Marcelo
Zero: Via de Mão Única
A não
ser quando têm interesses geopolíticos, como no caso da Lava-Jato, por exemplo,
os EUA são muito resistentes a cooperar com o Brasil na área judicial.
Isso é
especialmente verdadeiro para a cooperação, no que diz respeito a crimes
cibernéticos, cada vez mais frequentes.
Isso
afetou negativamente as investigações referentes ao 8 de janeiro.
Por
isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional, no início de
2023, a possibilidade de autoridades nacionais solicitarem dados diretamente a
provedores de internet estrangeiros com sede ou representação no Brasil sem,
necessariamente, seguir o procedimento do acordo celebrado entre o Brasil e os
Estados Unidos. Em decisão unânime, na sessão desta quinta-feira (23), o
Plenário entendeu que a hipótese está prevista no Marco Civil da Internet.
Esse
voto foi dado na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 51, na qual a
Federação das Associações das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro
Nacional) pedia a declaração de validade do Acordo de Assistência Judiciária em
Matéria Penal (MLAT, na sigla em inglês), promulgado pelo Decreto Federal
3.810/2001, usado em investigações criminais e instruções penais em curso no
Brasil sobre pessoas, bens e haveres situados nos Estados Unidos. O acordo
bilateral trata da obtenção de conteúdo de comunicação privada sob controle de
provedores de aplicativos de internet sediados fora do país.
Mas o
Supremo decidiu que, mesmo sendo constitucional, o MLAT não impede a produção e
provas por outros caminhos. O resultado do julgamento teve impactos diretos em
investigações conduzidas pelo próprio Supremo, como os inquéritos que apuram os
atos antidemocráticos de 8 de janeiro, o inquérito das fake news e o das
milícias digitais.
A Corte
deixou claro que os juízes brasileiros podem solicitar dados necessários para a
investigação diretamente às plataformas, seja para a filial brasileira ou mesmo
no exterior, sem a necessidade de envolver os ministérios da Justiça do Brasil
e dos Estados Unidos, o que aumenta a discricionariedade dos magistrados nos
processos e pode trazer mais eficiência às investigações.
O
julgamento fora reiniciado após um pedido de vista do ministro Alexandre de
Moraes, em outubro do ano de 2022.
Moraes
começou o seu voto dizendo que o pedido de declaração de constitucionalidade do
MLAT não poderia ser usado como uma forma de impedir outros métodos de obtenção
de prova pela Justiça brasileira. Para o ministro, o julgamento deveria ser
pautado pela manutenção da eficiência da Justiça brasileira.Durante o seu voto,
Moraes ressaltou a pouca efetividade do MLAT: apenas 22% dos pedidos feitos
pelo Brasil foram atendidos pelos Estados Unidos e, mesmo aqueles que foram
atendidos, demoraram meses, o que inviabilizou a prova, uma vez que muitas
informações são apagadas em 90 dias pelas plataformas.Isso é só para mostrar
que, para os EUA, a cooperação é muitas vezes vista como uma via de mão única.
O
episódio do Ramagem é outra clara demonstração disso. O Tratado de Extradição
entre Brasil e EUA data de 1961 e entrou em vigor, no Brasil, em 1965. Mas só funciona bem para o lado dos EUA.
Esse
episódio da expulsão do funcionário da Polícia Federal em Miami é uma vergonha.
O
pedido de extradição formal de Ramagem, que já está há muito tempo na lista
vermelha da Interpol, foi feito em 30 de dezembro de 2025. Não houve nenhuma
tentativa de “contornar” ou “burlar” a extradição, pedida há meses.
Ressalte-se
que, apenas em 2025, os EUA deportaram abruptamente cerca de 3.200 cidadãos
brasileiros, um recorde. Muitos deles estavam com processos em andamento na
justiça dos EUA para regularização. Alguns foram presos em audiências para
tratar de seus processos.
Em
comparação, os EUA dificilmente extraditam os seus cidadãos, apesar de não
haver proibição constitucional para tal eventualidade. Lembro o caso dos
pilotos estadunidenses que provocaram aquele acidente com o avião da Gol na
Amazônia.
Os
Estados Unidos negaram, em julho de 2023, a extradição dos pilotos
norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, envolvidos no acidente com
o voo Gol 1907, em 2006. A justificativa foi a falta de amparo no tratado
bilateral entre os países, resultando na prescrição da pena dos pilotos no
Brasil em 2024.
Se for
militar, então, esquece. Os EUA obrigam os países que abrigam bases militares
estadunidenses a assinarem os Acordos sobre o Estatuto das Forças (SOFAs, na
sigla em inglês).
Esses
são tratados jurídicos entre uma nação anfitriã e um país estrangeiro que ali
mantém forças militares, definindo o estatuto jurídico, os direitos e as
responsabilidades do pessoal militar. Eles regem questões cruciais como
jurisdição criminal, tributação e imigração para militares e seus dependentes.
Em
suma, eles impedem que o Estado hospedeiro da base dos EUA possa exercer
jurisdição sobre crimes cometidos pelos militares estadunidenses no país
estrangeiro.
Um
exemplo interessante foi o que aconteceu na Itália, que mencionei em outro
artigo, mas que vale a pena repetir.
No dia
3 de fevereiro de 1998, um jato EA-6B Prowler, do Corpo de Fuzileiros Navais
dos EUA, decolou da Base Aérea de Aviano, situada no nordeste da Itália.
Era
para ser um voo de rotina, mas o capitão Richard Ashby e seu navegador Capitão
Joseph Schweitzer resolveram voar muito mais baixo que o recomendado, apenas
110 metros do solo, descumprindo intencionalmente regras básicas de segurança.
Percorrendo
um vale nas Dolomitas italianas, o jato acabou por se chocar com os cabos de um
teleférico que levava turistas para uma montanha.
Resultado:
os cabos foram cortados e 20 pessoas morreram na queda. O jato, contudo, voltou
em segurança para a base dos EUA.
O
incidente provocou grande comoção na opinião pública da Itália, até mesmo
porque as comunidades próximas ao local vinham se queixando, há tempos, dos
voos rasantes e das acrobacias temerárias que os pilotos dos EUA costumavam
fazer.
Houve
pressão, no sentido de que os pilotos fossem levados a um tribunal italiano
para que fossem julgados, pela lei da Itália, por homicídio culposo.
No
entanto, isso não aconteceu. Por quê?
Porque
os EUA têm com a Itália um acordo SOFA.
De um
modo geral, os SOFAs distribuem a jurisdição da seguinte forma: os crimes
militares são julgados por tribunais militares do Estado que enviou as tropas e
os crimes civis são julgados por cortes do Estado receptor.
Contudo,
na imensa maioria dos casos, os militares norte-americanos acusados de crimes
são julgados por cortes militares dos EUA. Foi o que aconteceu, no caso do
teleférico italiano.
No ano
seguinte, os pilotos dos EUA foram absolvidos da acusação de homicídio culposo
pelo tribunal militar de Camp Leujene, na Carolina do Norte, causando
indignação na opinião pública italiana.
Ramagem
não é um militar estadunidense, mas é um membro da extrema-direita mundial. E
está em um país no qual o atual presidente (Trump) tentou cometer o mesmo crime
que ele tentou cometer.
Pode se
safar e ficar rindo cinicamente do Brasil, da sua justiça, das suas
instituições e da sua democracia.
Nesse
caso, o Brasil terá de refletir se vale a pena manter o Tratado de Extradição e
o MLAT.
Tudo
tem limite.
¨
Lula elogia PF pela retirada de credenciais de delegado
dos EUA no Brasil e pede diálogo em caso Ramagem
A Polícia
Federal retirou as credenciais de trabalho de um policial
americano que atuava no Brasil junto à corporação. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT)
elogiou a decisão.
"Parabéns
pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade,
ou seja, o que eles fizeram conosco a gente vai fazer com eles, esperando que
eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltem à
normalidade", disse em vídeo publicado nas redes sociais nesta
quarta-feira (22/4).
O
anúncio foi feito na quarta pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em
entrevista à Globo News, dois dias após o governo
americano ter determinado o retorno ao Brasil do oficial de
ligação da PF na Flórida, Marcelo Ivo de Carvalho, após a operação que resultou
na detenção
temporária do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de
Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL-RJ).
"O
princípio da reciprocidade, como regra geral, rege as relações internacionais.
E nós, policiais temos um acordo com as agências. À medida em que uma agência
retira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do
norte-americano que está aqui. E faço isso com muito pesar porque eu não
gostaria que nada disso estivesse acontecendo", disse o diretor-geral da
PF.
Ainda
de acordo com Rodrigues, a medida vai impedir o acesso do agente dos EUA a
unidades da PF e vai suspender seu acesso a bases de dados fornecidas pelas
autoridades brasileiras.
Na
terça-feira (21/4), durante viagem a Portugal, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia dito que o Brasil
poderia adotar o princípio da reciprocidade em relação a oficiais americanos
operando no Brasil em resposta à decisão dos Estados Unidos de mandar o agente
da PF de volta ao Brasil.
A
detenção de Ramagem na semana passada por agentes do ICE fez com que
autoridades americanas iniciassem apurações
internas para entender o que levou a agência a prender o
ex-parlamentar, segundo fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela BBC
News Brasil em caráter reservado.
Na
segunda-feira (20/4), governo dos Estados Unidos solicitou ao governo do Brasil
que o oficial de ligação da PF na Flórida deixasse o país após sua atuação na
detenção de Ramagem.
Em nota
divulgada no X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério
Ocidental, do Departamento de Estado americano, não cita o nome do delegado,
mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o
sistema de imigração dos Estados Unidos.
"Nenhum
estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração tanto para contornar
pedidos de extradições formais quanto para estender caça às bruxas política ao
território dos Estados Unidos. Hoje, nós pedimos que o funcionário brasileiro
relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", diz a nota.
Segundo
o diretor-geral da PF, Carvalho já está no Brasil.
Ainda
na entrevista, Rodrigues rebateu a tese divulgada pelo governo americano de que
o agente da PF tenha tentado manipular as autoridades dos Estados Unidos.
"Não
é possível alguém imaginar, que não seja nessa vilania de rede social, que um
policial federal estaria nos Estados Unidos para enganar autoridades
norte-americanas", disse.
Ramagem
foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de
direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Sua defesa alega
que ele é inocente.
Apesar
da condenação, ele vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado
foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela
divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos.
Em nota
divulgada no X (antigo Twitter), o Ministério das Relações Exteriores (MRE)
disse que a decisão sobre a retirada das credenciais do agente dos Estados
Unidos foi informada verbalmente a uma diplomata norte-americana na terça-feira
(21/4). A nota também criticou a decisão tomada pelos Estados Unidos em relação
ao delegado da PF.
"A
medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações
amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de
relação", diz um trecho da nota.
• Representante dos EUA em Brasília é
chamada para prestar esclarecimento após delegado da PF virar alvo do governo
Trump
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21/04) que
o Brasil pode adotar medidas de "reciprocidade" após o governo dos
Estados Unidos solicitar que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de
Carvalho, que atuava como oficial de ligação em Miami, saia do país.
Em
paralelo, a encarregada de Negócios interina da embaixada dos Estados Unidos em
Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada a dar explicações ao Ministério das
Relações Exteriores sobre o pedido.
O
Itamaraty confirmou que Kimberly Kelly se reuniu com Christiano Figueiroa,
atual diretor do Departamento de América do Norte, na tarde de terça-feira. Ao
ser questionado pela BBC News Brasil, o órgão não quis detalhar o que foi
discutido no encontro.
A
decisão americana foi tomada após a atuação do delegado na detenção do
ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na semana passada, em território
americano.
Falando
a jornalistas ao deixar Hannover, na Alemanha, onde participou de uma feira de
negócios e tecnologia, Lula disse ter sido informado sobre o caso na manhã
desta terça e criticou a postura das autoridades americanas.
"Eu
não sei o que aconteceu, fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um
abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade
com o deles no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas
aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa
ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas
querem ter com relação ao Brasil", afirmou.
O
pedido para que o delegado deixe os Estados Unidos foi divulgado pelo
Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado
americano, em uma publicação na rede social X. Sem citar nominalmente Marcelo
Ivo, o órgão afirmou:
"Nenhum
estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos
formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos
Estados Unidos. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro em questão deixe
nosso país por tentar fazer isso."
Na
mensagem, o governo americano classifica a atuação como uma tentativa de
"manipular" o sistema de imigração do país.
Marcelo
Ivo de Carvalho estava nos Estados Unidos desde agosto de 2023, atuando em
Miami, na Flórida, como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Serviço
de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês).
Na
função, coordenava a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em investigações
transnacionais e operações migratórias, atuando diretamente dentro das
instalações do órgão americano.
Ele era
o único delegado federal brasileiro designado para atuar diretamente nas
dependências do ICE, o que lhe conferia um papel estratégico na interlocução
entre as autoridades dos dois países, especialmente na região da Flórida.
Com
mais de duas décadas de carreira, Marcelo Ivo ingressou na Polícia Federal em
2003. Entre 2018 e 2021, foi delegado regional de investigação e combate ao
crime organizado em São Paulo. Depois, assumiu a superintendência da PF na
Paraíba, cargo que ocupou entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023, antes de
ser designado para a missão nos Estados Unidos.
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'Guerra da insensatez'
Ao
falar com jornalistas brasileiros na Alemanha, Lula também criticou a guerra
travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de fevereiro.
"Acho
que essa guerra é a guerra da insensatez", afirmou. "É uma guerra que
não precisaria ter acontecido. Acho que os americanos são um país
reconhecidamente forte e não precisam ficar demonstrando força", disse.
"Muitas
das coisas poderiam ter sido resolvidas sem nenhuma morte."
Ainda
nesta terça, Lula seguiu viagem para Portugal, onde encerrará a pequena turnê
feita na Europa, que teve início com visita à Espanha.
Apesar
das críticas aos Estados Unidos mais cedo ainda na Alemanha, o presidente
encerrou uma entrevista coletiva em Lisboa afirmando que se Brasil e Portugal
estiverem na final da Copa do Mundo 2026, ele e Luís Montenegro, o
primeiro-ministro português, estarão nos Estados Unidos "do lado de Trump
assistindo à final".
• Marco Rubio pediu explicações sobre
prisão de Ramagem após contato com Eduardo Bolsonaro
O
ex-deputado Alexandre Ramagem foi liberado por autoridades norte-americanas
após ser abordado na Flórida em decorrência de uma denúncia considerada
equivocada. A informação foi divulgada pelo SBT News, com base em relatos de
fontes ouvidas pela reportagem.
Segundo
a apuração, a abordagem ocorreu após a polícia rodoviária local receber
informações de que Ramagem estaria dirigindo com a habilitação vencida há cerca
de 20 dias e em situação irregular no país, sob a alegação de ser foragido da
Justiça brasileira. Ele foi interceptado enquanto deixava sua residência de
carro, nas proximidades de uma escola.
Ainda
de acordo com o SBT News, agentes do ICE não tinham conhecimento prévio sobre a
identidade de Ramagem. O caso ganhou repercussão interna após o secretário de
Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitar esclarecimentos formais ao
órgão de imigração sobre a detenção. Segundo a reportagem, o ex-deputado
Eduardo Bolsonaro teria conversado com Rubio a respeito da situação de Ramagem,
o que antecedeu o pedido de explicações ao ICE.
Após a
intervenção do Departamento de Estado, agentes do serviço de imigração
identificaram que o detido era ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin). Documentos apresentados por Ramagem comprovaram que ele não estaria em
situação irregular nos Estados Unidos e que aguarda a análise de um pedido de
asilo político.
Nos
EUA, solicitantes de asilo podem permanecer legalmente no país enquanto o
processo está em andamento. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, esse
entendimento foi consolidado ainda durante a permanência de Ramagem na unidade
do ICE, onde ele esteve detido temporariamente. As mesmas fontes afirmaram que
não houve cooperação com autoridades brasileiras no episódio, e que a abordagem
decorreu exclusivamente de uma denúncia recebida dias antes. A Polícia Federal,
por meio do diretor-geral Andrei Rodrigues, foi procurada pela reportagem, mas
não se manifestou até o momento.
Alexandre
Ramagem está na lista de procurados pela Interpol. O governo brasileiro
solicitou aos Estados Unidos a extradição do ex-deputado no final de 2025. A
fuga ocorreu após Ramagem ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por fazer
parte da trama golpista.
Segundo
a Polícia Federal, ele fugiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os
Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.
O
tribunal considerou que Ramagem fazia parte da organização criminosa liderada
pelo ex-presidente Jair Bolsonaro responsável por planejar uma tentativa de
golpe de estado após as eleições de 2022.
Durante
o governo de Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi diretor-geral da Abin, Agência
Brasileira de Inteligência. Ele perdeu o mandato de deputado em dezembro de
2025, em razão da condenação pelo STF.
Ramagem
ainda responde no Supremo pelos crimes de dano qualificado pela violência e
grave ameaça e deterioração do patrimônio tombado, devido aos atos golpistas de
8 de janeiro de 2023. Ele passou a responder por esses crimes após a perda de
mandato parlamentar.
Fonte:
Brasil 247/BBC News Brasil

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