobre a frequência dos ataques durante seus eventos, Trump respondeu que havia "estudado assassinatos" e que presidentes anteriores também foram alvo de ataques, como Abraham Lincoln (1809-1865).

"São figuras importantes e lamento dizer que me sinto honrado por isso, mas é que fiz muito [pelos Estados Unidos]", concluiu o presidente.

¨      Suspeito de ataque em evento de Trump apareceu com roupa do exército de Israel nas redes

Circula nas redes sociais uma foto de Cole Thomas Allen usando um moletom das Forças de Defesa de Israel (IDF), um dos detalhes que chamaram atenção após o ataque durante o jantar de correspondentes da Casa Branca. Apesar da repercussão, as autoridades ainda não divulgaram um perfil psicológico do suspeito nem esclareceram seus possíveis motivos, informa a agência Sputnik.

Allen, de 31 anos, foi detido após um tiroteio com o Serviço Secreto no evento. No momento da prisão, ele portava uma espingarda, uma pistola e várias facas, e teria planejado atacar “autoridades do governo”. O presidente Donald Trump e os investigadores tratam o caso como um ataque de “lobo solitário”.

Sem antecedentes criminais, Allen foi descrito por um ex-colega de time de vôlei no ensino médio como alguém “muito estável”, “gentil” e um “quase gênio”. Ao mesmo tempo, há relatos de que ele expressava visões “anarquistas”. Outro dado que surpreendeu foi a doação de US$ 25 feita por ele à campanha presidencial de Kamala Harris em 2024.

Com formação sólida na área de tecnologia, Allen se graduou em engenharia mecânica pelo Caltech em 2017 e concluiu mestrado em ciência da computação pela California State University, Dominguez Hills, em 2025. Durante a graduação, participou de grupos como a Christian Fellowship e de equipes de robótica, incluindo Nerf e Blitzkrieg Bots. Em 2014, também integrou o programa de pesquisa de verão do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, com foco em astrofísica.

Na vida profissional, atuava como desenvolvedor independente de jogos e tinha experiência como professor e tutor em meio período na C2 Education, empresa privada de serviços educacionais na Califórnia, onde chegou a ser eleito “Professor do Mês” no fim de 2024. Antes disso, trabalhou na Su-Kam Intelligent Education Systems, desenvolvendo software educacional interativo, e como engenheiro mecânico na IJK Controls, fabricante de equipamentos com vínculos militares. Em 2016, foi estagiário na Fluid Synchrony, empresa voltada a sistemas implantáveis de liberação de medicamentos com micro e nanotecnologia.

 

Fonte: Sonar 21/Brasil 247/BBC News

 

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