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Brasil contra os nazistas: 81 anos da Batalha de Montese
Há 81
anos, em 14 de abril de 1945, os soldados da Força Expedicionária Brasileira
atacavam as tropas da Alemanha nazista durante a Batalha de Montese.
Parte
da ofensiva final dos Aliados durante a Campanha da Itália, o conflito se
estendeu por quatro dias e terminou com a vitória dos pracinhas brasileiros. A
Batalha de Montese foi um dos embates mais sangrentos no qual o Brasil se
envolveu durante a Segunda Guerra Mundial, resultando em 430 baixas.
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A FEB
Criada
por Getúlio Vargas em agosto de 1943, a Força Expedicionária Brasileira (FEB)
congregava mais de 25.000 combatentes. O comando geral da FEB ficou a cargo do
general Mascarenhas de Morais, ao passo que Zenóbio da Costa liderou o primeiro
escalão na linha de frente.
Os
pracinhas desembarcaram na Itália em julho de 1944. As primeiras semanas foram
dedicadas à aclimatação, distribuição de armas e equipamentos e treinamento
intensivo. Em seguida, a FEB foi integrada ao comando do 5º Exército Americano,
juntando-se à Campanha da Itália, em uma ofensiva que visava romper a Linha
Gótica — o sistema defensivo controlado pelo Eixo.
A
primeira fase dos combates começou em setembro de 1944, após as tropas
brasileiras serem enviadas para a região do Vale do Rio Serchio, na Toscana. Os
pracinhas receberam a missão de neutralizar o controle dos alemães sobre pontos
estratégicos da região, abrindo caminho para o avanço dos Aliados rumo ao norte
do país.
Após
vencerem os nazistas em Camaiore, os pracinhas conquistaram Massarossa e
tomaram o importante ponto estratégico de Monte Prano. Em seguida, a FEB
avançou para a região de Gallicano-Barga, onde enfrentou os primeiros reveses.
O terreno montanhoso, o frio intenso e a feroz resistência alemã tornaram os
combates extremamente difíceis, mas os brasileiros demonstraram rápida
capacidade de adaptação, conquistando posições importantes e contribuindo para
o enfraquecimento das defesas inimigas.
Entre o
final de 1944 e o início de 1945, os pracinhas participaram de uma ofensiva
crucial na região dos Apeninos. O objetivo era tomar as posições elevadas sob
controle do Eixo, viabilizando o avanço dos Aliados rumo à Planície do Pó e à
cidade de Bolonha. Essa fase marcou os combates mais intensos e difíceis para a
Força Expedicionária Brasileira.
Em
fevereiro de 1945, após três meses de combates sangrentos, os brasileiros
venceram as forças nazistas na Batalha de Monte Castello. Duas semanas depois,
os pracinhas obtiveram um novo triunfo, subjugando as tropas do Eixo na Batalha
de Castelnuovo.
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Montese
Em
abril, o Comando Aliado lançou a Ofensiva da Primavera, a operação final para
desarticular as últimas linhas de defesa do Eixo e libertar o norte da Itália.
Enquanto o 8º Exército Britânico avançava pelo setor leste, o 5º Exército
Americano iniciava o ataque a partir da região dos Apeninos, contando com apoio
da FEB.
Localizada
na província de Módena, a cidade de Montese era um ponto estratégico crucial
para a Ofensiva da Primavera. As fortificações da Linha Gótica e a topografia
elevada tornavam Montese uma área de difícil acesso, possibilitando que o 14º
Exército alemão mantivesse o controle pleno sobre a cidade — e,
consequentemente, sobre as principais rotas rumo a Bolonha e aos núcleos
urbanos ao norte.
Os
Aliados acreditavam que a investida a Montese seria facilitada pelo avanço do
8º. Exército Britânico, mas tais expectativas foram frustradas pela resistência
alemã. Por sugestão de Mascarenhas de Morais, coube à FEB a missão de libertar
a cidade dos invasores nazistas.
Os
pracinhas estavam com o moral elevado em função das vitórias recentes contra os
alemães nas batalhas de Monte Castello e Castelnuovo. Ao mesmo tempo, o triunfo
dos brasileiros sedimentou a confiança dos Aliados na capacidade ofensiva da
FEB.
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A batalha
A
Batalha de Montese foi a primeira campanha inteiramente arquitetada e liderada
pela FEB. A operação ficou a cargo da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária.
Foram empregados três batalhões do 11º Regimento de Infantaria — aos quais se
somariam mais tarde os soldados do 6º Regimento. Além da infantaria, foram
mobilizadas guarnições de artilharia e um esquadrão de reconhecimento. Os
tanques da 1.ª Divisão Blindada dos Estados Unidos forneceram apoio terrestre.
A
batalha teve início às 9h da manhã do dia 14 de abril. Na primeira fase, dois
pelotões atacaram concomitantemente os postos avançados dos nazistas. O
primeiro pelotão conseguiu avançar, mas o segundo ficou retido em um campo
minado e foi brutalmente atacado pela artilharia alemã, que atingiu mortalmente
o comandante do pelotão, tenente Ary Rauen.
A
segunda fase teve início três horas depois, com um novo ataque conduzido por
mais dois pelotões, desta vez avançando rumo ao centro de Montese. O primeiro
pelotão subiu em direção ao topo das colinas, enquanto o segundo grupo atacou
os alemães pelo flanco direito.
O
contra-ataque nazista cortou a comunicação entre os batalhões, mas o pesado
bombardeio conduzido pela artilharia aliada teve sucesso em obrigar os alemães
a recuar. Ao término do primeiro dia da batalha, os brasileiros já tinham
conseguido cercar as encostas da cidade.
A
batalha se estendeu por mais três dias, marcados por intensos ataques da
artilharia alemã, que tentava a todo custo retomar o controle de Montese.
Os
bombardeios alemães reduziram 85% das edificações da cidade a escombros e
mataram quase 200 civis. Apesar das dificuldades do combate encarniçado, os
pracinhas conseguiram manter o controle de Montese, subjugando os principais
focos de resistência alemã. A batalha foi encerrada em 17 de abril, quando os
brasileiros capturaram e neutralizaram os franco-atiradores alemães
remanescentes.
A
façanha brasileira arrancou elogios dos comandantes aliados. Ao ser informado
sobre a tomada de Montese, o tenente-general Willis Crittenberger afirmou: “Na
jornada de ontem, somente os brasileiros mereceram as minhas irrestritas
congratulações. Com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão
brasileira está em condições de ensinar às outras divisões como se conquista
uma cidade”.
A
tomada de Montese garantiu uma importante vantagem tática aos Aliados, apesar
do alto custo humano. Foi uma das batalhas mais sangrentas enfrentadas pelos
pracinhas na Segunda Guerra Mundial, deixando um saldo de 430 baixas, entre
mortos, feridos e capturados.
A
vitória da FEB contribuiu de forma decisiva para a desarticulação das linhas de
defesa alemãs. Os cidadãos de Montese, em gratidão à libertação da cidade do
domínio nazista, construíram um monumento em homenagem à FEB em uma de suas
praças, rebatizada como “Piazza Brasile.”
Fonte:
Por Estevam Silva, em Opera Mundi

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