Guerra
no Irã expôs crimes de Bolsonaro e Paulo Guedes contra a Petrobrás
A alta
dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Irã não chegou da mesma forma
para todos os brasileiros. Nas regiões Norte e Nordeste, onde o governo
anterior vendeu as refinarias da Petrobras para o setor privado, os aumentos
chegaram a 88%. Onde a Petrobras ainda opera, os preços subiram menos. A
diferença não é acidente — é a lógica da privatização funcionando exatamente
como foi projetada.
Foi
nesse cenário que o PT lançou nesta quarta-feira (15) uma frente nacional pela
reestatização da BR Distribuidora e das refinarias privatizadas entre 2019 e
2022, acompanhada do Projeto de Lei 1853. A coletiva reuniu o líder da bancada,
Pedro Uczai (SC), representantes da Federação Única dos Petroleiros e
movimentos da área de energia. O objetivo declarado é votar o projeto ainda
este ano, antes das eleições.
O caso
mais emblemático citado na coletiva foi o da botija de gás. A Liquigás foi
vendida em 2020. Hoje, o produto sai da distribuidora por R$ 37 e chega à
família brasileira por R$ 155. Não há regulação, não há empresa pública no
caminho para comprimir essa margem. A diretora da FUP, Bárbara Bezerra, resumiu
o problema com uma frase que serve de diagnóstico: não existe mais nenhum posto
de gasolina da Petrobras no Brasil, apesar de centenas deles ainda usarem
comercialmente o nome da empresa.
O PL
1853 propõe diferentes mecanismos para que o Estado recupere capacidade de
intervenção no setor — seja pela reestatização direta da BR Distribuidora, seja
pela criação de uma nova empresa pública de distribuição. O projeto também
prevê a retomada das refinarias privatizadas. Uczai deixou claro que a proposta
vai além de uma reação conjuntural à guerra: é uma tese sobre o papel do Estado
em setores estratégicos.
A
frente ainda não está formalmente registrada — faltam assinaturas para atingir
o mínimo regimental de 198, e o grupo acumula 109. Mas Uczai afirmou que o
movimento político não esperará pela formalidade. Entidades sindicais
comprometeram-se a mobilizar deputados nos estados, e o próprio líder do PT
disse que fará conversas individuais com parlamentares.
O
debate chega num momento em que o governo Lula enfrenta pressão crescente sobre
o preço dos combustíveis sem ter, nas mãos, as ferramentas que existiam antes.
A Petrobras segura o preço nas refinarias que controla. Mas o que acontece
depois — na distribuição, no varejo, no gás que vai para a casa de cada família
— já não é mais território da empresa pública. Foi entregue, e a conta chegou.
¨ O mantra da mentira
política. Por Adilson Roberto Gonçalves
Os
repórteres e comentaristas da Globo News se contorcem para conseguir juntar
duas informações antagônicas. De um lado, os dados recentes mostram que a
economia melhorou e está consolidada e até sofreu pouco com as insanas guerras
no Oriente Médio. Mas, de outro, pesquisa de opinião revela que a percepção por
parte dos eleitores em relação à economia piorou. Como lidar com a contradição?
Eles tergiversam, escamoteiam a realidade. Enfim, não dizem o óbvio: há uma
contradição aqui reverberada pelos próprios meios de comunicação.
Adicionalmente, pesquisas eleitorais começam a consolidar Flávio Bolsonaro como
o herdeiro da extrema-direita com intenção de voto semelhante aos candidatos
antes testados. Lembremos que até o momento não surgiu alguém que possa se dizer
da chamada “direita democrática” ou da fictícia “terceira via”.
As
pesquisas eleitorais, por mais idôneas que sejam, são também, de certa forma,
forçadas a impor ao eleitor uma descrença com a situação melhor em que estamos.
Não sei os detalhes do questionário, mas se é perguntada a percepção da
economia antes de saber sobre a avaliação do governo, incorre-se em um viés
tendencioso de ser mais negativa a resposta. Da mesma forma, o viés negativo
acontece se a pergunta sobre a intenção de voto vier após as considerações
econômicas. O respondente tenderá a dizer que tudo está ruim e, portanto, não
votará no incumbente, situação recorrente em que transferimos para o ocupante
atual da Presidência todas as mazelas do país. Vejam que até Flávio Bolsonaro
ousou atribuir a fila do osso e da fome ao governo Lula, fato que notoriamente
aconteceu no trágico governo de seu pai. A população acaba por ter memória
curta que precisa ser constantemente reavivada.
Mesmo
assim, Lula não vai tão mal. Considerando que a oposição bolsonarista está em
campanha desde sempre e o presidente Lula nem pode se lançar candidato ainda,
até que os números do momento estão muito bons para o petista. Mas é
interessante a forma como os jornalões lidam com alegria a possibilidade da
derrota de Lula, mesmo que seja para a volta de golpistas ao poder. Isso ficou
explícito, por exemplo, no editorial da Folha de S. Paulo “Notícias
inquietantes para Lula no Datafolha”, de 12/4. Esse tipo de comentário o jornal
não publica, por óbvio.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

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