quarta-feira, 22 de abril de 2026

O Brasil contra os nazistas: 81 anos da Batalha de Montese

Há 81 anos, em 14 de abril de 1945, os soldados da Força Expedicionária Brasileira atacavam as tropas da Alemanha nazista durante a Batalha de Montese.

Parte da ofensiva final dos Aliados durante a Campanha da Itália, o conflito se estendeu por quatro dias e terminou com a vitória dos pracinhas brasileiros. A Batalha de Montese foi um dos embates mais sangrentos no qual o Brasil se envolveu durante a Segunda Guerra Mundial, resultando em 430 baixas.

<><> A FEB

Criada por Getúlio Vargas em agosto de 1943, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) congregava mais de 25.000 combatentes. O comando geral da FEB ficou a cargo do general Mascarenhas de Morais, ao passo que Zenóbio da Costa liderou o primeiro escalão na linha de frente.

Os pracinhas desembarcaram na Itália em julho de 1944. As primeiras semanas foram dedicadas à aclimatação, distribuição de armas e equipamentos e treinamento intensivo. Em seguida, a FEB foi integrada ao comando do 5º Exército Americano, juntando-se à Campanha da Itália, em uma ofensiva que visava romper a Linha Gótica — o sistema defensivo controlado pelo Eixo.

A primeira fase dos combates começou em setembro de 1944, após as tropas brasileiras serem enviadas para a região do Vale do Rio Serchio, na Toscana. Os pracinhas receberam a missão de neutralizar o controle dos alemães sobre pontos estratégicos da região, abrindo caminho para o avanço dos Aliados rumo ao norte do país.

Após vencerem os nazistas em Camaiore, os pracinhas conquistaram Massarossa e tomaram o importante ponto estratégico de Monte Prano. Em seguida, a FEB avançou para a região de Gallicano-Barga, onde enfrentou os primeiros reveses. O terreno montanhoso, o frio intenso e a feroz resistência alemã tornaram os combates extremamente difíceis, mas os brasileiros demonstraram rápida capacidade de adaptação, conquistando posições importantes e contribuindo para o enfraquecimento das defesas inimigas.

Entre o final de 1944 e o início de 1945, os pracinhas participaram de uma ofensiva crucial na região dos Apeninos. O objetivo era tomar as posições elevadas sob controle do Eixo, viabilizando o avanço dos Aliados rumo à Planície do Pó e à cidade de Bolonha. Essa fase marcou os combates mais intensos e difíceis para a Força Expedicionária Brasileira.

Em fevereiro de 1945, após três meses de combates sangrentos, os brasileiros venceram as forças nazistas na Batalha de Monte Castello. Duas semanas depois, os pracinhas obtiveram um novo triunfo, subjugando as tropas do Eixo na Batalha de Castelnuovo.

<><> Montese

Em abril, o Comando Aliado lançou a Ofensiva da Primavera, a operação final para desarticular as últimas linhas de defesa do Eixo e libertar o norte da Itália. Enquanto o 8º Exército Britânico avançava pelo setor leste, o 5º Exército Americano iniciava o ataque a partir da região dos Apeninos, contando com apoio da FEB.

Localizada na província de Módena, a cidade de Montese era um ponto estratégico crucial para a Ofensiva da Primavera. As fortificações da Linha Gótica e a topografia elevada tornavam Montese uma área de difícil acesso, possibilitando que o 14º Exército alemão mantivesse o controle pleno sobre a cidade — e, consequentemente, sobre as principais rotas rumo a Bolonha e aos núcleos urbanos ao norte.

Os Aliados acreditavam que a investida a Montese seria facilitada pelo avanço do 8º. Exército Britânico, mas tais expectativas foram frustradas pela resistência alemã. Por sugestão de Mascarenhas de Morais, coube à FEB a missão de libertar a cidade dos invasores nazistas.

Os pracinhas estavam com o moral elevado em função das vitórias recentes contra os alemães nas batalhas de Monte Castello e Castelnuovo. Ao mesmo tempo, o triunfo dos brasileiros sedimentou a confiança dos Aliados na capacidade ofensiva da FEB.

<><> A batalha

A Batalha de Montese foi a primeira campanha inteiramente arquitetada e liderada pela FEB. A operação ficou a cargo da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. Foram empregados três batalhões do 11º Regimento de Infantaria — aos quais se somariam mais tarde os soldados do 6º Regimento. Além da infantaria, foram mobilizadas guarnições de artilharia e um esquadrão de reconhecimento. Os tanques da 1.ª Divisão Blindada dos Estados Unidos forneceram apoio terrestre.

A batalha teve início às 9h da manhã do dia 14 de abril. Na primeira fase, dois pelotões atacaram concomitantemente os postos avançados dos nazistas. O primeiro pelotão conseguiu avançar, mas o segundo ficou retido em um campo minado e foi brutalmente atacado pela artilharia alemã, que atingiu mortalmente o comandante do pelotão, tenente Ary Rauen.

A segunda fase teve início três horas depois, com um novo ataque conduzido por mais dois pelotões, desta vez avançando rumo ao centro de Montese. O primeiro pelotão subiu em direção ao topo das colinas, enquanto o segundo grupo atacou os alemães pelo flanco direito.

O contra-ataque nazista cortou a comunicação entre os batalhões, mas o pesado bombardeio conduzido pela artilharia aliada teve sucesso em obrigar os alemães a recuar. Ao término do primeiro dia da batalha, os brasileiros já tinham conseguido cercar as encostas da cidade.

A batalha se estendeu por mais três dias, marcados por intensos ataques da artilharia alemã, que tentava a todo custo retomar o controle de Montese.

Os bombardeios alemães reduziram 85% das edificações da cidade a escombros e mataram quase 200 civis. Apesar das dificuldades do combate encarniçado, os pracinhas conseguiram manter o controle de Montese, subjugando os principais focos de resistência alemã. A batalha foi encerrada em 17 de abril, quando os brasileiros capturaram e neutralizaram os franco-atiradores alemães remanescentes.

A façanha brasileira arrancou elogios dos comandantes aliados. Ao ser informado sobre a tomada de Montese, o tenente-general Willis Crittenberger afirmou: “Na jornada de ontem, somente os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações. Com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão brasileira está em condições de ensinar às outras divisões como se conquista uma cidade”.

A tomada de Montese garantiu uma importante vantagem tática aos Aliados, apesar do alto custo humano. Foi uma das batalhas mais sangrentas enfrentadas pelos pracinhas na Segunda Guerra Mundial, deixando um saldo de 430 baixas, entre mortos, feridos e capturados.

A vitória da FEB contribuiu de forma decisiva para a desarticulação das linhas de defesa alemãs. Os cidadãos de Montese, em gratidão à libertação da cidade do domínio nazista, construíram um monumento em homenagem à FEB em uma de suas praças, rebatizada como “Piazza Brasile.”

 

Fonte: Por Estevam Silva, em Opera Mundi

 

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