População
brasileira envelhece e demanda maiores cuidados
O
Brasil envelhece de forma cada vez mais acelerada, enquanto o ritmo de
crescimento da população diminui. É o que mostrou a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Domicílios e Moradores, divulgada no
final da semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Entre 2012 e 2025, o número de pessoas com menos de 30 anos de idade
caiu 10,4%, enquanto o número de idosos, com 60 anos ou mais, subiu 58,7% no
mesmo período. O dado ilustra uma mudança profunda na sociedade brasileira, que
requer novas formas de se pensar desde o acesso a serviços públicos, como o
transporte e a saúde, até a própria economia, segundo especialistas ouvidos
pelo Correio.
Em
termos numéricos, a população com menos de 30 anos passou de 98,2 milhões, em
2012, para 88 milhões, em 2025. A queda, de 10,2 milhões de pessoas, equivale a
quase a população de São Paulo, o município mais populoso do país, que tem 11,4
milhões de habitantes. Já a população de idosos saiu de 22,2 milhões para 35,2
milhões no mesmo período. Essa mudança se reflete na distribuição etária da
população. A parcela de menores de 30 anos passou de 49,9% para 41,4%, e a de
idosos, de 11,3% para 16,6%.
De
acordo com o professor de Economia da Faculdade Eseg Maurício Nakahodo, o
envelhecimento é um fenômeno ligado diretamente à maior sobrevida, com mais
pessoas atingindo a marca de 80 anos ou mais. Isso, porém, reduz a força de
trabalho ativa e desacelera a expansão da economia. O analista destaca que a
taxa de natalidade, de cerca de 1,7 filho por mulher, está abaixo do nível
necessário para repor a perda da população, em todas as classes sociais.
Nakahodo também alerta para o aumento da informalidade entre idosos, motivada
pela insuficiência da renda previdenciária e pelo etarismo no mercado formal.
"De
um lado, teremos menos pessoas entrando no mercado de trabalho ao longo das
próximas décadas. De outro, uma população envelhecida crescente. Como a entrada
de jovens na força de trabalho é um dos motores do crescimento econômico, essa
mudança demográfica tende a desacelerar a expansão da economia. Além disso, há
efeitos sobre a produtividade média, que pode ser pressionada por esse
desequilíbrio", explica.
A
economista e pesquisadora da PUC-SP Cristina Helena Pinto de Mello, ressalta
que, no curto prazo, o envelhecimento pressiona os sistemas de saúde e
previdência, assim como as famílias, já que parentes, muitas vezes, precisam
deixar o mercado para cuidar de idosos. No longo prazo, a menor proporção de
pessoas em idade ativa diminui o dinamismo econômico e a base de contribuintes,
situação agravada pela "uberização" do trabalho, ou seja, atividades
mediadas por plataformas digitais e sem vínculo formal.
Mello
sugere que o país deve investir em aumento de produtividade, educação e
políticas de incentivo à natalidade, como a ampliação de creches, para mitigar
esses efeitos. Ao todo, a população
brasileira cresceu 7,9% entre 2012 e 2025, segundo o IBGE, saindo de 197,1
milhões para 212,7 milhões. Observa-se, porém, uma desaceleração do crescimento
anual desde 2013: desse ano até 2015, foi de 0,8%; oscilou entre 0,7% e 0,6%
até 2020; e manteve-se em 0,4% entre
2021 e 2025. Essa desaceleração é explicada, principalmente, pela queda na
natalidade.
"Há
aumento da demanda por atendimento de doenças crônicas, maior uso de serviços
médicos e crescimento dos gastos públicos nessas áreas. Em algumas faixas de
renda, há um tensionamento em relação ao cuidado com o idoso que pode subtrair
o mercado de trabalho. Alguém da família deixa de trabalhar fora para
cuidar", disse.
Já o
professor da Faculdade Eseg Johnny Mendes conecta a demografia ao planejamento
urbano, defendendo que o Plano Diretor das cidades deve ser encarado como uma
ferramenta de política fiscal indireta. Segundo Mendes, cidades planejadas sob
o conceito de "15 minutos", como Paris, onde serviços essenciais
estão a curtas distâncias, promovem a autonomia dos idosos e reduzem gastos
públicos com internações e mobilidade ineficiente. Ele aponta que estados como
Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já vivem esse perfil envelhecido,
antecipando os desafios nacionais.
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Escala 6x1
O fim
da escala 6x1 é tido como uma ferramenta importante para incentivar o aumento
da natalidade e, assim, diminuir o ritmo de envelhecimento da população. Os
analistas apontam, contudo, que a medida não pode ser encarada como uma solução
central. A economista Cristina de Mello destaca que uma jornada de trabalho
mais equilibrada tem, sim, impacto na qualidade de vida, incentivando a escolha
por filhos.
"O
fim da escala pode ter efeitos indiretos, mas não é uma solução central para o
envelhecimento. Uma jornada de trabalho mais equilibrada pode melhorar a
qualidade de vida, produtividade e até influenciar decisões familiares, mas,
isoladamente, não resolve o desafio demográfico. O impacto dependeria de como
essa mudança afetaria emprego, renda e organização do mercado de
trabalho", conclui, Cristina
O
professor Johnny Mendes, por sua vez, aponta que a mudança de escala,
isoladamente, não resolveria nem o desafio demográfico, nem as pressões sobre o
sistema previdenciário, com cada vez mais dificuldade de se sustentar ante à
queda da população economicamente ativa.
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Maioria feminina
O
levantamento trouxe ainda dados importantes sobre a divisão de gênero na
população, mantendo a prevalência feminina em todas as faixas etárias. Em 2025,
as mulheres correspondiam a 51,2% da população, enquanto os homens totalizaram
48,8%. Em todas as regiões, há mais mulheres do que homens. As Regiões Nordeste
(51,7%) e Sudeste (51,3%) foram as que apresentaram maiores proporções
femininas, seguidas das Regiões Centro-Oeste (50,7%), Sul (50,9%) e Norte
(50,6%).
O
relatório mostra, ainda, que a mortalidade dos homens segue maior que a das
mulheres em cada grupo etário. Por isso, a proporção masculina tende a diminuir
com o aumento da idade. Há mais mulheres idosas do que homens. Entre os que têm
65 anos ou mais, o instituto aponta que há, aproximadamente, 75,9 homens para
cada 100 mulheres. O dado alerta para a necessidade de maior cuidado com a
saúde masculina.
• O que novas pesquisas revelam sobre o
envelhecimento e por que ele pode não ser inevitável como se pensava
A visão
tradicional de que o corpo humano possui uma data de validade programada está
sendo desafiada por descobertas disruptivas no campo da biotecnologia.
Pesquisas recentes sugerem que o processo de envelhecer pode ser tratado como
uma condição biológica passível de intervenção, e não apenas como um destino
certo.
O papel
da senescência celular na longevidade moderna
Um dos
pilares das novas descobertas em 2026 foca nas chamadas células senescentes,
também conhecidas como “células zumbis”, que param de se dividir mas não
morrem. O acúmulo desses elementos no organismo gera inflamações crônicas que
aceleram a degradação dos tecidos e órgãos em humanos.
Cientistas
estão desenvolvendo compostos senolíticos capazes de eliminar essas células de
forma seletiva, permitindo que o corpo mantenha sua vitalidade por muito mais
tempo. Dica rápida: manter uma rotina de exercícios intensos ajuda a reduzir
naturalmente a carga dessas células, complementando os avanços das terapias
genéticas atuais.
Estudos
avançados demonstram que a proteção das extremidades dos cromossomos, os
telômeros, é a chave para evitar o colapso celular. Quando essas estruturas
ficam muito curtas, a célula perde a capacidade de se replicar, o que
desencadeia os sinais visíveis do envelhecimento.
A
ativação controlada da enzima telomerase tem mostrado resultados promissores na
reversão de danos biológicos em tecidos específicos, funcionando como um
verdadeiro botão de reset celular. Essa técnica promete não apenas estender a
vida, mas garantir que os anos adicionais sejam vividos com plena capacidade
física e cognitiva.
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Estratégias científicas para retardar o relógio biológico
A
ciência da longevidade não se limita apenas a tratamentos complexos, mas também
à compreensão de como moléculas específicas sinalizam a reparação do nosso
código genético. O uso de precursores metabólicos tem se mostrado eficaz para
manter os níveis de energia celular equivalentes aos de indivíduos jovens.
NMN e NAD+: Moléculas que otimizam a
função das mitocôndrias e reparam o DNA danificado.
Reprogramação Epigenética: Técnica que
“reinstala” o software celular para um estado de juventude.
Restrição Calórica Mimetizada: Compostos
que ativam as sirtuínas, proteínas responsáveis pela autofagia.
Inteligência Artificial: Algoritmos que
identificam biomarcadores de idade antes mesmo dos sintomas aparecerem.
Bioimpressão de Órgãos: Substituição de
tecidos desgastados por versões novas criadas em laboratório.
Se você
gosta de curiosidades, separamos esse vídeo do canal do Regenerati – Dr.
Willian Rezende mostrando mais sobre os aspectos do envelhecimento:
A
influência da medicina de precisão na saúde preventiva
Com o
mapeamento genético acessível, a medicina de precisão permite que cada
indivíduo ajuste seu estilo de vida com base em suas vulnerabilidades
biológicas únicas. Isso significa que a prevenção de doenças degenerativas em
países como o Brasil está se tornando muito mais assertiva e personalizada.
Atenção:
o foco da ciência em 2026 mudou da cura de doenças para a manutenção da
homeostase prolongada do organismo. Entender como seu corpo reage ao estresse
oxidativo é o primeiro passo para utilizar essas novas ferramentas tecnológicas
a favor da sua saúde duradoura.
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O futuro da biotecnologia e a redefinição da vida humana
O
conceito de que o envelhecimento é uma doença tratável ganha força à medida que
os testes clínicos apresentam taxas de sucesso sem precedentes na Europa e na
Ásia. Estamos entrando em uma era onde a escolha de como envelhecer estará,
pela primeira vez, nas mãos da humanidade.
Embora
ainda existam debates éticos importantes, a trajetória da inovação científica
aponta para um horizonte onde a fragilidade física será opcional. Acompanhar
esses avanços é essencial para quem deseja planejar um futuro com mais
qualidade, autonomia e uma saúde verdadeiramente renovada.
Fonte:
Correio Braziliense

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