‘Não
escrevo para satisfazer extremos, só digo a minha verdade sobre Cuba’, afirma
Leonardo Padura
O escritor cubano Leonardo Padura cresceu em
Havana e agora encontra-se em meio ao bloqueio energético dos Estados Unidos
contra a Ilha e, no momento, avalia que “todas as possibilidades estão
colocadas sobre a mesa”.
Em
entrevista exclusiva a Opera Mundi, Padura
relatou as dificuldades que o país atravessa, em pleno centenário do
aniversário de Fidel Castro, completos em 13 de agosto. Citando a apreensão
brasileira ante o tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump contra o
Brasil, ele afirmou: “multiplique aquela tensão por mil e você poderá ter mais
ou menos uma ideia do que está acontecendo na ilha”.
Padura
acaba de lançar um novo livro no Brasil, pela Editora Boitempo: Ir Até Havana. Escrita em
2024, a obra traz sua vivência na capital cubana. “É uma declaração de amor a
Havana, uma cidade que muda, deteriora-se, perde referências, mas continua
sendo um território vital, ao qual eu pertenço”.
O
escritor cubano também defendeu mudanças no país: “Cuba deve mudar, não somente por
pressões externas, mas porque os cubanos, muitos entre eles empobrecidos, muito
mais cansados, precisam que o país mude e para o bem”. E reiterou a
independência do seu trabalho: “digo o que preciso dizer, a minha verdade”.
Vencedor
dos prêmios Nacional de Literatura de Cuba (2012) e Princesa de Asturias
(2015), da Espanha, Padura recusa que seus trabalhos sejam “um espaço de
propaganda política”, embora afirma fazer “tudo o que for possível para
entregar leituras políticas”.
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Leia a entrevista com Leonardo Padura na íntegra:
·
Padura, como você avalia a escalada das ameaças e o
bloqueio em Cuba?
Leonardo
Padura: eu
vejo como algo muito complicado, e em essência perigoso. Para entender o que
está ocorrendo agora mesmo em Cuba seria preciso imaginar o que aconteceria se
o Brasil fosse bloqueado economicamente pelos Estados Unidos. Você imagina
isso? Vocês [do Brasil] viveram, no ano passado, a tensão pela ameaça de
tarifas, o corte das importações de produtos brasileiros aos Estados Unidos.
Multiplique aquela tensão por mil e você poderá ter mais ou menos uma ideia do
que está acontecendo na ilha.
·
Como estão as pessoas hoje no país? Como você está vendo
esse processo?
O
governo teve que tomar medidas de emergência diante de um bloqueio energético
que deixou metade do país paralisado. Foi decretado o fim de algumas atividades
econômicas e sociais, outras foram limitadas, pois não há combustível para
sustentá-las. Enquanto isso, foi iniciado um diálogo com o governo dos Estados
Unidos, do qual não sabemos nada. Ao mesmo tempo, foram lançadas algumas
medidas de abertura econômica, incluindo mais facilidades para o investimento
estrangeiro, até mesmo para exilados cubanos.
Ademais,
foi anunciada a libertação de uma quantidade importante de presos, pessoas que
o governo insiste que se trata de delinquentes comuns, e que foram soltos como
parte de um gesto para o Vaticano, por motivo das Semana Santa.
Em
outra parte, as pessoas sofrem com os apagões, a escassez de produtos básicos,
incluindo alimentos, a dificuldade até mesmo para ir a um hospital, e em meio a
esse sofrimento elas esperam que algo aconteça. O que vai acontecer? Eu não
sei.
A
verdade é que, neste momento, todas as possibilidades estão colocadas sobre a
mesa, de que algo mude para que nada mude, ou o outro extremo, que se produza
uma intervenção. O importante é que Cuba deve mudar, mas não só por pressões
externas, e sim porque os cubanos, muitos deles empobrecidos, muitos deles
exaustos, precisam que o país mude, e que mude para melhor.
·
Ainda é forte a memória da Revolução, particularmente,
para uma geração que não viveu os marcos fundacionais revolucionários?
Os
meios oficiais cubanos insistem em valorizar a memória histórica, sobretudo o
legado de Fidel Castro, justo neste ano do seu centenário. Mas muita gente está
pedindo, na verdade, uma luz no fim do túnel, não o que houve na entrada. Por
isso são tantos os cubanos que vão embora do país, possivelmente quase dois
milhões nos últimos cinco ou seis anos, pois buscam uma solução individual e
prática para a falta de soluções sociais.
·
Ir Até Havana traz a sua vivência – e das suas
personagens – na capital cubana, abrindo para a série de reflexões sobre o
país, em diferentes aspectos. Por que esse foco mais íntimo?
Porque
queria e precisava fazê-lo. Nas minhas novelas, está presente, de forma muito
evidente, uma relação de pertencimento físico, cultural e histórico com a
cidade. Mas, neste livro, eu decodifico o que está nas novelas e o sistematizo
como um processo de experiência pessoal e literária. O livro é uma declaração
de amor a uma cidade que muda, se deteriora, perde referências que para mim são
importantes, mas segue sendo meu território vital, ao qual pertenço.
·
Teus livros trazem a aproximação entre literatura e
jornalismo, como é esse processo?
É
apenas uma mudança de funções, como as mudanças de marcha em um carro. É
preciso saber qual velocidade usar para cada trecho. Na literatura, você
reflete a realidade e a reproduz a partir de um caráter conotativo, não
explicativo. No jornalismo, você deve preferir a comunicação, explicar o que
está contando, sempre dentro de um dilema que todo jornalista enfrenta que é o
do espaço possível. Contudo, em essência, eu utilizo a mesma linguagem, e por
isso talvez o meu jornalismo é tão literário e resiste ao passar do tempo.
Embora o segredo seja a dignidade: eu faço jornalismo com a mesma
responsabilidade e cuidado estético que utilizo para minha literatura. É o
justo e correto a se fazer.
·
Existe uma linguagem literária capaz de narrar a crise
sem cair no cinismo nem na propaganda?
Sim.
Creio que devemos nos livrar desses perigos tão corrosivos, e não é que não
escrevamos sobre beleza do pôr-do-sol, ainda que eles realmente sejam muito
belos. A questão é praticar uma escritura que conserve seus valores estéticos
e, ao mesmo tempo, preserve sua capacidade ou intenção de participação social,
sem cair no panfleto.
É
possível denunciar a corrupção, o abuso dos poderes políticos, a falta de
liberdade, o racismo e a xenofobia, os autoritarismos, mas sempre com a
capacidade de converter esses problemas em dramas humanos e, por essa via,
refletir os conflitos, denunciando-os de fato. Creio que quem lê minhas novelas
vê que é o que eu venho tentando fazer em 40 anos de literatura novelesca.
·
E como está a produção cultural no país hoje em dia?
Não me
atrevo a qualificar uma produção cultural como a de Cuba hoje. Por exemplo, se
falamos de literatura, o que se está escrevendo hoje por lá? Eu pouco sei sobre
isso, e é pouco o que se edita, por falta de papel, e quando se edita não
sempre é possível ter acesso, pois podem ser edições que saíram em outras
partes do mundo.
Na
música, por enquanto, é possível ver um auge do “reparto”, que é a versão
cubana do reggaeton, e eu seu de sua existência porque é uma música invasiva,
mas não porque me interessa.
·
Você tem enfrentado tensões entre sua posição como
escritor crítico e as expectativas – internas ou externas – sobre o que se
espera que diga um autor cubano?
Muitas
tensões. No âmbito da institucionalidade cultural cubana, quiseram que a minha
literatura fosse “menos cáustica” ao mostrar minhas realidades nacionais e
contemporâneas. Já no exílio, me exigem que seja frontal, que atue como um
dissidente. Mas não posso escrever pensando em satisfazer a um ou a outro
extremo. Digo que preciso dizer, digo a minha verdade, e por isso pago um
preço, de um lado e do outro.
Não
quero que minha literatura seja um espaço de propaganda política, embora eu
faça tudo o que for possível para entregar leituras políticas. Talvez, o melhor
exemplo dessa intenção seja a minha novela O Homem que Amava os Cachorros, que
não é um panfleto político, embora tenha muita política na história, manejada a
partir da literatura.
¨
Rússia: É inadmissível que um país ameace invadir Cuba
A
Rússia considera inadmissível que um país ameace invadir Cuba, afirmou no dia 15
de abril o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em uma entrevista ao canal de
televisão India Today:
Cuba,
há muitos anos, é parceira da Federação Russa e uma querida amiga. Não
gostaríamos que nenhum país invadisse Cuba, exercesse pressão sobre Cuba ou
isolasse Cuba do mundo exterior, impedindo que até mesmo medicamentos cheguem
às crianças cubanas.- Dmitri Peskov
E
acrescentou: “As crianças morrem nos hospitais sem eletricidade nem
medicamentos. Isso é inaceitável.”
Peskov
também se referiu à Venezuela e, após dizer que Moscou mantém contatos com
Caracas, expressou a esperança de poder continuar os projetos
conjuntos: “Mantemos relações com os dirigentes da Venezuela; temos muitos
projetos conjuntos na agenda e esperamos poder continuá-los.”
O alto
funcionário lembrou que as empresas russas “estão na Venezuela há muito tempo”.
Nesse sentido, comentou: “Esperamos uma concorrência de boa-fé, uma
concorrência leal entre as empresas presentes no mercado venezuelano.”
Ao ser
questionado sobre o que o Kremlin pensa a respeito dos objetivos perseguidos
pelos Estados Unidos em Cuba e na Venezuela, o porta-voz remeteu a pergunta a
Donald Trump, dizendo que o ocupante da Casa Branca “é extremamente aberto com
a imprensa e muito detalhado em suas explicações.”
Já em
Pequim, também em 15 de abril, durante declarações à imprensa russa ao final de
sua visita à China, o chanceler Serguei Lavrov optou por não comentar as
ameaças de Trump a Cuba:
“Não
penso em tentar adivinhar porque muitas vezes ouvimos declarações vindas de
Washington, e muitas delas depois não se transformaram em ações práticas”,
assinalou o chefe da diplomacia russa.
Lavrov
recordou que a Rússia ratificou em numerosas ocasiões seu “firme apoio à
soberania e independência” dos “amigos cubanos”, e frisou que “estão dispostos
a defender sua liberdade até o fim, com todos os recursos de que dispõem”:
Rússia
e China oferecem a Cuba apoio político, na Organização das Nações Unidas e em
outros fóruns, econômico e humanitário, e não tenho dúvida de que continuaremos
concedendo esse apoio.- Serguei Lavrov
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Entidades denunciam restrição de Milei à imprensa como
ameaça às instituições democráticas
O presidente argentino tem insultado
diariamente profissionais e órgãos de comunicação independentes, afirmando que
“os argentinos não odeiam o suficiente os jornalistas”, enquanto repórteres
credenciados acusam o governo de avançar contra a liberdade de imprensa, o
exercício da profissão e o direito de acesso à informação. Entidades de
jornalismo condenaram a proibição de acesso à Casa Rosada, manifestando “máxima
preocupação” com uma medida considerada de “extrema gravidade institucional”.
Nesta
quinta‑feira (23/04), os 60 jornalistas credenciados na sala de imprensa da
Casa Rosada foram proibidos de aproximarem‑se da porta de entrada, sendo
barrados ainda na grade que separa a sede do Governo da Praça de Maio, após a
exibição, pelo canal TN, de imagens feitas com óculos inteligentes
nos corredores da Casa Rosada, que o governo classificou como ameaça à
segurança nacional.
A
Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa, na sigla em espanhol)
sublinhou que a medida “não tem antecedentes na vida democrática argentina”.
“O acesso dos jornalistas constitui uma
prática consolidada ao longo do tempo, nunca interrompida de maneira
generalizada, essencial para garantir o direito da sociedade a receber
informação sobre os atos de governo”, advertiu a entidade, em nota.
“A
investigação judicial não justifica medidas de caráter geral que afetam o
normal exercício do jornalismo nem devem derivar em restrições coletivas que
limitem o acesso à informação pública. A decisão impacta diretamente sobre a
liberdade de expressão e sobre o direito à informação, pilares fundamentais do
sistema democrático”, acusou a Adepa.
Também
em nota, o Foro de Jornalismo Argentina (Fopea, na sigla em espanhol) reforçou
que “a decisão não só afeta o exercício do jornalismo como também impacta
diretamente no direito da cidadania de ter acesso à informação sobre os atos de
governo, limitando a possibilidade de a sociedade conhecer, compreender e
controlar a atividade dos seus governantes”.
A Fopea
lembra que “a denúncia do governo não tem resolução judicial que determine a
existência de uma conduta irregular” e que “a ação penal é desproporcional e
injustificada, bem como a medida de alcance geral que suspende os
credenciamentos de todos os jornalistas”.
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Atmosfera de hostilidade constante
A
Associação de Editores de Jornais da Cidade de Buenos Aires (Aedba, na sigla em
espanhol) destaca que “esta ação não representa um fato isolado, mas uma
preocupante sequência de ofensas e de restrições que afetam o exercício
profissional da imprensa e o direito à informação”.
A
entidade denunciou o clima de “hostilidade e de ofensas” pessoais contra
jornalistas: “O dissenso e a crítica devem ser recebidos com tolerância
institucional, nunca com agressões verbais”.
Em
comunicados, a Associação de Jornalistas da
República Argentina (Apera,
na sigla em espanhol) recordou que, “numa democracia, não se fecha uma sala de
jornalistas da Casa Rosada”, e o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires
(Sipreba, na sigla em espanhol) observou “outra impotente e desesperada
tentativa de silenciar a imprensa”.
No dia
anterior, a Adepa já tinha expressado a sua preocupação com “as constantes
agressões verbais” do presidente Milei que “intoxicam” o clima para o trabalho
da imprensa.
Somente
nos últimos dias, Milei atacou seis jornalistas de diversos veículos de
comunicação, uma constante desde que chegou à Presidência.
“O
insulto e a estigmatização pessoal, sobretudo quando provindas das altas
autoridades, podem gerar intimidação e hostilidade contra o exercício do
jornalismo, afetando o acesso à informação por parte da sociedade”, destacou a
Adepa.
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Contradições da decisão
As
autoridades da Casa Militar, sob as ordens de Milei, decidiram expulsar os
jornalistas porque “a intromissão exibida de forma temerária através da
televisão e das redes sociais, afastou-se grosseiramente da regulamentação
aplicável”, apontando para a Resolução 1319 de 2025 da Secretaria de
Comunicação e Meios.
Porém,
o texto dessa mesma resolução, de um ano atrás, do governo Milei para os
jornalistas credenciados na Casa Rosada indica que “somente em caso de
reincidência o jornalista deve ser penalizado com a retirada do
credenciamento”.
Logo no
seu anexo primeiro, a resolução estabelece que “naqueles espaços não
autorizados fica proibido transmitir ao vivo, registrar imagens ou vídeos,
fotografar ou mesmo entrar” e que “o incumprimento será considerado uma falta
grave”, mas que a penalização deve vir pela repetição.
“Cometer
duas ou mais faltas graves às condições de acesso e às normas de convivência
poderá ser considerado causa suficiente para revogar ou para não renovar o
credenciamento concedido”, diz o texto.
O
governo, no entanto, fechou a sala de imprensa e barrou todos os jornalistas na
primeira – e assim mesmo questionável – falta de apenas um deles.
Os
jornalistas barrados publicaram uma carta de denúncia contra a medida: “A
decisão sugere um avanço explícito do Governo nacional contra a liberdade de
imprensa, contra o exercício da profissão e contra o direito de acesso à
informação por parte de toda a sociedade”.
A
deputada e jornalista, ex-aliada de Milei, Marcela Pagano, fez uma denúncia na
Justiça contra o presidente por abuso de autoridade e por incumprimento dos
deveres de um funcionário público.
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Relacionamento agressivo com a imprensa
Diariamente,
desde que assumiu o cargo em dezembro de 2023, o presidente Javier Milei prega
a liberdade como sua principal missão política, mas ataca a liberdade de
imprensa todos os dias, chegando a uma decisão inédita no país (inclusive
durante a ditadura): proibir o acesso de jornalistas à Casa Rosada, sede do
Governo argentino.
Nesta
quinta, Milei ordenou anular do sistema interno, por tempo indeterminado, o
registro digital com o qual se tem acesso.
“A
decisão de retirar as impressões digitais de acesso aos jornalistas
credenciados foi tomada de forma preventiva devido à espionagem ilegal. A única
finalidade é garantir a segurança nacional”, alegou, nas redes sociais, o
secretário de Comunicação e Meios, Javier Lanari.
O
presidente Milei acrescentou o seu quase diário ataque à imprensa: “Não odiamos
o suficiente os jornalistas”, escreveu.
O
governo Milei só se comunica através das redes sociais por menosprezar o
Jornalismo, a ponto de ter fechado, em 2024, a agência pública de notícias
Télam, fundada em 1945.
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Filmagem como pretexto
Lanari
referia-se às filmagens realizadas nos corredores da Casa Rosada, emitidas pelo
canal de notícias TN (Todo Noticias) no domingo passado (19). As imagens,
obtidas sem consentimento através de óculos inteligentes com câmera, mostraram
espaços comuns do interior da Casa de Governo como escadas, corredores e
algumas salas com portas abertas, além do famoso “Pátio das Palmeiras”.
Nada
que já não tenha sido mostrado anteriormente. No entanto, para o governo, as
imagens comprometem a segurança nacional e infligem as normas de comportamento.
Na
segunda-feira (20), a Casa Militar, organismo responsável pela segurança do
presidente, entrou com uma denúncia judicial contra o jornalista envolvido e o
canal TN.
“Sob
meros pretextos de interesse público, os jornalistas denunciados gabaram-se de
terem enganado a segurança presidencial, expondo os funcionários a riscos
injustificados e, provavelmente, gerando as condições de revelar segredos de
Estado relacionados com a rotina do senhor Presidente e com o funcionamento do
Poder Executivo Nacional”, diz a denúncia.
Porém,
em vez de suspender unicamente o jornalista, o castigo envolveu todos os
jornalistas de todos os veículos de comunicação, motivo pelo qual a medida foi
considerada um pretexto para impedir a liberdade de imprensa.
“LIXOS
REPUGNANTES”, publicou Milei nas redes sociais, em referência ao jornalista que
filmou e à que apresentou, Ignacio Salerno e Luciana Geuna.
“Adoraria
ver esses lixos imundos que portam credencial de jornalistas (95% deles) que
apareçam para defender o que fizeram esses dois delinquentes”, acrescentou
Milei.
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Malvinas voltam ao centro da crise após vazamento nos EUA e pressão Argentina
por diálogo
Nas
redes sociais, a Argentina voltou a pedir diálogo ao Reino Unido sobre as Ilhas
Malvinas após relatos de que os EUA poderiam rever sua posição sobre o
território, em possível retaliação à falta de apoio britânico à campanha
militar dos EUA e de Israel contra o Irã. Londres reafirmou que a soberania das
ilhas "não está em questão".
A
tensão surgiu após o vazamento de um e-mail interno do Pentágono que
listava formas de punir aliados da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) que se recusaram a
participar dos
ataques, incluindo a possibilidade de reavaliar o apoio norte-americano a
"possessões imperiais" como as Malvinas. O documento também
mencionava frustração com países que negaram acesso a bases e espaço aéreo.
Apesar
do vazamento, o Departamento de Estado dos EUA reiterou sua neutralidade
histórica sobre a disputa, reconhecendo a administração britânica de fato, mas
sem tomar partido entre Londres e Buenos Aires. A Argentina, que reivindica o
arquipélago desde antes da guerra de 1982, viu no episódio uma oportunidade
para retomar negociações.
O governo britânico, porém, reafirmou
que a autodeterminação dos habitantes das ilhas é decisiva e que
o território permanecerá sob soberania do Reino Unido. As autoridades das
Malvinas também expressaram confiança no compromisso britânico de defender esse
status.
O
episódio ocorre em meio a tensões mais amplas entre EUA e
Reino Unido, às vésperas da visita de Estado do rei Charles a Washington. O
relacionamento entre o presidente dos EUA e o primeiro-ministro britânico, Keir
Starmer, deteriorou-se desde o início da crise com o Irã, especialmente
após Londres limitar o uso de bases britânicas para ações militares.
No
Reino Unido, o vazamento provocou reações políticas, segundo o South China
Morning Post. Alguns líderes classificaram a possibilidade de mudança na
posição norte-americana como absurda, enquanto outros defenderam até o
cancelamento da visita do monarca aos EUA. O tema também reacendeu debates
sobre o status constitucional das ilhas.
Analistas
lembraram à imprensa que cenários envolvendo mudanças na postura
norte-americana já haviam sido considerados de forma hipotética no
passado, especialmente diante da sensibilidade da relação entre Buenos Aires e
Washington. A afinidade entre o presidente dos EUA e o presidente argentino,
Javier Milei, adiciona um novo elemento ao quadro.
O caso
expõe divergências dentro
da OTAN,
pressões norte-americanas sobre aliados e a persistente sensibilidade
diplomática em torno das Malvinas
Fonte:
Opera Mundi/La Jornada

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