Entenda
o caso das papinhas de bebê envenenadas na Europa
"Hipp
é vítima de chantagem", é o que diz o comunicado de imprensa da principal
fabricante alemã de alimentos infantis. No fim de semana passado, vidros de
papinhas para bebês contaminados com veneno para ratos foram encontrados na
Áustria e em dois países vizinhos.
A
agência austríaca de segurança alimentar, Ages, emitiu um alerta e pelo menos
uma rede de supermercados iniciou um recall do produto. O foco agora é
descobrir quem foi o responsável.
A
promotoria está investigando uma tentativa de extorsão, informou a polícia da
cidade alemã de Ingolstadt. A unidade de Ingolstadt é responsável pelo caso
porque a Hipp está sediada na cidade vizinha de Pfaffenhofen an der Ilm. A
polícia disse que cinco frascos foram encontrados em três países diferentes.
O
primeiro frasco foi descoberto perto de Eisenstadt, em Burgenland, a província
mais oriental da Áustria . Os testes iniciais mostraram que o frasco de 190
gramas contendo papinha de cenoura com batata estava contaminado com veneno
para ratos. A polícia ainda procura um segundo frasco contaminado, que
suspeitam estar na mesma região.
Mais
dois frascos envenenados foram encontrados em uma loja em Brno, na República
Tcheca. A imprensa local informou que, segundo a promotoria, ambos os frascos
estavam marcados com um adesivo branco e um círculo vermelho, conforme descrito
pelo suspeito de extorsão em um e-mail.
O
alerta da Ages também mencionava essa marcação. Frascos contaminados também
foram encontrados na cidade de Dunajska Streda, no sul da Eslováquia.
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Tampas danificadas
Todos
os frascos afetados tinham tampas danificadas e não faziam o estalo
característico ao serem abertos. Como muitos alimentos, a papinha para bebês é
envasada quente em frascos e selada com uma tampa de rosca; à medida que
esfria, forma-se um vácuo. O estalo ao abrir confirma que o frasco não foi
aberto desde o envase. De acordo com a Hipp, as contaminações foram resultado
de manipulações "criminosas externas" que devem ter ocorrido fora das
instalações da fábrica.
A
polícia de Ingolstadt aconselhou os consumidores a prestarem muita atenção ao
som característico de estalo, a cheirarem o conteúdo e, caso algo pareça
estranho, a não darem o alimento aos seus filhos e a contactarem imediatamente
a polícia local. O fabricante emitiu um aviso semelhante.
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Casos semelhantes
Essa
não é a primeira vez que papinhas para bebês são adulteradas na Europa. Num
caso notório anterior, o chantagista era, na verdade, um policial da Scotland
Yard, no Reino Unido. Entre 1988 e 1989, Rodney Whitchelo adulterou papinhas de
bebê usando produtos químicos e lâminas de barbear e, em seguida, recolocou os
potes nas prateleiras dos supermercados. Ele exigiu 4 milhões de libras (7
milhões de dólares na época) como resgate, mas foi preso e condenado a 17 anos
de prisão.
Este e
outros casos na década de 1980 levaram à introdução de tampas com lacre de
segurança, que permitem aos consumidores verificar se o conteúdo do pote foi
adulterado.
Em
2017, vários potes de papinhas para bebês contaminados com anticongelante –
cada um com uma dose potencialmente letal – foram descobertos em
Friedrichshafen, no sudoeste da Alemanha. O autor do crime tentou extorquir
cerca de 12 milhões de euros (R$ 70 milhões atualmente) de uma rede de
supermercados. Ele está cumprindo uma pena de 10 anos de prisão.
Novamente
no Reino Unido, em 2018, um chantagista tentou extorquir 1,4 milhão de libras
em Bitcoin. Ele havia colocado pedaços de metal em vários potes e ameaçado
contaminar outros, inclusive com salmonela. Imagens de câmeras de segurança de
um supermercado levaram à sua prisão, e ele foi condenado a 14 anos de prisão.
Em
2025, a polícia polonesa prendeu um homem sob a acusação de tentar extorquir
dinheiro ameaçando envenenar comida para bebês. No entanto, ainda não há
veredicto e nenhum produto contaminado foi encontrado.
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Por que os alimentos para bebês são alvo?
Colocar
bebês indefesos em perigo para obter resgate provavelmente soa algo
particularmente cruel para muitos, o que garante máxima atenção ao criminoso e
pressão sobre as empresas para que paguem os valores exigidos. Além disso,
alimentos infantis estão disponíveis em inúmeras lojas, oferecendo aos
criminosos diversos potenciais pontos de acesso.
No
entanto, de modo geral, os alimentos infantis estão sujeitos a um monitoramento
relativamente rigoroso, decorrente de regulamentações já bastante estritas, a
fim de minimizar os riscos. Os fabricantes restringem o acesso às suas fábricas
e, além das embalagens invioláveis já, utilizam números de lote para facilitar
o recolhimento de produtos específicos.
Alguns
varejistas também reforçam a segurança instalando câmeras – impedindo, assim, que criminosos como os
que atuaram no Reino Unido em 2018 coloquem potes contaminados nas prateleiras
sem serem detectados.
Fonte:
DW Brasil

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