quarta-feira, 22 de abril de 2026

Pesquisas mostram Milei em queda livre na Argentina: 63% de rejeição e 61% contra sua reeleição

Uma pesquisa publicada na quinta-feira (16/04) pelo instituto Opina Argentina mostra que a desaprovação ao governo do presidente Javier Milei alcançou 63%, contra 35% de aprovação.

O índice de desaprovação inclui 58% de entrevistados que disseram ter percepção “muito negativa” da administração de extrema direita, e 5% com percepção “algo negativa”.

O índice de aprovação também está dividido entre 20% com percepção “muito positiva” e 15% com percepção “algo positiva” sobre a gestão.

Também houve 2% de entrevistados que disseram não ter opinião formada sobre o tema, ou que preferiram não responder a indagação.

O cenário desta pesquisa de abril significa uma mudança significativa em comparação ao mês anterior, quando pesquisa do mesmo instituto mostro a desaprovação de Milei em 58% (cinco pontos percentuais a menos) e a aprovação em 41% (seis pontos a mais).

Em comparação com a última pesquisa de Opina Argentina feita 2025, a desaprovação de Milei subiu 11 pontos (de 52% para 63%) e a aprovação caiu 13% (de 48% para 35%) em apenas quatro meses.

<><> Opositores em alta

Além da queda de Milei, a pesquisa mostra que as duas figuras mais bem avaliadas da política argentina atualmente são representantes da oposição de esquerda ao governo.

Em um cenário de ampla crise política, até mesmo as figuras melhor posicionadas apresentam uma rejeição maior que a aprovação. No entanto, chamam a atenção dois casos: os de Myriam Bregman e Axel Kicillof, cujos números demonstram diferenças significativas em comparação com os de Milei.

A deputada Bregman, líder da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, por sua sigla em espanhol) é a figura política com menor rejeição da Argentina atualmente, com 47% de desaprovação, contra 44% de aprovação. Vale lembrar que ela foi candidata presidencial em 2023, disputando contra Milei – e se destacando nos embates contra ele, em debates realizados no primeiro turno.

Já Kicillof, atual governador da Província de Buenos Aires, tem 44% de aprovação e 53% de desaprovação.. Ele é representante da ala mais à esquerda da coalizão peronista União Pela Pátria.

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015) foi mencionada na consulta, apesar de estar inelegível. Membro da coalizão União Pela Pátria, ela obteve 39% de aprovação e 59% de desaprovação.

<><> Contra a reeleição de Milei

Os números de popularidade dos políticos na pesquisa Opina Argentina sintonizam com os de outra medição, do instituto Zurban Córdoba, publicada nesta terça-feira (14/04), no qual 60,1% dos entrevistados disseram que votariam contra a reeleição de Milei se as eleições presidenciais fossem hoje.

Por outro lado, 29,4% disseram que votariam a favor de um segundo mandato do ultraliberal. Outros 10% se disseram indecisos.

As próximas eleições presidenciais na Argentina devem acontecer no segundo semestre de 2027.

<><> Efeito da reforma?

Vale lembrar que, em fevereiro passado, em meio a esse período medido pelas pesquisas mencionadas acima, Milei sancionou uma reforma trabalhista que tem sido amplamente rechaçada pela sociedade.

texto aprovado no Congresso permite o aumento da jornada diária de trabalho para até 12 horas, desconto salarial de até 75% para funcionários com licença médica – o pagamento de salário integral será dado somente a trabalhadores com doença terminal comprovada –, pagamentos de salário não em dinheiro mas em forma de bens ou serviços, entre outras mudanças.

<><> FMI libera mais R$ 5 bilhões à Argentina e aumenta dívida acumulada por governo Milei

Fundo Monetário Internacional (FMI) autorizou um novo desembolso de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para a Argentina, como parte da segunda revisão do Programa de Financiamento Ampliado pactado em abril de 2025 entre a instituição financeira e o governo de extrema direita de Javier Milei.

Em seu texto original, o Programa prevê um desembolso total de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 99,8 bilhões de reais). Porém, após um primeiro desembolso de US$ 12 bilhões (R$ 59,9 bilhões) logo após a assinatura do acordo, o restante dos recursos passou ficou sujeito ao cumprimento de metas anuais estipuladas pelo fundo.

Nesse sentido, chama a atenção que o relatório do FMI que anunciou a aprovação do novo desembolso apesar de reconhecer que a Argentina não cumpriu todas as metas estipuladas no programa, e tenha feito advertências com relação a certos aspectos.

As únicas metas cumpridas pela Argentina (e que foi considerado pelo FMI como ponto principal na decisão de liberar o desembolso) foram a projeção de superávit primário de 1,4% do PIB e a aprovação de mais um rigoroso pacote de reformas de austeridade incluídas no orçamento de 2026.

Entretanto, o país não atingiu o nível de acumulação de reservas líquidas em 2025, ficando cerca de US$ 14,1 bilhões abaixo do valor pedido pelo fundo. Mesmo assim, a entidade não considerou esse fator relevante – pelo contrário, diminuiu enormemente a meta exigida ao país para este ano, para apenas US$ 8 bilhões.

<><> Inflação

Outro ponto destacado foi a aceleração da inflação nos últimos meses, que chegou a 3,4% no mês de março. Ademais, o país registrou uma inflação anual acumulada de 31,5% em 2025.

Em declaração oficial, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse que analisará a situação inflacionária da Argentina em reunião com o Ministro da Economia do país sul-americano, Luis Caputo.

“Vamos discutir as questões acerca dos índices de inflação e buscar soluções para essa questão”, comentou a economista búlgara.

<><> Dívida anterior

Vale lembrar que além da dívida por esse acordo atual, a Argentina mantém outra dívida com o FMI, de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 219,6 bilhões), que foi adquirida em 2018 durante outro governo de direita: de Mauricio Macri (2015-2019).

¨      Venezuela retoma relações com FMI e Banco Mundial após seis anos de bloqueio

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (16/04) que o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou as relações com Caracas após seis anos de bloqueio institucional. “Foi uma grande conquista da diplomacia venezuelana”, afirmou Rodríguez.

“Não foi uma mera formalidade. Foi o plano para uma negociação que levou meses para ser concretizada e que a extrema-direita venezuelana tentou sabotar sem sucesso”, enfatizou, acrescentando que “é muito lamentável que o extremismo venezuelano tenha se dado ao trabalho de visitar capitais na Europa e em outros países para tentar impedir este passo importante para a nossa economia”.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, formalizou a retomada das relações com a Venezuela em um comunicado especificando que a decisão foi adotada “de acordo com a opinião dos países membros do FMI que representam a maioria do poder de voto total”. Por trás dessa fórmula técnica, existe uma política concreta: a comunidade internacional reconhece o governo venezuelano como um interlocutor legítimo.

O Banco Mundial (BM) também anunciou na quinta-feira a retomada de suas relações com Caracas, após os resultados do processo de votação do FMI.

A suspensão das relações havia ocorrido em março de 2019, quando o FMI reconheceu a oposição parlamentar como governo de facto a partir do exterior, em consonância com a campanha de sanções que Washington vem promovendo desde então. A partir desse momento, a Venezuela foi excluída das consultas do Artigo IV e suas reservas permaneceram congeladas. Essas reservas totalizam aproximadamente US$ 3,568 bilhões em Direitos Especiais de Saque, o equivalente a cerca de US$ 5,1 bilhões.

Rodríguez esclareceu que esses fundos se destinam à restauração dos serviços públicos. “Estamos normalizando todos os processos que envolvem os direitos da Venezuela dentro da organização”, disse ela, enfatizando a importância do país “para a nossa região”.

<><> Novo presidente do Banco Central da Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a renúncia de Laura Guerra ao cargo de presidente do Banco Central da Venezuela (BCV) e informou que Luis Pérez assumirá a função.

“Recebi uma comunicação da Sra. Laura Guerra, que apresentou sua renúncia ao Banco Central da Venezuela”, disse Rodríguez em uma reunião com autoridades econômicas. Da mesma forma, ela explicou que Guerra, que estava no cargo desde abril de 2025, “continuará com outras atividades na área do Governo”.

O Departamento do Tesouro dos EUA declarou na terça-feira (14/04) que as sanções impostas ao sistema bancário público da Venezuela foram suspensas.

Essa medida também abrange entidades como o Banco dos Trabalhadores Digitais, o Banco da Venezuela, o Banco do Tesouro e qualquer outra instituição na qual alguma dessas entidades tenha participação direta ou indireta de 50% ou mais.

<><> Venezuela anuncia desbloqueio de ativos congelados no FMI

A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (17/04) o desbloqueio de ativos congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI), em mais um movimento de reaproximação do país com organismos multilaterais após sete anos de relações suspensas pelo bloqueio dos Estados Unidos. O anúncio foi feito pela presidenta interina Delcy Rodríguez, que afirmou que os recursos recuperados serão destinados a investimentos sociais e à recomposição de serviços públicos essenciais.

“Não é um programa de endividamento, é a recuperação de nossos direitos e ativos congelados no FMI”, disse Rodríguez, ao afirmar que a verba deve ser aplicada de forma imediata no sistema elétrico, na distribuição de água, nos hospitais e também em programas sociais.

Segundo a dirigente venezuelana, a retomada desses recursos representa uma “vitória diplomática” e pode ajudar a fortalecer as reservas internacionais e a reorganizar indicadores macroeconômicos do país. Caracas sustenta que os ativos haviam sido bloqueados em meio ao isolamento financeiro imposto ao país nos últimos anos.

O valor total ainda não foi detalhado oficialmente pelas autoridades venezuelanas, mas a cifra pode alcançar os US$ 5 bilhões em direitos especiais de saque solicitados pelo país em 2020 e negados em meio ao impasse internacional sobre o reconhecimento do governo venezuelano. Em declarações reproduzidas pela imprensa, Rodríguez também agradeceu a países que atuaram nas negociações, entre eles o Brasil.

<><> FMI fala em apoio financeiro adiante

No mesmo dia, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que a Venezuela provavelmente poderá receber um programa de apoio financeiro no curso dessa reaproximação, desde que cumpra uma série de condições. Georgieva tratou dos auxílios como empréstimos e disse que o país enfrenta um “caminho muito difícil” para restaurar a estabilidade macroeconômica e financeira.

A executiva disse que o Fundo já iniciou contatos com autoridades venezuelanas e que uma das prioridades será avaliar a qualidade dos dados econômicos do país, considerada insuficiente pelo organismo. Também afirmou ainda que um eventual programa de apoio dependerá de um processo complexo, que inclui a análise de uma dívida estimada em mais de US$ 150 bilhões e o fortalecimento das instituições econômicas venezuelanas.

Na quinta-feira (16/04), o FMI e o Banco Mundial anunciaram o restabelecimento de relações com a Venezuela, suspensas desde março de 2019. Para o governo de Caracas, o desbloqueio dos ativos abre espaço para acelerar investimentos em infraestrutura e aliviar áreas diretamente afetadas pela crise econômica e pelas sanções.

¨      Petro denuncia conspiração entre direita colombiana e governo do Equador

Durante reunião com ministros,  o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou a existência de uma conspiração entre setores da direita colombiana e o governo do Equador, encabeçado pelo presidente Daniel Noboa, também de direita.

Segundo Petro, a articulação teria como objetivo interferir na eleição presidencial do país, cujo primeiro turno acontecerá no dia 31 de maio – razão pela qual as campanhas eleitorais já estão nas ruas de todo o país.

O mandatário colombiano levou à reunião a embaixadora da Colômbia no Equador, María Antonia Velasco, que relatou uma série de visitas de líderes políticos de direita ao Palácio Carondelet, sede do Poder Executivo equatoriano, situação que ela descreveu como “pouco comum”.

A diplomata também relacionou a visita dos opositores colombianos a Quito com a decisão do governo de Noboa de impor tarifas de 50% aos produtos colombianos que entram no país – com a justificativa de que o país vizinho supostamente não estaria se esforçando para combater o narcotráfico.

“Gostaria de informar que, por uma estranha coincidência, dois dias antes da imposição das tarifas de 50%, o ex-presidente (Álvaro) Uribe (2002-2010) esteve no Palácio Carondelet, e voltou a estar lá na quarta-feira passada (08/04). No dia seguinte, impuseram tarifas de 100%”, contou Velasco, durante o encontro de Petro com seus ministros.

A diplomata também reportou que, além de Uribe, também estiveram em Quito figuras como o empresário Diego Molano, que foi ministro da Defesa durante o governo de Iván Duque – de extrema-direita e aliado de Uribe.

Por sua vez, Uribe negou ter participado de reuniões com Noboa e acusou Petro de “entregar a fronteira ao narcotráfico internacional”.

<><> Cenário eleitoral

A denúncia de Petro sobre a possível articulação entre o governo do Equador e figuras da oposição colombiana acontece em meio a uma campanha eleitoral para o pleito presidencial.

Segundo a pesquisa mais recente, do instituto Atlas Intel, o candidato governista, Iván Cepeda, da aliança de esquerda Pacto Histórico, aparece com 37,8% das intenções de voto, seguido pelo ultraliberal Abelardo de la Espriella, com 27,2%, e por Paloma Valencia, representante do partido uribista de extrema direita Centro Democrático, que tem 22,9%.

¨      Após 15 mil contestações nas eleições presidenciais Peru inicia recontagem de votos

Os Júris Eleitorais Especiais (JEE) no Peru começaram nesta segunda-feira (20/04) as audiências públicas para recontar os votos das seções eleitorais referentes ao pleito presidencial, em meio a pressões políticas e questionamentos sobre a apuração. A província de Chanchamayo iniciou a sessão nas primeiras horas do dia para as mesas em Pichanaqui, Satipo, Río Tambo e Río Negro em Junín, seguido pelos júris de Huancayo e Piura, de acordo com as informações do jornal El Comercio.

A revisão de atas eleitorais ocorre após contestações e pode impactar a definição dos candidatos que avançarão para o segundo turno. No sábado (18/04), o Júri Nacional das Eleições do Peru (JNE) estimou que os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais deverão estar disponíveis até meados de maio. 

“Esperamos ter, pelo menos, os resultados presidenciais até a quinzena de maio, que é o que precisamos para determinar o segundo turno”, disse Yessica Clavijo, secretária-geral do JNE, acrescentando que ao menos 106 atas de urnas serão recontadas.

De acordo com Clavijo, o órgão já recebeu mais de 15 mil folhas de apuração contestadas nas eleições gerais, sendo cerca de 30% relacionadas à disputa presidencial. As revisões foram solicitadas por erros ou omissões no registro de votos. 

Com 93,57% das urnas apuradas, os resultados preliminares apontam que a candidata ultraconservadora Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, obtém 17,05% dos votos válidos, garantindo a vaga para o segundo turno. No segundo lugar fica o esquerdista Roberto Sanchez, com 12,01%, que desbancou, na semana passada, o ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,92%. Os dados são do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

 

Fonte: Página/12 e El Cronista/El Destape/Opera Mundi

 

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