segunda-feira, 27 de abril de 2026

‘Não escrevo para satisfazer extremos, só digo a minha verdade sobre Cuba’, afirma Leonardo Padura

escritor cubano Leonardo Padura cresceu em Havana e agora encontra-se em meio ao bloqueio energético dos Estados Unidos contra a Ilha e, no momento, avalia que “todas as possibilidades estão colocadas sobre a mesa”.

Em entrevista exclusiva a Opera Mundi, Padura relatou as dificuldades que o país atravessa, em pleno centenário do aniversário de Fidel Castro, completos em 13 de agosto. Citando a apreensão brasileira ante o tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump contra o Brasil, ele afirmou: “multiplique aquela tensão por mil e você poderá ter mais ou menos uma ideia do que está acontecendo na ilha”.

Padura acaba de lançar um novo livro no Brasil, pela Editora Boitempo: Ir Até Havana. Escrita em 2024, a obra traz sua vivência na capital cubana. “É uma declaração de amor a Havana, uma cidade que muda, deteriora-se, perde referências, mas continua sendo um território vital, ao qual eu pertenço”.

O escritor cubano também defendeu mudanças no país: “Cuba deve mudar, não somente por pressões externas, mas porque os cubanos, muitos entre eles empobrecidos, muito mais cansados, precisam que o país mude e para o bem”. E reiterou a independência do seu trabalho: “digo o que preciso dizer, a minha verdade”.

Vencedor dos prêmios Nacional de Literatura de Cuba (2012) e Princesa de Asturias (2015), da Espanha, Padura recusa que seus trabalhos sejam “um espaço de propaganda política”, embora afirma fazer “tudo o que for possível para entregar leituras políticas”.

>>>> Leia a entrevista com Leonardo Padura na íntegra: 

·        Padura, como você avalia a escalada das ameaças e o bloqueio em Cuba? 

Leonardo Padura: eu vejo como algo muito complicado, e em essência perigoso. Para entender o que está ocorrendo agora mesmo em Cuba seria preciso imaginar o que aconteceria se o Brasil fosse bloqueado economicamente pelos Estados Unidos. Você imagina isso? Vocês [do Brasil] viveram, no ano passado, a tensão pela ameaça de tarifas, o corte das importações de produtos brasileiros aos Estados Unidos. Multiplique aquela tensão por mil e você poderá ter mais ou menos uma ideia do que está acontecendo na ilha.

·        Como estão as pessoas hoje no país? Como você está vendo esse processo?

O governo teve que tomar medidas de emergência diante de um bloqueio energético que deixou metade do país paralisado. Foi decretado o fim de algumas atividades econômicas e sociais, outras foram limitadas, pois não há combustível para sustentá-las. Enquanto isso, foi iniciado um diálogo com o governo dos Estados Unidos, do qual não sabemos nada. Ao mesmo tempo, foram lançadas algumas medidas de abertura econômica, incluindo mais facilidades para o investimento estrangeiro, até mesmo para exilados cubanos.

Ademais, foi anunciada a libertação de uma quantidade importante de presos, pessoas que o governo insiste que se trata de delinquentes comuns, e que foram soltos como parte de um gesto para o Vaticano, por motivo das Semana Santa.

Em outra parte, as pessoas sofrem com os apagões, a escassez de produtos básicos, incluindo alimentos, a dificuldade até mesmo para ir a um hospital, e em meio a esse sofrimento elas esperam que algo aconteça. O que vai acontecer? Eu não sei.

A verdade é que, neste momento, todas as possibilidades estão colocadas sobre a mesa, de que algo mude para que nada mude, ou o outro extremo, que se produza uma intervenção. O importante é que Cuba deve mudar, mas não só por pressões externas, e sim porque os cubanos, muitos deles empobrecidos, muitos deles exaustos, precisam que o país mude, e que mude para melhor.

·        Ainda é forte a memória da Revolução, particularmente, para uma geração que não viveu os marcos fundacionais revolucionários? 

Os meios oficiais cubanos insistem em valorizar a memória histórica, sobretudo o legado de Fidel Castro, justo neste ano do seu centenário. Mas muita gente está pedindo, na verdade, uma luz no fim do túnel, não o que houve na entrada. Por isso são tantos os cubanos que vão embora do país, possivelmente quase dois milhões nos últimos cinco ou seis anos, pois buscam uma solução individual e prática para a falta de soluções sociais.

·        Ir Até Havana traz a sua vivência – e das suas personagens – na capital cubana, abrindo para a série de reflexões sobre o país, em diferentes aspectos. Por que esse foco mais íntimo?

Porque queria e precisava fazê-lo. Nas minhas novelas, está presente, de forma muito evidente, uma relação de pertencimento físico, cultural e histórico com a cidade. Mas, neste livro, eu decodifico o que está nas novelas e o sistematizo como um processo de experiência pessoal e literária. O livro é uma declaração de amor a uma cidade que muda, se deteriora, perde referências que para mim são importantes, mas segue sendo meu território vital, ao qual pertenço.

·        Teus livros trazem a aproximação entre literatura e jornalismo, como é esse processo?

É apenas uma mudança de funções, como as mudanças de marcha em um carro. É preciso saber qual velocidade usar para cada trecho. Na literatura, você reflete a realidade e a reproduz a partir de um caráter conotativo, não explicativo. No jornalismo, você deve preferir a comunicação, explicar o que está contando, sempre dentro de um dilema que todo jornalista enfrenta que é o do espaço possível. Contudo, em essência, eu utilizo a mesma linguagem, e por isso talvez o meu jornalismo é tão literário e resiste ao passar do tempo. Embora o segredo seja a dignidade: eu faço jornalismo com a mesma responsabilidade e cuidado estético que utilizo para minha literatura. É o justo e correto a se fazer.

·        Existe uma linguagem literária capaz de narrar a crise sem cair no cinismo nem na propaganda?

Sim. Creio que devemos nos livrar desses perigos tão corrosivos, e não é que não escrevamos sobre beleza do pôr-do-sol, ainda que eles realmente sejam muito belos. A questão é praticar uma escritura que conserve seus valores estéticos e, ao mesmo tempo, preserve sua capacidade ou intenção de participação social, sem cair no panfleto.

É possível denunciar a corrupção, o abuso dos poderes políticos, a falta de liberdade, o racismo e a xenofobia, os autoritarismos, mas sempre com a capacidade de converter esses problemas em dramas humanos e, por essa via, refletir os conflitos, denunciando-os de fato. Creio que quem lê minhas novelas vê que é o que eu venho tentando fazer em 40 anos de literatura novelesca.

·        E como está a produção cultural no país hoje em dia?

Não me atrevo a qualificar uma produção cultural como a de Cuba hoje. Por exemplo, se falamos de literatura, o que se está escrevendo hoje por lá? Eu pouco sei sobre isso, e é pouco o que se edita, por falta de papel, e quando se edita não sempre é possível ter acesso, pois podem ser edições que saíram em outras partes do mundo.

Na música, por enquanto, é possível ver um auge do “reparto”, que é a versão cubana do reggaeton, e eu seu de sua existência porque é uma música invasiva, mas não porque me interessa.

·        Você tem enfrentado tensões entre sua posição como escritor crítico e as expectativas – internas ou externas – sobre o que se espera que diga um autor cubano?

Muitas tensões. No âmbito da institucionalidade cultural cubana, quiseram que a minha literatura fosse “menos cáustica” ao mostrar minhas realidades nacionais e contemporâneas. Já no exílio, me exigem que seja frontal, que atue como um dissidente. Mas não posso escrever pensando em satisfazer a um ou a outro extremo. Digo que preciso dizer, digo a minha verdade, e por isso pago um preço, de um lado e do outro.

Não quero que minha literatura seja um espaço de propaganda política, embora eu faça tudo o que for possível para entregar leituras políticas. Talvez, o melhor exemplo dessa intenção seja a minha novela O Homem que Amava os Cachorros, que não é um panfleto político, embora tenha muita política na história, manejada a partir da literatura.

¨      Rússia: É inadmissível que um país ameace invadir Cuba

A Rússia considera inadmissível que um país ameace invadir Cuba, afirmou no dia 15 de abril o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em uma entrevista ao canal de televisão India Today:

Cuba, há muitos anos, é parceira da Federação Russa e uma querida amiga. Não gostaríamos que nenhum país invadisse Cuba, exercesse pressão sobre Cuba ou isolasse Cuba do mundo exterior, impedindo que até mesmo medicamentos cheguem às crianças cubanas.- Dmitri Peskov

E acrescentou: “As crianças morrem nos hospitais sem eletricidade nem medicamentos. Isso é inaceitável.”

Peskov também se referiu à Venezuela e, após dizer que Moscou mantém contatos com Caracas, expressou a esperança de poder continuar os projetos conjuntos: “Mantemos relações com os dirigentes da Venezuela; temos muitos projetos conjuntos na agenda e esperamos poder continuá-los.”

O alto funcionário lembrou que as empresas russas “estão na Venezuela há muito tempo”. Nesse sentido, comentou: “Esperamos uma concorrência de boa-fé, uma concorrência leal entre as empresas presentes no mercado venezuelano.”

Ao ser questionado sobre o que o Kremlin pensa a respeito dos objetivos perseguidos pelos Estados Unidos em Cuba e na Venezuela, o porta-voz remeteu a pergunta a Donald Trump, dizendo que o ocupante da Casa Branca “é extremamente aberto com a imprensa e muito detalhado em suas explicações.”

Já em Pequim, também em 15 de abril, durante declarações à imprensa russa ao final de sua visita à China, o chanceler Serguei Lavrov optou por não comentar as ameaças de Trump a Cuba:

“Não penso em tentar adivinhar porque muitas vezes ouvimos declarações vindas de Washington, e muitas delas depois não se transformaram em ações práticas”, assinalou o chefe da diplomacia russa.

Lavrov recordou que a Rússia ratificou em numerosas ocasiões seu “firme apoio à soberania e independência” dos “amigos cubanos”, e frisou que “estão dispostos a defender sua liberdade até o fim, com todos os recursos de que dispõem”:

Rússia e China oferecem a Cuba apoio político, na Organização das Nações Unidas e em outros fóruns, econômico e humanitário, e não tenho dúvida de que continuaremos concedendo esse apoio.- Serguei Lavrov

¨      Entidades denunciam restrição de Milei à imprensa como ameaça às instituições democráticas

O presidente argentino tem insultado diariamente profissionais e órgãos de comunicação independentes, afirmando que “os argentinos não odeiam o suficiente os jornalistas”, enquanto repórteres credenciados acusam o governo de avançar contra a liberdade de imprensa, o exercício da profissão e o direito de acesso à informação. Entidades de jornalismo condenaram a proibição de acesso à Casa Rosada, manifestando “máxima preocupação” com uma medida considerada de “extrema gravidade institucional”.

Nesta quinta‑feira (23/04), os 60 jornalistas credenciados na sala de imprensa da Casa Rosada foram proibidos de aproximarem‑se da porta de entrada, sendo barrados ainda na grade que separa a sede do Governo da Praça de Maio, após a exibição, pelo canal TN, de imagens feitas com óculos inteligentes nos corredores da Casa Rosada, que o governo classificou como ameaça à segurança nacional.

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa, na sigla em espanhol) sublinhou que a medida “não tem antecedentes na vida democrática argentina”.

“O acesso dos jornalistas constitui uma prática consolidada ao longo do tempo, nunca interrompida de maneira generalizada, essencial para garantir o direito da sociedade a receber informação sobre os atos de governo”, advertiu a entidade, em nota.

“A investigação judicial não justifica medidas de caráter geral que afetam o normal exercício do jornalismo nem devem derivar em restrições coletivas que limitem o acesso à informação pública. A decisão impacta diretamente sobre a liberdade de expressão e sobre o direito à informação, pilares fundamentais do sistema democrático”, acusou a Adepa.

Também em nota, o Foro de Jornalismo Argentina (Fopea, na sigla em espanhol) reforçou que “a decisão não só afeta o exercício do jornalismo como também impacta diretamente no direito da cidadania de ter acesso à informação sobre os atos de governo, limitando a possibilidade de a sociedade conhecer, compreender e controlar a atividade dos seus governantes”.

A Fopea lembra que “a denúncia do governo não tem resolução judicial que determine a existência de uma conduta irregular” e que “a ação penal é desproporcional e injustificada, bem como a medida de alcance geral que suspende os credenciamentos de todos os jornalistas”.

<><> Atmosfera de hostilidade constante

A Associação de Editores de Jornais da Cidade de Buenos Aires (Aedba, na sigla em espanhol) destaca que “esta ação não representa um fato isolado, mas uma preocupante sequência de ofensas e de restrições que afetam o exercício profissional da imprensa e o direito à informação”.

A entidade denunciou o clima de “hostilidade e de ofensas” pessoais contra jornalistas: “O dissenso e a crítica devem ser recebidos com tolerância institucional, nunca com agressões verbais”.

Em comunicados, a Associação de Jornalistas da República Argentina (Apera, na sigla em espanhol) recordou que, “numa democracia, não se fecha uma sala de jornalistas da Casa Rosada”, e o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba, na sigla em espanhol) observou “outra impotente e desesperada tentativa de silenciar a imprensa”.

No dia anterior, a Adepa já tinha expressado a sua preocupação com “as constantes agressões verbais” do presidente Milei que “intoxicam” o clima para o trabalho da imprensa.

Somente nos últimos dias, Milei atacou seis jornalistas de diversos veículos de comunicação, uma constante desde que chegou à Presidência.

“O insulto e a estigmatização pessoal, sobretudo quando provindas das altas autoridades, podem gerar intimidação e hostilidade contra o exercício do jornalismo, afetando o acesso à informação por parte da sociedade”, destacou a Adepa.

<><> Contradições da decisão

As autoridades da Casa Militar, sob as ordens de Milei, decidiram expulsar os jornalistas porque “a intromissão exibida de forma temerária através da televisão e das redes sociais, afastou-se grosseiramente da regulamentação aplicável”, apontando para a Resolução 1319 de 2025 da Secretaria de Comunicação e Meios.

Porém, o texto dessa mesma resolução, de um ano atrás, do governo Milei para os jornalistas credenciados na Casa Rosada indica que “somente em caso de reincidência o jornalista deve ser penalizado com a retirada do credenciamento”.

Logo no seu anexo primeiro, a resolução estabelece que “naqueles espaços não autorizados fica proibido transmitir ao vivo, registrar imagens ou vídeos, fotografar ou mesmo entrar” e que “o incumprimento será considerado uma falta grave”, mas que a penalização deve vir pela repetição.

“Cometer duas ou mais faltas graves às condições de acesso e às normas de convivência poderá ser considerado causa suficiente para revogar ou para não renovar o credenciamento concedido”, diz o texto.

O governo, no entanto, fechou a sala de imprensa e barrou todos os jornalistas na primeira – e assim mesmo questionável – falta de apenas um deles.

Os jornalistas barrados publicaram uma carta de denúncia contra a medida: “A decisão sugere um avanço explícito do Governo nacional contra a liberdade de imprensa, contra o exercício da profissão e contra o direito de acesso à informação por parte de toda a sociedade”.

A deputada e jornalista, ex-aliada de Milei, Marcela Pagano, fez uma denúncia na Justiça contra o presidente por abuso de autoridade e por incumprimento dos deveres de um funcionário público.

<><> Relacionamento agressivo com a imprensa

Diariamente, desde que assumiu o cargo em dezembro de 2023, o presidente Javier Milei prega a liberdade como sua principal missão política, mas ataca a liberdade de imprensa todos os dias, chegando a uma decisão inédita no país (inclusive durante a ditadura): proibir o acesso de jornalistas à Casa Rosada, sede do Governo argentino.

Nesta quinta, Milei ordenou anular do sistema interno, por tempo indeterminado, o registro digital com o qual se tem acesso.

“A decisão de retirar as impressões digitais de acesso aos jornalistas credenciados foi tomada de forma preventiva devido à espionagem ilegal. A única finalidade é garantir a segurança nacional”, alegou, nas redes sociais, o secretário de Comunicação e Meios, Javier Lanari.

O presidente Milei acrescentou o seu quase diário ataque à imprensa: “Não odiamos o suficiente os jornalistas”, escreveu.

O governo Milei só se comunica através das redes sociais por menosprezar o Jornalismo, a ponto de ter fechado, em 2024, a agência pública de notícias Télam, fundada em 1945.

<><> Filmagem como pretexto

Lanari referia-se às filmagens realizadas nos corredores da Casa Rosada, emitidas pelo canal de notícias TN (Todo Noticias) no domingo passado (19). As imagens, obtidas sem consentimento através de óculos inteligentes com câmera, mostraram espaços comuns do interior da Casa de Governo como escadas, corredores e algumas salas com portas abertas, além do famoso “Pátio das Palmeiras”.

Nada que já não tenha sido mostrado anteriormente. No entanto, para o governo, as imagens comprometem a segurança nacional e infligem as normas de comportamento.

Na segunda-feira (20), a Casa Militar, organismo responsável pela segurança do presidente, entrou com uma denúncia judicial contra o jornalista envolvido e o canal TN.

“Sob meros pretextos de interesse público, os jornalistas denunciados gabaram-se de terem enganado a segurança presidencial, expondo os funcionários a riscos injustificados e, provavelmente, gerando as condições de revelar segredos de Estado relacionados com a rotina do senhor Presidente e com o funcionamento do Poder Executivo Nacional”, diz a denúncia.

Porém, em vez de suspender unicamente o jornalista, o castigo envolveu todos os jornalistas de todos os veículos de comunicação, motivo pelo qual a medida foi considerada um pretexto para impedir a liberdade de imprensa.

“LIXOS REPUGNANTES”, publicou Milei nas redes sociais, em referência ao jornalista que filmou e à que apresentou, Ignacio Salerno e Luciana Geuna.

“Adoraria ver esses lixos imundos que portam credencial de jornalistas (95% deles) que apareçam para defender o que fizeram esses dois delinquentes”, acrescentou Milei.

<><> Malvinas voltam ao centro da crise após vazamento nos EUA e pressão Argentina por diálogo

Nas redes sociais, a Argentina voltou a pedir diálogo ao Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas após relatos de que os EUA poderiam rever sua posição sobre o território, em possível retaliação à falta de apoio britânico à campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Londres reafirmou que a soberania das ilhas "não está em questão".

A tensão surgiu após o vazamento de um e-mail interno do Pentágono que listava formas de punir aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que se recusaram a participar dos ataques, incluindo a possibilidade de reavaliar o apoio norte-americano a "possessões imperiais" como as Malvinas. O documento também mencionava frustração com países que negaram acesso a bases e espaço aéreo.

Apesar do vazamento, o Departamento de Estado dos EUA reiterou sua neutralidade histórica sobre a disputa, reconhecendo a administração britânica de fato, mas sem tomar partido entre Londres e Buenos Aires. A Argentina, que reivindica o arquipélago desde antes da guerra de 1982, viu no episódio uma oportunidade para retomar negociações.

governo britânico, porém, reafirmou que a autodeterminação dos habitantes das ilhas é decisiva e que o território permanecerá sob soberania do Reino Unido. As autoridades das Malvinas também expressaram confiança no compromisso britânico de defender esse status.

O episódio ocorre em meio a tensões mais amplas entre EUA e Reino Unido, às vésperas da visita de Estado do rei Charles a Washington. O relacionamento entre o presidente dos EUA e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deteriorou-se desde o início da crise com o Irã, especialmente após Londres limitar o uso de bases britânicas para ações militares.

No Reino Unido, o vazamento provocou reações políticas, segundo o South China Morning Post. Alguns líderes classificaram a possibilidade de mudança na posição norte-americana como absurda, enquanto outros defenderam até o cancelamento da visita do monarca aos EUA. O tema também reacendeu debates sobre o status constitucional das ilhas.

Analistas lembraram à imprensa que cenários envolvendo mudanças na postura norte-americana já haviam sido considerados de forma hipotética no passado, especialmente diante da sensibilidade da relação entre Buenos Aires e Washington. A afinidade entre o presidente dos EUA e o presidente argentino, Javier Milei, adiciona um novo elemento ao quadro.

O caso expõe divergências dentro da OTAN, pressões norte-americanas sobre aliados e a persistente sensibilidade diplomática em torno das Malvinas

 

Fonte: Opera Mundi/La Jornada

 

Nenhum comentário: