Governo
Lula reage e prepara política para barrar entrega de minerais estratégicos
Em meio
à polêmica sobre a venda da mineradora Serra Verde a uma empresa dos Estados
Unidos, o governo do presidente Lula se movimenta para reforçar o controle
nacional sobre recursos estratégicos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre
Silveira, afirmou ao Brasil 247 que apresentará nesta quarta-feira (22) a
Política Nacional de Terras Raras ao presidente.
A
iniciativa surge no contexto da crescente preocupação com a soberania nacional,
após a negociação de um ativo considerado estratégico para a indústria de alta
tecnologia e a transição energética. A mina de Pela Ema, em Goiás, está entre
os poucos projetos fora da Ásia com produção relevante de terras raras pesadas.
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Conselho para vetar venda de ativos estratégicos
Segundo
Silveira, o projeto prevê a criação do Conselho Nacional de Política Mineral,
que será composto por 16 ministros de Estado. A principal função do órgão será
analisar e autorizar qualquer operação envolvendo ativos considerados
estratégicos para o país.
A
medida representa uma mudança significativa na governança do setor mineral, ao
estabelecer que decisões sobre alienação de recursos críticos não poderão mais
ocorrer sem avaliação direta do governo federal em nível ministerial.
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Soberania e industrialização no centro da estratégia
De
acordo com o ministro, o objetivo central da nova política é garantir a
soberania nacional sobre minerais críticos e, ao mesmo tempo, estimular o
desenvolvimento industrial no Brasil. A proposta inclui diretrizes para iniciar
o processamento de terras raras no próprio país, reduzindo a dependência
externa.
Nesse
sentido, o plano prevê tanto o desenvolvimento autóctone de tecnologia quanto a
exigência de transferência tecnológica em eventuais parcerias internacionais. A
estratégia busca romper com o padrão histórico de exportação de matéria-prima
sem agregação de valor.
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Reação à disputa global por minerais críticos
A
iniciativa do governo ocorre em um cenário de intensa disputa geopolítica por
terras raras, dominada atualmente pela China, enquanto os Estados Unidos tentam
construir cadeias produtivas alternativas. A recente aquisição da Serra Verde
por uma empresa americana reforçou esse movimento e elevou o alerta dentro do
governo brasileiro.
Com a
nova política, o Brasil tenta reposicionar seu papel nesse cenário, buscando
deixar de ser apenas fornecedor de insumos para se tornar também um polo de
processamento e inovação tecnológica.
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Novo marco para o setor mineral
A
criação do Conselho Nacional de Política Mineral e a exigência de aprovação
para venda de ativos estratégicos indicam uma inflexão na política mineral
brasileira. A proposta sinaliza maior protagonismo do Estado na definição dos
rumos do setor, especialmente em áreas consideradas sensíveis para a segurança
econômica e tecnológica do país.
A
expectativa é que, após a apresentação ao presidente Lula, o projeto avance
como base para uma nova legislação e diretrizes regulatórias voltadas ao
fortalecimento da soberania nacional sobre recursos minerais estratégicos.
• "Crime de lesa-pátria", diz
Zarattini, sobre venda de mineradora de terras raras aos EUA
A venda
da mineradora brasileira Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth,
em uma operação avaliada em US$ 2,8 bilhões, provocou forte reação no meio
político e reacendeu o debate sobre soberania nacional e controle de recursos
estratégicos. O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) classificou o negócio
como um “crime de lesa-pátria”, ao criticar a transferência de um ativo
considerado vital para a indústria de alta tecnologia e a transição energética.
A
operação prevê que os atuais controladores da Serra Verde se tornem os
principais acionistas da USA Rare Earth, por meio de uma combinação de
pagamento em dinheiro — cerca de US$ 300 milhões — e emissão de ações. A
transação envolve a mina de Pela Ema, em Goiás, uma das poucas fora da Ásia com
capacidade de produção em escala comercial de terras raras pesadas.
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Reação política e crítica à perda de soberania
Zarattini
foi direto ao apontar os riscos estratégicos da operação. “A venda da única
mina de terras raras em operação no Brasil acende o alerta. Minerais
estratégicos não podem ser tratados como mercadoria comum. Estamos falando de
recursos ligados à indústria, à tecnologia e à soberania nacional”, afirmou.
Em tom
ainda mais contundente, o parlamentar classificou o negócio como uma entrega de
ativos estratégicos em meio à disputa global por minerais críticos. “Isso é um
crime de lesa-pátria!”, disse, ao destacar que o Brasil estaria abrindo mão de
um recurso essencial para o desenvolvimento tecnológico e industrial.
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Exportação integral e dependência externa
Um dos
pontos mais sensíveis do acordo é a previsão de que 100% da produção da Serra
Verde seja destinada aos Estados Unidos. Na prática, isso significa que a
totalidade das terras raras extraídas no Brasil abastecerá cadeias produtivas e
agências ligadas à indústria norte-americana, sem garantia de fornecimento ao
mercado interno.
Esse
modelo reforça um padrão histórico da economia brasileira, baseado na
exportação de commodities com baixo valor agregado, ao mesmo tempo em que
limita o desenvolvimento de uma indústria nacional capaz de processar e
utilizar esses insumos estratégicos.
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Minerais críticos e disputa geopolítica
As
terras raras — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — são
fundamentais para a produção de tecnologias avançadas, incluindo carros
elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. Atualmente, a China
domina a cadeia global desses minerais, o que levou os Estados Unidos a
intensificarem esforços para diversificar suas fontes de suprimento.
Nesse
contexto, a aquisição da Serra Verde é vista como peça-chave na estratégia
norte-americana de construção de uma cadeia produtiva independente da China,
abrangendo mineração, processamento e fabricação de ímãs permanentes.
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Projeto de lei propõe nova política mineral
Diante
desse cenário, Zarattini destacou que a bancada do PT já apresentou o Projeto
de Lei 1754/2026, que propõe uma reestruturação da política mineral brasileira.
“Por isso, a bancada do PT apresentou o PL 1754/2026, que propõe uma nova
política para o setor, com participação direta da União, criação da TerraBras,
conteúdo nacional, transferência de tecnologia e agregação de valor no país.
Não é só economia, é soberania”, afirmou.
A
proposta busca ampliar o controle estatal sobre recursos estratégicos e
estimular a internalização de etapas industriais, evitando que o país permaneça
restrito ao papel de exportador de matéria-prima.
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Ativo estratégico em Goiás
A mina
de Pela Ema, localizada em Goiás, é considerada um dos ativos mais relevantes
fora da Ásia na produção de terras raras pesadas. Sua capacidade de extrair
quatro dos 17 elementos conhecidos como terras raras em escala comercial a
torna um ponto estratégico na cadeia global desses minerais.
Especialistas
apontam que o Brasil possui reservas significativas, mas ainda carece de uma
política industrial robusta para transformar esse potencial em desenvolvimento
tecnológico e geração de valor agregado.
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Debate sobre o futuro da política mineral
A venda
da Serra Verde ocorre em um momento de reorganização das cadeias produtivas
globais, impulsionada pela transição energética e pela crescente demanda por
tecnologias limpas. Para críticos da operação, como Zarattini, o Brasil corre o
risco de aprofundar sua dependência externa ao abrir mão do controle sobre
recursos essenciais.
O
episódio reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre o papel do país na
geopolítica dos minerais estratégicos e sobre os caminhos para garantir que
suas riquezas naturais contribuam efetivamente para o desenvolvimento nacional.
• Trump negocia com Caiado violando
interesse nacional ao comprar terras raras para acelerar indústria americana.
Por César Fonseca
No
momento em que se discute, no Governo Lula, a criação da Terrabrás, que o líder
do PT, na Câmara, deputado Pedro Uczai(RGS) disse, na semana passada, ser
fundamental para garantir a soberania nacional, em matéria de terras raras,
ativo mais cobiçado pelas potências internacionais, o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, libera recursos governamentais para empresários
americanos comprarem mineradora no Brasil, detentora dessa riqueza fundamental.
A
transação foi anunciada com o presidente Lula ausente do país; ele está na
Europa, e, nesta segunda-feira, 20, visita a Feira de Hannover, na Alemanha,
onde destaca o prestígio brasileiro na produção de alternativas energéticas ao
petróleo, motivo maior da guerra que se desenrola no Oriente Médio entre
Estados Unidos e Irã.
O
Palácio do Planalto, por enquanto, não emitiu nenhum comunicado oficial sobre
essa transação comercial, estimada em cerca de 3 bilhões de dólares, com aporte
de perto de 600 milhões pelo governo americano, para formação de Sociedade de
Propósito Específico (SPE), envolvendo interesses norte-americanos
estratégicos.
A
transação, que obriga os partidos de esquerda, aliados do presidente, a debater
o assunto no Congresso, para avaliar suas consequências relacionadas à
soberania nacional, foi realizada pela empresa americana USA Rare Earth (USAR),
listada na Nasdaq.
O
anuncio do negócio polêmico, dadas suas implicações estratégicas, compreende
acordo para adquirir 100% da empresa Serra Verde Group, dona da única mina que
produz e processa terras raras no Brasil.
DESNACIONALIZAÇÃO
INTEMPESTIVA
O fato
é que o anuncio dessa negociação intempestiva se realiza no contexto da
discussão mais intensa que se desenrola entre as grandes potências,
especialmente, Estados Unidos e China, na corrida para dominação das terras
raras e sua industrialização, para produção de tecnologias de vanguarda:
veículos elétricos, microprocessadores, armas atômicas, baterias etc.
O
assunto motivou o governo Lula a debater a conveniência de criação urgente de
empresa estatal, denominada Terrabrás, como se fez, relativamente, ao petróleo,
com criação da Petrobrás.
O
objetivo fundamental é nacionalizar tal riqueza, demandada, atualmente, pela
indústria nos países capitalistas desenvolvidos, no contexto da corrida
tecnológica, especialmente, armamentista.
O
assunto ganhou relevância depois da visita do presidente Lula ao presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, quando ganhou dimensão o interesse econômico
estratégico americano de explorar terras raras no Brasil, onde são abundantes,
tal como na China.
Atualmente,
os chineses, tecnologicamente, já manufaturam/refinam o produto, dominando o
mercado mundial.
ESPERTEZA
ANTINACIONALISTA DE CAIADO
Nesse
interim, o governo Lula foi pego de surpresa pelas declarações do governador
Ronaldo Caiado, de Goiás, candidato à presidência da República, pelo PSD, de
que estaria negociando, diretamente, com o governo americano, a venda de terras
raras goianas para os Estados Unidos.
A
legislação brasileira assegura ao Estado nacional a prerrogativa constitucional
de ser o titular absoluto das negociações desse produto estratégico, para o
interesse nacional, o que levou o Palácio do Planalto a entrar na discussão.
O
estado de Goiás é parte – e não o todo do território nacional –, para se
arvorar no direito de realizar negociações privadas com empresas americanas ou
com o estado americano ou outro qualquer, no plano das relações internacionais.
Criou-se,
portanto, grande impasse político entre o governo federal e o governo de Goiás.
Desse
modo, é previsto que o debate político ocorrerá, de forma intensa, sobre o
assunto, especialmente, porque ele emerge no contexto de campanha eleitoral, na
qual o governador de Goiás é declaradamente anti-Lula.
DESNACIONALIZAÇÃO
INCONSTITUCIONAL
Evidencia-se
fato, politicamente, absurdo, em sua essência: a Terrabrás, como projeto
alentado pelo governo federal, está sendo, pelo governador de Goiás,
desnacionalizada antes de nascer, como proposta que tem de ser aprovada pelo
Congresso Nacional.
O
negócio, para surpresa geral, foi anunciado com o presidente da República fora
do país, deixando o mundo político perplexo.
As
perguntas estão no ar: o governo Lula foi pego de surpresa ou permitiu a venda
desse material estratégico que, segundo ele mesmo tem dito, somente será
realizado com agregação de valor em nome do interesse da industrialização
nacional?
A
gestão do ativo estratégico é ou não de competência federal?
Valem
as leis civis, privadas, ou o governo só pode interferir no que é dele, como
ocorre, por exemplo, relativamente, às terras devolutas, florestas, rios,
lagos, terras lacustres etc?
O tema
levanta questões geopolíticas.
A
criação da Terrabrás, atropelada pela negociação Trump-Caiado, para atender
interesse da industrialização americana, produzirá insatisfação da China,
parceira do Brasil em diferentes áreas econômicas, porém, alvo de irritação de
Donald Trump, cuja interesse maior, geopolítico e geoestratégico, conforme a
Doutrina Monroe/Donroe, é afastar os chineses da América Latina.
Fonte:
Brasil 247

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