A
guerra que saiu do controle: Irã e a reconfiguração dos equilíbrios de poder
globais
Iniciada
em 28 de fevereiro de 2026, a guerra entre Estados Unidos, Israel e
Irã foi
inicialmente concebida, no interior de uma racionalidade estratégica dominante
nas potências ocidentais, como uma operação de caráter decisivo. No entanto,
seus desdobramentos revelam algo distinto: não um conflito passível de
resolução rápida, mas um processo expansivo que reconfigura, de forma
simultânea, as dimensões militar, geoeconômica, regional e diplomática dos
equilíbrios de poder globais.
Embora
a capacidade militar convencional iraniana tenha sido severamente atingida, a
resiliência do regime e a ativação do “Eixo da Resistência” impediram uma
vitória decisiva do Ocidente, evidenciando os
limites dessa estratégia inicial. Nesse contexto, compreender seus
desdobramentos exige situar a guerra para além do campo de batalha, como
expressão de transformações mais amplas que envolvem desde a reengenharia do
Estado iraniano até a reconfiguração das hierarquias de poder no sistema
internacional.
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Decapitação e resiliência do Estado iraniano
A
guerra teve início sob o signo de um gesto extremo: um ataque de decapitação
política que resultou na morte do Líder Supremo Ali Khamenei, de 86 anos, logo
nos primeiros dias do conflito. Mais do que a eliminação de uma liderança
central, tratou-se de uma tentativa deliberada de desorganizar o núcleo
simbólico e institucional do Estado iraniano. No imaginário estratégico que
orientou essa ofensiva, a figura do Líder Supremo funcionaria como eixo de
coesão do regime; sua retirada abrupta deveria, portanto, desencadear um efeito
dominó, com fragmentação interna, disputas sucessórias e pressão popular para a
mudança de regime.
No
entanto, a realidade que se impôs foi distinta, e do ponto de vista
geopolítico, reveladora. A sucessão ocorreu de maneira rápida, com a ascensão
de Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, em março. Ainda que sua
legitimidade religiosa e política fosse considerada mais frágil por
observadores externos, o processo não gerou o vácuo de poder esperado. Ao
contrário, evidenciou a existência de mecanismos de continuidade profundamente
enraizados no aparelho estatal iraniano, capazes de absorver choques de alta
intensidade sem ruptura imediata.
O
elemento decisivo dessa transição, contudo, não reside apenas na figura do
sucessor, mas na reconfiguração do próprio centro de poder. A guerra acelerou
um deslocamento que já se insinuava há anos: a crescente centralidade do
aparato militar na condução do Estado. Nesse contexto, a Guarda Revolucionária
Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) passou a atuar como eixo dominante da
governança em tempo de guerra, assumindo o controle direto das operações de
sobrevivência.
Essa
transformação aproxima o regime iraniano de uma configuração híbrida, onde a
autoridade clerical e o aparato militar convergem diante dos desafios externos.
Mais do que uma ruptura, a governabilidade passa a ser garantida pela simbiose
entre a legitimidade religiosa e a robustez técnica e defensiva de seus braços
armados. Longe de destruir o regime, o cenário de guerra promoveu uma
reengenharia política que, em vez de fragilizá-lo, o reconfigurou.
O erro
de cálculo dos formuladores da estratégia inicial torna-se, assim, evidente. Ao
apostar na decapitação como mecanismo de colapso, desconsiderou-se a natureza
histórico-institucional do Estado iraniano, forjado em décadas de isolamento,
conflito e sanções. Trata-se de um sistema político habituado à
pressão externa e dotado de estruturas redundantes de poder, precisamente para
evitar a vulnerabilidade a choques dessa natureza.
Desse
modo, longe de produzir fragmentação, a eliminação de Ali Khamenei acabou por
reforçar uma dinâmica de centralização e fechamento. O regime emergiu do
primeiro mês de guerra não como uma estrutura em dissolução, mas como um
organismo mais compacto, mais militarizado e potencialmente mais disposto a
sustentar um conflito prolongado.
É a
partir dessa capacidade de absorver choques internos que o Irã projeta sua estratégia para além
do campo doméstico, deslocando o conflito para dimensões mais amplas do sistema
internacional.
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O Estreito de Ormuz e a guerra como arma geoeconômica
O
deslocamento mais significativo operado pelo Irã ao longo deste primeiro mês de
guerra não ocorreu no campo de batalha convencional, mas no terreno mais amplo
da geoeconomia. Incapaz de competir simetricamente com a superioridade militar
de Estados Unidos e Israel, Teerã acionou
aquilo que talvez seja sua vantagem estratégica mais decisiva: a capacidade de
transformar sua posição geográfica em instrumento de pressão sistêmica. A
posição do Irã ao longo do Estreito de Ormuz confere ao regime um trunfo
geopolítico singular, transformando o controle sobre esse gargalo energético
global em uma peça central de sua projeção de poder e dissuasão estratégica.
Nesse
contexto, o Estreito de Ormuz emerge como o epicentro de uma nova fase do
conflito. Mais do que um ponto de estrangulamento logístico, trata-se de uma
verdadeira alavanca de poder global. Ao bloquear essa rota pela qual transita
uma parcela significativa do petróleo mundial, o Irã desloca a guerra de uma
escala regional para o coração da economia internacional. O efeito é imediato e
o barril de petróleo ultrapassa a marca dos 100 dólares, desencadeando uma onda
de instabilidade que reverbera muito além do Oriente Médio.
A
gravidade dessa perturbação foi reconhecida pela
Agência Internacional de Energia como a maior interrupção de
fornecimento de petróleo da história.
Custos de transporte se elevam e pressões inflacionárias se disseminam,
afetando tanto economias centrais quanto periféricas. O que está em jogo já não
é apenas o resultado militar da guerra, mas a estabilidade do próprio sistema
econômico internacional.
Paralelamente,
o Irã amplia essa estratégia ao incorporar elementos de guerra assimétrica
voltados não apenas à infraestrutura energética, mas à arquitetura digital que
sustenta o capitalismo contemporâneo. Ataques com drones e mísseis contra
instalações críticas no Golfo, incluindo data centers da Amazon e
Microsoft no Bahrein e Emirados Árabes Unidos, sinalizam uma
mudança qualitativa no teatro de operações. Segundo texto de Daniel
Boffey no The Guardian, a guerra “deixou de atingir apenas
território e passou a atingir infraestruturas digitais críticas, afetando
diretamente o funcionamento cotidiano e econômico de sociedades inteiras”.
Essa
ofensiva revela que a vulnerabilidade dos adversários vai além do território
físico, atingindo as redes imateriais que gerem os fluxos financeiros e
informacionais. Ao focar nesses pontos críticos, o Irã demonstra que pode impor
custos elevados sem a necessidade de ocupação direta. Essa lógica redefine os
parâmetros clássicos da guerra, transformando a eficiência técnica e digital em
uma ferramenta central de governança e dissuasão.
O
resultado é a transformação do conflito em um fenômeno difuso, cujos efeitos
escapam ao controle dos próprios beligerantes. Ao instrumentalizar o Estreito
de Ormuz e ao projetar poder sobre redes energéticas e digitais, o Irã converte
sua vulnerabilidade militar em capacidade de desestabilização global. A guerra,
nesse movimento, deixa de ser apenas um confronto entre Estados e passa a
operar como vetor de desorganização sistêmica, uma estratégia que torna
qualquer tentativa de contenção não apenas difícil, mas potencialmente
contraproducente.
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O “Eixo da Resistência” e a regionalização da guerra
A
tentativa de conter o conflito dentro de limites territoriais definidos
esbarra, desde o início, em uma realidade estratégica construída ao longo de
décadas pelo Irã, pautada na existência de uma rede de atores armados e
politicamente alinhados que operam para além de suas fronteiras. O chamado
“Eixo da Resistência” não é uma aliança formal nos moldes clássicos, mas uma
constelação flexível de forças estatais e não estatais que compartilham
objetivos estratégicos convergentes, sobretudo a contenção da influência de
Estados Unidos e Israel na região.
É
precisamente essa arquitetura em rede que impede a contenção do conflito e
acelera sua regionalização. Ao contrário de uma guerra convencional, em que o
enfrentamento se concentra em um palco principal, o que se observa é a
multiplicação de frentes secundárias que impõem custos simultâneos e dispersos
aos adversários. Trata-se de uma estratégia de saturação, ou seja, não vencer
decisivamente em um ponto, mas tornar a gestão do conjunto progressivamente
insustentável.
No Líbano, o Hezbollah mantém pressão
constante sobre o norte de Israel, obrigando Tel Aviv a redistribuir recursos
militares e diluir sua capacidade de concentração de forças. Paralelamente, no
Iraque, milícias xiitas intensificam ataques e pressões políticas contra a presença
dos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre a permanência das tropas. Uma
eventual retirada não representaria apenas um recuo tático, mas uma vitória
estratégica indireta para o Irã, ao ampliar sua profundidade territorial e sua
capacidade de projeção regional.
Ao sul
da Península Arábica, os Houthis,
no Iêmen, desempenham um
papel igualmente relevante ao manter sob ameaça permanente rotas marítimas
estratégicas e ao ampliar o alcance do conflito por meio de ataques de mísseis
contra o território israelense. Mais do que uma frente periférica, sua atuação
incide diretamente sobre um dos pontos mais sensíveis da geopolítica global, o
estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, corredor vital
que conecta o comércio entre Europa, Ásia e o Golfo. Nesse contexto, a
intensificação de suas ações reforça o potencial de transformação
do Mar Vermelho em um novo epicentro da crise, ampliando os efeitos econômicos e
geopolíticos do conflito para além do teatro imediato de guerra, na medida em
que eleva significativamente os riscos ao comércio marítimo global.
O
elemento central aqui não é a capacidade isolada de cada um desses atores, mas
o efeito cumulativo de suas ações. O “Eixo da Resistência” opera como um
multiplicador de instabilidade, transformando a guerra em um fenômeno
distribuído no espaço e no tempo. Ao fazer isso, o Irã consegue contornar sua
inferioridade militar direta e impor uma lógica de conflito prolongado, na qual a
superioridade tecnológica de seus adversários perde parte de sua eficácia.
Essa
regionalização transforma a guerra em uma de suas engrenagens centrais. Ao
abrir múltiplas frentes, o Irã desloca o conflito de uma lógica de confronto
direto para uma dinâmica de desgaste sistêmico, na qual cada novo foco de
tensão amplia o custo político, militar e econômico para seus adversários. O
resultado é uma guerra que já não pode ser compreendida a partir de um único
teatro de operações, mas como uma malha de conflitos interconectados que se
reforçam mutuamente.
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Da crise do Ocidente à transição de hegemonia
Um dos
desdobramentos mais significativos deste primeiro mês de guerra não se encontra
no campo de batalha, mas nas fissuras que emergem no interior do próprio bloco
ocidental. Para os Estados Unidos, o dado mais crítico não é apenas a
resistência do Irã, mas a dificuldade crescente de sustentar uma coalizão
internacional coesa, elemento historicamente central de sua projeção de poder.
A
expectativa de alinhamento automático por parte de aliados tradicionais
revelou-se, neste contexto, um cálculo equivocado. No âmbito da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (Otan), países como Alemanha e Reino Unido
demonstraram reticência em ampliar seu envolvimento militar direto, rejeitando
pedidos de envio de navios ao Golfo. Essa hesitação não ocorre por uma
divergência pontual e sim por uma avaliação do risco de escalada e de seus
impactos sobre a segurança energética e econômica europeia. A própria aliança
reconhece esses limites: segundo seu
secretário-geral,
“não há planos para um envolvimento direto da Otan no conflito,
restringindo-se a ações pontuais de seus membros”.
Com
toda essa movimentação, a guerra atua como um revelador das assimetrias de
interesse que atravessam o bloco ocidental, fragilizando sua capacidade de ação
coordenada.
Essa
crise de coordenação ultrapassa o espaço euro-atlântico e alcança também
parceiros estratégicos no Indo-Pacífico. Países como Japão e Austrália, apesar
de alinhados politicamente aos Estados Unidos, evitam um engajamento direto no
conflito, sinalizando que o alcance da liderança estadunidense encontra limites
quando confrontado com cenários de alto custo e baixa previsibilidade.
É nesse
contexto de fragmentação que se abre espaço para outros polos de poder. A China busca ocupar
esse vazio ao se apresentar como “ator de estabilidade” e mediadora potencial.
Mais do que retórica, trata-se de uma estratégia de longo prazo: explorar o
desgaste relativo dos Estados Unidos para ampliar sua influência em
regiões-chave, especialmente no eixo energético entre o Oriente Médio e a
Ásia. Como observa o
portal Modern Diplomacy, essa postura visa não apenas a mediação do
conflito, mas a consolidação de Pequim como alternativa à hegemonia ocidental,
assegurando seus fluxos estratégicos de suprimento.
Desse
modo, a guerra evidencia um paradoxo central: embora os Estados Unidos
mantenham superioridade militar incontestável, sua capacidade de transformar
essa vantagem em coordenação política efetiva mostra-se cada vez mais limitada.
A Otan, longe de operar como um bloco monolítico, revela-se atravessada por
interesses divergentes, o que compromete sua eficácia como instrumento de
gestão de crises.
O
resultado é uma erosão silenciosa, porém significativa, da coesão ocidental, um
processo que, se aprofundado, tende a redesenhar os equilíbrios de poder
globais e a abrir espaço para novas formas de mediação e influência. Já no
segundo mês do conflito, esse movimento começa a se traduzir em iniciativas
diplomáticas concretas fora do eixo tradicional ocidental.
Se no
primeiro mês a narrativa era dominada pela troca de mísseis e pela resistência
iraniana, o segundo mês introduz um novo componente, a diplomacia de Pequim e
Islamabad. Longe de representar apenas um esforço de pacificação, a iniciativa de
cinco pontos —
apresentada pela China e que se encontra centrada na segurança do Estreito de
Ormuz e na proteção da infraestrutura energética — revela uma tentativa de
reorganizar o Golfo Pérsico sob um paradigma de estabilização funcional aos
fluxos de energia e comércio. Trata-se menos de conter o conflito em si do que
de preservar a estabilidade das cadeias logísticas que conectam a Ásia ao Oriente Médio.
Nesse
contexto, o Paquistão não figura como mero anfitrião circunstancial. Sua
escolha como espaço de mediação responde a fatores que vão além da proximidade
geográfica do teatro de operações: incluem a pressão da crise de refugiados, a
posição ambivalente entre diferentes polos de poder, os vínculos econômicos com
a Arábia Saudita e uma consolidada capacidade nuclear. No entanto, é sobretudo
sua inserção estrutural na Nova Rota da Seda que ilumina o papel de Islamabad.
Como eixo do Corredor Econômico China-Paquistão, o país converte-se em
peça-chave da projeção chinesa sobre o Índico, evidenciando que a mediação de
Pequim opera menos como neutralidade e mais como gestão estratégica de um
espaço vital à sua expansão.
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A guerra que saiu do controle
A ideia
de que “a guerra saiu do controle” não deve ser entendida como mero desvio
operacional ou erro de cálculo pontual. Trata-se de uma mutação da sua lógica
interna. O que se observa após um mês de combates é a passagem de uma
guerra concebida como instrumento cirúrgico de poder para um processo aberto,
cumulativo e estruturalmente imprevisível.
Inicialmente,
a ofensiva liderada pelos Estados Unidos e por Israel foi estruturada sob a
lógica clássica da guerra decisiva, caracterizada por ataques de alta
intensidade, superioridade tecnológica e objetivos políticos claros de
desorganizar o aparato estatal iraniano, neutralizar sua capacidade militar
estratégica e, no limite, provocar uma inflexão ou colapso do regime em Teerã.
Foi um conflito pensado com início, meio e fim relativamente previsíveis,
ancorado na crença de que o domínio do ar e a destruição de centros nevrálgicos
seriam suficientes para produzir efeitos políticos rápidos. Uma guerra
enraizada no pensamento militar ocidental, que se resolve pela intensidade e
pela velocidade. No entanto, ao encontrar a resposta do Irã, esse modelo revelou
seus limites estruturais.
O que
se viu não foi o colapso esperado, mas uma reconfiguração do processo. O Irã
deslocou o eixo da guerra de um confronto convencional direto para uma
estratégia de diluição, dispersão e prolongamento. Em vez de disputar uma
superioridade militar simétrica, o regime passou a operar no campo da
assimetria, intensificando ataques contra infraestruturas energéticas e
ativando suas redes regionais. Essa manobra expandiu o teatro de operações para
além de suas fronteiras, alcançando zonas críticas como o Golfo Pérsico e os
estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz.
Nesse
movimento, a guerra deixou de ser um instrumento de resolução rápida para se
tornar um mecanismo de produção de instabilidade. O que era para ser uma ação
rápida converteu-se em um conflito de múltiplas camadas, em diversos setores,
como os campos militar, econômico, logístico e simbólico. A centralidade já não
está apenas nos campos de batalha, mas na volatilidade energética, na
insegurança nas rotas comerciais, nas pressões inflacionárias e nos rearranjos
diplomáticos.
Mais do
que isso, o processo rompeu o seu enquadramento original, deixou de ser um
confronto bilateral e passou a assumir características de um conflito regional,
com múltiplos atores diretos e indiretos. Esse alargamento é parte constitutiva
da estratégia iraniana de sobrevivência, ou seja, tornar o custo da guerra
progressivamente insustentável para seus adversários.
É nesse
ponto que a guerra ‘sai do controle’: não por falta de
direção, mas por passar a obedecer a uma racionalidade distinta daquela que a
originou. Os objetivos iniciais tornam-se secundários diante da dinâmica
própria do conflito, que passa a se autoalimentar. Assim, o tempo da ofensiva converte-se
em fator de desgaste, o palco das operações expande-se e os atores
multiplicam-se.
Observa-se
também que a incontestável superioridade militar mostra-se insuficiente para
produzir controle político. Ao não conseguir encerrar rapidamente o conflito, a
coalizão liderada pelos Estados Unidos e por Israel se vê capturada por uma
guerra que já não dita, apenas administra.
Ao
final deste primeiro mês, mais do que a persistência dos combates, o que se
revela é a transformação do conflito, que deixou de ser um instrumento político
para operar como uma estrutura autônoma e duradoura. Diante dessa nova
realidade, a máxima histórica reafirma sua lição mais severa: somos capazes de
documentar como as guerras começam, mas raramente conseguimos prever como, ou
quando, elas terminam.
Fonte:
Diálogos do Sul Global

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