sábado, 18 de abril de 2026

Ameaças dos EUA contra Cuba seriam cortina de fumaça para crise após guerra no Irã, diz mídia

As ameaças dos Estados Unidos contra Cuba podem funcionar como uma estratégia para desviar a atenção sobre a crise desencadeada pela administração do presidente Donald Trump após a guerra contra o Irã, segundo análise publicada nesta quinta-feira (16) pelo portal Responsible Statecraft.

"À medida que o progresso diplomático entre Irã e Estados Unidos parece ter estagnado, as ameaças renovadas de ação militar contra uma pequena ilha próxima ao território americano poderiam servir como um útil desvio para uma administração que acabou se envolvendo em um atoleiro no Oriente Médio", afirma a publicação.

O texto aponta ainda que não está clara a estratégia de longo prazo do governo norte-americano em relação a Cuba. Anteriormente, a mídia local informou que o Pentágono iniciou preparativos sigilosos para uma possível operação militar na ilha, caso haja autorização da Casa Branca.

Na última semana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que o país está pronto para discutir qualquer assunto com os Estados Unidos, mas sem a exigência de Washington de mudar o sistema político de Havana.

"Estamos interessados em dialogar e discutir qualquer tema sem qualquer condição, sem exigir mudanças em nosso sistema político, assim como não exigimos mudanças no sistema norte-americano", disse Díaz-Canel em entrevista à emissora NBC.

O presidente cubano acusou Washington de manter uma postura hostil em relação a Havana e afirmou que os EUA não têm autoridade moral para criticar as condições na ilha, pelas quais as políticas norte-americanas são totalmente responsáveis.

<><> Bloqueio energético contra Cuba amplia pressão

Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva autorizando tarifas sobre as importações de países fornecedores de petróleo para Cuba e declarou estado de emergência devido a uma suposta ameaça cubana à segurança nacional dos EUA.

governo cubano alegou que os EUA estão usando o bloqueio energético para sufocar a economia cubana e tornar as condições de vida insuportáveis para sua população.

Desde então, países parceiros como Rússia, China, Brasil e Colômbia enviaram ajuda humanitária à ilha, incluindo petróleo russo, alimentos, medicamentos, utensílios domésticos, produtos de higiene, painéis solares, entre outros insumos fundamentais para o funcionamento de hospitais e serviços básicos.

<><> Comitiva de Trump pode tentar convencê-lo da necessidade de operação militar contra Cuba, diz analista

Os círculos mais próximos do presidente norte-americano, Donald Trump, podem incitá-lo a iniciar uma campanha militar contra Cuba, disse à Sputnik o pesquisador-chefe do Centro de Estudos Políticos do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Andrei Pyatakov.

Na opinião do pesquisador, tais ideias podem surgir em Washington por causa dos fracassos das Forças Armadas norte-americanas no Oriente Médio, no contexto da guerra contra o Irã. No entanto, uma possível operação militar contra Havana, em meio à operação em curso contra Teerã, seria um passo errado de Washington.

O especialista enfatizou que a agressão contra Cuba se tornaria "um passo no abismo político para Trump", e as tentativas de compensar as perdas de imagem da campanha iraniana por meio do desdobramento da operação cubana são uma "ilusão" do establishment norte-americano.

"Esse seria o segundo grande erro de Trump", concluiu Pyatakov.

Vários veículos da imprensa ocidental já escreveram que Washington pode iniciar preparações para uma eventual operação contra Cuba. Um deles afirmou que as ameaças contra Cuba podem ser uma manobra dos EUA para desviar a atenção da situação em torno do Irã.

Outro, citando fontes, informou que o Pentágono começou os preparativos secretos para uma possível operação militar em Cuba caso receba uma ordem correspondente da liderança norte-americana.

No início de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. Depois disso, as negociações em Islamabad terminaram sem sucesso.

Ao mesmo tempo, a retomada das hostilidades não foi relatada, mas os Estados Unidos começaram a bloquear os portos iranianos. Os mediadores tentam organizar uma nova rodada de negociações.

¨      EUA não vencerão conflito com Irã, mas guerra não interessa a ninguém, diz presidente iraniano

Os Estados Unidos não sairão vitoriosos de um eventual conflito com o Irã, mas a guerra traria prejuízos significativos para toda a região e para o mundo, afirmou nesta quinta-feira (16) o presidente iraniano Masoud Pezeshkian.

"Os Estados Unidos não vencerão esse conflito, mas serão justamente os países da região e do mundo que sofrerão perdas graves", declarou Pezeshkian. O presidente também ressaltou que a guerra não está no interesse de nenhuma das partes envolvidas.

Segundo comunicado da presidência iraniana, a declaração foi feita durante encontro com o chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir.

Pezeshkian afirmou ainda que, após o fim do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, os países da região devem ampliar a cooperação para garantir estabilidade no Oriente Médio.

"Assim como a Europa assegura sua segurança por meio de mecanismos como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os países islâmicos, com base em sua proximidade cultural e religiosa, podem resolver questões por meio da cooperação coletiva", acrescentou.

Por sua vez, o representante militar paquistanês apresentou um relatório sobre o andamento das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos e manifestou expectativa de que um acordo seja alcançado em breve. Ele também afirmou que a região não voltará ao mesmo cenário após o fim do conflito.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que conversou com o presidente libanês Joseph Aoun e com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e que ambos concordaram com um cessar-fogo de dez dias entre os dois países.

O fim dos confrontos no Líbano foi um dos principais pedidos do Irã nas negociações com os Estados Unidos na semana passada, sendo concordado por todas as partes. A medida, no entanto, não foi respeitada por Israel, que realizou seu ataque mais violento contra o Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses deixaram mais de 2,2 mil mortos e mais de 7 mil feridos no país entre 2 de março e 15 de abril.

Após pressão de Teerã, a liderança norte-americana convenceu o governo israelense a reduzir a escala das operações e as conversas prosseguiram, mas um cessar-fogo amplo na região se manteve como uma demanda fundamental iraniana.

Nos últimos dias, os líderes iranianos como o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Bagher Ghalibaf, reuniram-se com Muneer. O governo paquistanês foi o principal mediador da trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, anunciada em 7 de abril.

¨      Trump nega que ameaça a civis do Irã constitua crime de guerra

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou de lado acusações de que suas ameaças de destruir por completo a infraestrutura civil do Irã, ou inclusive “devastar o país inteiro”, sejam crimes de guerra internacionais, embora um coro crescente de vozes dentro e fora do território estadunidense tenha declarado que Washington, junto a Tel Aviv, violou a Convenção de Genebra.

Em coletiva de imprensa na Casa Branca no dia 6 de abril, o mandatário insistiu que seu governo e o Irã negociam por meio de terceiros para buscar um cessar-fogo, mas ameaçou que, se Teerã não aceitasse suas demandas antes das 20h de 7 de abril (em Washington — 22h no horário de Brasília), suas forças armadas destruiriam todas as pontes e usinas de energia no Irã.

“Temos um plano com o poderio militar, toda ponte no Irã será dizimada até a meia-noite de amanhã, onde cada usina de energia estará fora de operação, incendiada, explodindo e para nunca mais ser usada”, afirmou a repórteres.

Antes, porém, seu primeiro comentário havia sido ainda mais apocalíptico, ao afirmar que o país inteiro do Irã “poderia ser devastado em uma noite e essa poderia ser a de amanhã.”

Quando um repórter perguntou a Trump se lhe preocupava o fato de que ataques deliberados contra infraestruturas civis violam as Convenções de Genebra e outros elementos do direito internacional, o mandatário respondeu que “de forma alguma” e que as suposições de que o Irã continua buscando construir armas nucleares o justificam, sem lembrar que ele próprio já havia dito que essa capacidade tinha sido destruída.

No entanto, as ex-advogadas militares aposentadas Margaret Donovan e Rachel Van Landingham publicaram no portal Just Security que o presidente e os altos comandos militares deveriam estar preocupados. “Tais declarações retóricas — se forem cumpridas — estariam entre os crimes de guerra mais graves e, portanto, as declarações do mandatário colocam os comandos do Pentágono em uma situação profundamente arriscada.”

Enfatizaram que “o direito de guerra proíbe atos ou ameaças de violência cujo propósito principal é disseminar terror entre a população civil.”

<><> Advertem sobre violação da Carta da ONU

Na semana de 1º de abril, mais de 100 especialistas em direito internacional emitiram um alerta público de que a guerra estadunidense contra o Irã viola a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e pode ser um crime de guerra, inclusive antes das ameaças do republicano contra alvos civis no dia 6.

O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, lembrou também em 6 de abril que atacar a infraestrutura civil é proibido pelo direito internacional: “Ainda que a infraestrutura civil específica se qualifique como um objetivo militar”, um ataque continua sendo proibido se colocar em risco “dano incidental excessivo à sociedade”, afirmou Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, à agência Associated Press.

O direito internacional, porém, não estava na agenda do mandatário estadunidense. Trump começou seu dia apresentando-se com sua esposa e um ajudante vestido com uma fantasia de coelho de Páscoa. O traje se destinava ao ritual anual da caça aos ovos na Casa Branca, com crianças e suas famílias. Imediatamente depois, Trump retornou para falar dos ataques militares que poderiam devastar o povo — e suas infâncias — no outro país. Nesse momento, foi acompanhado não pelo coelho, mas pelo chefe do Estado-Maior, o secretário de Guerra e o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), para elogiar o resgate de dois pilotos do avião caça F-15 abatido no Irã. Trump, como costuma fazer, proclamou que “nunca ninguém viu algo assim” sobre a operação. Em seguida, advertiu ao Irã que todo o seu país poderia ser devastado “em uma única noite”.

Líderes militares ofereceram uma narrativa detalhada dos resgates dos pilotos, tudo apresentado como algo que só foi possível graças à valente liderança do comandante-chefe Trump. Repórteres perguntaram se ele tinha um plano para pôr fim à guerra contra o Irã, ao que o republicano respondeu: “Tenho o melhor plano de todos, mas não lhes direi qual é.”

Entre os comentários do presidente enquanto estava ao lado do coelho de Páscoa, afirmou que gostaria de “tomar o petróleo do Irã”, mas que a opinião pública estadunidense está a favor de trazer as tropas de volta para casa e encerrar a guerra.

¨      Política externa dos EUA empurra mais nações para ambições nucleares, afirma analista

A decisão dos EUA de não estender os limites do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START, na sigla em inglês), combinada com ataques à Venezuela e ao Irã, pode mudar a situação da não proliferação de armas nucleares, disse à Sputnik Aleksandr Dynkin, economista russo.

Segundo Dynkin, a política externa estadunidense cria um forte incentivo para adquirir armas nucleares como ferramenta de último recurso para autodefesa.

"Acredita-se que existam seis países chamados de limiar que poderiam construir armas nucleares de forma relativamente rápida: Brasil, Turquia, Coreia do Sul, Japão, Arábia Saudita e Irã", detalhou.

Ao mesmo tempo, o especialista salientou que a Polônia também sinalizou que tem ambições nucleares.

Dessa forma, o analista concluiu que outros países também têm capacidade tecnológica e financeira para obter armas nucleares.

Sob o Novo START, que expirou em 5 de fevereiro, os Estados Unidos e a Rússia haviam aderido mutuamente a limites de 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas e 700 veículos de entrega implantados, além de 800 lançadores e bombardeiros no total.

Os EUA rejeitaram a proposta russa de uma extensão voluntária de um ano do acordo, argumentando a favor de negociações sobre um novo e modernizado tratado de controle de armas.

¨      Agressão de Trump contra Irã mina posição estratégica dos EUA no Oriente Médio, diz mídia

O fracasso do presidente dos EUA em antever as consequências de sua guerra seletiva contra o Irã, refletidas no aumento dos preços da energia e no retorno de sacos contendo corpos de soldados norte-americanos, revela a total incapacidade de seu governo em lidar com crises globais, informa uma mídia estadunidense.

O material salienta que o governo Trump estabeleceu vários objetivos para sua guerra contra o Irã, como derrubar o regime e desmantelar o programa nuclear do país.

"A realidade, porém, é bem diferente. Os Estados Unidos feriram sua reputação ao agir de forma imprevisível, trair seus aliados e iniciar uma guerra que causou sérios danos à economia global", ressalta a publicação.

Segundo o artigo, os Estados Unidos desperdiçaram recursos militares e políticos vitais no Oriente Médio.

Nesse contexto, é enfatizado que isso poderia minar a segurança e a prosperidade dos EUA por décadas.

Ao mesmo tempo, os consumidores norte-americanos enfrentam vulnerabilidades decorrentes de rupturas no mercado internacional de petróleo.

"Por causa da natureza global do mercado de petróleo, uma queda na oferta do produto em qualquer lugar do mundo resulta em alta nos preços em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos", detalha a matéria.

Os consumidores norte-americanos parecem ter sofrido grandes impactos com o aumento dos custos de transporte e uma inflação mais ampla.

Portanto, a publicação conclui que a postura militarista precipitada de Trump minou a posição dos EUA, provocando ataques iranianos contra estados do Golfo e estreitando os laços com os aliados regionais mais próximos de Washington.

Anteriormente, o analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Scott Ritter opinou que, devido aos ataques ao Irã, os Estados Unidos perderam todos os seus principais parceiros tanto na Europa quanto no Oriente Médio.

¨      China vê guerra no Irã como ameaça energética e diz que conflito 'não deveria ter começado'

O prolongamento do conflito no Oriente Médio tem causado impacto significativo na segurança energética internacional e na navegação no estreito de Ormuz, afirmou nesta quinta-feira (16) o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.

"A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã nunca deveria ter começado. O conflito prolongado já teve um impacto sério na segurança energética internacional e na segurança da navegação pelo estreito de Ormuz", declarou, após reunião com seu homólogo italiano, Antonio Tajani, em Pequim.

O chanceler chinês acrescentou que facilitar o retorno dos Estados Unidos e do Irã às negociações por uma solução política é prioridade. Segundo ele, a China está disposta a manter diálogo com todas as partes e continuar desempenhando um papel construtivo.

Wang também afirmou que, durante o encontro, ele e Tajani trocaram avaliações sobre a crise na Ucrânia.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, incluindo a capital, Teerã, provocando danos e vítimas civis. O Irã respondeu com ataques contra o território israelense e instalações militares americanas no Oriente Médio. Diante do risco de novos ataques com mísseis e drones, diversos países da região fecharam total ou parcialmente seus espaços aéreos.

Em 11 de abril, Irã e Estados Unidos realizaram negociações em Islamabad, após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar um acordo de cessar-fogo de duas semanas com Teerã. No dia seguinte, o chefe da delegação americana, o vice-presidente J. D. Vance, declarou que as partes não chegaram a um entendimento.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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