Anistia
vê "nova era perigosa" com multilateralismo em crise
O mundo
está à beira de uma nova era perigosa, impulsionada pelos ataques de Estados
poderosos, corporações e movimentos transnacionais contra o multilateralismo, o direito
internacional e os direitos humanos. É o que afirma
a Anistia Internacional (AI), que
publicou nesta quarta-feira (21/04) o seu relatório anual, no qual analisa o
contexto em 144 países. Para a secretária-geral da organização, Agnès
Callamard, "o que torna este momento fundamentalmente diferente é que já
não estamos apenas registrando uma erosão nas margens do sistema".
"Trata-se de um ataque direto aos alicerces dos direitos humanos e à ordem
internacional baseada em regras, perpetrado pelos atores mais poderosos com o
objetivo de obter controle, impunidade e lucro," afirmou.
A AI
denuncia a formação de uma nova ordem internacional "predatória",
criticando explicitamente alguns líderes políticos, a exemplo do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da
Rússia, Vladimir Putin. O foco das críticas
repousa na proliferação e manutenção de conflitos pelos seus governos, enquanto
"a vasta maioria dos outros Estados não tem se mostrado disposta ou capaz
de consistentemente denunciar" violações da legislação internacional.
Já no
Brasil, o relatório destaca o aumento da violência contra defensores dos
direitos humanos, sobretudo indígenas e quilombolas, bem como a
aprovação da lei do licenciamento ambiental, apelidada por ambientalistas de
"PL da Devastação". Segundo a AI,
a legislação intensificou a ameaça contra o direito humano a um ambiente
saudável.
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Dupla pressão sobre iranianos
A
ofensiva de EUA e Israel no Irã, iniciada há quase dois meses, recorreu ao "uso
ilegal da força", numa violação à Carta da Organização das Nações Unidas
(ONU), diz a AI. Desde então, o Oriente Médio foi arrastado
para um novo conflito que, alerta a organização, "ameaça causar danos
civis e ambientais vastos, previsíveis e de longo prazo, afetando o acesso à
energia, à saúde, à alimentação e à água." Especialistas da ONU vêm também
apontando às violações da lei internacional pelos ataques militares contra o
Irã, cujo regime, por sua vez, viola os direitos humanos da própria população.
O relatório da AI destaca que "autoridades massacraram manifestantes em
janeiro de 2026, no que foi provavelmente a repressão mais letal em
décadas".
"No
Irã, as pessoas vivem sob uma dupla ameaça: por um lado, os ataques contrários
ao direito internacional realizados pelos EUA e por Israel, inclusive contra a
população civil e a infraestrutura; por outro, as repressões do próprio
governo, que já levaram a milhares de mortes," disse Julia Duchrow,
secretária-geral da AI na Alemanha. A pressão sobre o regime iraniano não
resultou em melhora para os direitos humanos a nível doméstico, embora os
EUA tenham justificado a operação militar com o argumento de que era necessário
proteger a população dos abusos de Teerã. "Justamente agora, tememos novos
e ainda mais fortes ataques da liderança iraniana contra a própria
população," diz Duchrow.
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Persistente guerra em Gaza
A
análise global da AI ressalta, ainda, a manutenção do que vê como um genocídio
em curso em Gaza – repetindo o
vocabulário que, no ano passado, usaram outras organizações de direitos humanos, estudiosos e uma comissão independente nomeada pela
ONU. Segundo a comissão de três membros, quatro dos cinco critérios da
Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio
para essa classificação haviam sido praticados por autoridades israelenses. O
artigo 2° da convenção define genocídio como qualquer ação "cometida com a
intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial
ou religioso". Rejeitando as acusações, Israel trava desde 2023 a guerra
contra o Hamas, classificado como organização terrorista pelos EUA, pela União
Europeia (UE) e diversos países no mundo. Um frágil cessar-fogo foi
acordado em outubro.
Ganhou
tração ainda, também no ano passado, a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia
sob uma atmosfera de crescente hostilidade, amplamente
documentada pela imprensa. Hoje, mais de 700 mil colonos judeus israelenses
vivem na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, segundo as Nações Unidas.
"As autoridades israelenses têm, cada vez mais, permitido ou incentivado
os colonos a atacar e aterrorizar os palestinos com impunidade, e autoridades
de destaque têm elogiado e glorificado a violência contra os palestinos,
incluindo prisões arbitrárias e tortura de detidos," diz o texto da
AI. A ONU considera todos os assentamentos israelenses além da linha de
armistício de 1949, a chamada Linha Verde, uma violação do direito
internacional. Num parecer consultivo de 2024, a Corte Internacional de Justiça
considerou a ocupação ilegal.
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Brasil: avanços e retrocessos
O caso
brasileiro foi marcado em 2025, pela avaliação da AI, por avanços e retrocessos
na garantia dos direitos humanos. Na agenda ambiental, o documento
destaca a redução do desmatamento na Amazônia e
no Cerrado. Mas, também, aponta para uma série de riscos derivados da lei do
licenciamento, incluindo "a ampliação dos motivos para isenção de licença,
a redução dos prazos para avaliação de projetos e a limitação da participação
social e do envolvimento das agências locais de proteção." Além
disso, a organização enxerga uma contradição entre os planos do Brasil de se
afastar dos combustíveis fósseis, impulsionados no
contexto da COP30 em Belém, e a prospecção de
petróleo na Margem Equatorial da Foz do Amazonas. Segundo a AI, projetos
exploratórios como este vão "contra uma transição energética justa
centrada nos direitos humanos" e contribuem para "a criação de 'zonas
de sacrifício' em territórios explorados".
Outro
destaque foi para as invasões e atos de violência ligados a conflitos pela
terra em áreas de expansão do agronegócio dentro e fora da Amazônia, afetando
particularmente os povos Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, Avá Guaraní
Paranaense, no Paraná, e Pataxó e Pataxó
Hã-hãhãe, na Bahia. Os conflitos vêm acompanhados de assassinatos de líderes
comunitários e defensores dos direitos humanos – segundo estudo das
organizações Justiça Global e Terra de Direitos, houve pelo menos um caso a
cada 36 horas, em média, entre 2023 e 2024. No fim do ano passado, o governo
federal lançou um novo plano nacional de proteção a estas pessoas.
Mais
pontos de preocupação para a AI no Brasil incluem a brutalidade policial – o
relatório destaca a megaoperação que deixou pelo
menos 121 mortos no Rio de Janeiro –, a discriminação contra pessoas LGBTQIA+ e
a violência contra mulheres. Foram 1.568 feminicídios tipificados no
ano passado, na contabilização do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Por
outro lado, diminuíram a pobreza e a desigualdade, caindo aos menores níveis em
30 anos, aponta a AI. Em julho, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU depois de três
anos.
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Sociedade civil: repressão e resistência
Ao
redor do mundo, a documentação da AI registrou o aprofundamento dos ataques
contra movimentos sociais e a sociedade civil no ano passado.
Nas
Américas, autoridades dos EUA são acusadas de lançarem uma campanha de
"repressão ilegal contra migrantes, refugiados e requerentes de asilo, com
uso desnecessário e excessivo da força, discriminação racial, detenções
arbitrárias e práticas que constituíram tortura e desaparecimento
forçado". Enquanto isso, Equador, El Salvador, Nicarágua, Paraguai,
Peru e Venezuela "adotaram ou reformaram marcos legais que impõem
controles desproporcionais às organizações da sociedade civil, afetando
diretamente sua capacidade de operar, acessar recursos, apoiar comunidades e
defender os direitos humanos".
Ao
mesmo tempo, "milhões de pessoas ao redor do mundo estão resistindo
injustiças e práticas autoritárias", citando protestos liderados pela
Geração Z em mais de uma dezena de países, incluindo Peru, Indonésia, Quênia,
Madagascar, Marrocos e Nepal.
"No
Irã, as pessoas foram às ruas apesar de saberem que corriam perigo de vida. Na
Hungria, a política desumana de Viktor Orbán acaba de ser derrotada nas urnas. E, repetidamente,
pessoas são libertadas da prisão, como Maria Kolesnikowa, em Belarus," diz ainda
Duchrow. Kolesnikowa, conhecida musicista e ativista de direitos civis
bielorrussa foi libertada da prisão em dezembro, após cinco anos detida.
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"Brasil e Alemanha querem paz e
multilateralismo"
Mais
comércio, mais cooperação e mais laços políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler
federal Friedrich Merz propagandearam
ao longo de uma agenda de dois dias o desejo de estreitar ainda mais as
relações entre Brasil e Alemanha diante dos desafios provocados pela
deterioração da ordem mundial e a intensificação da política de força dos
Estados Unidos. "Multilateralismo" foi a palavra mais repetida
após a série de encontros travados por Lula e Merz em Hannover, na Alemanha, onde os dois líderes abriram a
tradicional feira industrial da cidade e realizaram
uma reunião de trabalho que contou com mais de uma dezena de ministros dos dois
governos. "Brasil e Alemanha querem paz, querem o multilateralismo,
querem o desenvolvimento, e não a destruição. Queremos vida e não morte”, disse
Lula nesta segunda-feira (20/04) na reta final da agenda – o presidente desembarcou no domingo e deixa a
Alemanha na terça-feira.
Em
sintonia com Lula, Merz afirmou que não vê a parceria com o Brasil apenas em
termos econômicos, mas também como uma cooperação estratégica na manutenção de
um mundo baseado em regras. "Compartilhamos com o Brasil um interesse
fundamental em uma ordem política na qual possamos confiar em acordos, possamos
contar com tratados, possamos contribuir para a resolução conjunta de problemas
globais e, acima de tudo, desejemos resolver conflitos somente por meios
pacíficos", disse Merz durante a abertura do 42º Encontro
Econômico Brasil-Alemanha, um dos eventos em Hannover que contou com os
dois líderes. "Os laços estreitos entre nossos dois países são mais
necessários do que nunca em um momento em que a ordem mundial passa por
mudanças tão fundamentais."
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Acordo Mercosul-UE é celebrado por Alemanha e Brasil
Ao
longo de dois dias, Merz e Lula assinaram acordos de defesa, meio ambiente,
bioeconomia, infraestrutura e inteligência artificial, entre outros temas. Os
dois líderes ainda celebraram a entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre o
Mercosul e a União Europeia, um tratado que foi defendido por décadas pela Alemanha
e Brasil, duas economias fortemente voltadas para a exportação.
Falando
ao lado de Lula na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, o
chanceler federal Friedrich Merz deixou claro que a Alemanha vê a
possibilidade de ganhos com o tratado e que o enxerga como um contraponto à
política baseada em pressão de grandes potências como os EUA, que sob Donald
Trump têm promovido tarifaços e intervenções militares unilaterais. "Esta
é a nossa resposta às grandes convulsões que estamos vivenciando. É uma
resposta a todos aqueles que hoje querem substituir a ordem baseada em regras,
tratados e confiabilidade pela política de poder no mundo, utilizando meios
militares", afirmou Merz.
O
alemão também disse esperar que o volume comercial entre a Alemanha e o Brasil,
que totalizou 20 bilhões de euros em 2024, dobre nos próximos anos. "Considerando
a dimensão dessas duas economias, esse valor é muito baixo. Queremos aumentá-lo
significativamente e apoio integralmente a meta ambiciosa de dobrar esse volume
comercial nos próximos anos."
Negociado
por mais de duas décadas, o acordo vai finalmente entrar em vigor de forma
provisória no início de maio e tem o potencial de criar uma zona de
livre-comércio com 715 milhões de pessoas e 20% da produção econômica global. Com
uma economia exportadora industrial e com peso menor do setor agrário, A
Alemanha sempre foi uma forte apoiadora do tratado, não compartilhando da
posição de países como França e Irlanda, que explicitaram várias objeções. No
entanto, o tratado só entrará em vigor de forma provisória a partir de 1° de
maio, aguardando ainda a ratificação do Parlamento Europeu e do Conselho
Europeu, um processo que promete se arrastar. "Continuaremos a trabalhar
arduamente para garantir que o processo de ratificação seja concluído rapidamente",
disse Merz.
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Feira de Hannover como vitrine do Brasil
No seu
segundo dia na Alemanha, Lula participou, ao lado de Merz, da abertura do
estande brasileiro na Feira de Hannover, que neste ano tem o país sul-americano
como parceiro na tradicional feira industrial, o maior evento do setor no
mundo. "As relações econômicas entre Brasil e Alemanha não só possuem uma
longa tradição, mas também um futuro promissor", disse Lula na
segunda-feira. O estande brasileiro na feira conta com cerca de 2.700 metros
quadrados de exposição, organizados em seis áreas temáticas: transição
energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e
inteligência artificial. A feira propagandeia a presença de 140 empresas
brasileiras e outras 300 apoiadas indiretamente.
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Consultas intergovernamentais entre Alemanha e Brasil
Ainda
junto com o chanceler federal alemão, o presidente tomou parte na terceira
rodada das consultas intergovernamentais de alto nível entre Brasil e Alemanha,
um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros
internacionais e que prevê reuniões regulares entre ministros. Oito ministros
alemães se deslocaram de Berlim para encontrar sete membros da Esplanada em
Hannover.
"É
natural que a Alemanha volte a olhar para o Brasil. Apesar das múltiplas crises
do mundo atual, vivemos um momento econômico muito favorável”, disse Lula.
"A Alemanha é um parceiro indispensável para o Brasil. Não tenho dúvidas
que a Alemanha pensa o mesmo sobre o Brasil."
Como
parte dos encontros, o governo alemão confirmou uma contribuição de 500 milhões
de euros (cerca de R$ 2,94 bilhões) ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima,
instrumento financeiro federal brasileiro que financia projetos de mitigação e
adaptação às mudanças climáticas. Já um aporte de 1 bilhão de euros (R$ 5,8
bilhões) prometido pela Alemanha para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
(TFFF) –
um projeto formalizado por Lula na COP30 – deve ficar para o ano que vem,
segundo declaração do governo alemão, e ainda vai depender de aprovação
orçamentária e parlamentar.
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Lula defende biodiesel brasileiro
Ao
longo da viagem à Alemanha, Lula só demonstrou contrariedade quando o tema dos biocombustíveis foi
abordado.
Falando a uma plateia de empresários brasileiros e alemães em Hannover, Lula
advertiu contra o que chamou de "mitologia" contra biocombustíveis. "Há
muito mito criado entre os países desenvolvidos e os em via de desenvolvimento.
A Alemanha conhece o Brasil mais que qualquer outro país. Os alemães não podem
acreditar na mitologia dita por alguns que são contra a inovação tecnológica na
área de biocombustíveis, de que o biocombustível brasileiro atrapalha a
produção de alimentos. Se alguém quiser acreditar nisso, eu convido a conhecer
o Brasil", disse Lula.
A fala
ocorreu após alguns movimentos de restrição na União Europeia, que tem se
intensificado com a proximidade em vigor provisória do acordo de livre-comércio
Mercosul-União Europeia. Em janeiro, a Comissão Europeia divulgou a intenção de
reclassificar o biodiesel feito de soja, que poderia perder a partir de 2030 o
status de recurso renovável na UE, e, portanto, não poderia ser mais usado por
companhias de combustíveis para cumprir metas de redução de carbono. Tal medida
impactaria diretamente a importação de biodiesel produzido no Brasil e na
Argentina.
Uma
restrição similar já atinge o óleo de palma, que é cultivado principalmente na
Ásia. Defensores da restrição argumentam que o biodiesel de soja é tão nocivo
para o meio ambiente quanto o petróleo e que a expansão do produto estaria
sendo feita às custas de florestas e da produção de alimentos. "Não há
hipótese de o Brasil deixar de produzir alimentos para produção de
biocombustível", disse Lula, apontando para a quantidade de terras
degradadas que, segundo ele, poderiam ser recuperadas para a produção de
biocombustíveis.
Merz,
que procura diversificar as fontes de energia da Alemanha após sucessivas
crises de fornecimento na esteira das guerras na Ucrânia e no Irã, disse que
seu país tem o que aprender com o Brasil nessa área. "Há um caminhão no
estande da feira [de Hannover] movido a biocombustível. Sabemos que, no Brasil,
essa tecnologia avançou muito e demonstra que nós podemos aprender com o Brasil
também", disse.
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Recados a Trump
No
domingo, Lula mandou recados indiretos ao governo do presidente Donald Trump,
sem mencionar nominalmente o líder americano. "Nós não podemos permitir
que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail
ou por Twitter pode taxar produtos, pode punir países, e pode fazer guerra”,
disse Lula.
Ele
ainda chamou a guerra no Irã, iniciada pelos EUA e Israel, de
"maluquice". "O Brasil é um dos países menos afetados pela
maluquice da guerra feita com o Irã", disse Lula.
Já
sobre Cuba, Merz afirmou que a Alemanha não vê nenhuma base legal para qualquer
intervenção no país caribenho. "Não vemos que exista algum tipo de perigo
para países terceiros, então não sei por que seria necessário haver uma
intervenção. Poder se defender não quer dizer poder interferir em outros países
que têm sistemas políticos que não nos agradam", acrescentou.
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Recepção com pompa em solo alemão
Lula
chegou no domingo (19/04) em Hannover, após cumprir uma etapa anterior na
Espanha. Na cidade alemã, o presidente brasileiro foi recebido com pompa pelo chanceler
federal Merz,
com direito a uma cerimônia militar no palácio Herrenhausen e um jantar
privado na antiga residência dos reis de Hannnover. Tal protocolo no local só
havia sido estendido ao então presidente americano Barack Obama uma década
atrás. Ainda no domingo, Lula e Merz participaram de uma cerimônia que marcou a
abertura da Feira de Hannover 2026. Já o final da agenda de Lula na
segunda-feira previa uma visita à sede mundial da montadora Volkswagen, em
Wolfsburg, a cerca de 70 quilômetros de Hannover.
Ainda
na segunda-feira, Lula se atrasou para a chegada na feira, deixando Merz
esperando por pouco mais de 20 minutos na porta de um dos pavilhões. Parte da
logística do encontro foi afetada por uma greve no transporte público em
Hannover, que provocou engarrafamentos na cidade. A viagem também marcou a
terceira vez que o chanceler federal e Lula se reuniram. Também foi o primeiro
encontro que não ocorreu à margem de uma cúpula internacional.
Os dois
já haviam se encontrado no ano passado na COP30, em Belém, e na reunião do G20,
na África do Sul. À época, os dois encontros foram ofuscados por um comentário
desabonador de Merz sobre a cidade de Belém, mas desde então tanto o chanceler
federal quanto Lula minimizaram o incidente. Na segunda-feira, durante a
abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover, Merz agradeceu a Lula pela
acolhida em Belém. A imprensa alemã tem destacado a visita de Lula, com vários
jornais apontado que o estreitamento de laços com o Brasil promovido por Berlim
pode trazer potenciais ganhos para o país europeu, que passa por um momento de
estagnação e ansiedade econômica.
Fonte:
DW Brasil

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