sábado, 18 de abril de 2026

Guerra no Irã expôs crimes de Bolsonaro e Paulo Guedes contra a Petrobrás

A alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Irã não chegou da mesma forma para todos os brasileiros. Nas regiões Norte e Nordeste, onde o governo anterior vendeu as refinarias da Petrobras para o setor privado, os aumentos chegaram a 88%. Onde a Petrobras ainda opera, os preços subiram menos. A diferença não é acidente — é a lógica da privatização funcionando exatamente como foi projetada.

Foi nesse cenário que o PT lançou nesta quarta-feira (15) uma frente nacional pela reestatização da BR Distribuidora e das refinarias privatizadas entre 2019 e 2022, acompanhada do Projeto de Lei 1853. A coletiva reuniu o líder da bancada, Pedro Uczai (SC), representantes da Federação Única dos Petroleiros e movimentos da área de energia. O objetivo declarado é votar o projeto ainda este ano, antes das eleições.

O caso mais emblemático citado na coletiva foi o da botija de gás. A Liquigás foi vendida em 2020. Hoje, o produto sai da distribuidora por R$ 37 e chega à família brasileira por R$ 155. Não há regulação, não há empresa pública no caminho para comprimir essa margem. A diretora da FUP, Bárbara Bezerra, resumiu o problema com uma frase que serve de diagnóstico: não existe mais nenhum posto de gasolina da Petrobras no Brasil, apesar de centenas deles ainda usarem comercialmente o nome da empresa.

O PL 1853 propõe diferentes mecanismos para que o Estado recupere capacidade de intervenção no setor — seja pela reestatização direta da BR Distribuidora, seja pela criação de uma nova empresa pública de distribuição. O projeto também prevê a retomada das refinarias privatizadas. Uczai deixou claro que a proposta vai além de uma reação conjuntural à guerra: é uma tese sobre o papel do Estado em setores estratégicos.

A frente ainda não está formalmente registrada — faltam assinaturas para atingir o mínimo regimental de 198, e o grupo acumula 109. Mas Uczai afirmou que o movimento político não esperará pela formalidade. Entidades sindicais comprometeram-se a mobilizar deputados nos estados, e o próprio líder do PT disse que fará conversas individuais com parlamentares.

O debate chega num momento em que o governo Lula enfrenta pressão crescente sobre o preço dos combustíveis sem ter, nas mãos, as ferramentas que existiam antes. A Petrobras segura o preço nas refinarias que controla. Mas o que acontece depois — na distribuição, no varejo, no gás que vai para a casa de cada família — já não é mais território da empresa pública. Foi entregue, e a conta chegou.

¨      O mantra da mentira política. Por Adilson Roberto Gonçalves

Os repórteres e comentaristas da Globo News se contorcem para conseguir juntar duas informações antagônicas. De um lado, os dados recentes mostram que a economia melhorou e está consolidada e até sofreu pouco com as insanas guerras no Oriente Médio. Mas, de outro, pesquisa de opinião revela que a percepção por parte dos eleitores em relação à economia piorou. Como lidar com a contradição? Eles tergiversam, escamoteiam a realidade. Enfim, não dizem o óbvio: há uma contradição aqui reverberada pelos próprios meios de comunicação. Adicionalmente, pesquisas eleitorais começam a consolidar Flávio Bolsonaro como o herdeiro da extrema-direita com intenção de voto semelhante aos candidatos antes testados. Lembremos que até o momento não surgiu alguém que possa se dizer da chamada “direita democrática” ou da fictícia “terceira via”.

As pesquisas eleitorais, por mais idôneas que sejam, são também, de certa forma, forçadas a impor ao eleitor uma descrença com a situação melhor em que estamos. Não sei os detalhes do questionário, mas se é perguntada a percepção da economia antes de saber sobre a avaliação do governo, incorre-se em um viés tendencioso de ser mais negativa a resposta. Da mesma forma, o viés negativo acontece se a pergunta sobre a intenção de voto vier após as considerações econômicas. O respondente tenderá a dizer que tudo está ruim e, portanto, não votará no incumbente, situação recorrente em que transferimos para o ocupante atual da Presidência todas as mazelas do país. Vejam que até Flávio Bolsonaro ousou atribuir a fila do osso e da fome ao governo Lula, fato que notoriamente aconteceu no trágico governo de seu pai. A população acaba por ter memória curta que precisa ser constantemente reavivada.

Mesmo assim, Lula não vai tão mal. Considerando que a oposição bolsonarista está em campanha desde sempre e o presidente Lula nem pode se lançar candidato ainda, até que os números do momento estão muito bons para o petista. Mas é interessante a forma como os jornalões lidam com alegria a possibilidade da derrota de Lula, mesmo que seja para a volta de golpistas ao poder. Isso ficou explícito, por exemplo, no editorial da Folha de S. Paulo “Notícias inquietantes para Lula no Datafolha”, de 12/4. Esse tipo de comentário o jornal não publica, por óbvio.

 

Fonte: O Cafezinho/Brasil 247

 

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