Especialista
explica como podemos nos proteger do vírus Influenza A
O
número de casos de Influenza A, vírus causador da gripe, continua aumentando no
Brasil, conforme alerta divulgado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
De
acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe, a maior parte dos estados das
regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste está em alerta por causa da
SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).
Segundo
o infectologista Renato Kfouri, a temporada de gripe está começando de forma
antecipada este ano. "A temporada da gripe está começando agora, mas ela
tende a aumentar os casos. Esse ano começamos de maneira um pouco
antecipada", explica o especialista. Ele destaca que o vírus da gripe
infecta anualmente cerca de 15% a 20% da população brasileira.
Kfouri
aponta que a cepa do vírus circulante no Brasil provavelmente está relacionada
à variante que circulou no hemisfério norte, conhecida como gripe K, que possui
alta transmissibilidade. "É uma influenza, o vírus da gripe, que todo ano
se modifica, mas, neste ano, ele teve uma modificação que o tornou, não de
maior gravidade, o tempo nos mostrou lá no hemisfério norte que a temporada do
inverno deles não foi uma temporada mais grave, mas muito mais casos do que
normalmente se tem", esclarece.
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Medidas de proteção
O
infectologista ressalta a importância de retomar hábitos de higiene que foram
intensificados durante a pandemia de Covid-19, mas que muitas pessoas
abandonaram. "Não é justo, não é sensato nós estarmos doentes, mesmo que
bem, mesmo que já nos recuperando, e sair por aí transmitindo doença para os
nossos colegas de trabalho, para as pessoas que a gente gosta, para os nossos
familiares", afirma.
Entre
as medidas de proteção recomendadas estão: uso de máscara por pessoas com
sintomas respiratórios, lavagem frequente das mãos, uso de álcool em gel e
cobrir a boca ao tossir, preferencialmente com a parte interna do cotovelo, e
não com as mãos. O especialista também alerta sobre a importância de evitar que
crianças doentes frequentem escolas, embora reconheça a dificuldade dessa
medida para muitas famílias.
• Por que é essencial tomar a vacina da
gripe? Alta de casos preocupa
As
estações mais frias do ano são tradicionalmente marcadas pelo aumento dos casos
de gripe, infecção causada pelo vírus influenza. A sazonalidade está
relacionada ao clima mais seco e a mudanças de comportamento típicas dos meses
frios, como a maior permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, o que
favorece a transmissão.
Entre o
fim de março e o início de abril, o Brasil registrou elevação na incidência da
doença, embora ainda não haja um consolidado nacional de infecções em 2026. O
boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica crescimento dos
casos de influenza A, com maior impacto na região Centro-Sul.
Segundo
o levantamento, até o último dia 4 de abril, mais de 31 mil casos de síndrome
respiratória aguda grave (SRAG) já foram notificados neste ano, condição
clínica que pode exigir hospitalização. Desses, mais de 13 mil tiveram
confirmação laboratorial para vírus respiratórios, incluindo influenza e outros
agentes.
“A
gripe pode evoluir com febre mais alta e complicações, incluindo infecções
bacterianas como sinusite, otite e pneumonia com necessidade de internação,
exacerbação de doenças crônicas, evolução para síndrome respiratória aguda
grave e óbito, especialmente em grupos vulneráveis”, alerta a médica alergista
e imunologista Cristina Maria Kokron, do Einstein Hospital Israelita.
Para
reduzir os impactos da enfermidade, a campanha nacional de vacinação é
realizada anualmente, a partir do outono, na maior parte do país. Na região
Norte, a imunização ocorre no segundo semestre, antes do período de maior
circulação viral, que acontece durante o chamado “inverno amazônico” —
caracterizado por maior volume de chuvas e aumento de síndromes respiratórias.
No caso dessa região, a vacina contém as cepas predominantes no Hemisfério
Norte.
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Velho conhecido
Apesar
de ocorrer desde 1999, a campanha de vacinação contra a gripe ainda é cercada
por dúvidas e desinformação. Uma das principais diz respeito à necessidade de
tomar a vacina todos os anos. O vírus influenza é um dos agentes infecciosos
mais antigos conhecidos pela humanidade. Amplamente disseminado, já provocou
grandes epidemias, como a Gripe Russa (1889), a Gripe Espanhola (1918) e, mais
recentemente, a pandemia de H1N1 (2009). Hoje, permanece em circulação contínua
e associado a quadros leves e graves.
Uma das
principais características do influenza é sua alta capacidade de mutação. Esse
processo ocorre por dois mecanismos: pequenas alterações genéticas durante a
replicação viral e rearranjos mais amplos quando diferentes variantes infectam
a mesma célula. Essas mudanças fazem com que o sistema imunológico perca, ao
longo do tempo, a capacidade de reconhecer o vírus com eficiência, mesmo em
pessoas que já tiveram gripe ou foram vacinadas anteriormente. Daí por que a
proteção não é duradoura.
A
vacina contra a gripe é reformulada todos os anos, justamente para acompanhar
essas transformações. Uma rede global de vigilância monitora a circulação e a
evolução das cepas e, com base nesses dados, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) define quais variantes devem compor as vacinas de cada temporada. Ao se
vacinar anualmente, a população aumenta a proteção contra os vírus mais
recentes em circulação, reduzindo o risco de complicações e formas graves da
doença.
Nos
últimos meses, uma variante conhecida como gripe K — um subclado do vírus
influenza A (H3N2) — tem chamado a atenção de autoridades de saúde em
diferentes países. O aumento de infecções associado a esse subtipo acendeu um
alerta global, e ele foi identificado no Brasil pela primeira vez no fim de
2025. No início de abril, o Ministério da Saúde informou ter intensificado a
vigilância epidemiológica para monitorar a circulação do vírus e suas mutações.
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A vacina causa gripe?
Circulam
com frequência boatos de que a vacina contra a gripe poderia provocar a doença
ou aumentar o risco de infecção. Isso não é verdade: o imunizante é produzido
com vírus inativados e fragmentados, o que o torna incapaz de causar gripe. “As
doses para influenza disponíveis no Brasil não têm vírus vivo, ou seja, não têm
o RNA, somente uma fração”, detalha o pediatra Alfredo Elias Gilio, coordenador
da Clínica de Imunização do Einstein. “Brinco com meus alunos que o vírus está
‘morto e esquartejado’, portanto, é impossível causar a doença.”
Sintomas
gripais após a vacinação podem ser causados por outros agentes infecciosos.
“Nesta época do ano, circulam diversos vírus com quadros parecidos aos de
gripe, que podem ser confundidos no dia a dia. Em geral, o que pode acontecer
são casos de resfriado causados por outro grupo de vírus, chamado rinovírus,
cujos sintomas são mais leves, como nariz escorrendo, tosse, dorzinha, febre
baixa e mal-estar”, pontua Gilio.
Os
efeitos adversos mais comuns da vacina são leves e passageiros, como dor,
vermelhidão e endurecimento no local da aplicação, geralmente com melhora em
até 48 horas. Reações menos frequentes incluem febre, mal-estar e dor muscular.
A vacinação é a principal forma de prevenir complicações da gripe, reduzindo o
risco de hospitalização e morte.
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Quem pode se vacinar pelo SUS?
A
vacina contra a gripe ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é produzida
pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Ela é formulada na versão trivalente —
ou seja, com três cepas do vírus consideradas predominantes em circulação no
mundo. Cerca de 80 milhões de doses são enviadas ao Ministério da Saúde,
responsável pela distribuição aos estados e municípios.
A
campanha nacional de vacinação segue até 30 de maio e é direcionada a grupos
prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a
menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes. Também estão
incluídas pessoas com maior risco de exposição ao vírus ou de agravamento da
doença, como puérperas, povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de
rua.
Profissionais
considerados essenciais, como trabalhadores da saúde, professores, integrantes
das forças de segurança, salvamento e das Forças Armadas, também fazem parte do
público-alvo, assim como caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo,
portuários e funcionários dos Correios.
A
estratégia contempla ainda indivíduos privados de liberdade, jovens em medidas
socioeducativas e pessoas com deficiência permanente ou doenças crônicas,
independentemente da idade. “Em públicos prioritários, a vacina é especialmente
crucial para desafogar o sistema de saúde, proteger os mais vulneráveis via
imunidade coletiva e minimizar agravamentos em condições pré-existentes, como
problemas cardíacos ou respiratórios”, ressalta Cristina Kokron.
Em anos
anteriores, diante da disponibilidade de doses, a campanha foi ampliada para
toda a população acima de 6 meses, com estados e municípios tendo autonomia
para incluir novos públicos conforme o estoque. Por isso, após o encerramento
oficial da campanha, é comum que prefeituras anunciem a chamada “xepa da
vacina”, abrindo a imunização para mais pessoas.
O
imunizante também está disponível na rede privada, com preços que variam entre
R$ 75 e R$ 230. Nesses casos, a versão mais comum é a quadrivalente, que inclui
uma cepa adicional do vírus influenza B. Mas tanto a vacina oferecida pelo SUS
quanto a da rede privada são eficazes na prevenção de casos graves. “A vacina
trivalente tem a mesma abrangência de proteção que a tetravalente”, assegura a
médica Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Fonte:
CNN Brasil

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