‘Revolução
resiste diante da política genocida dos EUA’, diz governo cubano
O
governo de Cuba publicou nesta sexta-feira (17/04) uma declaração rechaçando o
cerco histórico dos Estados Unidos, incluindo a “política genocida” norte-americana intensificada
sob a gestão de Donald Trump que, ao impor um “brutal bloqueio energético” na
ilha, agravou a crise humanitária nos últimos meses. O comunicado
menciona, ainda, as ameaças vindas da Casa Branca sobre intenções de agressão militar à nação.
Havana
classifica como uma “vergonha” as medidas tomadas pelo dito “maior império de
todos os tempos”, as quais põem em risco a vida de toda uma população. Destaca
que tais ações violam o direito internacional condenado anualmente pela maioria
dos Estados-membros das Nações Unidas (ONU).
“Diante
dessa punição coletiva, o povo cubano oferece os mais nobres e admiráveis exemplos de resistência”,
afirma, apontando principalmente para o decreto de estrangulamento de Trump de
29 de janeiro, que fala na imposição de tarifas a países
fornecedores de petróleo a Cuba. “[…]
a resposta desse povo, que continua enfrentando os desafios da escassez em
todas as tarefas e atividades cotidianas, tem sido ainda mais estoica”.
Na
declaração, o governo cubano também denunciou a campanha da grande mídia, que
“trava uma guerra suja” ao veicular coberturas “repleta de exageros, mentiras e
difamações” que estimulam uma imagem equivocada sobre a nação.
“Jamais
identifica a verdadeira causa da situação e culpa o Governo Revolucionário pela
crise que está sendo friamente e deliberadamente provocada por aqueles que nos
atacam. Recorrem a pretextos mentirosos, como alegar que nosso país constitui
uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA ou designá-lo
como um suposto Estado patrocinador do terrorismo”, critica.
O
documento também aponta para as intenções de Washington, que são descritas no
Memorando do Subsecretário de Estado Lester Mallory, em 6 de abril de 1960, que
fala em mecanismos para “enfraquecer a vida econômica de Cuba” e “uma linha de
ação que, sendo o mais hábil e discreta possível, alcança o maior progresso
possível em privar Cuba de dinheiro e suprimentos, a fim de reduzir seus
recursos financeiros e salários reais, provocar fome, desespero e a derrubada
do governo”.
De
acordo com a nota, a perseguição também se estende a outros países, que são
pressionados pelos Estados Unidos para romperem as relações diplomáticas com a
ilha, em uma política de isolamento. No entanto, destaca para nações como
México, Rússia, China, Vietnã, entre outras, que se recusam a atender aos
interesses norte-americanos, mas sim seguem os “pilares de dignidade”.
“Há os
membros da Caravana Nossa América, que, desafiando
ameaças, pressões e riscos, em um gesto simbólico, decidiram nos oferecer seu
apoio, além da ajuda material; reafirmando a máxima de Martí de que ‘quem se
levanta com Cuba hoje, se levanta para sempre’”, afirma. “[…] afirmamos hoje
que Cuba jamais será um troféu, nem apenas mais uma estrela na constelação
norte-americana”.
“Somos
uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres
pacíficos e compassivos; um povo que, por meio de suas ações diárias, defende
Cuba; e que, como nas areias da Praia Girón, há 65 anos, sob o grito de ‘Pátria
ou Morte!’, alcançará a vitória em defesa da soberania e do socialismo”, diz.
“Enquanto houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução,
seremos vitoriosos!”
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Leia a declaração na íntegra
Cuba
vive sob o cerco constante do governo dos Estados Unidos, cujas ameaças
crescentes se intensificaram nos últimos meses. Ao brutal bloqueio energético,
que agrava a política genocida de embargo das últimas seis décadas, somam-se as
declarações de representantes da elite do governo estadunidense sobre intenções
de agressão militar.
O
custo material e humano desse bloqueio é uma vergonha suportada pelo governo do
maior império de todos os tempos. Trata-se de um ato ilegal e desumano, uma
violação do direito internacional, condenado anualmente por quase todos os
Estados-membros das Nações Unidas e, como confirmam pesquisas recentes,
rejeitado pela maioria da população da terra natal de Lincoln.
Diante
desse castigo coletivo, o povo cubano oferece os mais nobres e admiráveis exemplos de resistência.
Desde que o sufocamento foi decretado em 29 de janeiro, por meio de uma Ordem
Executiva, a resposta desse povo, que continua a enfrentar os desafios da
escassez em todas as tarefas e atividades do dia a dia, tem sido ainda mais
estoica.
Em
meio a circunstâncias tão urgentes, uma teia de calúnias também está sendo
tecida para desacreditar Cuba e seu governo. A máquina midiática dominante está
travando uma guerra traiçoeira contra nós, repleta de exageros, mentiras e
difamações, que jamais identifica a verdadeira causa da situação e culpa o
Governo Revolucionário pela crise que está sendo friamente e deliberadamente
provocada por aqueles que nos atacam. Recorrem a pretextos mentirosos, como
alegar que nosso país constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança
nacional dos EUA ou nos designar como um suposto Estado patrocinador do
terrorismo.
Assim,
revela-se a hipocrisia do executor, cujas intenções são descritas no Memorando
do Subsecretário de Estado Lester Mallory, escrito já no início do processo
revolucionário, em 6 de abril de 1960, quando ele expressa claramente o
verdadeiro significado de sua política criminosa:
…empregar
rapidamente todos os meios possíveis para enfraquecer a vida econômica de Cuba.
(…) Uma linha de ação que, sendo o mais hábil e discreta possível, alcança o
maior progresso possível em privar Cuba de dinheiro e suprimentos, reduzindo
seus recursos financeiros e salários reais, provocando fome, desespero e a
derrubada do governo.
Esse
assédio também se estendeu ao âmbito das relações bilaterais de Cuba com outros
países. Os Estados Unidos exercem pressão constante sobre os governos da
região, não apenas para romperem laços diplomáticos com a ilha, mas também para
abandonarem seus próprios povos, expulsando profissionais de saúde que, durante
anos, foram um farol de esperança para os mais pobres.
Isolar-nos
também faz parte de sua estratégia; no entanto, existem pilares de dignidade no
mundo, povos e governos que não cedem. Há os exemplos do México, da Rússia, da
China, do Vietnã e de outras nações irmãs. Há os membros da Caravana Nossa
América, que, desafiando ameaças, pressões e riscos, em um gesto simbólico,
decidiram nos oferecer seu apoio, além da ajuda material; Reafirmando a máxima
de Martí de que “quem se levanta com Cuba hoje, se levanta para sempre”.
Herdeiros
de um legado histórico, com o sangue dos Mambí e dos combatentes rebeldes em
nossas veias, honrando o exemplo e a coragem dos heróis e mártires da Pátria;
como os 32 bravos combatentes cubanos que tombaram na Venezuela e os jovens que
frustraram a infiltração terrorista por Villa Clara, afirmamos hoje que Cuba
jamais será um troféu, nem apenas mais uma estrela na constelação
norte-americana.
Somos
uma nação com uma grande história e convicções a defender; de homens e mulheres
pacíficos e solidários; um povo que, por meio de suas ações diárias, defende
Cuba; e que, como nas areias da Praia Girón, há 65 anos, sob o grito de “Pátria
ou Morte!”, alcançará a vitória em defesa da soberania e do socialismo.
No
ano do centenário do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz, arquiteto da
primeira grande derrota do imperialismo ianque nas Américas; Com a honra de ter
o General do Exército Raúl Castro Ruz, firme ao lado de seu povo, perseverando
com um pé no estribo, ratificamos o apelo à mobilização nacional e
internacional feito neste 16 de abril pelo Primeiro Secretário do Comitê
Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel
Díaz-Canel Bermúdez, e reafirmamos suas palavras:
“Enquanto
houver uma mulher ou um homem disposto a dar a vida pela Revolução, seremos
vitoriosos!”
“O
caráter socialista da nossa Revolução não é uma frase do passado, é o escudo do
presente e a garantia do futuro!”
“Girón
é hoje e é sempre!”
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Cuba inicia campanha 'Minha assinatura pela Pátria' em
apoio à revolução e pela paz
Com a
assinatura do Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, teve início neste domingo
(19/04) uma campanha de coleta de assinaturas em todo o território nacional,
intitulada “Minha assinatura pela Pátria”, cujo objetivo é demonstrar apoio à
Revolução e reiterar o compromisso da ilha com a paz.
O
presidente assinou o documento em Playa Girón, na província de Matanzas,
durante a cerimônia que comemorou o 65º aniversário da vitória cubana
contra a invasão mercenária dos EUA em abril de 1961, na região conhecida como
Baía dos Porcos. “Hoje, lá (em Girón), depositamos flores brancas,
reverenciando seu heroísmo, e assinamos a declaração inequívoca de que a
Revolução Cubana jamais negociará seus princípios”, declarou o chefe de Estado
da maior das Antilhas em suas redes sociais.
O
Ministério das Relações Exteriores declarou em um comunicado à imprensa que a
iniciativa “apoia o apelo feito pelo presidente no evento que comemora o
65º aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução, às
organizações em Cuba e em todo o mundo, para que a verdade sobre Cuba seja conhecida em todos os cantos do
planeta”.
“Constitui
também uma forma de tornar evidente a Declaração do Governo Revolucionário,
emitida na mesma data, que demonstra o compromisso deste povo com a paz, mas
também a firmeza e a vontade de defender a soberania”, acrescentou o texto do
Ministério das Relações Exteriores.
Roberto
Morales Ojeda, membro do Bureau Político e Secretário de Organização do Comitê
Central do Partido Comunista de Cuba (PCC), que também participou do evento em
Playa Girón, fez um apelo, inspirado pelo legado dos combatentes de Girón, para
apoiar a campanha Minha Assinatura pela Pátria, “uma proposta da sociedade
civil que representa nossa reivindicação de viver em paz”. Ele considerou isso
também um compromisso com os cubanos que morreram em Playa Girón.
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Comemoração da vitória anti-imperialista em Playa Girón
Milhares
de cubanos se reuniram neste domingo na cidade de Playa Girón para comemorar o
65º aniversário da vitória contra a invasão mercenária preparada pelo governo
dos EUA e pela Agência Central de Inteligência (CIA), que foi derrotada em
menos de 72 horas pelo Exército Rebelde e pelas Milícias Nacionais
Revolucionárias sob a liderança do líder histórico da Revolução, o
Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz.
Jovens,
estudantes e trabalhadores de diversos setores se uniram à mobilização, que
incluiu um contingente de milicianos das províncias de Matanzas e Cienfuegos
que, em abril de 1961, demonstraram notável coragem ao enfrentar a invasão e
infligir ao imperialismo ianque sua primeira grande derrota na América Latina,
um evento histórico que, segundo o comandante Ernesto “Che” Guevara, tornou-se
um símbolo para os povos oprimidos do mundo. Combatentes das Forças Armadas
Revolucionárias (FAR) e do Ministério do Interior também participaram.
Durante
a cerimônia de comemoração, liderada pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel
Bermúdez, juntamente com outras autoridades do Partido Comunista de Cuba e do
Estado, os cubanos reafirmaram seu compromisso com a soberania da pátria, a paz
e a memória histórica. Enfatizaram que Cuba é uma nação de paz e não representa
uma ameaça aos Estados Unidos. Deixaram claro que defenderão sua soberania e
independência em caso de agressão militar.
Além
disso, denunciaram o bloqueio imposto pelos EUA a Cuba há mais de seis décadas,
intensificado pelas 243 medidas coercitivas adotadas por Donald Trump durante
seu mandato anterior e pela política de estrangulamento energético que ele
promove desde janeiro passado. Ao mesmo tempo, repudiaram as ameaças de invasão militar feitas
pela Casa Branca.
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Maioria dos cubano-americanos apoia ataque dos EUA a Cuba
e mudança de regime, diz pesquisa
A
maioria dos cubanos e cubano-americanos que residem no sul da Flórida, nos
Estados Unidos, apoia uma intervenção militar por parte do país
em Cuba,
de acordo com uma pesquisa encomendada pelo jornal norte-americano Miami
Herald e divulgada na quinta-feira (16/04). O levantamento ouviu 800
pessoas nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach e Monroe entre os dias
6 e 10 de abril, e a margem de erro é de mais ou menos 3,5 pontos percentuais.
De
acordo com os dados, 79% dos entrevistados declararam apoio a alguma forma de
ação militar. Desse total, 36% disseram apoiar uma intervenção com o objetivo
de derrubar o governo da ilha, enquanto 38%
defenderam uma ação que combine uma mudança do regime juntamente com o suposto
enfrentamento da crise humanitária. Apenas 5% dos participantes apoiam uma
intervenção exclusivamente humanitária.
Segundo
o Miami Herald, os números surpreenderam os institutos de pesquisa,
especialmente em um contexto no qual a população norte-americana tem
demonstrado crescente questionamento às agressões militares promovidas pela
gestão de Donald Trump contra o Irã e na Venezuela.
“O que
a comunidade está dizendo aqui é que está dando sinal verde para a administração Trump entrar
militarmente em Cuba e
fazer o que for necessário para remover o regime”, afirmou Fernand Amandi,
especialista na comunidade cubana e presidente da Bendixen & Amandi
International, uma das empresas responsáveis pela pesquisa juntamente com o The
Tarrance Group.
A
pesquisa também investigou as opiniões sobre eventuais negociações entre
Washington e Havana. Os dados mostram forte rejeição a qualquer acordo que não
resulte em mudança de regime. 69% manifestaram firme oposição a um tratado que
permitisse ao governo cubano permanecer no poder em troca de reformas
econômicas. A desaprovação geral a esse tipo de acordo chegou a 78%.
Além
disso, 77% afirmaram que ficariam insatisfeitos se as negociações levassem
apenas a reformas econômicas e melhores condições de vida, sem uma mudança de
regime. 68% rejeitaram negociações que pudessem fortalecer o governo comunista
cubano, “mesmo que isso atrase a melhoria das condições para o povo cubano”.
Esse mesmo percentual apoia o embargo energético à ilha.
Sobre a
responsabilidade pela atual crise econômica e humanitária em Cuba, 73% dos
entrevistados atribuíram a culpa ao governo cubano e suas políticas, em vez das
sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
Do
ponto de vista partidário, 57% dos entrevistados declararam-se republicanos,
17% democratas e 22% independentes. Entre os democratas cubano-americanos, 52%
disseram ser contra uma intervenção militar de Washington na ilha. 65% desse
mesmo grupo também se posicionou majoritariamente contra o bloqueio
norte-americano ao petróleo cubano.
Segundo
o Miami Herald, “eles também estavam mais inclinados do que os
republicanos a aceitar negociações que melhorassem a vida do povo cubano, mesmo
que beneficiassem o regime atual, e menos inclinados a apontar o governo cubano
como a principal razão da atual crise humanitária da ilha”.
Fonte:
Opera Mundi

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