segunda-feira, 20 de abril de 2026

João Filho: Já passou da hora de chamar Trump pelo que ele é - o grande líder do neofascismo mundial

Você já ouviu falar na Lei de Godwin? Criada em 1990 pelo advogado Mike Godwin, ela é uma piada crítica contra a banalização das analogias com os nazistas. Segundo a lei, “conforme uma discussão online se prolonga, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou o nazismo aproxima-se de 100%”. 

Apelar para comparações forçadas com Hitler sempre foi sinônimo de falta de boa argumentação. Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, desmoralizou essa lei e fez com que até o seu autor considerasse legítimo traçar paralelos entre ele e o ditador alemão. 

De fato, Trump é o grande líder do neofascismo no mundo. Não há exagero nessa afirmação. Pode-se debater se a democracia estadunidense está se transformando em uma autocracia de caráter fascista, mas não há — ou pelo menos não deveria haver — um debate sobre se o presidente dos EUA pode ser classificado como um autocrata neofascista. 

Impressiona como boa parte da imprensa nacional e internacional se recusa a chamar o que ocorre pelo nome. Essa hesitação diante do fascismo escancarado é um convite para se dançar à beira do abismo. Está se esperando o que para dar nome aos bois? Trump ordenar assassinatos em massa de imigrantes em câmaras de gás? 

Faz tempo que o presidente dos EUA preencheu a cartela do bingo do fascismo, mas, nos últimos meses, as coisas ficaram ainda mais escancaradas. Trump deixou claro que não é só mais um autocrata de extrema direita que está destruindo a democracia do seu país, mas um maluco totalitário que quer controlar o destino do mundo. 

O estadunidense sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e fez questão de deixar claro que o fez para controlar o petróleo daquele país. Invadiu, sequestrou e roubou riquezas naturais daquele país. É uma espécie de colonialismo do século 21.

Trump ainda ameaçou invadir a Groenlândia e provocou a Europa militarmente. Tudo isso na esteira de uma guerra comercial insana, em que ele coloca o revólver em cima da mesa para chantagear o mundo inteiro. Trump está determinado a reescrever uma nova ordem mundial, fazendo com que o mundo se submeta a ele nem que seja na base da porrada. Se fosse um líder de qualquer outro país, seria chamado pela imprensa mundial de ditador ou autocrata.  

É claro que o imperialismo dos EUA não começou com Trump, não sejamos ingênuos. Mas agora a coisa escalou e está inegavelmente ganhando contornos expressamente fascistas. Trump espalha o terror externa e internamente. Compará-lo com Hitler não é exagero, mas uma obrigação de quem preza pela precisão dos fatos. 

Ele não matou mais de um milhão de imigrantes nem implantou oficialmente um regime fascista, mas a essência do fascismo está vivíssima nele. Hitler não foi um ditador genocida desde o começo. Ele começou criminalizando seus adversários políticos, demonizando imigrantes e minorias, patrulhando universidades, atacando a imprensa e prometendo uma Alemanha grande e pura de novo. 

O roteiro vem sendo cumprido à risca por Trump e não há porque imaginarmos que o final será diferente. Não se trata apenas de mais uma aberração autoritária da extrema direita que hoje infesta o mundo, mas de um líder fascista que comanda a maior potência bélica e econômica do planeta. 

Depois que o ICE – polícia migratória – foi transformado numa Gestapo do século 21, com homens mascarados saindo às ruas para caçar imigrantes, não dá mais pra perdoar a ingenuidade de quem insiste em retratá-lo como um líder merecedor de respeito. 

Trump destinou um orçamento de US$ 175 bilhões para o ICE até 2029, superando o gasto anual de todos os Exércitos do mundo, exceto o da China e dos EUA. É uma força paramilitar que age nas ruas atrás de imigrantes e passando por cima de qualquer um que se opor. Dois cidadãos estadunidenses já foram assassinados.  

O ICE virou uma espécie de Ku Klux Klan a serviço de Trump. Também não há exagero nesta avaliação. O caráter supremacista é declarado pelos canais oficiais do governo. Dois dias após um dos assassinatos em Minneapolis, o Departamento de Segurança Interna, DHS, fez uma postagem de recrutamento de soldados para o ICE usando a frase de um hino neonazista: “We’ll have our home again” (Teremos nossa casa de volta, em tradução livre). 

Para não deixar dúvidas das suas intenções, a música do grupo Pine Tree Riots — um grupo declaradamente supremacista — foi anexada à publicação. Outras músicas de autoria do grupo referenciado pelo governo dos EUA incluem uma com a letra “Well, another Charlottesville wouldn’t do us any harm” (Bem, outro Charlottesville não nos faria mal, em tradução livre) – uma referência a ataques da Ku Klux Klan, neonazistas e outros supremacistas brancos contra manifestantes antirracistas em Charlottesville, em 2017.  

Essa publicação do DHS não é um caso isolado. O governo Trump já publicou uma série de propagandas com slogans e símbolos neonazistas. Não há qualquer pudor em disfarçar o caráter supremacista em publicações oficiais do governo. 

No Brasil, não é só o bolsonarismo que flerta com as ideologias nefastas propagadas por Trump. Há poucos meses, a extrema direita de sapatênis, o MBL, trouxe para palestrar em seu congresso o ideólogo de ultradireita Curtis Yarvin. 

Trata-se de um “intelectual” proeminente do trumpismo, que defende abertamente a substituição da democracia por governos autoritários de direita. Para ele, a democracia é uma experiência falha, e os programas de direitos civis dos EUA resultaram em “lixo humano absoluto”. 

Yarvin já declarou não ter objeção à ideia do supremacismo branco: “embora eu não seja um nacionalista branco, não sou exatamente alérgico a essa questão”. É esse o tipo de canalha intelectual que faz a cabeça do MBL, que agora passará a atormentar a democracia com um partido só seu, o Missão. 

Não nos esqueçamos que o deputado federal Kim Kataguiri, futuro líder do Missão, defendeu abertamente o direito dos neonazistas se organizarem em partidos políticos mesmo depois do Holocausto – depois, pediu desculpas e voltou atrás nas declarações. Apesar de todos os sinais emitidos pelo grupelho, a grande imprensa brasileira trata o novo partido como uma opção de direita moderada em relação ao bolsonarismo. Que ninguém finja surpresa no futuro.

As conexões da extrema direita brasileira com o neonazismo não são muito diferentes das do trumpismo. Ainda que aqui a coisa seja mais velada, os fatos mostram que a realidade dos EUA não está tão distante da brasileira. 

Mesmo com Jair Bolsonaro e outros líderes extremistas na cadeia, a cadela do fascismo está sempre no cio. Há muita gente disposta a continuar a carregar essas bandeiras nefastas. Há, também, uma imprensa covarde, com medo de dar nome aos bois, apesar de até o criador da Lei de Godwin ter liberado chamar Bolsonaro de nazista.

¨      Branko Marcetic: A presidência imperial é um problema que vai além de Trump

Quando Donald Trump aparentemente ameaçou eliminar o Irã, foi um momento de mobilização geral. Alguns democratas no Congresso pediram mais uma vez a aprovação de uma resolução sobre poderes de guerra (WPR, na sigla em inglês), idealmente por meio de uma maioria bipartidária à prova de veto, para forçar o fim da guerra de Trump, quer ele queira ou não. Outros, como o senador Ed Markey (D-MA), insistiram que uma WPR “não será suficiente” e que o presidente precisa ser completamente destituído do poder por meio da Vigésima Quinta Emenda ou por impeachment. Outros ainda dizem que isso não basta e que a única solução verdadeira é garantir que um Partido Republicano que apoia Trump com lealdade incondicional seja “aniquilado na próxima eleição e na seguinte”.

Na verdade, nenhuma dessas opções é uma resposta suficiente. O caos e o perigo crescente do mandato atual exigem mudanças mais profundas na política externa dos EUA e nos poderes do Executivo, que vão muito além de simplesmente conter a figura de Trump ou derrotar os republicanos nas eleições.

Estamos vivendo o futuro sobre o qual um coro de Cassandras defensores das liberdades civis alertou por anos, incluindo esta revista: que, se mantida a expansão radical dos poderes presidenciais de guerra e da autoridade de segurança nacional justificada pela “guerra ao terror”, um dia ela cairia nas mãos de alguém irresponsável e perigoso que usaria esse poder desmedido para fins terríveis. A única coisa surpreendente sobre o uso e abuso dessa autoridade executiva por Trump é a rapidez com que chegamos a esse cenário que é um verdadeiro pesadelo.

Não se chega ao ponto de Trump exilar centenas de homens para um campo de tortura em El Salvador sem o uso da expressão “entrega extraordinária” por George W. Bush. Não se chega à atual repressão à imigração sem que Bush prendesse centenas de imigrantes de pele morena aleatoriamente para combater o “terrorismo”. E não se chegam aos seus esforços atuais para esmagar a dissidência interna sem o abuso da palavra “terrorismo” por Bush e a vigilância de muçulmanos e dissidentes.

Não teríamos visto Trump explodindo barcos aleatoriamente em águas internacionais sem o programa de assassinatos com drones de Barack Obama. Não teríamos visto o sequestro do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro sem a expansão das operações das forças especiais promovida pelo ex-professor de direito constitucional, como a que resultou no assassinato de Osama bin Laden. E não teríamos visto as múltiplas guerras não declaradas de Trump contra o Irã sem que Obama simplesmente ignorasse a Lei dos Poderes de Guerra e travasse uma guerra não declarada de mudança de regime contra a Líbia, além de décadas de presidentes anteriores jogando com a linguagem para redefinir a guerra de maneiras que não exigiam autorização do Congresso.

A simples remoção de Trump do poder não eliminará esses nem nenhum dos muitos outros poderes radicais da presidência imperial. Ela apenas nos levaria a esperar até que o próximo sociopata de olhar frio, como Tom Cotton, tenha a sua vez de exercê-los.

Não faz muito tempo que reverter os excessos de Bush após o 11 de setembro era um tema recorrente na retórica democrata. Durante as primárias presidenciais de 2007, os principais candidatos se apressaram em prometer acabar com os abusos do Poder Executivo e restaurar os limites constitucionais. Obama era um deles, preocupado com a forma como o enfraquecimento das liberdades civis nos EUA havia prejudicado “nossa reputação no mundo todo” e prometendo que seu procurador-geral “revisaria cada ordem executiva” emitida por Bush que “minasse nossa Constituição ou subvertesse nossas liberdades civis”.

Mas essa conversa desapareceu quando as primárias entraram em 2008. A plataforma democrata daquele ano mal mencionava as liberdades civis. Depois que Obama venceu, em vez de usar aquele momento transcendental para se livrar de resquícios da presidência imperial de Bush, os democratas a aceitaram como sua — na verdade, eles a ampliaram de maneiras novas e ainda mais ilegais. Infelizmente, isso não se deveu apenas à elite: pesquisas mostraram que os eleitores liberais apoiaram de forma esmagadora o uso frequentemente horrível de drones por Obama, apenas para se revoltarem novamente contra essa questão assim que um republicano voltou à Casa Branca.

Este ciclo não pode continuar se repetindo. Não podemos passar pelo último ano, mais ou menos, em pânico com os seguidos abusos do poder presidencial por Trump, lamentando — assim como os estadunidenses liberais fizeram sob Bush — que alguém tão imprudente pudesse ter esses poderes à sua disposição sem praticamente nada para impedi-lo, a ponto de poder ter decidido recentemente, de forma leviana, bombardear um país com armas nucleares e matar milhões, para depois simplesmente abandonar tudo. Não existe ninguém na Terra em quem se possa confiar esse tipo de poder, muito menos quando não há nenhuma garantia de que um ser humano igualmente irresponsável jamais será eleito novamente para a presidência dos EUA.

Um futuro Congresso controlado pelos democratas deveria assumir a tarefa abandonada por Obama e a velha guarda do partido: impor limites rigorosos ao uso de drones, que não sejam simplesmente flexibilizados e endurecidos alternadamente por qualquer presidente que assuma o poder; proibir explicitamente o “assassinato seletivo” e qualquer outra tentativa de encontrar uma brecha na proibição já existente de assassinatos; revogar definitivamente a Autorização para o Uso da Força Militar de 2001, que tem sido sistematicamente usada de maneira abusiva por presidentes para travar guerras, muitas vezes secretas, em todo o mundo; acabar com a vigilância em massa , seja na forma das buscas ilegais da Agência de Segurança Nacional (NSA), que os democratas de fato expandiram sob Joe Biden, ou na espionagem ilegal que o Departamento de Segurança Interna e outras agências agora realizam por meio de corretores de dados privados; fechar o campo de prisioneiros da Baía de Guantánamo, para onde Trump agora tenta enviar migrantes; e embarcar em uma versão do século XXI do Comitê Church para investigar e expor os abusos de segurança nacional.

Tudo isso seria um bom começo para restaurar os poderes de “segurança nacional” do presidente a um nível mais razoável e sensato, e ajudaria a garantir que o próximo Trump não tenha carta branca para fazer bombardeios, iniciar guerras e perseguir seus inimigos políticos à vontade. Infelizmente, a cúpula do Partido Democrata parece empenhada em simplesmente repetir esse ciclo daqui a alguns anos: membros importantes da bancada democrata no Congresso estão a caminho de reautorizar uma das partes mais chocantemente utilizadas de maneiras abusivas do aparato de espionagem doméstica pós-11 de setembro, apesar de alertarem incessantemente, durante uma década, sobre as ambições ditatoriais de Trump.

Se a luta pela democracia estadunidense — ou a luta do movimento “Sem Reis”, como ativistas liberais a denominam — pretende ter algum significado, não pode se limitar à fraude eleitoral. É preciso desmantelar o sistema que conferiu ao presidente dos EUA um poder despótico global jamais visto na história da humanidade. Caso contrário, podemos esperar reviver tudo isso em breve.

¨      Antissemitismo e antissionismo. Por Paulo Nogueira Batista Jr

Volto a um tema que tem dado panos para manga. Qual o ponto essencial do debate sobre antissemitismo e antissionismo no mundo? Talvez seja a confusão desonesta e perigosa que os sionistas – um poderoso lobby transnacional – tentam fazer entres os dois fenômenos. A confusão é grande e tem sido manipulada para perseguir e assediar juridicamente críticos do sionismo e de Israel.

Abundam acusações falsas de antissemitismo, feitas com o propósito de blindar Israel e o sionismo contra críticas não só legítimas, como também necessárias. José Saramago, para citar um exemplo ilustre, foi acusado de antissemitismo pela frase citada em epígrafe.

No Brasil, há muitos intelectuais que escrevem com grande competência sobre esse tema – entre outros, Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser, Cláudia Assaf, Arlene Clemesha, Breno Altman, Glenn Greenwald e Bruno Huberman. Os três últimos são de origem judaica.

Apoiando-me em parte nas contribuições desses intelectuais, vou tentar esclarecer didaticamente a diferença entre antissemitismo e antissionismo, ainda que correndo o risco de resvalar para o óbvio ululante. Repisar o óbvio pode parecer desnecessário e ofensivo, reconheço. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio deve ser cultivado, pois ele sempre teve e terá inimigos implacáveis, refletindo uma mistura de burrice, ideologia e interesses escusos.

O que é o antissemitismo? É uma das muitas formas de racismo ou discriminação, voltada contra o povo judeu, entendido como raça ou etnia. Condena-se um povo inteiro, apontando os vícios e as violências de uma parte. Ainda que essa parte seja numerosa e influente, a generalização pode ser injusta e até caracterizar crime.

Antissionismo é algo essencialmente diferente. Trata-se da condenação de um projeto político, o sionismo, originado na Europa no final do século XIX, com o judeu germânico Theodor Herzl, e que resultaria na implantação de Israel na Palestina, em 1948. Uma terra para os “judeus errantes”, pedia-se. Mesmo que isso significasse, como significou, roubar as terras dos palestinos e cometer contra eles, desde o início e mesmo antes de 1948, toda sorte de violência, terrorismo e discriminação.

Observe-se, de passagem, que antes do sionismo e da criação do Estado de Israel, árabes e judeus conviviam em certa harmonia no Norte da África e no Oriente Médio. De uma maneira geral, os judeus foram mais bem tratados no mundo islâmico do que na Europa.

Certas distinções são importantes. Primeira: nem todo judeu é sionista. Há uma sobreposição muito importante entre judeus e sionistas, mas há muitas exceções. Os três judeus brasileiros mencionados acima, por exemplo, que são visceralmente antissionistas. No exterior, temos o cientista político Norman Finkelstein e o historiador Ilan Pappé, entre muitas outras pessoas de grande destaque, que também são judeus antissionistas.

Norman Finkelstein, por exemplo, tem ressaltado que o problema não é só o governo de Benjamin Netanyahu, nem mesmo só o Estado de Israel, mas a própria sociedade israelense – caracterizada por ele como doente e predominantemente comprometida, ou no mínimo omissa, diante dos crimes hediondos praticados contra palestinos, libaneses e outros povos.

Segunda distinção: muitos sionistas, às vezes influentes, não são judeus Por exemplo, os sionistas cristãos, em especial os pentecostais e neopentecostais, representados politicamente no Brasil pelas figuras deploráveis de Jair Bolsonaro, seus filhos e Tarcísio de Freitas, que não se envergonham de abraçar a bandeira de Israel e confraternizar com o genocida Benjamin Netanyahu. Esses políticos mantêm proximidade com entidades judaicas sionistas localizadas em nosso país, algumas das quais são verdadeiros antros bolsonaristas.

Em que pese essas distinções, os judeus sionistas constituem provavelmente a maior parte dos sionistas influentes e endinheirados no mundo, o que facilita a confusão que o lobby israelense quer promover entre antissionismo e antissemitismo. No Brasil, conseguiram, por exemplo, fazer com que a deputada Tabata Amaral apresentasse um projeto infame que tenta criminalizar como antissemitas as críticas a Israel e ao sionismo.

Vejam o paradoxo escandaloso. Quem é a principal força antissemita na atualidade? Ninguém menos que Israel! Por dois motivos, pelo menos. Primeiro, porque promove o maior genocídio contra semitas desde a Alemanha nazista. Não podemos esquecer que os palestinos e os árabes como um todo são povos semitas. Nesse sentido, Benjamin Netanyahu é o maior genocida antissemita desde Hitler.

Segundo motivo: o comportamento criminoso de Israel, apoiado pelo lobby sionista no resto do mundo, deu nova vida ao antissemitismo, entendido como discriminação e até ódio contra os judeus. Os praticantes e defensores do assassinato em massa de crianças e mulheres na Palestina por Israel, transmitido em tempo real, tornaram-se ironicamente os principais propagadores do antissemitismo.

Israel, deve-se dizer, não é o único país, longe disso, a ter praticado sistematicamente o genocídio. Israel é na realidade a continuação tardia e o desdobramento de algo maior – o colonialismo genocida europeu, uma das piores pragas da humanidade. Nenhuma região do mundo escapou da sanha criminosa dos europeus. Nem a América do Norte, nem a Central, nem a do Sul, nem a África, nem a Austrália, nem a Ásia. E nem os próprios judeus. São tantos os exemplos que nem vou começar a mencioná-los.

Israel dá continuidade a essa tradição tenebrosa. Não é por acaso que, em geral, os governos norte-americano e europeus deram e ainda dão tanto apoio ao projeto criminoso de Israel.

A verdade é que a história mundial teria sido muito melhor sem a expansão da civilização ocidental ou europeia, principalmente depois da Revolução Industrial, que colocou armas poderosas nas mãos de povos relativamente primitivos, a começar pelos ingleses. Civilização? Quando perguntado certa vez o que achava, afinal, da civilização ocidental, Mahatma Gandhi respondeu: “Seria uma boa ideia”.

 

Fonte: The Intercept/Jacobin Brasil/A Terra é Redonda

 

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