Lula
pede regulação global das redes sociais: 'Muito ódio, promiscuidade, sexo e
jogatina'
Ao
participar de um fórum com líderes mundiais de esquerda neste sábado (18/4), em
Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que
as redes sociais precisam ser reguladas em âmbito global.
"Vamos
ser cada vez mais duros porque, se o Estado não agir, a gente não controla as
chamadas plataformas digitais, que, de rede social, não tem nada. Pouco social
e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo, muita jogatina e muito pouco
social", afirmou Lula, ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro
Sánchez, anfitrião do evento.
Também
participaram do encontro, que se estende até o fim da tarde deste sábado, cerca
de 20 líderes e chefes de Estado, entre eles Gustavo Petro, presidente da
Colômbia; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e Gabriel Boric,
ex-presidente do Chile.
A
declaração de Lula ocorre após outra crítica às redes sociais, feita na
sexta-feira (17/4), quando foi questionado sobre a regulação que países da
Europa e a Austrália têm adotado para estabelecer uma idade mínima para uso das
plataformas.
"Precisamos
regular tudo o que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país e
não permita intromissão de fora, sobretudo em um ano eleitoral", afirmou.
"Não
é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da
mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no
planeta."
Na
sexta-feira, Lula citou o pleito brasileiro, marcado para outubro, mas agora
ampliou o debate e disse que este não é um problema específico do Brasil.
"Controlar
as plataformas digitais e pôr regras democráticas é uma questão mundial. No
Brasil, estamos tentando fazer nossa parte, porque a verdade nua e crua é que a
mentira ganhou da verdade. Para mentir, você não tem que explicar, para se
justificar você tem, e muitas vezes não consegue. Esse é um desafio para nós,
chefes de Estado."
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Lula chama China, EUA, França, Inglaterra e Rússia de 'senhores da guerra'
Na
sexta-feira, em encontro com empresários, Lula afirmou que não quer guerra com
o líder chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente
americano, Donald Trump, ou qualquer outro líder.
Neste
sábado, Lula repetiu esse discurso e criticou novamente o que chamou de
ineficiência das Organização das Nações Unidas (ONU).
"Hoje,
a ONU não representa aquilo para a qual ela foi criada. Os membros permanentes
do Conselho de Segurança, que era para garantir a paz do mundo, viraram os
senhores da guerra."
Essa
ineficácia, acrescentou, se deve à atuação dos membros permanentes de seu
Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia).
"Eles
tomam decisões sem consultar a ONU. Para quem [George W.] Bush pediu para
invadir o Iraque? Para ninguém. Para quem a França e a Inglaterra pediram para
invadir a Líbia? Ninguém. Que mal [Muamar] Khadafi causava ao mundo? Nenhum.
Para quem a Rússia pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. São decisões
unilaterais que não respeitam o fórum do qual essas pessoas participam",
disse Lula.
O
presidente brasileiro também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança,
com a possibilidade de representação por embaixadores — e não pelos próprios
líderes —, além do poder de veto dos membros permanentes sobre decisões
aprovadas.
"Há
quantos anos estamos tentando mudar a representação? Cadê a representação
africana? Cadê a participação do México, do Brasil, da Argentina, da Colômbia?
Cadê a participação da Índia? Tantos países importantes, como o Japão, poderiam
participar. E por que não participam?", questionou.
Lula
citou por fim a situação de Cuba, que, sob pressão após a prisão de Nicolás
Maduro por Trump e sem apoio da Venezuela, enfrenta uma crise sem precedentes.
"Eu
estou preocupado com Cuba, mas o problema é dos cubanos, não é um problema do
Lula. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida
deles."
A
declaração sobre Cuba segue o mesmo tom da que o presidente fez sobre a
Venezuela em entrevista coletiva na sexta-feira. "Tenho muitas
preocupações no Brasil para me preocupar com a Venezuela. O que eu quero é que
a Venezuela fique bem e seja feliz, sem tutela de ninguém."
Lula
não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas depois que Maduro se
recusou a enviar às autoridades brasileiras documentos que comprovassem a
autenticidade do pleito. Mas o petista afirmou que a vice-presidente
venezuelana, Delcy Rodríguez, ocupa o cargo de forma legítima.
"A
Venezuela é um destino dos venezuelanos. A presidente Delcy está no poder,
legitimamente, porque, na medida em que o presidente caiu, ela era vice e
assumiu. Se ela quer ou não convocar eleições, é problema dela, do povo dela,
da Venezuela."
No
domingo (19/4), o presidente segue para Hannover, na Alemanha, onde participa
de uma feira de negócios e tecnologia, e na terça-feira (21/4) visita Lisboa,
capital de Portugal, nesta que deve ser a última grande viagem internacional de
seu terceiro mandato.
• Lula diz que não quer briga com Trump
Ao se
encontrar com empresários espanhóis e brasileiros em Barcelona na tarde desta
sexta-feira (17/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o tom
de comedimento que tem adotado nesta que deve ser sua última grande viagem
internacional antes do início da campanha eleitoral.
Exemplo
disso foi uma fala que fez ao final do encontro, com o objetivo de tranquilizar
os empresários e incentivar negócios às vésperas da entrada em vigor do acordo
Mercosul–União Europeia, em 1º de maio, que criará uma das maiores zonas de
livre comércio do mundo.
"Eu
digo todo dia: eu não quero briga com Xi Jinping, não quero briga com
[Vladimir] Putin, não quero briga com [Donald] Trump, não quero briga com a
menor ilha que exista no mundo. O que quero é paz, investimento, gerar melhoria
nas condições de vida do povo brasileiro."
Lula
condenou a guerra no Irã, chamando-a de "desnecessária, inconsequente, sem
justificativa", sem mencionar, no entanto, os nomes do presidente
americano e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que deram
início ao conflito com ataques coordenados contra o Irã.
"Não
é possível que alguém resolva fazer guerra quando o mundo precisa de paz,
investimento, tranquilidade, educação. Tudo o que não precisamos é de
guerra."
Ele
também evitou se aprofundar no conflito desencadeado na Venezuela após a prisão
de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro.
"Tenho
muitas preocupações no Brasil para me preocupar com a Venezuela. O que eu quero
é que a Venezuela fique bem e seja feliz, sem tutela de ninguém", ele
disse mais cedo, em entrevista coletiva.
Lula
não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas depois que Maduro se
recusou a enviar às autoridades brasileiras documentos que comprovassem a
autenticidade do pleito. Mas o petista afirmou agora que a vice-presidente
venezuelana, Delcy Rodríguez, ocupa o cargo de forma legítima.
"A
Venezuela é um destino dos venezuelanos. A presidente Delcy está no poder,
legitimamente, porque, na medida em que o presidente caiu, ela era vice e
assumiu. Se ela quer ou não convocar eleições, é problema dela, do povo dela,
da Venezuela", disse.
A
declaração foi feita após uma pergunta dirigida ao primeiro-ministro espanhol,
Pedro Sánchez. Ele foi questionado sobre a possibilidade de um encontro com
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, que está em Madri.
A
opositora afirma ter vencido as eleições no país no ano passado e acusa Maduro
de fraude. Sánchez respondeu que chegou a oferecer uma reunião a Machado, mas
ela teria recusado o convite.
Lula
pousou em Barcelona no fim da noite de quinta-feira (16/4), por volta das 23h
no horário local, às 18h em Brasília. A agenda de sexta-feira começou com uma
reunião a portas fechadas com Sánchez, seguida de encontros com ministros de
Estado espanhóis e brasileiros, no Palácio de Pedrálbes.
Foram
assinados 15 acordos entre os dois países, com destaque para as áreas de
minerais críticos, economia social e solidária, assuntos consulares, cooperação
cultural, ciência e tecnologia, igualdade de gênero e igualdade racial,
firmados na presença de jornalistas.
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'Ninguém tomará a riqueza mineral do Brasil'
Um dos
principais acordos firmados diz respeito aos chamados minerais críticos —
lítio, níquel, cobalto, nióbio, cobre, manganês e grafite.
Eles
são essenciais para a produção de componentes tecnológicos, como baterias para
veículos elétricos, e também para a indústria bélica, sobretudo a fabricação de
aeronaves, drones e armamentos.
Os
Estados Unidos têm alta dependência da China para a aquisição desses minerais,
enquanto o Brasil dispõe de reservas ainda inexploradas.
Antes
da Espanha, o único país com o qual o Brasil havia firmado um acordo sobre o
tema era a Índia, durante visita do presidente Lula ao país, em fevereiro.
Mas
ambos os documentos não dizem respeito à extração de minérios, e sim à
cooperação na área. Isso porque, afirmou Lula, a ideia é que seja criada uma
cadeia produtiva para evitar a exportação de matéria-prima bruta.
"O
Brasil já deixou passar o ciclo do ouro, em que levaram tudo, enriqueceu vários
países, e o Brasil ficou pobre. A América Latina já deixou passar o ciclo do
ouro, o ciclo da prata, da pérola e da madeira", disse o presidente.
"Não
podemos agora permitir que a riqueza que a natureza nos deu não permita que a
gente fique rico. Estamos dispostos a fazer acordo com todos os países que
quiserem fazer acordo com o Brasil. Mas ninguém, ninguém a não ser o Brasil,
será dono da nossa riqueza mineral."
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Lula evita menções a Trump
A
passagem pela Espanha, na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC News
Brasil, é vista como um campo minado caso Lula suba o tom contra Trump.
Para
Guilherme Casarões, professor de Relações Internacionais da Universidade
Internacional da Flórida, Lula deve "tomar cuidado para não apertar os
botões errados" e evitar se empolgar nas críticas ao republicano.
Uma
declaração em uma ocasião como esta, diante de jornalistas do mundo inteiro,
pode ter repercussão mais ampla — e mais rápida, em diferentes idiomas — do que
falas feitas no dia a dia no Brasil.
Em
outras palavras, afirma o professor, Lula tem de equilibrar eventuais críticas
a Trump — para dialogar com sua base e aliados de esquerda — sem elevar o tom a
ponto de afastar outra parcela do eleitorado, que considera essencial manter
uma boa relação com os Estados Unidos e com o próprio presidente americano.
Esse
cálculo ocorre em um cenário eleitoral sensível. O senador Flávio Bolsonaro
(PL), que se consolida como o principal adversário de Lula, aparece
numericamente à frente em pesquisas de intenção de voto para um eventual
segundo turno.
Na
pesquisa mais recente da Quaest, divulgada na quarta-feira (15/4), Lula tem 40%
das intenções de voto, contra 42% de Flávio.
O
ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, deixou o Brasil para viver
nos Estados Unidos e se aproximar de figuras-chave do governo Trump.
Esse
movimento reforça, entre eleitores que rejeitam Lula, a percepção do filho de
Jair Bolsonaro (PL) como uma ponte mais confiável na relação entre Brasil e
Estados Unidos, segundo analistas.
No
sábado (18/4), Lula participa de um evento promovido por Sánchez que reúne
lideranças progressistas diante do avanço da direita radical. Trata-se do
Global Progressive Mobilisation (Mobilização Progressista Global, em tradução
livre), uma iniciativa que discute temas como ameaças à democracia,
desinformação e violência de gênero.
No
domingo (19/4), o presidente segue para Hannover, na Alemanha, onde participa
de uma feira de negócios e tecnologia.
A
viagem será encerrada na terça-feira (21/4), com uma visita a Lisboa, capital
de Portugal.
• Lula critica paralisia da ONU e defende
nova governança democrática em fórum internacional
Lula
participou neste sábado (18) da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia
Sempre, em Barcelona, encontro que reúne líderes de várias regiões para
discutir o fortalecimento das instituições democráticas e os desafios globais à
governança.
O
fórum, criado em 2024 por iniciativa de dirigentes progressistas como o
brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o espanhol Pedro Sánchez, busca ampliar
a articulação internacional em defesa da democracia diante do avanço de
movimentos que consideram autoritários.
Durante
a reunião, Lula criticou novamente a inação da ONU diante das crises
internacionais.
"Veja,
a ONU que teve força para criar o Estado de Israel não tem força, sequer, para
manter o Estado palestino. Aliás, ela não tem força para manter as terras
demarcadas, que foram demarcadas na própria ONU. Então a democracia que nós
precisamos discutir aqui, entre chefes de Estado, é se o mundo vai continuar do
jeito que está ou se nós vamos tentar mudar esse mundo", declarou.
A
edição deste ano ocorre em um contexto de tensões internacionais, marcado por
conflitos armados, especialmente no Oriente Médio, e por disputas políticas
envolvendo grandes potências. O ambiente reforça a necessidade de cooperação
entre governos comprometidos com a estabilidade democrática.
"Nenhum
presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar
impondo regras a outros países. Nenhum", disse Lula ao criticar os membros
permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Além
disso, o presidente fez alusão à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e
aliados, condenados por atentado contra a democracia. De acordo com ele, apesar
das prisões e da inelegibilidade de Bolsonaro, o extremisto no Brasil
"continua vivo e vai disputar as eleições outra vez".
O
presidente brasileiro criticou diversos conflitos ao redor do mundo, dizendo
que "decisões unilaterais, que não respeitam os fóruns" dos quais os
envolvidos participam não mudam a realidade da democracia. Para Lula, a ONU não
pode ficar silenciosa ao ver o que está acontecendo no mundo.
"Trump
invadiu o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta
a gasolina em outro país. Ou seja, é o pobre que vai pagar a irresponsabilidade
de guerras que ninguém quer?", questionou Lula ao afirmar que o mundo não
precisa de guerras enquanto ainda tiver pessoas passando fome.
Ainda
de acordo com o presidente, os desafios da democracia têm sido ampliados pela
ausência de regulação das redes sociais, que transmitem discursos classificados
por ele como "mentirosos" e que, muitas vezes, não conseguem ser
combatidos a tempo para que a verdade prevaleça.
Lula
chamou a atenção para outros organismos multilaterais como o G20, a UNASUL e a
CELAC, que sempre funcionaram, mas a falta de institucionalidade, muitas vezes,
leva em consideração as lideranças, não seus Estados, daí a importância de se
fortalecer a ONU e o multilateralismo.
"Estou
preocupado com Cuba, muito preocupado com Cuba. Cuba tem problemas, mas é um
problema dos cubanos, não é um problema do Lula, da Cláudia [Sheinbaum] e do
[Donald] Trump, é um problema do povo cubano. Parem com esse maldito bloqueio a
Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que a gente fique
quieto diante disso", afirmou.
Na véspera do fórum, Lula participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, dedicada a reforçar a parceria bilateral. O encontro começou com uma reunião restrita entre os chefes de governo, seguida de uma plenária com ministros dos dois países, onde foram discutidas áreas estratégicas de cooperação.
Durante
a cúpula, Lula e Sánchez assinaram atos em temas como igualdade de gênero,
combate à violência contra as mulheres e economia social, ampliando o escopo da
colaboração institucional.
Ambos
também fizeram declarações públicas e responderam a perguntas de jornalistas.
Fonte:
BBC News Brasil/Sputnik Brasil

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