segunda-feira, 20 de abril de 2026

Uso prolongado de melatonina pode aumentar riscos cardíacos, diz estudo

O uso prolongado de suplementos de melatonina pode estar associado a um maior risco de insuficiência cardíaca, segundo nova pesquisa apresentada na reunião Scientific Sessions 2025 da American Heart Association. Mas isso significa que as pessoas que a utilizam como auxiliar do sono devem parar de usá-la imediatamente?

Em uma análise de registros médicos eletrônicos, milhares de adultos que sofriam de insônia crônica e tomaram melatonina por um ano ou mais apresentaram um risco 90% maior de insuficiência cardíaca nos cinco anos seguintes, em comparação com participantes que tinham os mesmos fatores de saúde mas não tomavam melatonina. Os usuários de melatonina também tinham uma probabilidade três vezes maior de serem hospitalizados por insuficiência cardíaca e aproximadamente duas vezes mais chances de morrer por qualquer causa.

No entanto, especialistas sugerem cautela antes de considerar a melatonina como um perigo definitivo. A pesquisa apresentou limitações significativas, não foi desenvolvida para comprovar relação de causa e efeito, e contradiz estudos anteriores que indicavam benefícios para a saúde cardíaca. O trabalho ainda não passou por revisão por pares nem foi publicado em revista científica.

"Os suplementos de melatonina são amplamente considerados uma opção segura e 'natural' para melhorar o sono, por isso foi surpreendente observar aumentos tão consistentes e significativos em graves problemas de saúde, mesmo após o equilíbrio de muitos fatores", afirma Ekenedilichukwu Nnadi, autor principal da pesquisa e médico-chefe residente em medicina interna no SUNY Downstate/Kings County Primary Care em Brooklyn, em comunicado à imprensa.

Contudo, "embora a associação que encontramos levante preocupações sobre a segurança deste suplemento amplamente utilizado, nosso estudo não pode provar uma relação direta de causa e efeito", afirma Nnadi. "Isso significa que mais pesquisas são necessárias para testar a segurança da melatonina para o coração."

A melatonina que ocorre naturalmente no cérebro é um hormônio produzido pela glândula pineal em resposta à escuridão, para ajudar o corpo a relaxar para o sono. O composto presente nos suplementos pode ser extraído das glândulas pineais de animais ou produzida sinteticamente por meio de um processo químico.

Nos Estados Unidos, como a melatonina é vendida como suplemento alimentar, os fabricantes não estão sujeitos ao nível de escrutínio envolvido nas medidas de segurança e processos de aprovação de medicamentos da Food and Drug Administration (FDA). Isso significa que os suplementos de melatonina podem conter significativamente mais ingrediente ativo do que o anunciado ou necessário, além de aditivos ocultos prejudiciais.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também permite o uso da melatonina para formulação de suplementos alimentares, destinados exclusivamente a pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e para o consumo diário máximo de 0,21 mg.

A insônia crônica, que afeta 10% da população mundial, é caracterizada por levar mais de 30 minutos para adormecer ou voltar a dormir até três vezes por semana durante mais de três meses. Pode causar problemas de memória, energia durante o dia, humor, pensamento e concentração, desempenho no trabalho ou escola, e na vida social.

Um médico pode ajudar a determinar se a insônia está ocorrendo isoladamente ou devido a um fator subjacente, como uma condição médica ou circunstância estressante da vida, e assim determinar as melhores formas de tratamento — seja ajustando a rotina do sono, realizando terapia para angústia mental ou emocional, terapia cognitivo-comportamental para insônia, tomando medicação ou tratando uma condição médica.

<><> Uso de melatonina e saúde cardíaca

Os suplementos de melatonina são frequentemente comercializados como um auxílio seguro para o sono, mas não existem dados suficientes sobre a segurança a longo prazo para a saúde cardiovascular, afirmaram os autores.

A equipe de pesquisa avaliou mais de 130.000 adultos com registros médicos na TriNetX Global Research Network, um grande banco de dados eletrônico internacional. Eles tinham em média 55 anos, e 61,4% eram mulheres. Participantes com uso de melatonina documentado em registros de medicação em seus históricos médicos por mais de um ano foram classificados como grupo melatonina, enquanto aqueles sem qualquer registro de uso de melatonina foram incluídos no "grupo não-melatonina".

Esses fatores levam a algumas limitações importantes, apontaram os autores e especialistas independentes.

O banco de dados inclui pacientes em países que exigem prescrição para melatonina, como o Reino Unido, e aqueles que não exigem, incluindo os Estados Unidos — assim, o grupo controle pode incluir inadvertidamente adultos que tomam melatonina sem prescrição, o que não seria refletido em seus registros médicos, segundo Carlos Egea, que não participou da pesquisa, em declaração fornecida pelo Science Media Centre. Egea é presidente da Federação Espanhola de Sociedades de Medicina do Sono.

Os pesquisadores também não tinham detalhes sobre a gravidade da insônia dos participantes ou se eles tinham problemas de saúde mental, ambos os quais podem influenciar o uso de melatonina e os riscos à saúde cardíaca, diz Nnadi.

A insônia tem sido associada a um maior risco de ter um ataque cardíaco ou derrame. Ritmos circadianos interrompidos — nossos relógios biológicos nos quais a melatonina desempenha um papel — e sono insuficiente têm sido associados a maiores chances de problemas cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca.

Entre as limitações do estudo está a falta de informações sobre dosagem, afirma em comunicado o Conselho para Nutrição Responsável, uma associação comercial da indústria de suplementos alimentares e alimentos funcionais. "Décadas de experiência com consumidores e múltiplos estudos clínicos indicam que a suplementação de baixa dose e curto prazo é segura para adultos saudáveis quando usada conforme as orientações", acrescenta a associação.

A pesquisa contesta estudos anteriores, incluindo uma análise de março que examinou quatro estudos e descobriu que a suplementação de melatonina melhorou a qualidade de vida e a função cardíaca de pacientes com insuficiência cardíaca, segundo Egea.

A melatonina também é um antioxidante, e os antioxidantes ajudam a proteger contra danos ao DNA causados pelo estresse oxidativo, um desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no corpo.

<><> Antes de tomar remédios para dormir

Muitas pessoas recorrem à melatonina como solução de curto ou longo prazo para problemas de sono. No entanto, para algumas pessoas, o suplemento foi associado a diversos efeitos colaterais, incluindo dores de cabeça, náusea, tontura, sonolência, dores estomacais, confusão ou desorientação, tremores, pressão baixa, irritabilidade, ansiedade leve e depressão.

Antes de recorrer a suplementos, "converse primeiro com seu médico para, em primeiro lugar, obter um diagnóstico adequado para sua dificuldade de sono e então discutir o tratamento apropriado", diz Marie-Pierre St-Onge, diretora do Centro de Excelência para Pesquisa do Sono e Circadiana do departamento de medicina da Columbia University Irving Medical Center, em comunicado da American Heart Association. "As pessoas devem estar cientes de que a melatonina não deve ser tomada cronicamente sem uma indicação adequada."

Uma boa higiene do sono envolve limitar a exposição à luz, o tempo de tela e o consumo de alimentos e álcool nas horas que antecedem o sono. Seu quarto deve ser escuro, fresco e silencioso.

Se você ainda optar por suplementar com melatonina, a de grau farmacêutico é a melhor opção, segundo especialistas ouvidos pela CNN em um relatório de 2022 — procure um selo mostrando que o Programa de Verificação de Suplementos Alimentares da US Pharmacopoeia, uma organização sem fins lucrativos independente, testou o produto.

•        Cloreto de magnésio: o que é e para que serve o suplemento

O cloreto de magnésio é uma das formas mais comuns de suplementação de magnésio, um mineral essencial que faz parte de diversas reações bioquímicas do organismo. Geralmente, o produto é indicado para corrigir ou prevenir a deficiência de magnésio, contribuindo para o bom funcionamento muscular, nervoso, ósseo e metabólico.

De acordo com Beatriz Lugli, nutricionista da Clínica Viver Bem Mais, o magnésio participa de mais de 300 reações bioquímicas no corpo. "Ele é fundamental para produção de energia (ATP), síntese proteica, síntese de DNA/RNA, contração e relaxamento muscular, manutenção da saúde óssea (pois participa da formação da matriz óssea e ainda regula o metabolismo de cálcio e vitamina D), função cognitiva e controle da pressão arterial e função cardiovascular", lista.

Além disso, segundo Patrícia Mirisola, especialista em nutrição de precisão, o cloreto de magnésio pode contribuir para a melhora da recuperação muscular em atletas, oferecer suporte à glicemia, promover o alívio dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) e de enxaquecas.

Com isso, a suplementação é indicada quando há suspeita ou comprovação de deficiência de magnésio, diagnosticada por exame laboratorial ou por avaliação clínica. Porém, alguns quadros podem aumentar a demanda por esse material, como uso crônico de diuréticos, consumo excessivo de álcool, doenças gastrointestinais com má absorção (como doença celíaca, síndrome do intestino irritável e doença de Crohn), diabetes e estados de estresse metabólico.

"Mas é importante reforçar que é necessária a avaliação médica e nutricional para definir a dose e a forma mais adequada de suplementação", orienta Lugli.

<><> Sintomas de baixo magnésio no organismo

Em fases iniciais, a deficiência de magnésio pode se manifestar de forma sutil, com sintomas como:

•        Fraqueza muscular;

•        Fadiga;

•        Tremores;

•        Arritmias cardíacas leves;

•        Dificuldade de concentração;

•        Dor de cabeça;

•        Alterações no sono.

A cãibra noturna é outro sinal de alerta para a deficiência de magnésio, segundo Mirisola, além de alterações neurológicas e comportamentais. "Devido ao papel do magnésio no relaxamento, a deficiência pode se traduzir em ansiedade, irritabilidade e dificuldade em concentrar-se", afirma.

"Há casos mais graves e raros, em que pode haver, concomitantemente, hipocalcemia e hipocalemia (diminuição de cálcio e potássio, respectivamente), já que o magnésio regula o metabolismo desses minerais", afirma Lugli.

<><> Como é feita a suplementação e quem não deve tomar?

A dose e o tempo de suplementação devem ser individualizados, levando em consideração a necessidade e a tolerância gastrointestinal.

De forma geral, as doses variam de 200 a 400 mg de magnésio elementar por dia, podendo ser em cápsulas ou sachês/solução líquida. Segundo Lugli, o cloreto de magnésio tem maior biodisponibilidade (melhor absorção) quando diluído em água e consumido após as refeições.

A suplementação de cloreto de magnésio é contraindicada em pacientes com insuficiência renal moderada a grave (pois os rins são responsáveis por eliminar o excesso de magnésio, e o acúmulo pode levar à intoxicação). Também deve ser evitada em quem faz uso de antibióticos, diuréticos ou medicamentos para o coração, sem acompanhamento médico, pois pode haver interação medicamentosa.

Mas é preciso tomar cuidado com a dosagem. "Como qualquer substância ativa, o suplemento de magnésio pode desencadear reações, que variam de leves a graves, dependendo da dose e da forma utilizada. O principal efeito colateral está ligado à sua ação laxativa, que é mais notória com o cloreto de magnésio e o citrato de magnésio", alerta Mirisola.

Por isso, a suplementação deve ser feita sempre com indicação e acompanhamento de um profissional de saúde.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: