Militância
e institucionalidade: as contradições da via eleitoral na esquerda
contemporânea
Em que
medida é coerente que a militância de esquerda, especialmente
aquela vinculada à tradição crítica das formas institucionais de representação
— e que formula críticas estruturais à democracia burguesa —, recorra à própria
institucionalidade eleitoral como via de atuação política? Essa pergunta atravessa
todo o debate que quero desenvolver nesta reflexão sobre os limites, as
contradições e as implicações da participação de tais sujeitos na arena
eleitoral contemporânea. Trata-se de uma tensão que não pode ser compreendida
de maneira simplista, pois envolve tanto a coerência interna dos projetos
políticos, as mediações históricas concretas nas quais esses projetos se
realizam, além das subjetividades desses sujeitos.
Sob
essa perspectiva, coloco a primeira questão: qual deve ser a prática política,
coerente, de militantes que assumem essa crítica como eixo de sua atuação? A
resposta, segundo uma interpretação mais ortodoxa da tradição revolucionária,
apontaria para a centralidade da organização popular, da formação política e da
mobilização de massas como caminhos prioritários. A ênfase recairia, portanto,
na construção de formas de poder popular fora (e em tensão) com as instituições
do Estado, ainda que sem ignorar completamente suas dinâmicas.
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É comum
vermos militantes que formulam críticas profundas à ordem institucional
acabarem deslocando sua prática, progressivamente, para o interior do próprio
sistema que criticam. A candidatura deixa de ser um instrumento eventual, e
passa a ocupar o centro da disputa por poder, o que lhes leva a reorganizar as
prioridades, as linguagens (sobretudo hoje, em tempos de redes sociais) e
formas de intervenção. Esse movimento tende a produzir tensões internas, pois
as exigências da disputa eleitoral (frequentemente)
impõem adaptações programáticas e discursivas voltadas à ampliação de apoios e
à construção de consensos mais amplos.
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Distanciamento das bases originais
O ponto
central do que quero discutir aqui, neste texto, reside na tensão entre dois
horizontes distintos: de um lado, a construção de formas autônomas de
organização e mobilização social; de outro, a incorporação progressiva às
estruturas de representação existentes. É a essa tensão que dirijo o debate
sobre coerência — e a finalidade da ação política transformadora —,
principalmente considerando que a lógica eleitoral impõe limitações e
constrangimentos específicos, tais como: a) necessidade de ampliar bases de
apoio; b) adaptação do discurso a públicos mais amplos; c) negociação com
outras forças políticas; d) inserção em dinâmicas institucionais que tendem à
moderação. A meu ver, essas exigências acabam levando a um progressivo
afastamento das posições mais radicais, não necessariamente por oportunismo
individual, mas como efeito das próprias regras do jogo.
No caso
brasileiro, a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva ilustra, de maneira
emblemática, esse processo de institucionalização progressiva. Sua aparição e
consolidação como liderança sindical no contexto do chamado “novo
sindicalismo” — especialmente no ABC paulista durante as greves do final
dos anos 1970 e início dos anos 1980 — estiveram profundamente vinculadas a um
ciclo de forte mobilização operária, bem como de enfrentamento direto ao regime
militar. Nesse período, a ação política se estruturava em grande medida fora
dos canais institucionais formais, com forte centralidade das assembleias de
base, das greves massivas e da organização coletiva dos trabalhadores.
A
partir daquele momento inicial — marcado por uma prática política fortemente
ancorada na mobilização direta e na autonomia das bases —, a trajetória de Luiz
Inácio Lula da Silva passou a evidenciar, de forma cada vez mais nítida, o
deslocamento em direção às estruturas institucionais e às exigências próprias
da disputa política formal. Esse movimento não se deu de maneira abrupta, mas
por meio de um processo gradual de adaptação, no qual a construção de alianças
e a ampliação do campo de interlocução tornaram-se elementos centrais. A
fundação do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, já expressa, em
alguma medida, essa questão. Ainda que concebido como um instrumento político
inovador — profundamente enraizado nos movimentos sociais, sindicatos e setores
da Igreja progressista —, o partido nasceu, também, com o objetivo de disputar
o poder institucional. Essa dupla orientação (entre a autonomia dos movimentos
e a inserção no sistema político) passou a constituir uma tensão permanente na
atuação de Lula e do próprio PT.
Ao
longo dos anos 1980 (e, sobretudo, na década de 1990), essa tensão se
intensificou à medida que Lula se projetou como candidato competitivo à
Presidência da República. As sucessivas campanhas eleitorais (1989, 1994 e
1998) evidenciam um acercamento com segmentos mais amplos da sociedade, o que
impõe revisões estratégicas importantes. O discurso, que inicialmente estava
marcado por uma crítica estrutural ao capitalismo e às elites econômicas, foi
sendo progressivamente moderado, incorporando temas como estabilidade
econômica, responsabilidade fiscal e compromisso com a ordem institucional.
Em
paralelo, observamos uma ampliação significativa do leque de alianças. Se, em
um primeiro momento, o campo de apoio a Lula estava fortemente concentrado em
setores populares organizados (movimentos sociais, sindicatos, entre outros),
com o tempo se estabeleceram pontes com frações do empresariado, partidos de
centro e até mesmo atores historicamente distantes de sua base original —
atualmente, inclusive, tem até gente da direita nas alianças. A
chamada “Carta ao Povo Brasileiro”, divulgada em 2002, constitui, muito
provavelmente, o marco mais emblemático desse processo de adaptação antes da
chegada ao Planalto. Nela, Lula sinalizou (de forma explícita), entre outras
coisas, seu compromisso com a estabilidade macroeconômica. E mesmo sem
sermos economistas, sabemos o que isso significa.
Assim,
devemos questionar (a meu ver) sobre até que ponto essa “adaptação”
preserva o conteúdo transformador original, ou se, ao contrário, acaba por
diluí-lo. A ampliação de alianças, bem como a moderação discursiva (embora
funcionais do ponto de vista eleitoral), tendem a deslocar o centro de
gravidade da ação política, afastando-a das formas mais autônomas e
potencialmente disruptivas de organização social. Por isso, o caso de Lula
ilustra um percurso individual, mas, principalmente, um dilema mais amplo das
ditas esquerdas que assumem o poder e articulam a energia transformadora dos
movimentos sociais com as exigências pragmáticas da disputa institucional.
Ao
longo dos anos 2000, centrais sindicais — muitas delas forjadas no calor do
confronto — passaram a funcionar cada vez mais como engrenagens auxiliares da
governabilidade. A institucionalização não significou somente acesso a espaços
decisórios, mas também uma mudança profunda de função, uma vez que, de
instrumentos de pressão e de conflito, essas centrais foram convertidas, em
grande medida, em mediadoras da contenção. Em vez de organizar a insatisfação,
passaram a administrá-la. Esse deslocamento teve efeitos concretos: 1) a
dependência crescente de recursos estatais; 2) a proximidade orgânica com o
governo; 3) a participação em estruturas formais, que reduziu drasticamente a
disposição para o enfrentamento.
Como
consequência, greves se tornaram mais raras ou mais controladas; pautas foram
filtradas segundo critérios de “viabilidade política”; e a autonomia — elemento
central do “novo sindicalismo” — foi progressivamente corroída. No caso das
centrais sindicais que também projetaram candidaturas e quadros para dentro do
Estado, o problema se aprofundou. Formou-se uma espécie de “circuito fechado”,
no qual lideranças transitam entre movimento e governo, diluindo as fronteiras
entre representação e poder. Isso tem gerado um efeito perverso, porque as
bases deixaram de se reconhecer como sujeitos de pressão autônoma e passaram a
se ver como parte de um projeto já instalado no interior do Estado. A crítica
se enfraquece porque parece dirigida “a si própria”.
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Indivíduo como eixo
Os
movimentos sociais mais amplos seguiram uma dinâmica semelhante. Ao serem
incorporados (inclusive até em Ministérios), passaram a ter uma “voz
condicionada”, ou seja, limitada pelas regras institucionais. O que antes era
força disruptiva, transformou-se em participação regulada. E a consequência é
uma domesticação gradual, pois a energia política que brotava da organização de
base passou a ser canalizada para espaços onde o conflito é administrado, não
ampliado. E o pior de tudo é, para mim, o fato de esses atores acharem que
“estão governando”. O custo dessa identificação é alto, porque perde-se a
capacidade de agir “de fora”, isto é, de tensionar, de constranger, de cobrar,
e, se necessário, de desestabilizar o próprio governo.
No
cenário latino-americano mais amplo, o processo político na Bolívia, sob a liderança
de Evo Morales, também exemplifica
esse processo de transição entre uma matriz fortemente vinculada a movimentos
sociais indígenas e camponeses e a necessidade de gestão estatal. Ao assumir o
governo, a liderança política passou a negociar com setores econômicos e institucionais
diversos, buscando estabilidade política e econômica, o que produziu o seu
fracasso. Essa dinâmica, somada principalmente a rachas internos, levou ao
infeliz retorno da direita ao poder. E quem perdeu, no final das contas, foi o
povo pobre, a população majoritariamente indígena/camponesa que viu soterradas
as suas esperanças de uma vida melhor.
Quero,
também, introduzir um elemento frequentemente subestimado, qual seja, o papel
da vaidade política e, em certos casos, da soberba associada ao exercício do
poder. Se, por um lado, há constrangimentos impostos pela lógica eleitoral e
institucional, por outro, há também uma dimensão subjetiva que atravessa essas
trajetórias — ligada à autopercepção das lideranças e ao modo como passam a se
enxergar no interior do sistema político. A ascensão de lideranças oriundas das
classes populares ao centro do poder estatal pode produzir um deslocamento
simbólico.
A
identificação com o próprio papel histórico — muitas vezes reforçada por
sucessos eleitorais e reconhecimento público — tende a alimentar a ideia de que
a mediação institucional é o único caminho legítimo. É aí que a adaptação deixa
de ser tática e passa a se tornar convicção. Nesse processo, a vaidade funciona
como um motor silencioso de acomodação. A necessidade de preservar capital
político, imagem pública e protagonismo pode levar à recusa de confrontos mais
duros, sobretudo quando estes colocam em risco a estabilidade do arranjo já
construído. No caso da soberba, ela se manifesta na crença de que a ocupação do
Estado, por si só, equivale à realização do projeto transformador — como se a
presença no governo substituísse a necessidade de mobilização contínua e
pressão social.
E qual
o efeito combinado desses fatores? Ao mesmo tempo em que se esvazia a autonomia
dos movimentos sociais, também se reduz a disposição dessas lideranças em
reconhecer os limites reais de sua ação dentro das instituições. A crítica
externa passa a ser vista como ameaça, e não como componente necessário de uma
dinâmica democrática e transformadora. Assim, a diluição do conteúdo original
não é consequência, apenas, das regras do jogo; ela também vem de uma certa
internalização confortável dessas regras — frequentemente acompanhada de uma
autoconfiança excessiva quanto à capacidade de realizar mudanças “por dentro”.
Resumindo a resposta à pergunta feita no início do parágrafo: perde-se a
radicalidade da base e superestima-se o alcance da ação institucional.
A
substituição da organização pela figura do indivíduo como eixo da atuação
política representa uma mudança significativa, cujas implicações precisam ser
cuidadosamente avaliadas. A crítica à democracia burguesa, nesse contexto,
esvazia-se, e é convertida em um elemento discursivo que convive — de maneira
cada vez mais acomodada — com a prática institucional. Nesse processo, a
centralidade anteriormente atribuída às estruturas organizativas — partidos,
frentes, movimentos sociais e formas coletivas de deliberação — tende a ser
progressivamente tensionada pela ascensão de lideranças individuais dotadas de
forte presença pública.
A ação
política passa a ser percebida (tanto interna como externamente) menos como
expressão de um projeto coletivo e mais como extensão da trajetória de
determinados indivíduos (Lula, Evo, etc., etc.). Isso produz efeitos relevantes
sobre a própria lógica organizativa, pois a mediação institucional (e
programática) tende a ser substituída por relações de adesão simbólica e/ou
identificação pessoal. Tem sido assim com Lula, no Brasil. E isso é deveras
perigoso.
O atual
contexto eleitoral não me deixa mentir. O afastamento das lutas populares tem sido tão
grande que parte considerável da população vulnerabilizada já se identifica com
a direita. É claro que há outros fatores, não vou negar. E, novamente, corremos
o risco de termos a administração do governo federal nas mãos dessa direita.
Por isso, a decisão de se candidatar por parte de militâncias que criticam a
democracia burguesa pode ser interpretada como uma forma de contradição
prática. E também como uma contradição bastante perigosa. Ainda que se
argumente em favor de uma atuação “por dentro” das instituições, permanecem
mais perguntas. Até que ponto essa inserção contribui, efetivamente, para a
construção de alternativas ao sistema? Essa decisão reforça, de fato, sua
legitimidade? Afinal, ao participar do processo eleitoral (ainda que implicitamente),
a militância não estaria dando validade às regras que previamente criticava?
Além
disso, há uma dimensão pedagógica na prática política que não pode ser
negligenciada aqui. Me refiro ao fato de militantes que ocupam posições de
destaque exercerem influência sobre a formação política de suas bases. Quando
esses sujeitos optam pela via eleitoral, sinalizam para suas bases que essa é
uma estratégia legítima (e prioritária), o que pode desviar energias da
organização de base e da mobilização popular. Assim, a escolha individual
adquire implicações coletivas, afetando o conjunto da militância.
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A relevância da coerência
Por
isso, a meu ver, a recusa à participação eleitoral não implica uma postura
sectária ou isolacionista. Ao contrário, pode ser entendida como uma afirmação
de coerência estratégica, que privilegia a construção de formas alternativas de
poder político. Experiências históricas demonstram que processos de
transformação social profunda estiveram, em geral, associados a altos níveis de
mobilização popular e de organização autônoma das classes subalternas, mais do
que à atuação institucional. Antes de partir para os exemplos, quero ressaltar
que, ao citá-los, não nego os fatores negativos que estes também carregaram
consigo.
Um dos
casos mais clássicos é a Revolução Russa de 1917, especialmente no período
entre fevereiro e outubro. A derrubada do regime czarista — e a posterior
tomada do poder pelos bolcheviques — não se deu por via eleitoral, mas por meio
da ação direta de sovietes (conselhos de trabalhadoras e trabalhadores das
zonas urbanas, de soldados e de trabalhadoras e trabalhadores do campo), greves
de massas e insurreição política. A dinâmica dos sovietes foi
central como forma de organização política alternativa ao parlamento liberal da
época.
Outro
exemplo que trago é a Revolução Cubana de 1959, conduzida pelo Movimento 26 de
Julho, que se desenvolveu a partir de guerrilhas rurais e ampla mobilização
popular contra a ditadura de
Fulgencio Batista.
A vitória não decorreu de disputa eleitoral, mas de um processo de guerra
revolucionária combinado com apoio social significativo em setores urbanos e
rurais. O referido Movimento estruturou sua atuação a partir de uma estratégia
de guerrilha rural, especialmente na Sierra Maestra, onde pequenas
colunas insurgentes buscavam, simultaneamente, resistência militar e construção
de apoio político junto às populações camponesas. Esse apoio envolvia redes de
abastecimento, de colaboração logística, de proteção e, em muitos casos, de
adesão ativa de setores marginalizados pela estrutura socioeconômica cubana da
época.
Na
Nicarágua, a Revolução Sandinista (1979) também é um exemplo relevante. A
derrubada da ditadura de Somoza foi resultado de insurreição armada combinada
com mobilização de massas urbanas, greves gerais e ampla participação popular
organizada pelo Frente Sandinista de Libertação Nacional, fora do circuito
eleitoral tradicional. Ao longo da década de 1970 — especialmente após
episódios de forte repressão estatal —, o movimento sandinista conseguiu
ampliar significativamente sua base social.
No caso
da Bolívia — embora posteriormente o Movimento ao Socialismo (MAS) tenha atuado
institucionalmente —, os ciclos de mobilização popular anteriores — como a
Guerra da Água e a Guerra do Gás — foram fundamentais para mudanças políticas
profundas, mostrando a força de movimentos sociais autônomos na definição de
rumos nacionais, inclusive pressionando a queda de governos eleitos. Esses
processos evidenciaram a capacidade de articulação entre setores urbanos e
rurais, com protagonismo de organizações indígenas, camponesas e populares.
Essas mobilizações demonstraram que transformações estruturais podem emergir,
sobretudo, de pressões exercidas “de fora” das instituições formais.
No
Brasil, ainda que dentro de um contexto “democrático institucional”, o período
de redemocratização foi fortemente moldado por mobilizações sociais amplas,
como o movimento das Diretas Já (1983–1984) — e a atuação de sindicatos
combativos, especialmente o chamado “novo sindicalismo” do ABC paulista. Além
disso, movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
representam, até hoje, uma forma de organização social alicerçada na ação
direta, por meio de ocupações e de construção de autonomia política no campo,
pressionando o Estado de fora das instituições formais.
Esses
exemplos sustentam a ideia de que transformações sociais profundas tendem a
depender (em maior ou menor grau) de processos de mobilização popular ampla — e
de formas de organização coletiva, relativamente autônomas, ainda que suas
configurações históricas sejam bastante diversas entre si. Isso não significa
ignorar completamente o terreno institucional, mas situá-lo em uma posição
subordinada. A prioridade deve recair sobre a formação de consciência crítica,
sobre a articulação de movimentos sociais e, principalmente, sobre a construção
de práticas políticas que escapem à lógica da representação tradicional.
A
adesão à disputa eleitoral por parte da militância crítica da democracia
burguesa, portanto, levanta questões importantes sobre coerência e horizonte
político. Não se trata de julgar intenções individuais, mas de analisar os
efeitos (objetivos) dessa escolha no interior de um projeto político mais
amplo. A tensão entre crítica e prática não pode ser simplesmente ignorada, sob
pena de esvaziar o próprio sentido da crítica. O debate remete à questão
fundamental sobre os caminhos da transformação social. Se a democracia burguesa
é, de fato, limitada em sua capacidade de promover mudanças estruturais, então
a aposta na via eleitoral parece insuficiente. Certo?
Nesse
cenário, a mobilização popular e a organização de base são fatores
imprescindíveis para qualquer projeto que se pretenda emancipatório. Ao optar
pela mobilização em detrimento da candidatura, a militância reafirma o
compromisso com uma perspectiva de transformação que não se limita aos marcos
da ordem existente. É uma escolha difícil — especialmente em contextos marcados
por urgências sociais e pressões por resultados imediatos. No entanto, é
exatamente nessas condições que a coerência se torna mais relevante.
Fonte:
Por Verbena Córdula, em Diálogos do Sul Global

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