sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump tenta resolver problemas econômicos internos dos EUA por meio de hostilidades, avalia analista

 O presidente norte-americano, Donald Trump, não consegue cumprir sua promessa eleitoral de equilibrar o orçamento estatal e, por isso, tenta resolver problemas econômicos internos iniciando hostilidades contra a Venezuela e o Irã, afirmou em entrevista à Sputnik o economista turco Hakan Topkurulu.

Em entrevista à Sputnik, o especialista turco explicou por que o chefe da Casa Branca, Donald Trump, iniciou sua campanha militar contra o Irã. A principal razão está na incapacidade dos Estados Unidos de enfrentar grandes potências econômicas.

Em particular, em março de 2021, a China e o Irã assinaram um acordo com prazo de 25 anos, segundo o qual Pequim se comprometeu a fazer investimentos de US$ 400 bilhões (R$ 2,12 trilhões) na indústria de petróleo, gás e petroquímica iraniana, enquanto Teerã garantiu a venda de seu petróleo ao parceiro asiático com descontos.

Além disso, a China compra petróleo e gás em grandes quantidades de outros países do golfo Pérsico: Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã. No total, a China recebe 38% de todo o petróleo que passa pelo estreito de Ormuz. De 50% a 55% das necessidades de petróleo da China são supridas pelos países do golfo Pérsico, explicou Topkurulu.

É possível supor que essa situação benéfica tanto para a China quanto para o Irã não agradou aos Estados Unidos.

"Obviamente, os Estados Unidos, tentando melhorar a situação do orçamento, estavam em uma situação desesperadora. Trump quebrou sua promessa de campanha e tenta implementar o slogan 'Make America Great Again' não por meio do comércio, mas pela guerra", disse o especialista turco.

Topkurulu traçou um paralelo entre as recentes ações dos Estados Unidos no cenário internacional e a situação no mar do Caribe nos séculos XV e XVI. Depois que Cristóvão Colombo descobriu a América e os europeus começaram a saquear o continente, esse mar foi ocupado por piratas europeus que tentavam, pela força bruta, obter as riquezas do continente.

"Nas condições atuais, a administração dos EUA seguiu o mesmo caminho com o objetivo de equilibrar o orçamento. Primeiro, Trump ameaçou a Venezuela, depois partiu para o Irã", disse o especialista turco.

No entanto, ele acrescentou que hoje não será possível resolver os problemas econômicos por meios militares. Os Estados Unidos, percebendo isso, voltaram à prática de imprimir dinheiro, completou Topkurulu.

"O poder dos EUA já não é suficiente para lidar com aqueles que os desafiam", concluiu.

Enquanto isso, o nível da dívida pública dos EUA voltou a subir em meio à falta de votos no Congresso para aprovar um novo orçamento e às consequências negativas da imposição de tarifas de Donald Trump.

<><> Bloqueio no estreito de Ormuz ameaça fertilizantes e acende alerta global de crise alimentar

A interrupção do fluxo de energia pelo estreito de Ormuz está elevando o risco de um choque alimentar global, já que o aumento dos preços do gás pressiona a produção de fertilizantes e setores industriais competem com a agricultura por insumos e logística, escreveu a mídia britânica, nesta quarta-feira (22).

Segundo o Financial Times, comerciantes têm alertado que o mundo opera "com tempo emprestado", diante de um cenário em que gargalos energéticos rapidamente se convertem em ameaças à segurança alimentar, ao referenciar os reflexos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

O estreito, responsável por cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) e por um terço do comércio marítimo de fertilizantes, tornou-se um ponto crítico para a produção de alimentos.

redução do fluxo de GNL já restringe o consumo industrial, com fábricas — especialmente as de fertilizantes — respondendo por cerca de 40% da queda na demanda desde o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro.

Como o gás natural é matéria-prima essencial para fertilizantes nitrogenados, a queda na oferta ameaça diretamente a produção agrícola. Especialistas alertaram à apuração que, sem normalização rápida, a crise energética pode se transformar em crise alimentar, elevando preços e reduzindo colheitas nas próximas temporadas.

Contudo, a guerra no Oriente Médio também afeta a logística global. O fechamento do estreito pelo Irã e o bloqueio naval dos EUA provocaram congestionamentos em rotas alternativas, como o canal do Panamá, onde petroleiros passaram a disputar espaço com navios graneleiros, elevando custos e tempos de espera para até 40 dias.

Com isso, o frete de cargas agrícolas — especialmente grãos — subiu entre 50% e 60%, pressionando agricultores norte-americanos que já enfrentam dificuldade para competir com produtores de menor custo, como o Brasil. As margens ficam mais estreitas e o acesso a mercados emergentes se torna mais difícil.

O aumento do custo do combustível marítimo agrava a situação, levando navios a reduzir velocidade e diminuindo a capacidade efetiva do transporte global de granéis. Essa combinação introduz ineficiências em toda a cadeia logística, ampliando o risco de desabastecimento e encarecimento dos alimentos.

Ainda segundo a mídia, comerciantes agrícolas alertam que o mercado ainda não precificou totalmente uma interrupção prolongada no fornecimento de fertilizantes e insumos essenciais. A expectativa de um conflito curto levou investidores a subestimar o impacto potencial, mas mesmo seis meses adicionais de bloqueio poderiam afetar o ciclo agrícola de 2027.

Além disso, cresce a competição por insumos críticos, como o enxofre, desviado para setores industriais de maior valor agregado, deixando os produtores de fertilizantes em desvantagem.

<><> Colapso do transporte no Oriente Médio impulsiona papel da Rota Marítima do Norte, opina especialista

A situação em torno do estreito de Ormuz pode promover o desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, que oferece uma opção mais segura para transportar hidrocarbonetos aos mercados de vendas, disse à Sputnik o doutor em Economia russo Aleksei Fadeev.

Na opinião do professor Fadeev, o valor da Rota Marítima do Norte está aumentando no contexto do conflito do Oriente Médio, que pode se tornar um catalisador para o desenvolvimento dos caminhos marítimos do norte.

Ele ressaltou que, devido à situação no Oriente Médio, a demanda por hidrocarbonetos aumentou significativamente.

"Hidrocarbonetos russos, 90% do gás russo, por exemplo, são produzidos em grande parte no Ártico. E hoje, a Rota Marítima do Norte está se transformando não apenas em uma rota para a exportação de hidrocarbonetos russos, mas também em uma hidrovia para a entrega de matérias-primas aos mercados, principalmente para a região da Ásia-Pacífico, que já estava crescendo ativamente antes do conflito no Oriente Médio", disse Fadeev.

Ao mesmo tempo, segundo Fadeev, se o estreito de Bab al-Mandeb for afetado pelo conflito, que, juntamente com o canal de Suez, faz parte do mesmo corredor marítimo estratégico que liga o mar Mediterrâneo ao oceano Índico, isso significará o colapso do comércio mundial.

"Porque hoje 25-30% de todo o comércio mundial passa pelo canal de Suez. E, nesse contexto, a Rota Marítima do Norte vai 'se mostrar' de uma forma completamente diferente", explicou o interlocutor da agência.

Fadeev explicou que o valor dessa rota marítima na situação atual reside no fato de que essa artéria, diferentemente da rota ao redor da África, é desprovida da maioria das ameaças, é mais curta, não existe a probabilidade de ataques de piratas, o custo dos seguros é menor e a Rússia, por sua vez, pode garantir a segurança da passagem por essa hidrovia.

Rota Marítima do Norte é a principal via de comunicação marítima no Ártico russo. Ela percorre ao longo da costa norte da Rússia através dos mares do oceano Ártico, conecta os portos europeus e do Extremo Oriente da Rússia, bem como os estuários dos rios navegáveis da Sibéria, em um único sistema de transporte. Sua extensão é de 5.600 km.

Anteriormente, o diretor do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Vladislav Maslennikov, afirmou que a Rússia está pronta para cooperar com todos os países no uso da Rota Marítima do Norte, incluindo com os Estados do Ártico Ocidental, se mostrarem interesse.

¨       Casa Branca compila uma lista dos países 'bons e maus' da OTAN, após recusa em apoiar guerra no Irã

Os EUA compilaram uma lista de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com base em suas contribuições para o bloco, escreveu a mídia ocidental com referência a três diplomatas europeus e um funcionário do Pentágono.

"A Casa Branca elaborou algo semelhante a uma 'lista de países bons e maus' da OTAN, enquanto a administração Trump procura maneiras de punir os aliados que se recusaram a apoiar a guerra contra o Irã", diz o artigo.

De acordo com fontes, o documento foi preparado na véspera da recente visita do secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, a Washington.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado anteriormente que estava considerando seriamente a saída da OTAN após a aliança se recusar a ajudar Washington em sua operação contra o Irã.

Ele chamou a resposta dos aliados ao pedido relevante de "mancha permanente" e ressaltou que os EUA não precisam da ajuda dos países do bloco que, segundo Trump, fazem de tudo para evitar fornecê-la.

O chefe da Casa Branca também alertou que ele estava pronto para se despedir da aliança por causa das posições de outros Estados sobre o controle dos EUA sobre a Groenlândia. O secretário de Estado, Marco Rubio, observou que Washington terá que repensar a importância do bloco militar para si mesmo após o término do conflito no Oriente Médio.

¨      Trump decidiu encobrir a derrota dos EUA declarando uma trégua indefinida com o Irã, diz diplomata britânico

O presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu o cessar-fogo com o Irã para encobrir a derrota das tropas americanas, tal opinião expressou na rede social X o ex-embaixador britânico no Uzbequistão, historiador e publicista Craig Murray.

"Não estou desistindo, estou prolongando minha trégua perpetuamente. De maneira unilateral", ironizou o diplomata, comentando a notícia de que o líder dos EUA havia estendido a trégua com o Irã por um período indefinido.

Teerã e Washington anunciaram cessar-fogo há duas semanas. Durante esse período, realizaram conversações em Islamabad no Paquistão, que, no entanto, terminaram sem resultados.

Outra reunião foi agendada para quarta-feira (22), mas o Irã se recusou a comparecer. Segundo relatou Tasnim, as autoridades da República Islâmica consideraram os contatos com os EUA uma perda de tempo, pois eles impedem um acordo que acomodaria ambas as partes.

De acordo com a agência IRNA, o Irã tomou essa decisão por causa do bloqueio no estreito de Ormuz e das demandas excessivas e irreais dos EUA.

Na noite de terça-feira (21), Trump anunciou uma extensão do cessar-fogo com o Irã. No entanto, o chefe da Casa Branca prometeu continuar o bloqueio dos portos iranianos. Segundo ele, o Paquistão pediu aos EUA para adiar os ataques ao Irã até que Teerã apresente uma proposta de negociações.

<><> EUA ampliam ações navais contra o Irã para fora do Oriente Médio, diz mídia

Forças dos Estados Unidos apreenderam o petroleiro Tifani no oceano Índico, suspeito de contrabando de petróleo iraniano, ampliando operações militares além do Oriente Médio, informou um jornal norte-americano.

A ação ocorre em paralelo ao bloqueio naval contra o Irã, que já impediu dezenas de navios de operar. Washington afirma que continuará pressionando Teerã, enquanto negociações seguem condicionadas a exigências como o fim do programa nuclear iraniano.

Os EUA também reforçam presença militar na região, com envio adicional de porta-aviões e monitoramento de outras embarcações ligadas ao país.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã. Na madrugada de 8 de abril, Trump anunciou o acordo com Teerã sobre um cessar-fogo de duas semanas.

<><> Inteligência dos EUA acredita que o Irã mantém recursos militares significativos, revela mídia

A inteligência dos EUA acredita que o Irã manteve recursos militares significativos, apesar dos relatórios da administração sobre a destruição das capacidades defensivas e ofensivas da República Islâmica, afirma o canal de TV NBC com referência a uma declaração de legisladores americanos.

"A inteligência militar dos EUA acredita que o Irã ainda tem recursos militares significativos", diz o site do canal.

Também é observado que a inteligência militar discorda das declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, e do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que reivindicaram o controle total do espaço aéreo iraniano e a destruição da indústria de defesa iraniana.

Segundo o testemunho perante o Congresso do diretor da agência de inteligência do Pentágono, tenente-general James Adams, o Irã mantém um arsenal de milhares de mísseis e drones que poderiam representar uma ameaça para as forças dos EUA e seus aliados no Oriente Médio.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã. Na madrugada de 8 de abril, Trump anunciou o acordo com Teerã sobre um cessar-fogo de duas semanas.

<><> EUA correm risco de ficar sem mísseis-chave em futuros conflitos devido à guerra com Irã, diz relatório

Os Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma escassez crítica de mísseis de alta precisão em futuros confrontos de grande escala devido ao esgotamento de seus arsenais durante o conflito com o Irã, diz um novo relatório analítico do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).

O CSIS estimou que o uso intensivo de tipos essenciais de mísseis nas últimas semanas levou a uma redução significativa nos estoques, enquanto a restauração da capacidade de produção ao nível necessário pode levar vários anos.

Por exemplo, no primeiro mês do conflito com o Irã, os Estados Unidos lançaram mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Com o custo de um míssil de US$ 2,6 milhões (R$ 13,53 milhões), levará 47 meses para restaurar completamente o arsenal gasto com as capacidades atuais.

Entretanto, os arsenais de mísseis de defesa antiaérea Patriot diminuíram de 1.060 a 1.430 unidades. Segundo analistas do CSIS, levará 42 meses para restaurar os estoques desses mísseis, cada qual custa US$ 3,9 milhões (R$ 20,28 milhões).

Uma situação semelhante ocorreu com os complexos THAAD: com uma reserva pré-guerra de unidades 360, os militares dos EUA gastaram de 190 a 290 desses mísseis interceptores, e o custo de uma dessas unidades é de 15,5 milhões (R$ 80,6 milhões), com um período de restauração de 53 meses.

O conflito com o Irã também esgotou os estoques dos EUA dos mais recentes mísseis balísticos de alta precisão PrSM (Precision Strike Missile) da classe terra-ar.

Das 90 unidades disponíveis, de 40 a 70 unidades foram usadas, e o custo de cada foguete de US$ 1,6 milhão (R$ 8,32 milhões) em um ciclo de produção de 46 meses torna a restauração desta frota extremamente difícil e uma tarefa de longo prazo, calculou o CSIS.

Além disso, de acordo com o relatório, dos 4.000 mísseis da classe ar-terra JASSM, no valor de US$ 2,6 milhões por unidade (R$ 13,53 milhões), mais de 1.000 unidades foram gastas, que levará 48 meses para serem reabastecidas.

Mísseis multiuso SM-6 (Standard Missile-6) também foram usados ativamente: foram gastos de 190 a 370 unidades, enquanto o custo de um foguete é de US$ 5,3 milhões (R$ 27,56 milhões) e o prazo de entrega é de 53 meses.

Os mísseis SM-3 mais caros e escassos custaram US$ 28,7 milhões (R$ 149,24 milhões) por unidade. De acordo com cálculos do CSIS, durante o conflito com o Irã, foram lançadas de 130 a 250 unidades das 410 existentes. Serão necessários 64 meses para completar esse arsenal.

Especialistas do CSIS concluíram que a redução dos estoques de munição cria riscos no curto prazo. Em sua opinião, uma guerra potencial com um rival tão forte como a China exigiria o consumo de munição em volumes muito maiores do que os registrados em um conflito com o Irã.

E como as reservas pré-guerra já eram insuficientes, seu nível atual limitaria significativamente as capacidades operacionais dos Estados Unidos no caso de novos confrontos no futuro, concluíram os analistas.

 

Fonte: Sputnik Brasil

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